O “advogado” de Judas Iscariotes: Armando Cosani (O Voo da Serpente Emplumada)

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Por Odair Deters

Meu primeiro livro em espanhol, também foi um dos melhores e mais marcantes livros que já li, um dos poucos que me fez verter lágrimas.

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Publicado em 1953 pela extinta editora SOL: ” O Voo da Serpente emplumada” É um dos livros que deixam uma marca e aprofundam a busca da Verdade. Divididos em três partes, na primeira, conhecemos a vida de Armando Cosani Sologuren [relatada por ele], que entre 1938 e 39 conhece na Argentina um personagem [o próprio Judas Iscariot], que auxilia e ajuda o autor em seus momentos difíceis. Na segunda parte, relatada por Judas ao autor, toda em linguagem velada e muito poética, aborda a iniciação, a o despertar, as forças e as leis do Universo, os caminhos de Judas, Pedro e João e especialmente o homem adormecido, a serpente emplumada e a bela princesa Sac-Nicte que com seu beijo desperta o homem adormecido da linhagem maia.

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Na parte final, Judas relata a verdade e como a traição imputada a ele durante séculos é falsa e que tudo corresponde a um papel, um drama representado de que Jesus teve pleno conhecimento. Este último está de acordo com o bem conhecido Evangelho de Judas que veio à luz em todo o mundo há alguns anos atrás, porém bem depois da obra de Cosani.

Apesar de manter-se oculto diante de sua célebre publicação e com isto despertar o interesse de muitos leitores, abordarei um pouco da vida do jornalista e escritor Armando Cosani Sologuren, correspondente, tradutor e escritor peru-boliviano, pois sua família de era radicada na cidade de Tacna, no Peru. Lá viviam seus avós Manuela Esther Basadre Forero [que depois de casada passou a assinar Manuela Esther Sologuren Vargas] e o esposo Mariano Casimiro Sologuren Vargas. Dentre os filhos do casal estavam: Carmem Sologuren y Basadre; Santiago Sologuren y Basadre; Luisa Sologuren y Basadre; Esther Sologuren y Basadre [mãe de Armando Cosani Sologuren]; Ricardo Sologuren y Basadre; Enrique Sologúren Basadre nascido em 1885 e Sara Sologuren y Basadre, nascida em  1887, no Chile e foi em Tacna que nasceu Armando filho do casal, o italiano Giussepe Cosani de Francesqui e Esther Cossani de Francesqui . A esposa de Armando chamava-se Graciela e o casal teve uma filha cujo nome era o mesmo da mãe.

Armando era irmão de Esther Cosani Sologuren [1914-2001] renomada escritora chilena. Ilustradora e novelista e autora de “Lendas da velha casa” e “Lendas da flauta”, [1938]; “Para saber e contar” [1939]; “As desventuras de Andrajo” [1942]; “Contos a Pelusa” e “A casa dos ratos” [1943]; “Contos a Beatriz” [1957]; “Uma história de anjos” e “Rimas” [1994]; “Contos de Tocorí da Serra” [1995].

A família Sologuren, além do Peru, tinha também suas ramificações em Arica e Santiago, no Chile; Espanha; Colômbia; Venezuela e Bolívia.

Em uma definição de si próprio Cosani, dizia-se, antes de seu principal escrito, ser um agnóstico, mas não cético; de visão científica da vida, porém, não materialista ou ateu. Confusamente, Cosani, era católico e frequentava com certa regularidade uma igreja local, aonde ia com a intenção maior de solicitar ajuda ao Jesus, o Cristo para pôr um fim em sua complicada situação econômica e foi ali naquele templo religioso que, em uma de suas idas e vindas, ele deparou-se com um intrigante e misterioso senhor, cuja definição assim ele descreve: “todo ele era um sorriso” [parte I de seu livro].

Em 1939 ele era correspondente de imprensa do United Press, no Chile e foi o responsável por cobrir o Terremoto de Chillán, ocorrido em Chillán, e, 24 de janeiro, daquele mesmo, atingindo todas as cidades próximas com uma intensidade de 7,8 na escala de Richter, registrando mais de 30.000 vítimas. A situação era calamitosa e Armando, acampado em Concepción, transmitia, por ondas de rádio, para Santiago, as notícias. Assim se reportavam os jornais da época:

As “… autoridades na zona do terremoto apreenderam todos os suprimentos de comida e estabeleceu cozinhas comunitárias. Mortos insepultos… […] …o técnico de rádio, Rodrigues Johnson, voltou para Santiago a partir de Concepción, uma das grandes cidades duramente atingidas pelo terremoto, e relatou a situação alimentar tão aguda que Armando Cosani, a equipe do United Press e assistentes não tiveram nada para comer durante dois dias, e que somente mínimas quantidades de água potável estavam disponíveis. [Oshkosh Daily Northwestern – Oshkosh, Wisconsin – 27 de Janeiro de 1939]

Do Chile Cosani vai [provavelmente] para a Argentina, a considerar pelo fato de que em 1942, durante a Segunda Grande Guerra Mundial, ele havia sido recrutado pela Abwehr, o serviço de inteligência alemão, sediado no Chile, trabalhou para os nazistas como correspondente, para fornecer informações sobre os assuntos norte-americanos e três anos mais tarde, em 1945, ele foi preso pelas autoridades argentinas e deportado para a Bolívia.

Em La Paz, Cosani manteve contato direto com embaixadores de diversos países, porém o mais destacado dos contatos, foi com o presidente Gualberto Villarroel López [foi o 39º presidente da Bolívia, entre 1943 e 1946]. Todavia a sequência de acontecimentos no país, marcada pelo assassinato de opositores políticos, em fins de 1944, pelo autoritarismo e pela intolerância, levou o governo de Villarroel ao desastre e à consequente renúncia, em 21 de julho de 1946. A multidão, em sua maioria operários e estudantes, juntamente com o oposicionista PIR (Partido de Isquierda Revolucionária). Os insurrectos invadiram o “Palácio Queimado”, lincharam e penduraram-no pelo pescoço, ao já morto ex-presidente, na sacada do palácio no mesmo dia de sua renúncia. Temendo por sua vida, Cosani deixa a Bolívia e segue [provavelmente] para o México.

Sobre esta época assim se reporta Cosani em seu livro:

“…foram destruídos quatro agências oficiais de inteligência aqui e em todos os edifícios, outras repartições foram danificadas. Novas detenções. Revoltas Antifascistas pelo ditador…”

No México, pelos idos de 1948 [segundo relatos, juntamente com Rodney Collin, discípulo de Ouspenski, fundam um Grupo de Estudos do Quarto Caminho na América Latina. Deste grupo fazem parte alguns britânicos, entre eles o próprio Collin e John Grepe, alguns mexicanos e integrantes de outras nacionalidades, a exemplo de Cosani. No ano seguinte, Cosani começa a trabalhar na tradução de alguns livros de Ouspenski e Maurice Nicoll e, para editar e difundi-los, Collin, fundou a “Editorial Sol”, que publicou a primeira edição da obra de Cosani.

Em 1954, Cosani figura como colaborador em um complemento literário do jornal “Solidaridad Obrera”, cujo conteúdo era direcionado a trabalhadores da CNT [Confederação Nacional do Trabalho da Espanha] da Espanha, exilados na França.  No ano seguinte, em 1955, ele e Collin levam os ensinamentos do Quarto Caminho para Buenos Aires e Peru, onde fundam grupos da instituição. Alguns anos mais tarde, Cosani dedica-se à tradução de autores diversos de esoterismo, desta vez radicado no Argentina.

O Voo da Serpente Emplumada, editado em espanhol é uma das maiores entregas feitas por Cosani para nós, além do espanhol o livro foi publicado em italiano [sob o nome: “Judas – Traição ou Plano Divino?] e em inglês. No português em 2003 um brasileiro o traduziu e o disponibilizou na Internet. Tivemos duas edições impressas em português, sendo a segunda em 2015 [O voo da serpente emplumada – a verdadeira história de Judas Iscariotes] pela editora Esotera, mas rapidamente esgotado.

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Cosani ainda fez as seguintes traduções para o espanhol:

  • Um novo modelo do universo: Os princípios do método psicológico em sua aplicação aos problemas da ciência, a religião e a arte, de P. D. Ouspensky
  • Em busca do milagroso: fragmentos de um ensinamento desconhecido, de P. D. Ouspensky.
  • O Novo Homem”, de Maurice Nicoll
  • O Tempo Vivo e a integração da vida”, de Maurice Nicoll
  • O assassinato deve esperar, de Arthur W Upfield  – 1956
  • As minas do Rei Salomão, de Henry Rider Haggard
  • O super cérebro, do Dr. H J Campbell (Herbert James)
  • Introdução à psicologia de Jung, de Frieda Fordham -1955
  • “Europa – peninsula asiática”, Solidaridad obrera. Suplemento literario – (Outubro de 1954).

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Apesar de citar, não li as traduções feitas por Cosani, ler o “O Vôo da Serpente Emplumada”, por si, já me bastou, confesso que é uma das poucas obras que tocaram-me no fundo de minha alma.

Nesta obra é revelada a verdadeira história de um dos personagens mais importantes e mais injustiçado de toda a história do cristianismo. Um homem que amou tanto a seu Mestre, ou seja, a verdadeira história de Judas discípulo de Jesus mestre que teve que passar pela maior de todas as provações. Um homem que negou toda a felicidade do Nirvana para se sacrificar em prol da humanidade, fazendo aquilo que deveria ser feito.

Com trinta moedas de prata e um beijo cumpriu sua missão e entrou para a história como sinônimo de traição. Seu nome, Judas, o homem de Kariot, discípulo fiel de Jesus que cumpriu à risca aquilo que lhe fora encomendado pelo seu mestre. Judas inicialmente negou-se a viver este papel, no entanto seu mestre Jesus, deixou claro que o escolheu por ser o mais preparado entre seus discípulos.

O Voo da Serpente Emplumada, que além de um romance esotérico é um tratado para o despertar da consciência. A obra é dividida em 3 partes.

Na primeira parte do livro, o autor faz uma apresentação do que viria a se desenrolar na obra escrita, fala de seu encontro com aquela que o inspiraria a escrever o livro e mudar a sua vida, um homem misterioso, com uma imensa sabedoria e que ao longo de vários anos o ajudou e o orientou, também fala sobre sua baixa da Marinha, por um ferimento de guerra, especialmente em sua perna, e sua profissão de jornalista e um tanto do que a América Latina vivia por aqueles anos da década de 1940. O texto é apresentado com uma narrativa de suas desventuras e através de diálogos enriquecidos e de grandes lições, apresenta-nos aquele, que seria uma espécie de preceptor para ele. E, por fim fala nesta primeira parte sobre a necessidade de escrever o livro

A segunda parte do livro, dona de uma beleza mística e poética, fica devotada quase que exclusivamente, a discorrer sobre a antiga cultura maia [a “Sagrada Terra Maya”] e os seus ensinamentos misteriosos ou secretos. Fala também sobre a “Sagrada Princesa Sac-Nicté” ou a “Branca Flor do Mayab” [nesta época de minha leitura idos de 2001, nomeei a uma gatinha angorá que possuíamos, de: Mayab].  Em outras palavras, a segunda parte do livro é um verdadeiro tratado de autoconhecimento que narra a trajetória de um iniciado desde o princípio de sua jornada até alcançar o Despertar da Consciência e a Iluminação ao receber o beijo da Sagrada Princesa Sac-Nicté.

Na terceira parte o autor fala sobre o estranho personagem que se apresentara a ele na primeira pare do livro, e que é identificado como Judas de Kariot. Os acontecimentos entre Jesus de Nazaré e Judas de Kariot, desde o seu encontro até o drama da crucificação, em uma riqueza de detalhes, são narrados segundo uma nova ótica, onde Judas é apresentado, não como traidor e sim como o mais exaltado dos discípulos de Jesus: O único capaz de suportar as dores daquele papel de “traidor”. Permitindo uma viagem com o Grande Kabir e seus discípulos descobrindo o que realmente aconteceu naqueles últimos dias que mudaram a história de toda humanidade.

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O fato é que Judas, discípulo de Jesus, talvez seja uma das figuras mais injustiçadas de toda a história, prova disso encontra-se no evangelho de Judas, evangelho apócrifo encontrado nos anos 70 e que narra os últimos dias de Jesus pelo ponto de vista de seu algoz, do “Traidor”, daquele que vendeu o mestre por 30 moedas de prata.

No entanto Cosani narra com maestria a história de Judas, o homem de Cariot, discípulo querido de Jesus que recebeu a maior e mais dura de todas as missões, entregar seu mestre para que este pudesse se sacrificar pela humanidade.

No tocante a serepente emplumada, outros atroes igualmente dispuseram-se a discorrer sobre o tema da “Serpente emplumada” ou o “Pássaro serpente”, como Jack Farrel, D. H. Lawrence, Alberto Beuttenmuller, Xu Xiaobin, Nivaldo Cruz [Ordem da Serpente emplumada], Armando Torres, discípulo de Carlos Castañeda [O segredo da Serpente emplumada], Luís A. Weber Salvi [A Serpente Emplumada] falando sobre a A Tradição Tolteca. A mitologia maia faz referência a Quetzalcoatl, ou o pássaro serpente [Serpente Emplumada], a principal divindade do panteão “azteca/maia”.

Segundo a lenda o deus Kukulkam [ou Kukumatz], uma serpente voadora, chegou à Terra na figura de Quetzalcoatl:

“Ele veio de uma terra estranha do sol nascente,
em trajes alvos e usava barba.
Ensinou ao povo todas as ciências, artes, costumes
e decretou leis de muito bom senso.
Sob sua orientação, as espigas de milho alcançavam o porte de um homem
e o algodão já era colhido colorido.
Quando Quetzalcoatl deu por concluída sua missão,
saiu a pregar sua doutrina, caminhando em direção ao mar.
Na costa embarcou num ‘navio’ que o levou até a estrela d’alva.
Quetzalcoatl prometeu voltar quando as grandes obras arquitetônicas,
previstas no calendário maia, estivessem prontas.”
[Fonte: The Riddle and Rediscovery of a lost Civilization – 1985]

Entretanto o livro “O Voo da Serpente Emplumada” de Armando Cosani, escrito em meados da década de 1950 e editado pela primeira vez em 1953, é um relato enriquecido e de conteúdo esotérico. Cabe dizer que o relatado nesta postagem, que no livro percebe-se uma ligação direta entre o autor, Armando Cosani e o seu, por assim dizer, preceptor, cujo nome permanecerá uma incógnita. Em diversas passagens do texto, entretanto, observa-se, que o estranho personagem é, na verdade, Judas de Kariot, o discípulo de Jesus. O encontro inicial entre ambos é suposto como sendo entre 1938-1939, na Argentina.

No enredo rico e poético, além de estabelecer a unidade do ensinamento esotérico notadamente os escritos, tradições e costumes maias, com trechos do Chilam Balam de Chuyamel, o Popol Vuh, entre outros, nota-se uma profunda relação de confiança e amizade entre ambos, os quais passam a figurar como mestre e discípulo.

Quanto a Judas, as descobertas mais recentes sobre seu Evangelho atestam todo o belíssimo relato que Cosani apresentou décadas antes, encontramos na Revista Super interessante de maio de 2006, um artigo, relativamente ao Evangelho de Judas, que diz o seguinte: “…O evangelho segundo Judas Por dois milênios, Judas foi apontado como o maior traidor de Jesus. Agora, documentos sugerem que ele pode ser sido o mais fiel de seus seguidores… […] o documento narra os episódios ocorridos durante a semana que antecede a Páscoa judaica no ano de 33 d.C. [os dias imediatamente anteriores à prisão de Jesus] e mostra uma versão completamente diferente da que tínhamos acesso até hoje. No relato, Judas é descrito como o discípulo mais próximo de Jesus, o único capaz de compreender a essência de seus ensinamentos.

Por fim, Jesus revela que Judas será superior a todos os homens porque” sacrificará o homem que me veste”. E revela a missão do discípulo: matar a parte física para livrar o mestre de seu corpo, ou seja, do reino inferior que aprisionava o espírito divino de Jesus. Judas cumpre à risca as ordens: imediatamente procura os sacerdotes para denunciar o líder. Pelo serviço, embolsou algum dinheiro – o valor não é especificado. Nesse momento, o evangelho acaba, abruptamente.

Cabe ainda o fato de que Judas, Pilatos e Caifás, personagens do drama bíblico representam também três facetas do que existe em nosso interior, sendo Judas, o papel do demônio da mente, Caifás o papel do demônio da má vontade e Pilatos o demônio da mente. [Este comentário não faz parte da obra de Cosani]

Ainda, Kenneth Hanson em seu livro “Segredos da bíblia perdida”, pg, 239, diz: “…No evangelho [apócrifo] de Judas consta o seguinte: Jesus diz:” Mas tu, Judas superarás a todos, pois deverás sacrificar o homem exterior que reveste o meu ser interior… […] em uma passagem do Evangelho de João, quando Jesus se dirige a Judas e diz: “O que tens de fazer, faze-o depressa” [João 13,27]. A narrativa diz que os outros discípulos se perguntavam por que Jesus havia feito essa comunicação pessoal a um deles. Havia alguma coisa subentendida, implícita? Alguma coisa combinada antecipadamente? O Evangelho de Judas oferece os detalhes dessa relação especial.”

Outro autor, Enrico Galavotti, à pg 250 de seu livro “Umano e Político. Biografia demistificata del Cristo”, diz que a [suposta] “traição” foi uma “…solução mística, seguramente eficaz… […] e que “…precisamente por causa da traição, Jesus foi capaz de mostrar até que ponto foi o seu grande amor para os seres humanos. Justificando a traição de Judas…”

Também, o insigne Rabolu [V.M.] em seu livro “Ciência Gnóstica”, traz que: “Através das seitas religiosas ou crenças, sempre se teve Judas como um elemento perverso, daninho, mau. Mas, em realidade, ante as hierarquias cósmicas [e eu sou muito testemunho disso], o que tocou aos Apóstolos foi um drama cósmico para nos dar o ensinamento vivo, do que tínhamos que realizar cada um de nós. Em realidade, de todos os Apóstolos do Mestre Jesus, o mais adiantado, ou não digamos adiantado, senão o de categoria superior, foi Judas, a quem tocou representar o papel mais terrível. Recordo quando o Mestre Jesus obrigou, destinou Judas para representar esse papel e Judas não se sentia com capacidade de fazê-lo. Então se ajoelhou ante o Mestre Jesus, e chorando lhe disse que não lhe permitisse representar esse papel, porque ele não se sentia capacitado. Porém Jesus lhe respondeu: “Tu terás que fazê-lo. Tu és o único preparado para isso!” Ainda, Rabolú comenta sobre o livro de Cosani, quando diz: “Agora, bem, há um livro que veio do exterior, não sei de que País. Enviaram-no a um amigo meu. Nesse livro relata um periodista tudo o referente a Judas, ditado pelo próprio Judas. Este apareceu ao periodista, porém, sem dizer que ele era Judas. Não lhe quis dizer seu nome. O relato contém um grande ensinamento.”

Desvendadas as correspondências acimas de autores comtemplamos que atestam a narração de Cossani, deixo um breve trecho retirado do livro, em tradução minha:

“A Serpente emplumada tem que voar; Quando você sabe o que é o voo da Serpente emplumada, você saberá o que você tem que fazer, até então … você perceberá que através dos séculos vibra a mensagem dos imortais: Desperta! Conheça a si mesmo! O impulso misterioso que fixa sua atenção nestes manuscritos…, o eco do grito que despertou a essência imortal de seu próprio sangue. E ao evocar as gloriosas gotas da vida, ele também evocou os sinistros da morte…Mesmo que às vezes pense que você perdeu o Caminho que leva ao Despertar, você nunca estará sozinho…Nunca pergunte a outro homem: ‘O que é que devo fazer?’; porque é a mais nefasta de todas as perguntas. Se a fazes a um néscio, a um adormecido, está-lo-ás convidando a arrastar-te ao sonho. Com o qual haverás caído em dupla ignorância e te será duplamente difícil voltar a despertar. E se fazes tua pergunta a um sábio, a um desperto, perceberás quão inútil é perguntar, porque um desperto sempre responderá: “Faze o que melhor te pareça; se nisto colocares todo teu coração, agindo sempre alerta, ganharás em riquíssima experiência.” Ao final, farás da Solidão e do Silêncio teus mais estimados companheiros; sumindo-te com eles no mais profundo de si mesmo, irás vislumbrando gradualmente todo o horror do Sonho que é a humana escravidão. E, pelo mesmo, aumentarás teu poderio para reclamares tua liberdade. Se tens invocado a teus amigos, também tens posto em guarda a teus piores inimigos. Uns e outros aparecerão em ti e ante a ti em mil formas distintas, e muitas vezes os confundirás durante teus primeiros passos. Teus amigos não serão sempre os mais gratos e amáveis, pois te irão privando de tudo quanto agora estimas duradouro. Então será quando teus inimigos, zelosos e sorridentes, demonstrarão, ante tua visão interior, mil possibilidades para elevar-te sobre tua condição atual. E se chegas a ceder e a morder o venenoso fruto que te oferecerão, cairás preso e ficarás sujeito à tríplice cadeia de ilusão e de sonho, que sempre se apodera do ingênuo que ignora o valor da experiência e da oposição. Mas conhecerás rapidamente a teus amigos nos silêncios infinitos a que tu mesmo te lançarás ansioso e sedento de palavras de Verdade. Então sentirás fluir um “algo” áspero ou suave, segundo a circunstância, e o mero fato de senti-lo indicar-te-á que estás No Caminho para um completo despertar. Porque esse Verbo, esse “algo”, és tu mesmo, o Amo, o Criador.”

Em suma, o livro o Voo da Serpente Emplumada narra a história de Judas, o homem de Cariot, discípulo querido de Jesus que recebeu a maior e mais dura de todas as missões, entregar seu mestre para que este pudesse se sacrificar pela humanidade e salvar os homens dos pecados.

Eu pessoalmente gosto muito do livro, de 2001 a 2004 ajudei a disseminar ele através de fotocópias, quando o acesso à Internet ainda era limitado, li várias vezes e ocasionalmente sigo o tomando em minhas mãos, onde sempre me alimento de um certo pulsar encontrado em suas páginas É um livro esplendoroso, tocante e vibrante e altamente recomendado para leitura.

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Família Deters

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Por Odair Deters – Texto originalmente publicado pela Embaixada da Alemanha em Brasília, na série „Nós Contamos a Sua História“.

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O nome de família alemã Deters é de origem patronímica, o que significa que foi inspirado no pai do portador inicial. Neste caso, significa “Filho do Deter”, sendo este último um diminutivo para o antigo nome germânico “Diethard” que derivou de palavras do alto alemão antigo, como: “Diot”, que significa “povo” e “Harbi”, que significa duro ou resistente.

Algumas das primeiras referências ao sobrenome Deters incluem um registro de Johann Deters, filho de Jochim Deters que foi batizado em 22 de novembro de 1686 em Ruhn, Mecklenburg. Também o casamento de Cordt Deters e Crinck Evers que foi comemorado em 06 de agosto de 1684 na Igreja de Santa Margarida em Padderhorn, Westphalia. Outro registro é o de Eilert Deters, filho de Johann Deters e Anna Wedemayer, nasceu em 16 fevereiro de 1766 em Leuchtenberg, Baixa Saxônia. Um dos registros mais importantes e ainda presente, está na igreja St. Martini de Braunschwei, hoje Brunsvique, localizada também no Estado da Baixa-Saxônia, onde pode ser encontrado o primeiro registro do Brasão da Família Deters (com duas facas cruzadas sobre o coração). Um dos portadores notáveis do nome Deters, foi o teólogo Brandanus Deters que morreu em 1710.

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Entre os séculos XIX e XX, muitos Deters migraram para o Novo Mundo, praticamente todos para os Estados Unidos da América. Mas Franz Deters, nascido em Steinfeld, na Baixa Saxônia, não seguiu o destino dos demais.

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Em 1926, embarcou com sua família, no navio Werra da companhia Norddeutscher Lloyd, que fazia então o serviço Bremen-La Plata. Para partida, escolheu o alegre verão europeu, a grande embarcação partiu com 184 passageiros, praticamente metade da sua capacidade. Sendo que dos 184 passageiros, 12 representavam a família de Franz Deters. A família de Franz Clemens Deters, era composta por sua segunda esposa Maria Elisabeth Pölking e seus 6 filhos (Anton, Elisabeth, Clemens, August, Georg e Karl), mais os 4 dos 5 filhos do primeiro casamento (Bernard, Heinrich, Ana e Frantz). Um dos filhos, Josep, o mais velho de todos, seguindo o coração, não quis se desligar de sua paixão e ficou com a amada na Alemanha.

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Foram 21 dias no mar, compartilhando o espaço com passageiros de 14 diferentes nacionalidades, com uma passagem por Nova Iorque, antes da descida ao hemisfério Sul. Desembarcaram no porto de Rio Grande, RS, no período em que ocorria o ponto mais alto da imigração alemã no Brasil, a década de 20 a de 30, período em que cerca de 75.000 outros alemães também vieram.

Após a chegada foram diretamente para o campo, assim como os primeiros alemães que aqui chegaram, um século antes. Os Deters, inicialmente foram para Santo Ângelo, RS (Distrito da Buriti – República de Frode), posteriormente pelas condições políticas impostas na Era Vargas, participaram da Sociedade União Popular ou “Volksverrein” e promoveram a colonização do extremo Oeste Catarinense, por germânicos católicos, hoje, município de Itapiranga, SC, onde encontrariam propriedades que permitiram o desenvolvimento das famílias, e mais segurança pela predominância de outros conterrâneos.

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Os primórdios exigiram muito trabalho, um deles foi a extração de madeira, comercializada através do rio Uruguai, permitindo em 1945 a aquisição de um caminhão e o que exigiu que eles mesmos passassem a abrir estradas. Alguns filhos retornaram posteriormente para Santo Ângelo, na “Colônia Velha”, assim chamado o Estado do Rio Grande do Sul, pelos alemães. Este retorno objetivou reaver as propriedades compradas pela família em 1926. A partir daí desenvolveram-se as famílias Deters, tanto na região das Missões, RS, como no Oeste Catarinense.

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A geração dos netos de Franz Deters passou a migrar para a área urbana, hoje, somam-se mais de 300 descendentes, que já realizaram dois encontros da família, que ocorrem em Itapiranga a cada dois anos, identificando assim que os Deters estão residindo atualmente em diversas regiões do Brasil, e dispersos nas mais diversas profissões, entre elas: professores universitários, bancários, cientistas da computação, engenheiros, pedagogos, servidores públicos, comerciantes, entre outras, além-claro, de muitos que seguem desenvolvendo atividades no meio rural, todos, assim como, Franz Deters, o patriarca, em busca de seus sonhos pessoais, colaborando assim para o desenvolvimento do lugar onde vivem.

Atualmente o Brasil é o terceiro país com mais pessoas com o sobrenome Deters, todos, descendentes de Franz. Os Estados Unidos possuem a maior população com este sobrenome, sendo atualmente 3.239 pessoas, seguido da Alemanha com 1.614 e o Brasil com 223, depois ainda com números consideráveis temos Holanda, com 173 habitantes, Canadá, 99 e Austrália com 32.

Fotos:

  1. O navio Werra retornando para a Europa
  2. Franz Deters e família
  3. Igreja St. Martini de Braunschwei, hoje Brunsvique
  4. Brasão de Steinfeld
  5. Condecoração a Franz Deters por ter lutado na 1ª Guerra Mundial nas tropas de Von Hindenburg (futuro presidente da República de Weimar)
  6. Jogo de futebol em Itapiranga, década de 1930. No local atualmente é a Prefeitura de Itapiranga.
  7. Caminhão da família Deters para o transporte de madeira

 

MANFRED DETERS, O JOVEM DO CAMPO DE PEDRA QUE PAROU DI STÉFANO E PELÉ

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Por Odair Deters

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Com o VfL Osnabrück na estrada: Manfred Deters (1º a partir da esquerda) antes do início do amistoso contra a seleção espanhola.

No período pós-guerra quase todos os meninos jogavam futebol na Alemanha. Na pequena Steinfeld, não era diferente, Manfred Deters e seus amigos não foram uma exceção. “Pelo contrário”, lembra Deters, “se eu não tivesse jogado futebol, eu teria que escutar advertências do meu pai.” Não é de admirar que seu pai fosse o primeiro treinador da equipe do SV Falke Steinfeld.

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Deters treinou pesado na juventude do Falk. Com dezessete anos de idade, ele se destacou. Com o Falke jogou na Amateuroberliga enfrentando equipes como o Arminia Hanover. Com isto, Deters, logo entrou na viseira do VFL Osnabrück. O treinador de amadores do Osnabrück, Walter Komorowski impressionou-se e fez de tudo para ter Manfred em seu elenco.

Deters cedeu as propostas e aos 18 anos estava no Osnabrück. Em um dos primeiros jogos ele teve que enfrentar seu próprio time. Deters, disse que a impressão foi muito ruim, e que “eles não conseguiram entender minha decisão. Foi um sentimento estranho para mim, porque meu pai era o treinador de Steinfeld”. O VfL Osnabrück ganhou de 2-0, e Deters foi garantindo o lugar na equipe principal. O treinador do Osnabrück, Walter Meidt o observava intensamente e finalmente o nomeou para a Oberligamannschaft.

A partir de 1961, Manfred Deters tornou-se um jogador contratado por 320 Marcos por mês. No Oberliga-Elf, o atacante mudou de posição e tornou-se um jogador defensivo. No Derby contra o Werder Bremen, ele mostrou uma postura poderosa contra o muitas vezes jogador da seleção alemã Willi Schröder. Após o apito final, o Bremen o cedeu ao poderoso zagueiro do rival e veio a proposta: “Deters, você pode ser muito mais, venha para Werder”. Estas palavras ecoaram na cabeça de Deters por muitas décadas. Mas ele disse: “Foi bom, é claro, receber elogios de um jogador clássico do futebol alemão e ter esta proposta”, no entanto o sentimento de ter enfrentado sua antiga equipe pelo Osnabrück, impediram o de escolher novamente. A mudança para Hansestadt não ocorreu. Ele lembra, “O presidente da VfL, Fruedek Schwarze, era contra sua mudança e o incentivava a ficar, dizendo: “Então, você sempre foi, “Steinfelder”, você tem que ficar aqui, você tem que ficar conosco”, diz Deters.

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No entanto, mesmo tricotando com o VfL Osnabrück, ele teve grandes embates internacionais. Durante uma lendária viagem à Espanha, os Osnabrückers desafiaram a seleção espanhola. Deters jogou contra, e teve que parar ninguém menos que Alfredo di Stefano e Gento. O que para o jovem time do VFL seria o famoso “Moulin Rouge” após enfrentar a seleção da Espanha, que os havia premiado no dia anterior cada jogador do VFL com uma garrafa de champanhe, na verdade não deu diversão aos jovens fora de campo, pois após a partida foram diretamente para o ônibus, para voltar a Osnabrück – e no dia seguinte para trabalhar.  Mas uma experiência coroaria a carreira do jovem Manfred que aprendeu a jogar bola em um campo de pedra (como era o campo do Falke Steinfeld). No início da década de 1960, ele e seu colega de equipe Osnabrück, Udo Lattek, defenderam em Hannover a seleção de Niedersachsen (Baixa Saxônia) contra o Santos FC e agora Manfred teve que segurar o melhor atacante do Santos FC, Pelé. “Ele era verdadeiramente dono de uma habilidade absoluta, o melhor do mundo na época”, Deters ainda se entusiasma com as artes de Pelé.

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Deters, que brilhava nos campos nesta época não era apenas jogador, “não podia parar com o trabalho e tinha que dar o exemplo para meus colegas na empresa”, então todo final de tarde Deters pegava sua bicicleta e partia para o treino. Em virtude das partidas, alguns acertos de horário eram necessários e contava com o fato de que seu gerente era um veterano fã do VfL, pelo apoio o gerente de Deters recebia um ingresso gratuito para os jogos em casa.

Manfred Deters jogou ainda, no Bremer Brücke até 1967. Depois, ele se juntou a Oesede, que mais tarde se tornou um treinador de esportes. Hoje ele goza de aposentadoria com sua esposa em Georgsmarienhütte. O tédio da aposentadoria ele cura explorando o norte alemão de bicicleta. “É muito divertido”, diz ele, que diz carregar a velha casa em seu coração: “Eu ainda me orgulho de ser um, do campo de pedra”, diz Deters.

Contos de fadas, a verdade.

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Por Odair Deters

Recentemente visitei algumas cidades da Baixa Saxônia (Niedersachsen) de onde vieram meus antepassados, por lá passa a rota dos contos de fada.

E você descobre que a Disney recontou histórias aterradoras de um jeitinho todo meigo.

Prepare-se para um revisionismo dos contos de fada, histórias como a Bela Adormecida, Branca de Neve e os Setes Anões, Rapunzel, Chapeuzinho Vermelho, João e Maria, O Gato de Botas, entre outros…Na real eles são muito diferentes do que você escutou ou viu.

Nada de fofura: Cinderela, A Bela Adormecida, Branca de Neve e outros eram muito mais sangrentos antes da Disney. Na idade média, a ideia era clara: preparar as crianças para os problemas mundo afora.

CINDERELA:

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Versão Disney: Cinderela perde o sapatinho de cristal no baile, e o príncipe passa a procurar pela dona do sapato. Todas as mulheres solteiras da região experimentam o calçado, mas ele não serve em ninguém – nem mesmo nas irmãs malvadas de Cinderela, que tentam de todas as maneiras conquistar o príncipe. No final, o sapato cai perfeitamente nos pés de Cinderela, que se torna a escolhida.

Versão original: Para seus pés caberem no sapatinho de cristal, uma irmã malvada corta os dedos do pé, e a outra corta o próprio calcanhar. Mas o príncipe é avisado de o sapatinho está repleto de sangue, e não aceita nenhuma das duas como esposa. Quando elas tentam comparecer à festa de casamento entre Cinderela e o príncipe, as irmãs têm os olhos furados por pássaros. Mais tarde, Cinderela quebra o pescoço da Madrasta Má com a tampa de um baú, matando a vilã. Ah, mais um detalhe: não existia fada madrinha na história dos irmãos Grimm.

A BELA ADORMECIDA:

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Versão Disney: Vítima de um feitiço, a princesa espeta o dedo no fuso de uma roca e cai em sono profundo. O príncipe Philip, já apaixonado por Aurora, descobre a maldição, dá um beijo de amor verdadeiro, e ela se acorda. Eles se apaixonam.

Versão original: Aurora espeta o dedo em um espinho e dorme. O príncipe chega, estupra a garota e vai embora. Ela engravida e dá à luz, enquanto dorme. Na história de Giambattista Basile, a personagem acorda apenas quando os bebês, famintos, chupam o seu dedo e retiram o espinho enfiado na carne. Outra versão mais antiga da mesma história (contada por Robert Darnton) diz que Aurora acorda com os recém-nascidos comendo o corpo da própria mãe, de tanta fome.

CHAPEUZINHO VERMELHO:

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Versão Disney (e versão Grimm também): O lobo chega à casa da vovó antes da Chapeuzinho Vermelho, e devora a proprietária. Ele se disfarça de vovó, e quase consegue enganar a garota, mas na hora de revelar o disfarce e devorá-la, o caçador mata o lobo.

Versão original (de Perrault): O lobo mata, mas não devora a vovó. Quando Chapeuzinho chega à casa, o lobo fantasiado oferece carne para a garota comer (sim, a carne da própria avó). Ela come toda a carne, e ainda bebe uma taça de vinho (que era na verdade o sangue da avó). Depois, quando chama a garota para a cama, ele pede a Chapeuzinho que fique nua antes de se deitar. O lobo devora a Chapeuzinho.

JOÃO E MARIA:

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Versão Disney (em Babes in the Woods, 1932): Os irmãos João e Maria (Hansel e Gretel, no original) vivem com o pai e a madrasta. Esta fica brava com as crianças um dia e pede que eles colham amoras na floresta. Eles jogam migalhas de chão para não se perderem, mas os pássaros comem as pistas. Os irmãos encontram uma casa de doces, que funciona como armadilha para uma bruxa tentar devorar os dois.

Versão original: O conto dos irmãos Grimm é muito mais sombrio. As duas crianças são abandonadas pela própria mãe, para morrerem de fome na floresta, já que os pais são muito pobres e não podem sustentá-los. Quando voltam para casa, tendo sobrevivido à bruxa, encontram os pais mortos de fome dentro de casa.

BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES:

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Versão Disney: A Rainha má pergunta a um espelho quem é a mulher mais bonita, e o objeto responde que é Branca de Neve. Enciumada, a mulher manda matar a garota, mas o homem encarregado da tarefa não tem coragem de assassiná-la, e deixa Branca de Neve fugir na floresta. Ela encontra a casa de sete anões, e passa a morar com eles. A Rainha descobre que sua rival ainda está viva, se disfarça de bruxa e entrega uma maçã envenenada para Branca de Neve, que dorme até ser acordada pelo beijo do príncipe. Os anões matam a Rainha.

Versão original: A Rainha não apenas manda matar Branca de Neve, ela também exige que o coração e o fígado da garota sejam trazidos de volta. Ela come os órgãos. O príncipe tenta levar o corpo da Branca de Neve com ele, mesmo achando que ela está morta. A garota não acorda com um beijo: o príncipe deixa o caixão cair, e o pedaço de maçã em sua garganta se desloca e sai da boca, fazendo com que ela acorde. O príncipe e Branca de Neve se casam, e convidam a Rainha para a cerimônia. Os dois forçam a vilã a usar sapatos incandescentes, e dançar até morrer.

A PRINCESA E O SAPO:

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Versão Disney: Tiana sonha em se tornar dona de um restaurante. Ela decide trabalhar na festa organizada pela amiga Charlotte, que tenta conquistar um príncipe de passagem pela cidade. Acidentalmente, Tiana usa o vestido da amiga, e é confundida com um princesa pelo sapo. O animal pede um beijo, que seria capaz de transformá-lo em humano. Mas quando Tiana o beija, é ela quem se torna uma rã.

Versão original: A lenda do beijo que transforma sapo em príncipe já ganhou várias versões, mas nos primeiros textos conhecidos do “Príncipe Sapo”, o feitiço do príncipe não é quebrado através de um beijo. A solução é maltratar o sapo, batendo-o na parede com a maior força possível. Outras versões dizem que o feitiço seria quebrado se o animal fosse queimado em uma fogueira, ou decapitado.

RAPUNZEL:

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Versão Disney: Rapunzel é mantida prisioneira numa torre pela cruel mamãe Gothel. Seus cabelos gigantescos servem a manter contato com o belo príncipe, que roubou a sua tiara sem conhecer a dona do acessório. Rapunzel recupera a tiara, e faz um trato com o príncipe: ela entrega o objeto se ele ajudá-la a sair de lá, para ver as luzes no dia do seu aniversário.

Versão original: Bom, neste caso a coisa é muito diferente. Logo nos primeiros encontros entre Rapunzel e o príncipe, ela fica grávida, algo descoberto pela feiticeira ao ver a barriga da prisioneira. Quando o príncipe se depara com os cabelos cortados de Rapunzel, acredita que ela está morta, e se joga da janela, ficando cego com os espinhos no solo. Ele vaga sem rumo, chorando. Rapunzel dá à luz a gêmeos, e as suas lágrimas fazem com que o príncipe enxergue novamente.

GATO DE BOTAS:

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Versão Disney (sim, a Disney fez um filme sobre o personagem em 1922, muito antes da Dreamworks): Um plebeu é apaixonado por uma princesa, e a gata preta dele se apaixona pelo gato branco dela. Para se casar com a princesa, ele supostamente vence uma batalha contra um touro (com a ajuda de uma máquina de hipnose) e impressiona o rei a ponto de ser escolhido como futuro marido de sua filha. Por causa do plano, feito com ajuda do gato, o felino exige como pagamento um par de botas. O rei descobre o passado do plebeu e fica furioso, mas o homem apaixonado foge com a princesa.

Versão original: Existem duas versões diferentes da história inicial. Em uma delas, três irmãos recebem heranças diferentes do pai: um ganha uma fortuna, o outro fica com poucas posses, e o terceiro ganha apenas um gato (que na verdade é uma raposa e não usa botas). Mas o gato é esperto, abusa da vaidade e da ignorância alheia, para fazer com que o dono se case com a princesa, e o próprio gato fique rico. Na outra versão, dois irmãos recebem heranças muito diferentes. Um deles fica com tudo, e o outro, que tem cinco filhos para criar, torna-se mendigo. O irmão mais velho, arrogante, faz com que o mais novo fique nu e role sobre o trigo, dizendo que o que o irmão pode levar para a família todo o trigo que se colar no seu corpo. Mas o trigo arrecadado não é suficiente… Uma fada-raposa aparece, e consegue um pote de ouro para o irmão mais pobre, que passa a levar uma boa vida.

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Aterradores os contos de fada alemãs? Calma, o terror não e exclusivo dos contos germânicos, pesquise também as histórias originais de Aladdin, Frozen, o Cão e a Raposa, A pequena Sereia, A Bela e a Fera, Pinóquio…e você irá se apavorar.

 

Cidades ou Países? Um arranjo com muitos países pequenos é preferível a um com poucos países grandes.

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Por Odair Deters

Entre os libertários é comum defendermos que um arranjo com vários países pequenos é preferível a um arranjo com poucos países grandes, pelo mesmo motivo que um grande número de empresas pequenas tende a resultar em um melhor mercado do que um pequeno número de empresas grandes, sim, algo como uma Europa feudal nos parece algo muito melhor.

Uma das principais razões para a existência de vários pequenos países é a competição.  Ao passo que empresas concorrem entre si por meio de preços e da qualidade de seus produtos, países concorrem entre si por meio de coisas como política econômica, sistemas políticos, e instituições jurídicas.  Se os impostos forem muito altos em um país, é desejável haver várias opções para onde emigrar.  Se um país não permite que os pais eduquem os filhos em casa, há mais opções para se emigrar para um país que permita.  Se um país é excessivamente burocrático, haverá outros que serão bem menos.  Se um país proíbe seus cidadãos de praticar livre comércio com outros países, ou determinada religião, haverá outros que permitirão.  Se um país possui um governo avesso ao empreendedorismo, haverá outros mais amigáveis. Basicamente isto faz com que os governantes se curvem à vontade da população.

E quanto menor a extensão espacial de um estado, mais fácil seria emigrar e, consequentemente, menos intrusivo e coercivo teria de ser o estado.  Afinal, seria de seu total interesse fazer de tudo para que as pessoas produtivas se sentissem estimuladas a permanecer dentro de seu território.

Estados pequenos possuem vários concorrentes geograficamente próximos.  Se um governo passar a tributar e a regulamentar mais do que seus concorrentes, a população emigrará, e o país sofrerá uma fuga de capital e mão-de-obra.  Claro, supondo que tais países não se tornarão tirânicos ao ponto de proibir seus cidadãos de se locomoverem livremente.

Países também concorrem entre si em termos de idioma, religião, cultura, belezas naturais e, é claro, turismo.  Todas essas coisas tendem a resultar em locais que não apenas são melhores para se viver, mas que também permitem às pessoas se congregarem mais facilmente com aquelas que possuem uma visão de mundo similar.

Também, além da competição, áreas territoriais menores são mais simples de ser governadas.  E “governadas” não significa mais fácil de ser controladas, mas sim que as decisões são tomadas em um nível mais local e por pessoas mais familiarizadas com as circunstâncias e com as vidas das pessoas que serão diretamente afetadas por essas decisões.

Podemos citar alguns exemplos de relativo sucesso entre os pequenos países atuais, como: San Marino, Liechtenstein, Vaticano, Cingapura, Bahrein e Mônaco, mas quero trazer para cá, algumas cidades, distritos e pequenas regiões que foram e estão em busca de separatismo mundo afora, procurei evitar citar ilhas, devido a característica fronteiriça própria delas (exceto duas que eu admiro, a saber: Aland e Norfolk).

Bom divirta-se conhecendo o mundo das cidades (futuros países?):

Aland (Finlândia): As ilhas de Alanda constituem um arquipélago finlandês situado no Mar Báltico, a cerca de 40 km da costa da Suécia e a 25 km da costa da Finlândia. O arquipélago da Åland é uma província autónoma e desmilitarizada, habitada por quase 30 mil pessoas  que falam maioritariamente a língua sueca. As ilhas têm se tornado famosas por serem locai de gravação do seriado Tjockare än vatten.

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Auroville (Índia): Reconhecida oficialmente como cidade tanto pelo governo indiano quanto pela Unesco, recebe, desde sua fundação, em 1968, pessoas de todo o mundo, inclusive do Brasil. A população da cidade hoje é cerca de 2 mil habitantes, mas o local tem capacidade para receber até 50 mil moradores. Ainda que esteja localizada em uma região paradisíaca, todos têm que trabalhar pesado e ganham um pequeno e igualitário salário que atende as necessidades básicas A cidade foi construída para ser totalmente autossustentável, possui escola, restaurantes, padarias, hospitais, cinemas e lojas, mas não há muito o que se comprar. Ninguém possui carro, somente bicicletas e motos – e o estilo de vida não inclui muito espaço para ostentação e consumismo. Não há cargos públicos ou hierarquias governamentais – bem, não há sequer governo ou eleitos. Diante de cada dilema ou proposta social que a cidade atravessa, um conselho geral se reúne, no qual são delegados membros para resolver o que estiver em debate. Além disso, não existe religião oficial, contanto que não preguem, persigam ou incomodem outros moradores, cada um é livre para exercer a religião que quiser – ou não exercer nenhuma. Embora bela em fotos os relatos dos visitantes dizem que o lugar apresenta decadência e muita sujeira.

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 Carcóvia (Ucrânia): Kharkiv pensa em se converter em mais uma “república popular” separatista. A guerra entre russos e ucranianos castiga a região, e a Carcóvia que nada mais é que uma miniatura da Ucrânia a 40 km da Rússia, desiludida, com um grande potencial prejudicado por líderes incompetentes e corruptos, busca uma forma de escapar do terror ao redor. Em 2014, uma cena que marcou o mundo, as multidões alegres derrubaram a gigantesca estátua de Lenin com um guindaste e só deixaram os pés quebrados no pedestal.

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Ceuta (Espanha e Marrocos): cidade autónoma espanhola desde 1995 situada em continente africano. Ceuta é um território com 18,5 Km no topo do continente africano, ladeado pelo mar Mediterrâneo, junto ao estreito de Gibraltar. Tem mais de 82 mil habitantes, uma curiosidade é que foram construídos os muros (cercas) para barrar integralmente a presença de marroquinos nas áreas fronteiriças, dificultando o ingresso destes e de demais africanos ao continente europeu.

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 Christiania (Dianamarca): também conhecida como Cidade Livre de Christiania, é uma antiga área de bases militares abandonadas ocupadas hippies, anarquistas e artistas é uma comunidade independente e autogestionada localizada na cidade de Copenhagen, com cerca de 850 habitantes, cobrindo uma área de 34 hectares. As Autoridades públicas consideram Christiania como uma grande comuna, uma área de um status único na medida em que é regulada por uma lei especial, a Lei de Christiania, de 1989, que transfere partes da supervisão da área do município de Copenhague para o estado. Christiania tem sido uma fonte de controvérsia desde sua criação, numa área militar em 1971. O comércio de cannabis foi tolerado pelas autoridades até 2004. Os primeiros ocupantes da área tinham como ideal comum a rejeição a certos valores morais e convenções sociais e, principalmente, aos ideais capitalistas. Os moradores tratam Christiania como umaComunidade Autônoma.

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Concha (Estados Unidos): Surgida em 1982, quando a polícia de fronteiras bloqueou a entrada da cidade de Key West, na Florida (EUA) para conter o tráfico de drogas. Irritados, os moradores alegaram que estavam sendo tratados como estrangeiros, e resolveram transforar a cidade em um país, a República de Concha, que hoje conta com mais de 24 mil moradores.

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Cospaia (Itália): Ou República da Cospaia, esse pequeno estado independente de 1440 a 1826, localizado na Umbria, Itália.  Quando o Papa Eugênio IV, vendeu o território de Sansepolcro para o República de Florença, por erro na designação da fronteira, uma pequena faixa de terra não foi incluída no tratado que marcou os limites, e seus habitantes foram rápidos em declarar a independência. Com 330 hectares, e uma população constante ao longo dos séculos de 300 pessoas e menos de 100 domicílios. Em sua independência, tornou-se uma República Anarquista, assim, eles não tinham que pagar impostos, não havia leis arbitrárias impostas por líderes para favorecer os poderosos, também, os homens de Cospaia não eram recrutados para lutar em guerras de Roma ou Florença, e como eles não tinham líderes para representa-los, eles não tinham ninguém para formar envolventes alianças que podiam falhar e colocá-los em guerra. Os habitantes de Cospaia eram livres para firmar trocas e criar suas famílias da forma que lhes era conveniente. O fato de não terem líderes permitiu que pudessem buscar a forma mais lucrativa de dispor de seu tempo e energia. Inclusive cultivando o tabaco que era proibido nas redondezas.

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Couto Misto (Portugal e Espanha): O Couto Misto foi um microestado independente de 27 km² de fato encravado entre Espanha e Portugal, com existência entre o século X e 1868. É uma zona localizada a norte da serra do Larouco, na Galiza (Espanha) na fronteira norte do atual Concelho de Montalegre, em Portugal. Os habitantes do Couto Misto não se encontravam obrigados a uma ou outra nacionalidade, podendo inclinar-se, dependendo de razões geográficas, familiares ou tradicionais, por uma, por outra, ou por nenhuma. Concretamente, os seus habitantes não estavam obrigados a utilizar documentos de identidade pessoais, não estando sujeitos aos efeitos jurídicos de uma nacionalidade: eram considerados como “mistos”. Como território independente de fato, os habitantes do Couto Misto detinham vários privilégios, como a isenção de serviço militar e de impostos, e podiam conceder asilo a estrangeiros ou opor-se ao acesso a forças militares estrangeiras e portar armas. Em 1864, o Tratado de Lisboa, celebrado entre Portugal e Espanha, dita o fim do Couto Misto.

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Dubrovnik (Croácia): belíssimo porto murado e antigo porto de destaque comercial constituído por sérvios de fé católica, em território hoje denominado dalmácio – croata (desde 1939). Habitantes acusam a Croácia de negligência. A região é considerada hoje um patrimônio histórico e cultural inestimável.

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Elleore (Dinamarca): O Reino de Elleore foi fundado em 1944 por professores da Dinamarca que levavam seus alunos para um acampamento de verão. Os 370 cidadãos do reino se reúnem anualmente no mês de agosto para uma semana de festas na ilha.

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Estrasburgo (França): os habitantes falam tanto francês quanto alemão entre si no dia-a-dia. A arquitetura é bonita, sendo bem misturada considerando a tradição dos dois países. Fica na Alsácia, que é uma das regiões mais ricas da França. Embora geograficamente situe naquele que se reconhece território francês, é uma região de muita influência alemã, tendo, em diversos períodos de sua história, sido vinculada às mais variadas definições que o estado alemão historicamente experimentou. Tamanha Idiossincrasia sempre fomentou forte sentimento separatista em relação a França e a Alemanha. O que pode ser notado e canalizado no retorno do Strasborug, time de futebol, a primeira divisão do futebol francês. Cidade livre e autônoma do Sacro Império Romano-Germânico, Estrasburgo foi anexada à França somente em 1681, Estrasburgo foi anexada ao recém estabelecido Império Alemão  em 1871, após a Guerra franco-prussiana . Beneficiou-se igualmente da intenção alemã de transformar a cidade na vitrine da cultura alemã, visando a atrair as populações locais e a mostrar ao mundo e à França a superioridade da cultura germânica. A cidade voltou à França após a Primeira Guerra Mundial em 1919. Tornou-se novamente parte da Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, de 1940 a 1945.

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Filettino (Itália):  Pequena aldeia até o século 1 Dc. Em 1297 caiu sob o controle do sobrinho do Papa Bonifácio VIII , cuja família tornou-se notório pela opressão e crueldade. Posteriormente absorvidos pelos estados Papais até os próprios Estados serem anexados ao Reino da Itália em 1870. Campanha pela independência teve início em 2011, após um anúncio do governo italiano de que todas as aldeias com menos de 1.000 residentes teriam de se fundir com aldeias vizinhas, a fim de reduzir os custos administrativos, forçando a se fundir com a cidade vizinha de Trevi nel Lazio, quando, então o prefeito da aldeia começou para fazer campanha para que Filettino torne-se um “estado independente”.

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Foza (Itália): é uma comuna italiana no Vêneto com cerca de 731 habitantes. Estende-se por uma área de 35 km², Em 2006, a população dos oito municípios do Planalto, ao qual Foza pertence, votou por larga maioria (94%) em um referendo para a separação territorial da Região do Veneto e a posterior agregação à província autónoma de Trento, o que motivou pensamentos separatistas maiores. O primeiro registo escrito de Foza remonta a 1085.

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Frode (Brasil): República de Frode, atualmente denominada Buriti ou ainda Burity (antigo). Antiga colônia fundada na região das Missões, em solo gaúcho pelo dinamarquês com título nobiliárquico Frode Johansen, hoje pertencente como distrito do município de Santo Ângelo, possui próximo de 2.000 habitantes, em sua maioria descentes de alemães (www.facebook.com/BuritiEColoniaMunicipal/).

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Kaliningrado (Rùssia): é um exclave russo entre a Polónia e a Lituânia, à beira do Mar Báltico. Fundada em 1255 pelos Cavaleiros Teutónicos sob o nome de Königsberg, foi, de 1466 a 1656, parte da Polônia. Também foi a capital da Prússia Oriental e, a partir de 1871, fez parte do Império Alemão. Famosa por ter tido entre os seus habitantes o filósofo Immanuel Kant. População ainda predominante de origem alemã, possui atualmente cerca de 448 mil habitantes.

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L’Anse-Saint-Jean (Canadá) : O Reino de L’Anse-Saint-Jean é um país monárquico estabelecido na América do Norte, criado por um referendo no município de L’Anse-Saint-Jean , em Quebec. A pequena aldeia rural com 1269 habitantes, foi fundada em 1838 por um grupo de exploradores de madeira, porém o fato mais marcante da história desta cidade foi alcançado em 1997 quando em um referendo, 73,9% dos votos a tornaram no Reino de L’Anse-Saint-Jean. Com a formação da monarquia ocorreu a coroação do Rei, Denys Tremblay. A monarquia deu-se como forma da cidade superar as fortes dívidas contraídas em uma enchente em 1996, e como forma de se reerguer iniciaram o processo de criação de uma micronação.

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Liberland (Croácia e Sérvia?): A República Livre de Liberland foi autoproclamada em 2015, numa área de 7 km² entre a Croácia e a Sérvia. O território não é reclamado por nenhum dos dois países, mas ambos têm instalado barreiras militares para evitar o acesso à região. Seu presidente e fundador é Vít Jedlitka, do Partido Tcheco dos Cidadãos Livres. Liberland aceita pedidos de cidadania pela internet, e seu lema é “Viva e deixe viver”. Vit pretende que seja desenvolvido no local uma cidade que respeite todos os ideias liberais.

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Lübeck (Alemanha): a atual cidade livre era uma cidade-estado que existiu de 1226 à 1937, quando os nazistas aprovaram uma lei, segundo a qual passou integrar a Alemanha. Em parte porque Adolf Hitler tinha uma antipatia pessoal por Lübeck, depois que Lübeck se recusou a permitir que Hitler fizesse campanha eleitoral em 1932. Portanto, 711 anos depois a soberania de Lübeck chegou ao fim e quase todo o seu território foi incorporado ao estado de Schleswig-Holstein.

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Massa (Itália): A partir 1815, Massa foi a capital do principado independente (depois Ducado) de Massa e Carrara. Massa é a primeira cidade da Europa que se sabe usou uma agulha magnética de bussola como mapeamento. Em 1829, os estados foram herdados pelo duque de Modena e em 1859, durante a unificação da Itália teve que juntar-se ao Reino da Sardenha. Hoje possui cerca de 70.000 habitantes.

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Masserano (Itália): Comuna italiana da região do Piemonte. O principado tinha um status político-legal na península do noroeste italiano e diante de uma disputa papal que buscou compensar o isolamento da comuna, adquiriu o privilégio de cunhar dinheiro concedido em 1158 pelo imperador Federico Barbarossa à família Fieschi, que durou até 1690. O Principado foi próspero até 1741 quando foi vendido para a família Savoy, durando até 1797 . Graças ao privilégio de cunhar dinheiro, o principado cunhou principalmente falsificações, que foram amplamente distribuídas em todo o continente europeu. A natureza do feudo papal, diretamente dependente da Santa Sé , mantinha o principado de Masserano como uma entidade de fato independente do governo. Em 1753 o Papa vendeu a propriedade e em 1767 ocorreu a renúncia de qualquer direito soberano pelo último príncipe Vittorio Filippo, que se mudou para a Espanha. Após 1833, o título de Príncipe de Masserano, tornou-se desprovido de legalidade. A população atual é de 2.313 habitantes.

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Melilla (Espanha e Marrocos): É assim como Ceuta, praticamente um enclave espanhol em terras marroquinas. Apesar de Ceuta ser provavelmente a mais conhecida. Marrocos reclama o seu pedaço de terra, mas a Espanha nunca saiu de lá nem mostrou interesse em fazê-lo, a Espanha diz que ambas as cidades já pertenciam ao seu território, antes de existir um reino marroquino e por isso são legitimamente espanholas. Melilla é um importante porto que serve para fazer a exportação de produtos marroquinos, como os curtumes, sapatos e conservas, tendo pouco mais de 12 km e cerca de 67 mil habitantes. A população é, na maioria, de origem espanhola, na cidade também foram construídos os muros para barrar integralmente a presença de marroquinos nas áreas fronteiriças.

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Monte Atos (Grécia): é uma montanha e península na Grécia. É patrimônio mundial pela UNESCO, constituindo-se também como entidade política autônoma da República Helênica, governada por um Conselho Teocrático da Igreja Ortodoxa Grega (Um Vaticano da Igreja Ortodoxa). Na atualidade, os gregos usam a expressão “Montanha Sagrada” para se referir ao Monte Atos. O Monte Atos abriga vinte mosteiros greco-ortodoxos sob direta jurisdição do patriarca de Constantinopla. O nome oficial da entidade política é Estado Monástico Autónomo da Montanha Sagrada. Esta Região possui perto de 2000 habitantes. A única forma de chegar ao Monte Atos é por barco. Tratando-se de um território habitado por monges, só podem entrar homens e animais do sexo masculino.

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Monte Saint-Michel (França):  um ilhote rochoso na foz do Rio Conuesnon, onde foi construído uma abadia e santuário em homenagem ao arcanjo São Miguel. Foi uma fortaleza inexpugnável, resistindo a todas as tentativas inglesas de tomá-la e constituindo-se, assim, em símbolo da identidade nacional francesa. Após a dissolução da ordens religiosas ditadas pela Revolução Francesa o Monte foi utilizado como prisão. Declarado Patrimônio Mundial. O monte era ligado ao continente através de um istmo natural que era coberto pelas marés altas. Ao longo dos séculos a planície alagável em torno foi sendo drenada para criação de pastagens, reduzindo a distância do rochedo à terra. Recentemente o governo francês iniciou um projeto para tornar novamente o monte uma ilha com a construção de barragens. Tem cerca de 50 moradores permantes mas recebe por volta de 2,5 milhões de turistas por ano.

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Noli (Itália): O território é parte da Comunidade da Montanha Pollupice. Sua vila medieval é considerada uma das mais belas aldeias da Ligúria na Itália e é um importante centro marítimo tradicionalmente importante; O território que hoje tem cerca de 3 mil habitantes, já foi a República de Noli, uma república independente de 1193 até 1797. A invasão napoleônica em 1797 pôs fim à soberania de Noli.

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Nördlingen (Alemanha) – Em estilo medieval e ainda cercada pela muralha medieval integral, tem um curioso formato circular não pela muralha, mas por ter sido colonizada a partir da cratera de um meteoro. Localizada na Baviera, com população em torno de vinte mil habitantes. Durante a Idade Média foi uma cidade livre do Sacro Império Romano e importante centro de comércio. Os judeus foram expulsos em 1400, sendo portanto que qualquer família originária da cidade após 1400 não é, obviamente, judia. O aspecto de sua muralha ainda completa reascende ideais de tornar-se uma cidade livre.

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Norfolk (Austrália): é uma ilha no oceano Pacífico e é um dos territórios externos da Austrália. Não existem registros de população na região, antes da chegada do explorador inglês James Cook, em 1774. A ilha foi utilizada como estabelecimento penal britânico entre 1825 e 1855. Em 1913, foi transferida para o governo da Austrália, na qualidade de território ultramarino. Em novembro de 1976, foi apresentada no parlamento australiano a proposta de anexar a ilha à Austrália. Dois terços do eleitorado de Norfolk se opuseram, o que permitiu desde 1979 autonomia interna. Em 1991, a população rejeitou uma nova proposta do governo australiano, no entanto em 2015 a Austrália revogou a “força” a autonomia administrativa, não deixando os habitantes nada felizes e com mais ideias de secessão. População de cerca de 2000 habitantes. A ilha tem como característica seu exemplar endêmico de araucária que deixa sua bandeira bonita e serve como item de exportação.

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Orânia (África do Sul): é uma cidade sul-africana localizada junto ao rio Orange na àrida região de Karoo, na província do Cabo Setentrional. Trata-se de uma tentativa de realizar o ideal separatista de alguns africâneres de um Volkstaat autônomo. A cidade é um enclave em terras sul-africanas de maioria africâner branca no país. Em 1990, cerca de 40 famílias africâneres compraram a delapidada cidade. Isto ocorreu poucos meses após o fim das leis de apartheid e a libertação de Nelson Mandela. A cidade é propriedade privada da empresa Vluytjeskraal Aandeleblok (Whistle Corral Share Block), gere a cidade o presidente executivo desta empresa. Em 1995 o então presidente Nelson Mandela, visitou a vila para tomar chá com a viúva do idealizador, num gesto de conciliação. Hoje tem perto de 1.000 habitantes. Embora não permita negros, ela possui boa parte do seu comércio representado por atividades com comunidades negras vizinhas.

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Piombino (Itália): O senhorio de Piombino ( Signoria di Piombino ), e depois de 1594 o principado de Piombino, era um pequeno estado na península italiana centrada na cidade de Piombino e incluindo parte da ilha de Elba . Ele existiu de 1399 a 1805, quando foi fundido no Principado de Lucca e Piombino . Em 1815 foi absorvido no Grande Ducado da Toscana . Hoje tem cerca de 34 mil habitantes.

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Pisa (Itália):  A República de Pisa era um estado independente de fato, centrado na cidade toscana de Pisa, nos finais 10 e 11 séculos. Cresceu para se tornar uma potência econômica, um centro comercial cujos comerciantes dominaram o comércio mediterrâneo e italiano durante um século. Hoje tem 85.000 habitantes, e é famosa pela torta torre de Pisa. Habitantes locais, sem grande ênfase reivindicam a autonomia.

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Porto (Portugal): Não é difícil um taxista de Porto lhe dizer: “Porto é uma nação”. O norte português como um todo reclama a centralização do poder em Lisboa. Apesar de haver ideais separatistas no Norte de Portugal que transformam o Porto em capital de um possível novo pais “mais” galego, ao mesmo há quem tente separar somente a cidade do Porto.

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Saugeais (França): Localizada na fronteira da França com a Suíça, Saugeais tem 5 mil habitantes dispersos em 11 vilarejos. O país surgiu de uma brincadeira do proprietário de um hotel, Georges Pourchet, ao dizer que o prefeito da cidade precisava de visto para entrar em sua propriedade. Pourchet foi sucedido pela sua mulher, Gabrielle, e depois por sua filha, Georgette. A micronação tem seu próprio hino e selo postal e é conhecida como República de Saugeais.

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Seborga (Itália): Quem sabe um dos mais destacados pela mídia, pela existência de um principado, Giorgio I (Carbone) autoproclamou-se príncipe, ele plantou entre seus conterrâneos a ideia de que um estado independente, sendo eleito Príncipe em 1963. No ano de 1995, a Constituição do Principado foi aprovada por 304 votos, sendo que apenas quatro pessoas se opuseram. Carbone faleceu em 2009. Os argumentos para a defesa desse estado é o fato de não existirem documentos que comprovem a integração do principado de Seborga à Itália (nem em 1861, com a unificação italiana, nem em 1946, com a criação da República Italiana). Apesar de não reconhecido, tem, sua uma bandeira e até uma hipotética moeda, o luigino. A população estima-se em cerca de 339 habitantes.

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Senarica (Itália): é uma aldeia na região de Abruzos , no centro da Itália. Com uma população de menos de 300 pessoas, Senarica era uma república independente por cerca de quatro séculos até o final do século XVIII. Foi o estado mais pequeno para manter um status independente por tanto tempo. Ocasionalmente moradores promovem atos que reivindicam a autonomia.

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Torriglia (Itália):  é uma comuna italiana da província de Gênova, com cerca de 2216 habitantes. Estende-se por uma área de 58 km², A cidade provavelmente foi fundada na época romana. Mais tarde, ficou sob domínio da República de Gênova. Em 1548 foi adquirida pela família Doria, que a manteve até a invasão napoleônica de 1797. Em 1815 Torriglia tornou-se parte do Reino da Sardenha e, a partir de 1861, do reino unificado da Itália. Apesar de pequena cultiva seu passado e flamula sua independente bandeira.

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Trieste (Itália): No século XII, Trieste tornou-se uma cidade livre e depois de séculos de batalhas contra a rival Veneza, pôs-se voluntariamente em 1382 sob a proteção do duque de Áustria, passando a pertencer ao Império Austríaco, ao qual permaneceu até 1918. Em 1915 o Reino da Itália rompeu com o pacto de e seguiu em direção às terras “italianas” do Império Austro-húngaro, procurando invadi-las rapidamente, tirando a liberdade de escolha de Trieste.

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Užupis (Lituânia): é um distrito de Vilnius, capital da Lituânia, um Patrimônio Mundial pela UNESCO. A região tem sido muito popular entre artistas, e contêm galerias de arte, workshops de artistas e cafés populares. Užupis declarou-se como uma República Independente em 1997 – República de Užupis passando a ter bandeira, unidade monetária, presidente e constituição próprios, além de um exército (com aproximadamente 12 homens).

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Veneza (Itália): a romântica cidade tem uma infelicidade crônica com a situação italiana, recentemente providenciaram um plebiscito em busca da independência da Sereníssima República de Veneza e que existiu de existiu do século 9º até 1797.

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Uma fantasia chamada Senado

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Por Odair Deters

Muito possivelmente já estudaste ou ouviste falar que o Senado Federal é a câmara alta do Congresso Nacional do Brasil e, ao lado da Câmara dos Deputados, faz parte do poder legislativo da União. Sua criação remonta a Constituição Imperial brasileira de 1824. Tendo sido inspirado na Câmara dos Lordes do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, mas com a Proclamação da República do Brasil foi adotado um modelo semelhante ao do Senado dos Estados Unidos. O mesmo constitui-se como uma das câmaras dos parlamentos. Seus membros – os senadores – representam os estados-membros de uma federação e são eleitos diretamente, no Brasil.

Atualmente o Senado conta com 3.516 funcionários terceirizados, pertencentes a 34 empresas cujos contratos custam anualmente R$ 155 milhões de reais e aproximadamente 2.500 servidores de carreira, a um custo anual de 1,4 bilhão de reais. Além dos 81 senadores com mandato de 8 anos (3 por Estado da nação) e todos os cargos de assessoria e confiança que estes demandam.

E se eu te disser que isto não passa de uma grande e louca fantasia?

Para entender a origem do nosso senado, precisamos entender a luta pela independência dos Estados Unidos. Sim, dos EUA, onde as 13 colônias americanas lutaram contra o Império Britânico. Conseguida a Independência, estas 13 colônias se tornaram países, livres e soberanos na ordem internacional. Para representá-los no plano internacional foi criada uma Confederação. A confederação representa os países a ela agregados, mas não lhes retira nenhum atributo da soberania. Sendo que, inclusive, podem deixar esta confederação quando bem lhes aprouver. Portanto, tínhamos a Confederação dos Estados Unidos da América do Norte.

“Estados”, porque desde Maquiavel na sua obra “O Príncipe”, ele passa a denominar por Estado, um país livre e soberano, integrante da Comunidade Internacional. Portanto, as colônias americanas libertas do colonialismo inglês, tornaram-se Estados.

Logo após a declaração de independência dos Estados Unidos em 1776, os principais oficiais das treze antigas colônias britânicas, — agora, Estados dos Estados Unidos — passaram a planejar a instalação de um sistema de governo central, que seria válido para todo o novo país. Até então, cada um dos novos Estados possuía sua própria Constituição, mas não existia uma Constituição que valesse para todos os treze Estados. Em 1781, ainda durante a Revolução Americana, um sistema de governo federal rudimentar foi instalado nos treze Estados, sob as leis e medidas dos Artigos da Confederação.

Os problemas logo iriam surgir em função deste sistema. A Revolução Americana de 1776 havia criado um sério problema para os Estados Unidos: a criação de uma gigantesca dívida por parte do governo americano, construída com empréstimos tomados para a Guerra, através de financiamentos realizados pela casa Rotschild. Porém, o pagamento desta dívida era impossível, uma vez que o governo americano não tinha o poder de coletar impostos no país. O governo americano sofria muito com a falta de fundos, até mesmo para manter um sistema de defesa nacional. E assim, durante os primeiros anos como um país independente, os Estados Unidos enfrentavam uma séria recessão econômica.

Em 1786, a Virgínia persuadiu cinco Estados a enviarem representantes a uma convenção constitucional em Annapolis [Maryland], para discutir temas como o comércio interestadual. Os representantes dos cinco Estados mais a Virgínia decidiram em conjunto que as políticas dos Artigos da Confederação precisavam ser mudadas. Assim sendo, estes seis Estados pressionaram os sete restantes a enviarem representantes a uma nova convenção constitucional, que seria realizada na Filadélfia. Esta convenção constitucional ocorreu durante o verão de 1787. Todos os Estados enviaram representantes com exceção de Rhode Island, que era contra qualquer tipo de intervenção extra estadual dentro de seus limites territoriais. A Convenção Constitucional de 1787 foi presidida por George Washington, por decisão dos oficiais e representantes presentes na Convenção.

O modesto objetivo inicial desta convenção constitucional era a sugestão e mudanças aos Artigos da Confederação. Porém, rapidamente [e secretamente], todos os oficiais presentes nesta convenção começaram a trabalhar em uma nova Constituição, logo após o primeiro encontro. A Constituição proposta pela convenção pedia por um sistema federal de governo. Este governo trabalharia de forma independente e seria superior em relação aos Estados. Este governo teria a capacidade de cobrar impostos, e seria equipado com os três ramos de poder: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.

Portanto, sabemos que o nome ”Estado”, inscrito nos Estados Unidos, tem a significação de um país. E esta é a razão porque o Estado americano tem mais poder que a sua cópia no Brasil [basicamente províncias].

Não havia nenhuma razão plausível para que se fizesse a proclamação da república no Brasil. Não havia crise, corrupção [conhecida] e coisas do gênero. Havia o interesse de alguns de copiar o modelo americano para ter a oportunidade de sentar na cadeira do chefe. A proclamação da república no Brasil foi feita apenas para copiar os Estados Unidos. É a clássica falta de originalidade que marca a figura do subdesenvolvido.

Como fizeram essa mágica?

Num regime monárquico a soberania está no rei ou imperador, daí vem o nome “soberano”. A república [res publica] cujo nome remonta  também  a Maquiavel era a classificação que os romanos davam ao modelo de governo em Roma. Roma tinha o status rei publica, ou seja: Roma tinha a condição de coisa pública. Maquiavel pega a palavra status [condição, forma], e designa um Estado Soberano. E res publica [coisa pública], vira uma forma de governo em contraposição à monarquia. Ora, sendo a república uma forma de governo em contraposição à monarquia e a etimologia do nome nos envia ao povo [res publica], a soberania nesta forma de governo está no povo. Por esta razão, o artigo mais importante da constituição é aquele que designa o detentor do poder, em nosso caso, a  Constituição de 1988 estabelece em seu Art. 1º, Parágrafo Único: “Todo o poder emana do povo, que exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta constituição”.

Esta é a razão do nome “Estado” na composição do nome dos Estados Unidos. No caso brasileiro, o império não tinha e nunca teve nenhum Estado, como nenhuma monarquia os tem, quem sabe unicamente a República Rio-Grandense e a República Juliana [Santa Catariana] que lograram separar-se já do Império e posteriormente uniram-se ao Brasil por acordos. Seria um contrassenso a sua existência numa monarquia, porque o Estado do modelo americano fraciona o poder, por isso  surge a figura do chamado “Pacto Fundamental” que também copiamos sem nunca ter tido pacto algum.  A primeira constituição republicana brasileira, a de 1891, plasmou no seu artigo 1º – “A Nação brasileira adota como forma de Governo, sob o regime representativo, a República Federativa, proclamada a 15 de novembro de 1889, e constitui-se, por união perpétua e indissolúvel das suas antigas Províncias, em Estados Unidos do Brasil.”

“Art. 2º – Cada uma das antigas Províncias formará um Estado…”

Com isso, as antigas províncias foram promovidas a Estados [países] e no mesmo instante tiveram as suas soberanias cassadas para converter em Estado componente de uma federação.

O Senado Brasileiro, remontemos um pouco mais para melhor compreender. Na Inglaterra, todo gasto que a coroa tinha que fazer era bancado pelos nobres, através dos impostos. O nascimento de um príncipe, o casamento da princesa, a coroação do rei , entre outros. Os nobres estavam fartos de tanto imposto e, aproveitando um momento em que o rei estava fragilizado, julgaram oportuno alterar este sistema.  O rei era o João-Sem-Terra e a transformação se deu quando os barões impuseram ao rei a assinatura da Carta Magna, onde surgiu a figura do orçamento público. No começo do ano, o rei faria a previsão das suas despesas e estas classificadas num projeto de todos conhecido. Assim surgia o orçamento público. Mas, para garantir que o rei iria cumprir o que fora tratado, deixaram em Londres alguns representantes que, caso houvesse alguma ruptura por parte do rei, dariam conhecimento aos demais barões integrantes da nobreza.  Estes representantes eram substituídos periodicamente. Dessa forma, surge na Inglaterra a Câmara dos Lordes. Por se tratar da nobreza é também conhecida como a Câmara Alta – título que alguns como ACM e José Sarney gostam de intitular o Senado Brasileiro, inclusive em sua cor azul predominante [cor da realeza] que, como se está vendo, não tem parentesco nenhum com o original.

Dentro de alguns anos, a plebe iria reivindicar também uma representação no Parlamento, fazendo surgir a Câmara dos Comuns, cujo embrião é o Tribuno da Plebe da Roma Antiga.

Na Inglaterra [uma monarquia], ou seja, um governo unitário e, por isso mesmo,  não tem a figura dos Estados, em seu lugar tem os nobres que sustentam o governo, representado pela Coroa. Os Estados Unidos, ao compor seu governo, retirou o modelo da Câmara dos Lordes transformando-o no Senado, cujo nome vem da Roma antiga. Assim como na Inglaterra a Câmara dos Lordes representam a nobreza, na Federação Americana os Estados são representados pelos senadores e o povo é representado na Câmara dos Deputados.

No Brasil nunca houve estes Estados soberanos do modelo americano nem a Câmara dos Lordes da Inglaterra. Portanto, nunca existiu realmente o tal Pacto Fundamental. Ora, não havendo o Pacto Fundamental, porque nunca houve os Estados como os americanos e nomeados pela Ciência Política, o nosso Senado é uma ficção tão grande quanto à própria federação.

Na Inglaterra a Câmara dos Lordes representa a nobreza; na América do Norte os senadores representam os interesses dos Estados. Se pegarmos outro exemplo, na Alemanha, por exemplo, o senado é ocupado por indicação de cada Estado. No Brasil, os Senadores representam os interesses deles e, não raro, vemos senadores de partidos contrários ao do governador do seu Estado e até inimigos deles. Estes senadores representam o quê?

Portanto, por uma questão de lógica, é preciso extinguir esta fantasia e aliviar os cofres públicos dessa sangria de 81 senadores com mandatos de 8 anos, cujos suplentes na maioria dos casos são seus parentes que não obtiveram votos de ninguém.

É certo que nunca extinguiremos o senado porque isso depende da classe política. Mas é um bom momento para discutirmos a implantação do Parlamentarismo com voto distrital, a redução da câmara dos deputados ou outras medidas. Não sei ainda se o parlamentarismo demonstra-se a melhor opção, mas ao menos nele, não há lugar para duas casas legislativas, e quem sabe amenizaríamos ou extinguiríamos essa fantasia chamada senado brasileiro.

Texto produzido em cima das compilações realizadas por um amigo maçom, com o título “Delenda Senatus”.

BNDES, para esquecer a PETROBRÁS.

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Por Odair Deters

O escândalo da Petrobrás, que teria movimento ilegalmente algo como R$ 10 bilhões, segundo o “The New York Times”, seria o maior desfalque, ou o maior roubo público, em países democráticos de que já se tomou conhecimento. Diante disto, impossível não causar revolta e deflagrar um agravamento da crise moral pelo qual nossas instituições convivem.

No caso Petrobrás, teve-se as denúncias e o Tribunal de Contas da União, realizando suas investigações. Mas e que dizer do BNDES, onde não se tem nada, não se sabe nada. Mas torna-se comum no meio empresarial e nas entrelinhas dos financiamentos de campanhas a identificação e citação de empresários que usaram recursos do BNDES para ampliação de seus bens pessoais, ou pior ainda, o desenvolvimento do sistema que torna o partido político um negócio e o apoio político uma mercadoria, onde o beneficiado repassa um percentual do empréstimo conseguido com o tráfico de influências, em apoio ao partido. Financiamentos executados em projetos em Cuba, Angola, Equador e Venezuela, classificados de operações confidenciais ou de fundo perdido, além dos conferidos a empresas como JBS Friboi, coincidentemente, o maior doador da campanha de reeleição da atual presidente. Normalmente comtemplados com juros baixos, garantias em ações das próprias companhias ou bens que ainda seriam adquiridos. Não resta dúvida de que o governo está usando o banco estatal para beneficiar alguns grupos especialmente escolhidos por “consultores” de alto valor de mercado para o próprio governo.

O BNDES está alavancando com o Tesouro Nacional, realizando empréstimos a juros subsidiados. Mas não se sabe exatamente para quem, quanto foi para cada um e nem quais são as garantias. Por quê? Porque é alegado sigilo bancário e, assim, não se tem acesso. Ou seja, a Controladoria Geral da União não fiscaliza, o Tribunal de Contas da União não consegue fiscalizar e o Ministério Público Federal não tem acesso. Ninguém tem acesso. Diante de tanto hermetismo, é óbvio que algo está sendo escondido. Portanto, pode-se estar diante de um escândalo de corrupção muito maior do que o do “Petrolão” ou “Petropina”, pode-se estar diante do “BNDESvio”, e é preciso exigirmos com urgência transparência, ou seja, todo mundo tem de ver o que está acontecendo, só assim impedimos que corruptores ajam no escuro ou acobertados enquanto movimentam recursos públicos.