A mão invisível de luvas. Antibióticos, saltos altos e chifres.

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Odair Deters

O pai da economia, o escocês Adam Smith, criou uma, se não a mais famosa das ideias econômicas, a da Mão invisível [A Riqueza das Nações], como forma de descrever como em economia, o “cada um por si” [economia de mercado] gera uma determinada ordem, boa para todos. Bom, então a melhor forma de regular um sistema socioeconômico, seria a auto regulação? De acordo com a teoria, parece que sim, pois a competição sem restrições produz sempre o melhor possível para todos.

No entanto, faz-se necessário deixar bem claro que a perseguição do auto interesse nem sempre é suficiente para um promover um interesse coletivo simultâneo. Vamos analisar a questão dos chifres dos alces [by National Geographic], a prescrição de antibióticos [by minhas últimas consultas] e o uso de saltos altos entre as mulheres [by algumas de minhas leitoras].

Os chifrudos alces, assim como os elefantes, leões marinhos, bois-almiscarados [e alguns homens], costumam lutar entre si pelo acesso ás fêmeas. E no caso dos alces, ao contrário dos homens, quanto maior o chifre, neste caso principal arma de batalha, maior é a vantagem na luta e melhor o resultado na obtenção de parceiras, estendendo assim seus genes a próxima geração. Porém os mesmos chifres que promovem um número maior de encontro com belas fêmeas alces, também tornam mais difícil para eles escaparem dos lobos e outros predadores nos seus habitats. Assim a seleção natural, que tende a empurrar cada vez os genes de maiores chifres as próximas gerações, promovendo o aumento destes pela seleção genética, é o que mais tornam eles suscetíveis e vulneráveis aos predadores, ao não conseguirem escapar em áreas arborizadas, gerando um ponto de equilíbrio. [fico pensando aqui se soltássemos alces no Pampa, teríamos pela seleção natural alces que não iriam conseguir nem andar, devido o tamanho dos chifres].

Fracassada a ideia de criar alces na região do Alegrete, para estes bichos, o ideal seria que o tamanho dos chifres fosse reduzido pela metade. Isso propiciaria um aumento substancial nas possibilidades da população de alces escaparem dos predadores, e ao batalhar pelas fêmeas, o resultado continuaria a ser decidido da mesma forma, já que o fator chave é o tamanho relativo dos chifres. Na impossibilidade, segue aquele fenômeno denominado: “inteligência para um, estupidez para todos”. O que ganha à fêmea hoje, ferra aquele que amanhã terá que escapar do lobo.

Mas não é só o bicho alce afetado. Já fui duas vezes consultar um médico com fortes dores da garganta, as duas vezes saí com uma receita prescrevendo o uso de antibióticos [em nenhuma delas usei, preferi os métodos caseiros]. Claro, se a infecção for causada por bactérias, o tratamento com os antibióticos agiliza a recuperação. No entanto cria bactérias mais resistentes. Por motivos como estes muitos países criam campanhas para se reduzir o uso de antibióticos. No entanto, os médicos parecem normalmente não respeitarem isto, mesmo estando eles conscientes do impacto do uso de antibióticos e no aumento de estirpes de bactérias mais resistentes. Assim como os alces, os profissionais da saúde perseguem seus interesses individuais sem restrições e contribuem para a deterioração do interesse coletivo.

No frio inverno gaúcho, um médico prescreve um antibiótico para a minha forte dor de garganta, isso só, não originaria uma bactéria superpotente, mas o conjunto de todos os médicos receitando, ou seu efeito agregado, sim. Embora com certeza existam por aí alguns médicos mais coerentes [não tive a sorte de encontra-los], a grande maioria, corre o risco de ao se recusarem tratar infecções menores desta forma [com aplicação de medicamentos/antibióticos], correm o risco de ver seus clientes rumarem para outro médico, ou até ser desacreditado profissionalmente, devido a maior lentidão na recuperação do paciente [e como os brasileiros gostam de um remedinho né?!]. Bom, ao agir de acordo com a teoria do velho Smith, nos cuidados com a saúde, a perseguição do auto interesse vai piorando as condições de todos, com estirpes mais resistentes de vírus e também financeiramente com a necessidade de novos medicamentos. Calcula-se que no Brasil que 70% das prescrições sejam totalmente desnecessárias, a isso se junta 15% dos enfermos que se automedicam. No próximo inverno a bacteriazinha vem com a capa do Super-homem.

Outro exemplo atinge as minhas leitoras [que são maioria], e devem sentir como ninguém o desconforto e a dificuldade de andar com o salto alto. Além de que o uso prolongado pode lesionar os pés, joelhos e a coluna. Então, porque elas continuam com seus toc-toc-toc? Meu amigo C. Beaux, após umas heinekens bem geladas parece ter a resposta: “Rasteirinha é tão brochante”. E justamente, o uso de saltos altos aumenta a probabilidade de chamar a atenção sobre si, de uma forma positiva. E também faz elas parecerem mais altas, e aumentam o seu sex appeal, ao arquearem as costas e puxarem o peito pra cima, acentuando a silhueta.

Assim como o alce que ganha com seus chifres, mas perde no coletivo, o interesse individual de cada mulher entra em conflito com o interesse coletivo. Se todas as mulheres usarem saltos altos, a vantagem de utilizar saltos tende a desaparecer. Se colocarmos uns centímetros de salto em todas, a média relativa seguirá a mesma, porém com consequências de desconforto e problemas de saúde.

Os chifres dos alces, a prescrição de antibióticos, e o uso de saltos altos, indubitavelmente são exemplos contrários a Adam Smith com a Teoria da Mão Invisível. Aonde a ganância e o egoísmo conduzem a problemas coletivos. Com certeza o leitor poderá também buscar outros exemplos, apesar disto, o autor, não deixa de ver no livre mercado ainda a melhor alternativa, porém sem a ingenuidade do melhor dos mundos, ciente de que o ego presente no ser humano tende sempre a criar inúmeros casos de danos ao coletivo.

A maçonaria que é alemã de berço

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Por Odair Deters

Acredito que todos que tenham lido ou estudado algo relacionado à maçonaria, sempre se tenham perguntado sobre sua real origem. Na maioria das vezes ela está relacionada a um conhecimento herdado de um passado remoto, seja da Mesopotâmia, Egito ou Caldéia [o que acredito, eu, tenha uma estreita ligação]. No entanto a origem mais aceita é que a maçonaria moderna descende dos antigos construtores de igrejas e catedrais da Idade Média [chamada maçonaria operativa].

É evidente que a falta de documentos e registros dignos de crédito, envolve a maçonaria por vezes numa penumbra histórica, fazendo com que a data tida como a de sua origem seja em 24 de junho de 1717, na Inglaterra. Formando a primeira Grande Loja, composta por quatro Lojas que já existiam, possivelmente então se encontra aí, a existência de uma maçonaria organizada antes da fundação da conhecida primeira Grande Loja [chamada a partir daqui de maçonaria especulativa].

Com a expansão do Império Britânico, as lojas maçônicas tinham dupla função: ofereciam um oásis inglês com jeito de “club” aos aventureiros ingleses que perambulavam pelo Império e os mantinham na linha, obrigados pelas rigorosas regras da maçonaria, e ao mesmo tempo permitia cooptar as elites locais e facilitar o contato dos agentes comerciais ingleses com as classes dominantes das colônias em bases sólidas de confiança fundada o vínculo de fraternidade maçônica.

Neste sentido, o porto hanseático de Hamburgo na Alemanha, estava por sua localização, com estreitas relações com Londres, o que o colocava em relação direta com a maçonaria inglesa. Portanto, relata-se que em sua forma moderna, a maçonaria apareceu nos países germânicos em 1737, data em que a primeira loja é criada em Hamburgo. Conhecida inicialmente como a loja de Hamburgo, ela assume em 1741 o nome de Absalom.

Aqui eu abro um pequeno espaço após esta breve explicação ao leitor sobre o passado maçônico, para discorrer sobre os motivos que levaram o autor a pesquisar este assunto. A pesquisa nasceu indevidamente, em meio aos estudos genealógicos da família a qual herdo o sobrenome [Deters]. Quando encontrei o mais antigo registro deste sobrenome, ainda presente, na igreja St. Martini de Braunschweig [Brunsvique, localizada no Estado da Baixa-Saxônia, Alemanha], onde também pode ser encontrado o primeiro registro do Brasão da Família Deters [com duas facas cruzadas sobre o coração]. Contextualizando um pouco mais: Sobre a cidade e a igreja de Brunsvique, a primeira menção escrita do nome na época, “Brunesguik” foi no ano 1031. Mas em escavações arqueológicas, encontraram nesta região restos de igrejas, as quais se estimam, foram construídas entre os anos 850 e 900. No entanto a igreja de St. Martini começou a ser construída em aproximadamente 1190 e têm registros de sua conclusão em aproximadamente 1225, tendo sido erigida por vontade do Duque Henrique, o Leão, primo do Imperador do Sacro Império Romano, Frederico Barbarossa. E justamente as pesquisas em cima desta igreja, onde econtramos o Brasão dos Deters, e a mais antiga citação desta família, que me conduziram a pesquisar sobre os construtores desta igreja e sobre algumas palavras, que surgiram na pesquisa, como: Steinmetzen, Steinmaurer, Steinhauer, Metzen, Metzel e Bauhütten. Curioso em tentar entender o significado destas palavras, aprofundei a pesquisa e acabei chegando as informações da criação, do que poderíamos chamar de a Primeira e Verdadeira Grande Loja Maçônica.

Para isto, precisamos entender antes, que a difusão do cristianismo [catolicismo] por toda a Alemanha exigia a construção de inúmeras catedrais pelas regiões germânicas, aí é que prosperaram os colégios maçônicos na Alemanha. Onde estas instituições, eram geralmente conhecidos como Steinmetzen, ou Canteiros, algo semelhante às Guildas na Inglaterra ou as Compagnonnage na França. Estas fraternidades maçônicas levantaram igrejas e catedrais por toda a Europa continental. E dentro desta Sociedade de Canteiros, existia uma grande variedade de classes e ocupações. Estas incluíam Steinmaurer ou assentadores de pedras, Steinhauer ou cortadores de pedra, bem como Steinmetzen, uma palavra derivada de Stein ou pedra e Metzen, um derivado da palavra Metzel ou entalhador, uma arte mais detalhada e refinada que os cortadores de pedras. A construção do Bauhütten ou lojas situadas junto às igrejas em construção serviu como estúdio de projeto, local de trabalho e quarto de dormir.

Um dos mais antigos registros de lojas maçônicas se encontra na cidade alemã de Hirschau [atual Hirsau no estado de Baden-Württenberg, Alemanha]. As lojas Maçônicas instituídas na cidade de Hirschau no final do século 11 trabalhavam sob a ordem beneditina da Alemanha, e foram as primeiras a estabelecer o estilo gótico de arquitetura. E a partir de 1149, as primeiras Zünftes alemãs ou sindicatos de pedreiros se desenvolveram em cidades como Würzburg, Speyer e Straßburg [Estrasburgo, hoje França, na época Alemanha] e Magdeburg. Aliás, está última, é a cidade que possui a catedral gótica mais antiga da Alemanha.

Com isto em 1250, surge a primeira Grande Loja dos Maçons, que se formou na cidade de Colônia [Köln]. A Grande Loja foi formada como parte do imenso empreendimento para erguer a catedral de Colônia [a qual eu usaria como imagem para estampar este texto, não fosse à significância do brasão postado, que será explicado em seguida]. A Grande Loja de Colônia, ou Oberhütten, designação também empregada às outras grandes lojas que começaram a surgir em Viena, Berna e Straßburg, onde nesta última ocorreu o primeiro congresso maçônico, no ano de 1275. Outros tantos congressos foram realizados nesta cidade, incluindo os anos de 1498 e 1563. Época na qual os primeiros brasões de Armas de Maçons foram registrados na Alemanha, curiosamente, representando quatro compassos posicionados em torno de um símbolo do sol pagão, e dispostos em forma de suástica ou roda solar ariana, conforme imagem que ilustra esta postagem [e agora, Arnaldo?!]. As Armas Maçônicas da Alemanha, traziam outrora uma suástica e também exibiam o nome de São João Evangelista, santo padroeiro dos maçons alemães.

A Oberhütte [Grande Loja] de Colônia, e seu grão-mestre, era considerada a cabeça das lojas maçônicas de toda a Alemanha do norte. O grão-mestre da Straßburg, era chefe de Lojas Maçônicas de todo sul da Alemanha, Francônia, Baviera, Hesse e as principais áreas da França.

As Grandes Lojas de Maçons na Alemanha recebiam o apoio da Igreja e da Monarquia. O Imperador Maximiliano revisou o congresso maçônico de 1275 em Straßburg e proclamou a sua proteção ao ofício. Entre 1276 e 1281, Rodolfo I [Rudolf] de Habsburgo, um rei alemão [isso, da famosa família Habsburgo], tornou-se membro da Bauhütte ou Loja de St. Stephan. O Rei Rodolfo foi um dos primeiros não-operativos, também chamados membros livres ou especulativos de uma loja maçônica.

Os estatutos dos maçons na Europa foram revisados em 1459 pela Assembleia de Ratisbonne [Regensburg], cuja revisão preliminar tinha ocorrido em Straßburg sete anos antes. As revisões descreviam a exigência de testar irmãos estrangeiros antes de sua aceitação nas lojas através de um método de saudação estabelecido [aparentemente internacional ou europeu].

A primeira assembleia geral de maçons na Europa ocorreu no ano de 1535, na cidade de Colônia, na Alemanha. Ali, o bispo de Colônia, Hermann V, reuniu 19 lojas maçônicas para estabelecer a Carta de Colônia, escrita em latim. As primeiras grandes lojas dos maçons estiveram presentes, o que era costume na época, e incluíam a Grande Loja de Colônia, Straßburg, Viena, Zurique e Magdeburg. A Grande Loja Mãe de Colônia, com o seu grande mestre era considerada a principal Grande Loja da Europa.

Após a invenção da imprensa, os maçons [Steinmetzen] da Alemanha, reuniram-se em Ratisbona em 1464 e imprimiram as primeiras Regras e Estatutos da Fraternidade de Cortadores de Pedra de Straßburg [Ordnung der Steinmetzen]. Estes regulamentos foram aprovados e sancionados pelos Imperadores sucessivos, tais como Carlos V e Ferdinando.

Com o monge alemão Martinho Lutero e seu protesto contra a Igreja Católica em 1517, dando origem ao protestantismo, onde muitas catedrais católicas tornaram-se protestantes, permitindo com que algumas das lojas maçônicas da época fossem liberalizadas.

Em 1563, tiveram-se a renovação dos Decretos e Artigos da Fraternidade de Canteiros na Loja Mãe em Straßburg. Estes regulamentos demonstram elos importantes com a Maçonaria moderna. a) Os aprendizes eram chamados de “livres” na conclusão do serviço a seu Mestre, o que sem dúvida é a origem da palavra Freemason  ou “franco-maçom”; b) A natureza fraternal da loja era retratada em uma série de regulamentações, tais como o atendimento aos doentes, ou a prática de ensinar um irmão sem cobrar [“Nenhum Mestre ensinará um companheiro por dinheiro”]; c) Os maçons utilizavam um aperto de mão secreto como meio de identificação; d) A entrada na Fraternidade era por livre vontade e indicava claramente os três graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre na fraternidade maçônica alemã; e) Exigiram que se fizesse um juramento e que os pedreiros se reunissem em grupos chamados ‘Kappitel’ [Capítulo]. As regras instruíam os maçons não ensinar Maçonaria a não-maçons.

Isto evidência, que as lojas ou grandes lojas maçônicas alemãs existiam antes da formação da Grande Loja de Inglaterra em 1717. Assim como o uso de apertos de mão secretos, o uso do termo “livre” e sua aceitação de não-operativos [pessoas que não eram pedreiros]. O uso de alegoria e simbolismo em camadas, que torna exclusivo o sistema maçônico fraternal, também era evidente nas lojas alemãs da época, conforme mostrado com a simbologia presente nas esculturas de pedra e estilos arquitetônicos das igrejas e mosteiros que eles construíram.

Algumas teorias colaboram com as informações acima, e contestam que a Maçonaria moderna, tenha sido originária dos Cavaleiros Templários ou da maçonaria inglesa, mas a ligam a instituições maçônicas que existiam na Alemanha, que por sua, tinham recebido estes conhecimentos de organizações muito mais antigas [99º of Freemasonry, evidencia isto].

Alguns fatos que suportam esta teoria, são: O manuscrito régio, mais antigo reconhecido pela maçonaria, faz referência a quatro mártires coroados, que estão possívelmente relacionados com a lenda dos maçons sob o Sacro Império Romano de Nação Germânica. O uso mais antigo registrado do esquadro e compasso, no escudo de Armas dos Corpos Maçônicos da Alemanha. A existência de lojas[Steinmetzen] no século XIII, que inclusive incluíam ensinamentos alegóricos. Eleição de Grão-Mestres dos maçons, no século XIII e criação de graus de aprendizes, companheiros e mestres no século XII, ou ainda anteriormente. Estabelecimento de estatutos e regulamentos impressos da Ordem antes da criação dos estatutos britânicos. Convite e aceitação de membros não-operativos [especulativos], tal como o Rei Rodolfo I, no século XIII. Primeira exigência em grande escala de lojas utilizando métodos de aperto de mão secretos. Alegoria de símbolos da instituição em obras de arte da cultura alemã do período.

Muito embora, foi-se condicionado como berço das origens da maçonaria mundial, a Inglaterra e a Escócia, devido as grandes organizações modernas e atuais estarem profundamente interligadas a Ilha Britânica, sendo hoje, seu líder o primo da Rainha da Inglaterra, HRH Príncipe Edward, Duke de Kent. Acredito que possa se olhar muito além, analisando a formação da primeira Grande Loja de Colônia, e quem sabe transportando a semente que fez germinar a maçonaria no coração do Velho Continente, para terras germânicas.

As estratégias de patrocínio no Rugby: Caso Serra Rugby Clube

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Odair Deters

O patrocínio apresenta-se como uma ferramenta indispensável na estratégia de comunicação das empresas, usando-o de forma complementar as ações em mídia tradicional.

Neste sentido as marcas podem aproveitar o período atual de grande crescimento do rugby, e usarem a oportunidade ensejada para desenvolverem estratégias claras que contribuam para sua marca. Transformando o que poderiam ser apenas ações de conveniência, em oportunidade.

As informações abaixo foram desenvolvidas com base na experiência do autor, ao atuar na diretoria de marketing do Serra Rugby Clube [SRC]. Um clube de rugby fundado em 2005 na cidade de Caxias do Sul, e que mesmo mantido em um esporte considerado amador, começou a profissionalizar sua gestão, passando em incorrer em resultados superavitários, transformados posteriormente em investimentos, vindo a obter excelentes resultados no cenário do rugby nacional.

Em síntese este trabalho tem por objetivo mostrar um resumo das ações empreendidas por este Clube, desde as parcerias mais simples até as mais complexas. Desta forma, pode servir de base a outros clubes do Estado, bem como propiciar a investidores, a oportunidade de conhecerem os nuances do SRC, na possibilidade de tornarem-se futuros patrocinadores.

Ao falarmos de patrocínio é preciso ter a clareza sobre o que esta ação significa. Patrocínio é uma ação com o objetivo de apoiar iniciativas de terceiros, através de algum tipo de recurso [financeiro, técnico ou material], em busca de retorno positivo para a imagem da marca, melhoria de relacionamento e abertura de oportunidades comerciais ou institucionais.

A palavra central desta definição é retorno, ou resultado. Como uma ação empresarial, de negócios, um patrocínio sempre deve ter clareza sobre a contribuição para a marca e para os relacionamentos da empresa, sob pena de ser confundido com uma doação [contribuição financeira a fundo perdido].

Para isso, além de buscar o retorno para o Clube, uma das preocupações da diretoria do SRC passou a ser, além do resultado em campo: “Que retorno estamos entregando a nossos patrocinadores?”. Neste sentido, cita-se a seguir alguns tópicos que podem ajudar nesta reflexão.

Conteúdo
Alinhamento da marca com o patrocinado.

Um patrocínio pode ser apenas uma ação de conveniência, pontual, ou pode estar alinhada com os objetivos de longo prazo da empresa/marca — garantindo uma posição de destaque na estratégia de comunicação. Por exemplo, tempos atrás, o SRC foi procurado por uma empresa de próteses dentárias, ou seja, era um casamento perfeito, uma empresa que vendia próteses dentárias patrocinando um esporte de intenso contato físico. Na época este patrocínio acabou não vingando. Mas abriu a ideia de que o SRC deveria procurar apoiadores integrados com sua filosofia.

Como o rugby é um esporte considerado “novo” no Brasil, pelo recente aumento de sua prática, aliar-se a inovações seria um ponto interessante. Outro caso neste sentido são as parcerias que o Clube fechou com empresas de suplementos, fisioterapeutas, quiropraxistas, nutricionistas, entre outros. Certamente ao patrocinarem o Clube, estes ganham com dois atributos, aliar sua marca a modernidade [contemporâneo, esporte novo] e a prática de esportes. E essa reflexão sobre o conteúdo gerado pelo patrocínio, ás vezes torna-se mais importante que o alcance, sendo um norteador para que a decisão de patrocínio não seja de curto prazo.

Duração
Período de vínculo do patrocínio

Um patrocínio é um vínculo entre a marca e o patrocinado, com uma troca de atributos de imagem entre os dois. Patrocínios de curta duração podem gerar ruído de imagem para o patrocinador. Nos dias atuais, as pessoas tendem a reduzir sua capacidade de registro de informação. E se a cada período uma marca abre uma nova frente, um novo patrocinado, até mesmo “concorrente” com os demais, ela gera novas informações, novos atributos para si. Danando a si mesma pela falta de compromisso com o patrocinado.

Havia um período no SRC em que todo campeonato estreava-se um novo uniforme, pelo fato da constante rotatividade dos patrocinadores, atualmente, de certa forma, isto continua a ocorrer, porém as estreias de uniformes têm ocorrido, pois o Clube tem a capacidade de exibir um novo modelo a seus jogadores e torcedores, além de registrar movimentação em sua loja, propiciando o ganho a outros apoiadores, o fato destacável aqui é a manutenção ano a ano dos mesmos patrocinadores, que passaram a identificar o ganho no longo prazo. Por exemplo: Uma escola de idiomas apoia há anos o SRC, tendo já inclusive alguns torneios infantis recebidos o nome da sua marca, gerando uma cristalização da marca com o Clube/Esporte.

Competição
O patrocinador perante as outras marcas

Na recente Copa do Mundo de Futebol, a seleção brasileira [CBF] possuía 14 patrocinadores. De seu lado, a Fifa possui 22 patrocinadores e apoiadores para a realização do evento. E o jogador Neymar, por exemplo, possuía outros 11 patrocinadores individuais, vários deles concorrentes com os patrocinadores da seleção e da Fifa. O sucesso neste caso passa não a ser a exposição durante o evento, mas sim a autorização de uso do patrocinado [instituição, atleta…] em outras estratégias de divulgação da marca pela própria empresa. Claro, as marcas que há mais tempo estão com estes, como visto no tópico acima, apresentam maiores ganhos.

Neste ponto, o rugby abre a oportunidade, para que os atuais patrocinadores ganhem com a sua associação, exemplos clássicos como o da fabricante de materiais esportivos Topper e do banco Bradesco, que correram a aliarem sua imagem ao rugby. O Bradesco, principalmente, veio até o rugby, após demonstração da consultoria Deloitte, que identificou o rugby como o esporte que mais esta crescendo e o que apresenta o maior potencial de crescimento nos próximos anos no Brasil. Um patrocínio neste momento a um Clube de rugby, certamente torna-se um investimento para aumentar ainda mais o impacto de uma marca, necessitando menos de ações de ativação, conforme tópico a seguir.

Impacto
Ações de ativação

Ativação é uma ação de comunicação complementar ao patrocínio, tendo este como foco e conteúdo, tal como: uma campanha de publicidade que combine conteúdo do patrocinador e ao mesmo tempo informe às pessoas sobre o patrocínio.

Nos esportes já presentes no cotidiano, os patrocinadores, sofrem com este contrassenso: o patrocínio não deveria gerar, sozinho, o retorno em imagem? Não deveria ter o alcance e o impacto perante meu público? Esta condição surge da grande competição entre patrocinadores e da grande quantidade de informação gerada. Ela é crítica para o pequeno patrocinador, que tem pouca condição de complementar sua iniciativa e corre o risco de ter sua mensagem perdida. E talvez seja ainda pior para o grande anunciante e patrocinador, que já realiza investimentos intensivos em publicidade, pois ficará muito difícil saber qual o retorno do patrocínio em si. Aqui entra a diferenciação do rugby, que apresenta um resultado muito mais previsível do investimento direto, sem necessidades de maiores dispêndios para a ativação das ações. E quando oferecido uma possibilidade de ativação, como a associação da marca já patrocinadora com algum evento, ela tem um valor muito razoável em comparação percentual com o que ocorre nas grandes marcas, nos esportes já popularizados.

Retorno
Para a empresa patrocinadora

Aqui voltamos à reflexão que o SRC criou em um determinado momento. O de que um patrocínio é um investimento realizado por uma empresa, ele deve ser tratado como tal. E como todo financista sabe, um investimento é avaliado com base em seu retorno.

Os retornos que o SRC/Rugby tende a oferecer:

— Retornos sobre o alcance do público da marca: a ação irá alcançar um público no qual a marca tem baixa penetração. Ou mesmo servir como atrativo para um determinado público, aumentando as vendas ou a participação no mercado, assim o SRC fechou parcerias com academia, faculdades, loja comercializadora de moda rugby e bar ao estilo britânico [carregando assim, principalmente o público jovem, mais presente no rugby].

— Retornos de contribuição de conteúdo: estar próximo ao patrocinado traz ou reforça na imagem de atributos que o patrocinador necessita. Por exemplo, a prática esportiva, a saúde, a força e coletividade presente neste esporte. Aqui se cita o caso do SRC, de uma marca de produtos esportivos, nova, que precisava conceituar-se e marcar presença no esporte e que manteve por um período parceria com o Clube.

— Retornos para empresas locais: Como o rugby ainda é um esporte considerado amador, as empresas patrocinadoras conseguem ter um maior alcance de sua marca na comunidade em que residem. Exemplo de sucesso no SRC foi à parceria firmada com uma rede de postos de combustíveis, onde em comum acordo, estipulou-se a criação de convênios, onde atletas, torcedores e simpatizantes do rugby, mediante interseção do Clube, passem a usufruir descontos em combustíveis e outros produtos do patrocinador, remunerando o Clube em cima deste retorno.

— Retornos inesperados: Tempos atrás o SRC, firmou um patrocínio, que para a empresa estava mais com características de doação do que de vislumbre de retorno, no entanto o simples fato de estar presente em um dos eventos do Clube, o empresário do referido patrocinador, formou relacionamento com um dos outros patrocinadores que casualmente era da área de tecnologia, e juntos firmaram um inesperado grande acordo entre ambos, que nos dois casos, uma única negociação cobriu de forma salutar todo o valor investido em pelo menos um ano de patrocínio para o Clube na época.

Necessidade
Obtenções para o patrocinador

Patrocínio é uma ferramenta de comunicação e relacionamento. Talvez o principal critério a ser levado em conta para esta decisão por parte da empresa, é: a minha marca pode ganhar com essa associação (não apenas no pensamento de curto prazo), tendo em vista o promissor alcance, que o rugby enseja.

Com toda clareza apoio empresarial ao rugby, pode passar a ser inserido nas estratégias de marketing das empresas, e tende a apresentar um retorno muito satisfatório. E neste sentido, abrem-se outras formas de patrocínio, como o oferecido pelo SRC, através das Leis de Incentivo Estadual [ICMS] e Federal [IR], onde ao invés de determinada empresa recolher parte de seus tributos ao governo, os repassa para os projetos desenvolvidos pelo Clube, ganhando com isto ainda um excelente retorno. No tocante aos pequenos clubes amadores, claro, iniciar esta frente é meio que um “caminho das pedras”, e muito frequentemente como aconteceu com o SRC, requer contratação de consultoria externa especializada. E até mesmo ter criado relações que propiciassem determinadas situações, como quando uma coletiva da diretoria foi tomar um café da manhã com o ministro dos esportes, para apresentar seus projetos. Porém conquistadas as etapas, é um ponto de vitalização dos clubes e enriquecimento das marcas apoiadoras.

O ente público também pode estar presente, aliás, atualmente muitos casos de sucesso no rugby, normalmente tem estreita ligação com as prefeituras municipais. Normalmente recursos públicos para o esporte amador não faltam, o que se carece, são de projetos consistentes e íntegros a serem apresentados. Neste tocando o SRC tem já a cerca de 4 anos direto apoio da Prefeitura Municipal, através de suas secretarias.

O rugby e no caso analisado o Serra Rugby Clube tornam-se uma excelente ferramenta de divulgação e consolidação de marcas, principalmente quando alinhado a uma visão de longo prazo.

O PIB [Produto Interno Baixo] da Presidente

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Odair Deters

Alguns amigos meus [e possivelmente não devam ser de origem alemã, japonesa ou italiana] defendem o Getúlio Vargas como o melhor presidente brasileiro, mesmo não tendo vivido no período de seu governo. Os trabalhadores e pessoas mais conservadoras, quando não diante de olhares críticos condicionados por quem gosta de ver teve, costumam defender os governos do período da ditadura militar. Os mais liberais, hoje exaltam o governo FHC, muito mais odiado na época do que atualmente. E assim por diante, portanto é difícil assumir qual teria sido o melhor presidente. No entanto os economistas podem ter uma forma, medindo o crescimento econômico do país, através de seu PIB [Produto Interno Bruto], satirizado no título deste texto como Produto Interno Baixo.

Uma medição do PIB [gráfico da imagem deste texto], desde o início da República Nova, com GV, mostra os resultados dos 17 presidentes que dirigiram este país, e a média de crescimento que eles geraram para o país foi de 4,91% a.a.[ao ano].

Em baixo crescimento econômico, ninguém ganhou do presidente caçado, Fernando Collor de Mello, em 1990, onde o país não obteve crescimento, e sim um decréscimo, que chegou a registrar -4,53%. Elevando-se logo mais, acima da média, com o seu vice que assumiu a presidência, Itamar Franco.

O melhor desempenho foi de 13,97% em 1973, durante o governo do gaúcho Médici, e durante todo o seu governo, a média foi de 11,43% [justamente do período que mais se tenta apagar da história brasileira].

Mas o que chama atenção no gráfico é justamente o atual governo, nos mandatos de Lula e Rousseff, tido como bom por mais da metade da população, porém apresentando crescimentos abaixo da média história. E ademais, o crescimento registrado no período da Dilma Rousseff, é o segundo pior registrado dos últimos 90 anos [desde a criação da República Nova], perdendo somente para o Collor, e perdendo inclusive para os governos da década de 80, considera a década perdida.

Claro, Dilma se defende dizendo que a queda do PIB é momentânea e prevê recuperação [http://exame.abril.com.br/economia/noticias/dilma-diz-que-queda-do-pib-e-momentanea-e-preve-recuperacao]. E quando vê que a coisa não se recupera, o melhor é mudar o discurso, para o fato de que o seu governo, trata com importância apenas relativa índices de crescimento econômico, como a expansão do PIB [http://jornaldehoje.com.br/economista-alerta-com-menor-pib-desde-collor-dilma-entregara-pais-em-recessao/].

No entanto, nem o seu mentor-mor – Lula – deixar de observar: “Obviamente o nosso PIB não é o PIB que a gente gostaria” [http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/07/1480650-lula-diz-que-o-crescimento-do-pib-nao-e-o-ideal-mas-nao-defende-mudancas.shtml] . Nota-se que o atual governo federal teve a menor taxa de crescimento médio da era republicana, descontando o governo Collor.

Segue uma lista histórica para melhor comparação:

Médici           11,43%

Café Filho        8,30%

  1. Kubitschek   8,12%

Gal. Dutra         7,64%

Costa e Silva     7,00%

Geisel               6,70%

G. Vargas (2º)    5,63%

João Goulart      5,27%

Itamar Franco    5,00%

MÉDIA              4,91%

Sarney              4,39%

Castelo Branco  4,17%

Lula                   4,06%

G. Vargas(1º)      4,01%

Figueiredo          2,50%

FHC                  2,32%

Dilma Rousseff   1,80%

Collor                -1,26%

 

 

Um rico empobrecido não cria um pobre enriquecido

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Quer ajudar os pobres? Quer mais justiça social? Acho que o primeiro passo não seria reeleger a Dilma, mas isto já está feito. Com isto não afirmo que seu oponente seria muito melhor, no máximo, acho que seria “menos pior”.

Agora ficar dando esmola, cota e bolsa “qualquernecessidade”, não melhora em nada. Recordo que quando adolescente um amigo me contou a história da “vaca foi pro brejo” onde um monge mandou seu discípulo empurrar brejo abaixo uma vaquinha que era a única forma de sustento de uma família muito pobre. Meio contrariado, porém muito obediente, o discípulo foi lá e empurrou, no entanto isto lhe gerou um profundo arrependimento interno. Tanto que anos mais tarde, ele procurou a pobre família, mas no local havia uma rica residência, ao pedir pelos antigos moradores, identificou que continuavam ali, e estes lhe relataram que depois que a vaquinha que lhes sustentavam havia caído no brejo, tiveram que passar a trabalhar e desenvolver outras formas de renda e vida, o que lhes propiciou um grande crescimento.

Se alguém quer genuinamente ajudar os pobres a melhorarem suas condições de vida, e de maneira permanente e independente, precisa, não se tornar um pobre e nem agir para que outros se tornem pobres. Afinal de contas será muito difícil ajudar as pessoas pobres, se eu começar a empobrecer mais e mais, ou se meus amigos tornarem-se mais pobres. E assim como o fato de me tornar mais pobre, torna-se maior impeditivo para que eu ajude os demais, também não devemos defender políticas que levem ao empobrecimento de quem tem mais [ricos], como se isso bastasse para enriquecer os pobres.

Aquela máxima não dê o peixe, ensine-o a pescar. Claro, em sendo você rico, pode escolher se deseja dividir a sua riqueza, dando os peixes para eles comerem ou arrumando um emprego, ensinando eles a pescarem, e serem seres humanos produtivos.

Porém isto não é tudo, e quem sabe o mais impactante seja também o menor dos gestos: dê o exemplo. Como criando seus filhos não mimados e tornando-os produtivos, ensinando-lhes o valor do trabalho e a serem mais realistas. Você e seus filhos poderão ser os exemplos [comportamentais] para aquelas pessoas que você está preocupado em ajudar.

Em economia, estudamos que o cerne desta ciência, é alocar recursos escassos de maneira eficiente. E temos duas formas para isto: A) Pela imposição forçada, decretos e coerções do governo; B) Por meio de um sistema de preços fornecido pelo mercado.

A maneira “B” tende a ser mais duradoura e voluntária, por isso, muito embora a economia de mercado apresente inúmeras deficiências, o conhecimento do seu funcionamento é mais e mais necessário. Se você é um defensor do socialismo econômico, da meia-entrada, da passagem gratuita e assim por diante, lembro-te que não tenho nenhum exemplo de que um sistema deste tipo, que não tenha culminado na escassez, no racionamento de recursos, e isto é exatamente o contrário do que é preciso para ajudar os mais pobres.

Outra forma de ajudar é trabalhando sobre nós mesmos, não mentindo, não roubando, não mamando na teta do governo, ou seja, dando bons exemplos.

Os Estados assistencialistas e inchados, vão cada vez mais correr atrás dos indivíduos que tenham alguma riqueza, pois dado que o governo nada cria, só toma, ficam obcecados em manter a sua sobrevivência, claro usando para isto o nome do “bem público”. Atualmente até parece-me que temos um cidadão [Thomas Piketty] com vias de indicação ao Nobel de economia, por propor um imposto mundial sobre a riqueza e a renda.

Ser caridoso com a riqueza dos outros é uma delícia, faz até o governo morrer de amor aos pobres. Arregaçar as mangas e produzir o pão que se quer ver repartido é um pouco mais árduo.

Acima de tudo, antes de batalhar pela distribuição da riqueza dos outros, o melhor seria você tornar-se mais rico e então distribuir a sua riqueza com quem tanto deseja ajudar. Mas lembro de que o que é dado, nem sempre é valorizado. Lembro-me uma reportagem de um catador de lixo, que encontrou um bilhete da loteria premiado, e teve em sua conta alguns milhões depositados, virando capa do jornal local. Passados alguns anos, voltou a virar capa do mesmo jornal, pois estava novamente no lixão catando seu meio de sobrevivência.

Não adianta querer tirar as pessoas da miséria, se não tirar a miséria das pessoas.

 

Tudo sabia. Mas não sabia que nada sabia.

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Indubitavelmente, para melhorarmos, precisamos conhecer nossos defeitos. Mas este seria o passo inicial, o começo, sendo que a mudança concreta passa a existir a partir do momento em que substituímos o conhecido defeito por uma determinada virtude, contraposta a este. Portanto, qualquer mudança em nossa vida, depende do conhecimento que temos de nós mesmos.

Uma observação franca de nós mesmos, consequentemente nos entrega o fato de que cotidianamente não temos o controle de nós mesmos. Mediante um elogio que recebamos, ficamos animados, alegres e orgulhosos, se contrariamente recebamos uma crítica ou insulto, a tristeza nos toma, o desânimo governa, e não muito raramente, acabamos irados e revidamos. Tornamo-nos vitimas das circunstâncias, a temperatura, o clima, a televisão, as pessoas à nossa volta, influenciam diretamente nossos estados emocionais, e grande parte das vezes, de forma negativa.

Vivemos em oscilações de humor, e constantemente mergulhamos em seus extremos, esta simples oscilação, migra por todos os campos de nossas vontades, assim, somos rotineiramente incapazes de sustentar esforços concentrados por longos períodos, ou manter certas disciplinas. É como se nossa mente fosse um ônibus, cheio de passageiros, e a cada instante um destes passageiros, passa a assumir a condução, em determinados momentos é um desejo em específico, dali a pouco uma inclinação, seguido de uma tendência, sobrepujado por um anseio, advindo por uma capacidade, ao revés de uma qualidade, acompanhado de uma limitação, puxado por uma fraqueza.

O único caminho que se abre, é passar a ter conhecimento da nossa própria ignorância, e que na verdade, não conhecemos muito de nós mesmos. Muito embora seja fácil para alguns leitores contestarem mentalmente esta afirmação, reafirmo, que muito do que conhecemos de nós mesmos, não passam de suposições ou crenças que desenvolvemos ou abraçamos.

Recordo um acontecimento da década passada, quando em uma entrevista de emprego, o empregador, questionou-me, quais seriam meus defeitos. E instantaneamente ficou surpreso, quando eu respondi: “todos”. Como de nada serviria eu dar-lhe o conhecimento medíocre de psicologia que eu acreditava ter, tive que selecionar um trio de defeitos, para deixa-lo satisfeito. Muito embora eu dizia a mim mesmo, que tinha todos os defeitos, isso tão pouco me servia para uma melhora. Quem sabe como passo inicial me era útil abraçar essa crença de que eu era representado e conduzido em grande parte das minhas ações por defeitos ou por uma inteligência subjetiva. Mas precisa algo mais, que era realmente conhecer esses defeitos, sua origem, seu desenvolvimento, seu emaranhamento, e o oposto a sua alimentação, ou seja, a virtude praticada que viria por cortar o alimento à este defeito.

É atribuído a Sócrates [Atenas, 469 a.C. – 399 a.C. Filósofo da Grécia Antiga, creditado como um dos fundadores da filosofia ocidental], a frase que sintetiza todo este meu texto: “Só sei que nada sei” [Livro A República de Platão]. A frase é simples, mas que acredito ainda, poucos conseguem compreender a fundo o significado. Dos poucos, que conseguem compreender, um grupo menor ainda, consegue manter esta compreensão viva na memória, tornando-a um estilo de vida, de modo a encarar o mundo de forma diferente da visão comum e corrente.

No entanto, experiência viva do autor em inúmeras situações, mesmo que concordemos com esta ideia, no fundo, sempre acreditamos que sabemos algo, e pior, agimos como se soubéssemos tudo. Acreditar que já sabemos é a pedra maior no caminho do conhecimento de si mesmo. Sendo que o conhecimento de nós mesmos enseja o conhecimento de tudo.

De fato nos conhecemos de forma tão limitada. E o fato de darmo-nos conta de nossa própria ignorância é a fonte para encarnar a sabedoria. Assim como exemplo, mais comum para ilustrar, temos no universo do intelectualismo, o fato de que quanto mais estudamos e mais especializados nos tornamos em determinado assunto, mais ânsias de adquirimos novos saberes surgem, e cada vez mais notamos que temos tanto a apreender, o mesmo se reflete no que podemos chamar de espiritual ou pessoal, ou seja, no conhecimento de nós mesmos.

A vida nos apresenta momentaneamente situações, que nos permitem o assombro, tal como uma curiosa criança, e assim podemos ir transformando as situações e pensamentos em oportunidades de nos auto observarmos, de forma a podermos identificar a ação de respectivos defeitos, muitos deles, algumas vezes, tão recorrentes que nem mais os classificamos como defeitos, e em algumas oportunidades até os endeusamos como virtudes. A capacidade de reconhecermos que não sabíamos e ademais, nem sabíamos que nada sabíamos, é toda nossa, o pode ser fonte de uma transformação e aquisição de conhecimentos surpreendentes.

Marinheiros inexperientes salvaram as baleias. O espermacete e os erros da indústria.

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Por Odair Deters

Se hoje temos baleias nadando pelos Oceanos, isso não se deve diretamente aos movimentos ambientalistas, e sim, em muito a um curioso fato econômico.

Em meados do século XIX, a caça de baleias era uma indústria competitiva que consistia em muitas empresas relativamente pequenas. Não havia vantagens de custo para grandes empresas, porque as baleias tinham que ser caçadas uma de cada vez, e os navios de caça tinham que ir até a área de caça de baleias. Claro a tecnologia para a caça havia melhorado, inovações nas lanças, as tornaram mais eficazes. Porém por mais que a tecnologia se desenvolvesse, o processo fundamental continuava o mesmo, e isso não melhorou em nada a produtividade, tal como uma fábrica no mesmo período poderia mudar sua produção e distribuição. Por exemplo, os navios desta época não eram capazes de utilizar a tecnologia a vapor, que revolucionava o transporte, pois o motor ocupava muito espaço na embarcação, espaço necessário às baleias.

Entre os principais produtos derivados da caça de baleias da época, estavam o óleo de baleia, a cetina e o óleo de espermacete, que embora muito parecido com o esperma não seja a mesma coisa. Uma baleia produz em média 2000 quilos de espermacete, e este óleo foi o responsável pelo nossos sistemas de iluminação durante 3 séculos, além de serem usados como lubrificantes. A partir de 1850, os óleos de baleia começaram a enfrentar a concorrência do carvão, petróleo, gás de carvão e querosene. Muito embora, com o crescimento da indústria, principalmente a de tecelagem, subiu a demanda pelo óleo de espermacete, tanto que entre 1820 e 1850 o preço do óleo dobrou [calculando a inflação], mas neste mesmo período o valor real da produção subiu 10 vezes.

Os caçadores, tendo demanda, encontraram novas áreas nos Oceanos Pacífico, Índico e Ártico. Isto requeria viagens mais longas[podendo durarem até quatro anos]. Para isto precisavam de navios maiores, que eram mais difíceis de abastecer. Estas viagens mais longas tornaram a atividade mais arriscada e aumentou-se a chance de se perder o navio inteiro, um em cada dez era perdido. Logo a caça as baleias foi ficando menos atraente para marinheiros qualificados, um problema sério para uma indústria que conta necessariamente com a mão-de-obra. Após 1850, quando a industrialização aumentou as oportunidades no setor de transportes comercial, por mar e por terra, os bons marinheiros se escassearam. E então tinha-se que aumentar a recompensa aos marinheiros experientes pela caça ás baleias, ou atrair trabalhadores menos experientes, pagos com menores salários, logo, com menos consciência dos riscos das longas viagens. E a escolha parece ter sido justamente a da segunda opção, e começaram a serem contratados trabalhadores com menor experiência, o que logo reduziu a produtividade das viagens e aumentou os riscos, fazendo com que em 20 anos aproximadamente de 1850 a 1910 a indústria de caça as baleias praticamente desaparecesse. Apenas mais recentemente que organizações ambientais passaram a lutar pelos gigantes mamíferos. Atualmente baleação é praticada somente pela Noruega e Japão. A contratação de mão-de-obra menos qualificada, foi um dos agravantes que preconizaram a quebra da indústria baleeira, porém mantiveram estes cetáceos por mais um século em nossos Oceanos.