A revolta do alemão batata. Quando o Brasil quitará a sua dívida?

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Por Odair Deters

Durante a minha infância, na época em que bullying não existia, era comum um descendente de alemão ser chamado de “alemão batata” [que tem por origem o formato do nariz de alguns descendentes de alemães], que nem era bem o meu caso, pois meu nariz é um pouco mais aquilino. No entanto não escapei de ser assim chamado algumas vezes. Claro isto não acontecia quando eles queriam que eu repartisse a merenda gostosa que eu levava para a escola [pois a alimentação na minha casa, assim como grande parte dos imigrantes, quase sempre foi farta].

Esta passagem, simples evidencia em escala macro, todo o descaso que a nação brasileira teve em nunca reconhecer o estrondoso sucesso da imigração alemã.

Tudo começa muito cedo, quando os portugueses saiam para as suas grandes descobertas, precisavam de parceiros corajosos, e para isto contrataram uma guarnição de artilheiros alemães [desde 1489]. Também tiveram que trazer os pioneiros que documentavam a flora e a fauna brasileira. Os empreendedores que desenvolveram os engenhos para a cana-de-açúcar[1535]. O conquistador que fundou a cidade do Rio de Janeiro[1567]. E outros tantos que foram bandeirantes, padres, comerciantes, cientistas, médicos, músicos e militares. Inclusive responsáveis por fundarem o exército brasileiro, fato de quando os Brummers vieram para o Sul do Brasil [1676], para garantir as fronteiras dos espanhóis, onde ganharam a designação de “libertadores do Rio Grande do Sul”. Sendo esta a primeira vez em que foi introduzida uma maneira prussiana de exército aqui. Até mesmo a cor amarela da bandeira brasileira deriva do casamento de Dom Pedro de Bragança [cor verde] com a cor amarela que representa a casa Lothringen-Habsburg, da qual era procedente o pai de Leopoldina, o imperador alemão Franz II [Franz I da Áustria]. Em São Leopoldo [RS] começou uma nova forma de colonização com os alemães [1824], bem diferente da maneira de economia dos latifúndios. A grande vitória no maior conflito em que o Brasil se envolveu, a guerra do Paraguai, foi alcançada graças a bateria alemã de artilharia[1866]. Fora todo o desenvolvimento industrial trazido, que fazem hoje, por exemplo, de São Paulo, a maior cidade industrial alemã do mundo inteiro, segundo o número de empresas alemãs ali instaladas.

No entanto a nação brasileira ainda não tomou conhecimento disto. Parece que a única coisa grande que vieram dos imigrantes, foi o Nazimilitarismo [1969-1979] Institucionalização da tortura, genocídios, Operação Condor, por Médici [italiano] e Geisel [alemão]; querendo condenar assim o Rio Grande do Sul por inteiro como a região de mais forte influência nazi-fascista da América Latina. Quando sim, alguns sulistas apoiaram o regime alemão durante a segunda guerra. Mas lembramos de que o Governo Brasileiro na pessoa de Getúlio Vargas, também apoiou, e só mudou de lado, após vergonhosamente ter se vendido aos Estados Unidos [Aqui muito exaltamos os argentinos que derrubaram seu governo quando este quis cometer semelhante ato].

Quando o fracassado Getúlio Vargas se vendeu, iniciou a campanha nacionalista, implementada em seu governo entre 1938 e 1945. Através desta campanha houve repressão à publicação e ao ensino da língua alemã, proibição de falar outra língua senão a oficial em público, fechamento de instituições e associações comunitárias e culturais, perseguição aos membros das igrejas, confisco de bíblias e livros, assim como a destruição de propriedades. Oficiais do governo e a população, assustada com a política de Hitler, desprovidos de conhecimento, quebravam tudo o que tinha marca ou escrita alemã. Roubavam dos imigrantes as máquinas, navalhas, relógios, concertinas e armas. Até mesmo os epitáfios nos cemitérios sofriam ações. Os comerciantes alemães precisavam ficar armados vigiando as vendas e mercearias, alvos de saques pelos brasileiros, que também ameaçavam de morte os colonos. Meus avós contavam que lhes eram tomados até os panos de prato que minha avó com dedicação bordava em alemão os dias da semana e as datas especiais como Páscoa e Natal. Aconteceu uma verdadeira pilhagem pelos brasileiros, que cobiçavam o que os imigrantes conseguiam com muito esforço, fruto de seu conhecimento e trabalho.

Muitos eram presos por serem pegos falando alemão, o mesmo acontecia frequentemente com os italianos e japoneses neste período. Muitos foram parar em campos de concentração. Sim, no Brasil existiram campos de concentração também, e para lá iam presos: alemães, italianos e japoneses. Aliado aos resultados da 2ª guerra, tão explorados pelos filmes hollywoodianos, tornaram os alemães eternos pecadores. Embora muitos dos personagens que os condenam usufruam hoje de conquistas descobertas pelos nazistas durante a guerra, seja para sua saúde, entretenimento ou comodidade. E principalmente nesta terra tropical, não se dão conta que os conquistadores do Brasil e das Américas [portugueses e espanhóis] cometeram genocídio muito maior com os povos indígenas e que até mesmo por séculos perseguiram e mataram judeus. Sem contar uma grande diferenciação dos alemães em relação a outros imigrantes. O alemão que veio para cá veio para criar o seu Heimat o colonizador original português não teve o mesmo amor à nova terra. O Seu amor na boa parte das vezes era explorar, enriquecer e voltar à terrinha Lusa.

Os alemães além de virem com a ideia de aqui se manterem definitivamente, ao chegarem o primeiro que edificavam era uma igreja e uma escola. Em um país onde ainda hoje a educação é uma ilusão. Não é a toa que o IDH das pequenas cidades do Sul seja muito superior ao de outras regiões, e poderia ser muito melhor. Não fosse o maior crime cultural levado á cabo no Brasil, representando um atraso imensurável para todo o país – a campanha nacionalista e o cerceamento dos limites do povo alemão por conta dos resultados de II guerra – Porém os criminosos que iniciaram isto acabaram por impactar também no desenvolvimento do Brasil. Estes criminosos cometeram algo contra as suas próprias gerações. Conseguiram em seu tempo roubarem muito dos imigrantes [alemães, italianos e japoneses], inclusive um dos maiores roubos da história deste país, que foi o da autoestima de um povo. Por isso ainda hoje encontramos alemães muito fechados, envergonhados, tímidos [eu mesmo considero que sofri muito com isto até meus 20 anos aproximadamente, quando reconheci as causas e resolvi enfrentar a mim e a todos, principalmente estudando e esclarecendo a história]. A origem histórica disto encontra-se nas limitações impostas neste período.

A bem da população de origem alemã no Brasil, estimada em torno de seis milhões de brasileiros, diga-se que esta população não teve a mínima participação, direta e nem indireta, nos horrores da Guerra na longínqua Europa e, muito antes de algoz, foi vítima de uma execrável política de discriminação étnica. Das muitas etnias que formam o caldo de culturas do Brasil, nenhuma delas pode, honestamente, orgulhar-se de ter amado mais sua nova pátria e contribuído mais intensamente para o seu progresso do que a etnia alemã. Mesmo diante de um xenófobo povo brasileiro.

Hoje representando cerca de 3% da população brasileira os descendentes de alemães, são quase que basicamente uma minoria segregada. Porém nunca cobraram do governo serem igualados, nunca pediram que lhes perdoassem publicamente, que sejam chamados de germanodescentes. Nunca exigiram vagas nas universidades a não ser se seu mérito próprio e suas economias permitam. Caso isto não aconteça continuam lavrando a terra uma vida inteira e enchendo as mesas de comida, inclusive daqueles burocratas filhos das mesmas oligarquias que há décadas usurpam este solo. Nunca brigaram por serem chamados de “alemães”, mesmo tendo sido nascidos nesta terra. Quando bem poderiam dizer que isto constituiria uma forma de racismo e xenofobia. Nunca se incomodaram em processar expressões de cunho pejorativo associadas a eles como “coisa de alemão”, “alemão teimoso”, “só podia ser alemão”, “comedor de chucrute”. Não exigiram que o dia 25 de Julho virasse o “dia da consciência germânica”, ou que o 25 de novembro seja do “dia nacional do orgulho alemão”. Muito menos que tivessem um ministério que lutasse pelo dia da igualdade alemã e conta a germanofobia, proibindo que uma criança seja chamada de “alemão batata come queijo com barata”.

Aliás, os alemães Respeitaram o dia da consciência negra, sem nunca terem cometido qualquer atrocidade contra negros neste território, na verdade, sem preconceitos, se for contabilizar, foram mais vítimas destes. [aqui aos racistas enrustidos, lhes dói ler isto, pois não analisam os números, apenas as emoções]. Mas o povo alemão geralmente não ficou naquele ressentimento passivo, comum a milhões de brasileiros, que olham o escândalo na televisão e exclamam “que horror”. Descobrem o roubo de um político e falam “que vergonha”. Encontram a fila de aposentados e comentam “que absurdo”. Assistem os programas de domingo na televisão e falam “que baixaria”. Eles buscaram aos poucos ir trabalhando, acreditando ainda em uma transição neste país, indo do ressentimento passivo à participação ativa, podendo ser esta quem sabe uma simples atitude, através de uma das mais tradicionais tarefas que lhes coube, plantar uma roça que permite que muitas bocas sejam alimentadas.

Até o momento o único reconhecimento que receberam foi o de “nazista”. Mesmo que a grande maioria nunca o foi. Sendo que não faltaram motivos para isto. Pois o Brasil nunca reconheceu a contribuição teuta a sua formação.

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Hitler na América

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Por Odair Deters

Certa ocasião, no inverno de 1997, meu pai me chamou para conhecer um senhor. Ainda hoje recordo com satisfação o convite que meu pai me fez. Na época eu tinha apenas 14 anos, mas já um grande interesse por história, principalmente quando envolvidas as Guerras Mundiais. Isto motivou ser chamado por meu pai, para participar de uma conversa de um dos seus clientes em seu estabelecimento comercial. Este cliente, um senhor, já com mais de 80 anos, e de aprazível olhar, de início, não me causou muito interesse, e recordo que veio o pensamento de: “que ganharia eu por escutar aquele velho de cabelos brancos”. No entanto este bom velhinho foi responsável por um dos fatos históricos mais importantes dos que considero que tive exclusividade em receber. Passado alguns anos me dói não ter feito maior registro dos dados e fatos que ele me relatou, tão simples e convincente, com nomes de pessoas e locais. Informações que poderiam propiciar a escrita de um livro, mas que ganham por hora apenas um breve texto.

O referido ancião me localizou no tempo, informando ter nascido em uma cidadezinha do noroeste gaúcho de colonização alemã, e que tornou-se um hábil construtor de igrejas, tendo citado algumas de suas construções no interior do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Uruguai e Argentina. E justamente no período que findou a 2ª Grande Guerra, ele estava envolvido em construções nos territórios hermanos. Momentos nos quais teve que hospedar-se em um hotel, e que no terceiro dia lhe foi solicitado a mudança de quarto, pois o hotel estava recebendo novos hóspedes. Tratava-se de uma comitiva, algo como 20 ou 30 pessoas. Logo notou que os novos hóspedes que chegavam à calada da noite falavam alemão, apesar de alguns se identificarem como brasileiros, tão equivocados foram eles, pois o referido senhor, apesar de já estar a cerca de 3 ou 4 anos em territórios uruguaios e argentinos erguendo suas obras, e com pleno domínio do espanhol, era brasileiro, e conseguiu sem intenção descobrir que de brasileiros não tinham nada estes novos hóspedes. Aliado ao seu conhecimento da língua alemã, própria das colônias do RS, conseguiu empreender diálogo com os novos personagens que se hospedavam com ele no hotel, e apesar de inicialmente serem de difícil aproximação, acabou por logo criar um sutil vinculo de amizade, permitindo assim um contato direto com estes. Este contato lhe assegurou saber que eram todos oficiais nazistas que escaparam da Europa, após uma passagem pela Espanha e que se refugiavam em terras argentinas, sobre proteção de empresários e políticos ainda no governo de Farrel [1944-1945], que havia assumido o cargo em um golpe militar pró-alemão, e obtiveram proteção ainda maior no governo de Juan Domingo Perón [presidente argentino de 1946-1955].

O referido senhor me mencionou todos os nomes que recordava, do hotel, como de e em alguns casos até de personagens paralelos, desde o da filha de um dos proprietários do hotel, como dos sujeitos com os quais firmou amizade. Citou a localização do hotel e a das fazendas as quais estes foram residir, sendo uma, não muito distante de Buenos Aires, alguns que foram para a região de Córdoba e outros para a região da Patagônia. Estas novas amizades, lhe renderam importante destaque, pois passou a usufruir de uma série de vantagens e benefícios em território castelhano diante de seus amigos, como: Ser hospedado algumas vezes em uma propriedade onde alguns deles passaram a viver, e que segundo informações que ele recebera, pertencia a família Perón. Entre os encontros que teve com os novos amigos, em 3 oportunidade teve contato com o mais destacado e mais reservado deles, o qual acompanhado de sua esposa, era um sujeito que possuía baixa estatura, rosto limpo [sem barba], com uma leve cicatriz na região superior do lábio, cabelo escuro e bem curto. Em sua segunda conversa com dito senhor, durante um café da manhã, veio, a saber, que se tratava de Adolf Hitler, líder alemão, que apesar te sido dado como morto pelos soldados soviéticos estava vivo, e diante dele. Confessou-me ele, que o fato não lhe casou grande assombro, pois sujeito simples que era vagamente se inteirava plenamente dos fatos que envolviam o grande conflito mundial. Porém a amizade e fidelidade em guardar este segredo, lhe propiciaram dentre as oportunidades, a de acompanhar alguns de seus novos amigos anos depois em uma viagem completamente patrocinada por estes para a Suécia e Alemanha. Em seu terceiro encontro na presença do líder nazista, tempos depois, em uma fazenda onde residia este sujeito, nas proximidades de Bariloche, onde já encontrou o mesmo, mais altivo e usando óculos, com uma aparência completamente distinta da existente nos primeiros encontros. Apesar de pouco contato direto, notou que Hitler desenvolvia uma vida que parecia regida pela plena normalidade que poderia usufruir qualquer cidadão da época e que dispunha de certo capital para ter alguns empregados.

Esta conversa me trouxe fatos com tamanha exclusividade. Era eu, então, um garoto com apenas 14 anos e distante ainda alguns anos do acesso quase ilimitado de informações acerca deste fato pela rede mundial de computadores. Na época do diálogo, usei de todos os conhecimentos, que então um jovem do ensino fundamental recebe da “história oficial” e fiz vários questionamentos. Através das minhas indagações, acabei sabendo informações demasiado interessantes, como: A de que o sujeito encontrado morto no bunker em Berlim não passava de um sósia do líder alemão. Que os alemães tinham projetos de aviões superpoderosos e que estavam sendo desenvolvidos, que só mais tarde vim, a saber, que não se tratavam diretamente de aviões e sim dos Haunebus. Também o fato de que alguns ex-nazistas após a chegada à Argentina, ultrapassaram a fronteira para o lado brasileiro, pois aqui consideravam um local “melhor pra se viver”, principalmente após a saída de Perón do Governo argentino. Também relatos de passagens de Adolf por Montevidéu, Buenos Aires, Córdoba, e Chile. Questionei também se Hitler havia vindo [a passeio que fosse] para o Brasil, o dito senhor não soube me responder, pois não manteve direto contato com ele após estes 3 encontros, firmou amizade maior com alguns senhores ligados ao líder nazista. Após o terceiro encontro, somente veio a ter notícias quando do falecimento de Hitler, que ocorreu no início da década de 70 [não soube me precisar o ano] e esta informação lhe veio através de seus amigos, conhecidos naquelas ocasiões, e com os quais continuou mantendo maior contato.

Para colaborar com esta história que rebate a engendrada mentira contada nos livros de história. Em 2009, análises do DNA realizadas nos laboratórios da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, mostraram que o suposto crânio de Hitler encontrado no bunker e guardado pelos russos era, na verdade, de uma mulher com menos de 40 anos. As análises de fotos do sujeito que aparece como sendo o “Hitler morto”, não batem em nada com as características faciais, a não ser pelo penteado e pelo bigode ralo. Outro fato que colabora é que além do citado cidadão com quem pude empreender diálogo, outras tantas testemunhas que tinham estado com Hitler na Argentina, começam a aparecer. Jornalistas e pesquisadores argentinos, espanhóis e ingleses lançaram nos últimos anos bombásticas obras e documentos que comprovam estes fatos. Também na conferência de Potsdam, em agosto de 1945, quando questionaram Stalin sobre a morte de Hitler, este disse que ele não estava morto e que havia escapado.  A Alemanha só reconheceu Hitler como morto em 1956, 11 anos depois, por presunção de falecimento e neste período o Estado alemão, não só não reconheceu a morte do seu político, como não houve nenhuma ordem de captura ou processo judicial.

Hoje correm informações de documentos consulares, bem como de autodenominados ex-agentes de serviços secretos de que agências como CIA e o MI6, possuíam documentos e fotos que confirmavam a presença de Hitler na América do Sul após 1945, mas muito possivelmente constataram que deixar o casal Hitler e Eva Braun vivendo em paz e no anonimato era muito melhor do que reacender a ira e o rancor da população mundial. Bem como após o transcorrer do tempo, tornou-se impossível deixar pública esta informação, pois para muitos, saber que um dos sujeitos conhecidos através da história como um dos maiores carrascos da humanidade, continuou vivendo em paz por muitos anos, causaria um enorme furor.

Quanto ao fato levantado por alguns de que aquele ancião possa ter aplicando uma mentira a um jovem. Posso pelo que senti na época do diálogo, ao notar aquela temeridade presente nas atitudes do velinho, as indicações por nomes de certos locais e pessoas, o fato de em nenhum momento ter defendido ou respaldado qualquer ação nacional-socialista, afirmar que me passaram grande confiança. E me pareceu muito mais a necessidade de um velho abrir-se e revelar um segredo que carregou por muito tempo, a um jovem que engatinhava nos conhecimentos da história, permitindo quem sabe compartilhar um fardo que por muitos anos carregou e que possivelmente poucas, ou nenhuma vez o tenha relatado. Apesar de ter visto este idoso por mais de uma vez, fazendo compras no comércio que meu pai possuía, o momento em que travamos esta conversa, foi à ocasião em que pela última vez vi este simpático senhor de cabelos brancos.

Aos que infelizmente tem a mente travada pela história que os vencedores lhes contaram, deixo aqui uma prova física. A bela residência de Inalco que ilustra esta postagem, localizada em Villa La Angostura, em uma propriedade de 460 hectares, deslumbrante, margeando o Lago Nahuel Huapi, a cerca de 7 quilômetros da cidade de Bariloche, na Província de Rio Negro, Argentina. Com acesso somente por barco e hidroavião, devido à densa floresta, serviu de residência ao líder nacional-socialista Adolf Hitler, enquanto viveu na Argentina.

OS TIBETANOS DE BERLIM

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Odair Deters

14/01/2013

Ao fim da segunda guerra, em 25 de abril de 1945, tropas russas que inspecionavam cuidadosamente as ruinas de Berlim, ao entrarem no grande salão de um edifício semidestruído por uma explosão depararam-se com uma cena bizarra. Caídos, dispostos em circulo, estavam os corpos de sete homens, seis deles formando um circulo e tendo ao centro o sétimo cadáver. Estavam todos vestidos com uniformes militares da SS e o morto do centro usava um brilhante par de luvas verdes.

Entre os nazistas o esoterismo sempre ocupou um lugar especial, e o ocultismo e uma das razões de ser do nacional-socialismo alemão. Os místicos nazistas criaram diversas sociedades secretas, como a Sociedade Thule, a Sociedade Vril, a Ordem do Sol Negro, entre outras. Um dos fatos mais curiosos e justamente o que envolve a colônia tibetana em Berlim.

Os nazistas empreenderam incursões no Tibet, na Ásia central, na Antártida, Ártico e em vários cantos do mundo onde buscavam aberturas para a Terra-oca, passagens para um mundo existente no interior do

Planeta Terra. Também confiscaram todos os objetos que possuíssem ou pudessem ser fonte de poderes metafísicos.

 

Ahnenerbe

Ahnenerbe [criada em 01/06/1935], era uma secretaria de pesquisa cientifica do Terceiro Reich diretamente ligada as SS [tropas de proteção do Fuher] entre uma das vertentes de pesquisa estava a de descobrir evidencias arqueológicas e antropológicas da origem da raça Ariana.

Em busca destes Mestres e de seus ensinamentos, os nacionalistas-místicos alemães começaram cedo a organizar expedições cientificas.

Jamais uma nação investiu tanto em pesquisa esotérica ate então [mesmo em plena guerra] muitas vezes disfarçada de interesse arqueológico, histórico, geológico, botânica ou linguística. Fala-se muito de  expedições nazistas ao Tibete, porem, na verdade, no período de guerra e depois da instituição da Ahnenerbe apenas uma expedição ao Tibete e registrada, entre 1938 e 1939, liderada por Ernst Schafer

[1910-1992]. O mesmo Schafer já havia realizado duas outras expedições anteriormente: 1931-32 e 1934- 36. Essa terceira expedição era composta de 5 acadêmicos e vinte membros da SS, como missão: estabelecer relações com os misteriosos habitantes de Agartha [Cidade existente no interior do Planeta].

Em sua missão, a equipe deveria explorar vários aspectos da cultura e da etnia tibetana:

historia, religião, perfil psicológico, anatomia, tudo para esclarecer se havia ou não parentesco genético entre os tibetanos e os antigos povos arianos. Também pretendiam obter provas contra a teoria de que o homem descende dos macacos.

Antes mesmo da Ahnenerbe ser criada, Karl Haushofer, que era membro da Thule-Vril, atuou, entre os  nacionalistas, como uma especie de consultor para assuntos do ocultismo do extremo oriente, instruindo os membros das expedições alemãs [civis] que partiram em busca da fonte do poder sobrenatural, a partir de 1926 [curiosamente, ano de fundação da Colônia Tibetana em Berlim].

Por sua experiência com a mística naqueles países asiáticos, Haushofer estaria envolvido com a implantação da colônia tibetana e com os imigrantes tibetanos que se instalaram na Alemanha nos anos seguintes [a 1926]. Embora muito se insista em tibetanos, o fato e que a colônia de Berlim, em todas as fontes históricas, e associada a uma Sociedade Secreta japonesa, e não tibetana; a Sociedade Ordem dos Dragões Verdes. Todavia, também e verdade que os Dragões Verdes tinham seus tentáculos na China e no Tibete, e registra-se também a união nipônico-alemã durante a Segunda Guerra.

Ao que indica essa Ordem dos Dragões Verdes, venho ate a Alemanha após a expedição que partiu em 1938 e voltou à Alemanha as vésperas da guerra, em 1939 trazendo consigo alguns adeptos nativos da Ásia. Estes, fundaram a Loja Tibetana em Berlim que foi denominada Society of Green Men. Na Society of Green Men o Mestre absoluto, acredita-se, era um daqueles orientais importados. Ele ficou conhecido como o Homem das Luvas Verdes.

Os Homens Verdes afirmavam que tinham contato direto com a central japonesa através do astral [espécie de pratica do sono consciente]. A certa altura dos acontecimentos, A Green Dragon Society teria enviado para Alemanha sete membros, legítimos asiáticos.

O Monge das Luvas Verdes

A colônia tibetana em Berlim foi instituída bem antes do começo da Segunda Guerra, em 1926 e continuou crescendo durante o conflito. Depois da ascensão dos nacionalistas ao poder, os tibetanos eram importados pela Ahnenerbe, [segundo alguns, a Ahnenerbe selecionava os imigrantes precisamente entre os chamados Irmãos da Ioga negra do Tantra negro]. Apesar de todo esse negror, nessa colônia, destacava-se a figura de um monge tibetano que ficou conhecido como o Homem das Luvas. Hitler consultava-o com frequência.

O mistério em torno desse ocultista das luvas verdes e tão labiríntico que há quem afirme que ele nem era tibetano; uns dizem que que era alemão, erudito orientalista; outros, que era um judeu alemão ─ chamado Erik Jan Hanussen [1889-1933] ou, talvez, um um ex-judeu, Ignatius Timothy Trebitsch-Lincoln [1879-1943]

vulgo Chao Kung.

Nos casos de Ignatius Timothy Trebitsch-Lincoln e Erik Jan Hanussen, apesar das biografias pitorescas, as datas oficiais de suas mortes parecem eliminar a possibilidade de um deles ter sido o “monge das Luvas Verdes”. E finalmente, o defunto do centro circulo tibetano também tinha feições orientais. No caso de judeus citados, por incrível que pareça surgem muitos nomes de judeus ligados as altas patentes dentro

do poder nazista e mesmo através do financiamento da expansão do nazismo.

Trebitsch-Lincoln [1879-1943] Erik Jan Hanussen [1889-1933] vulgo Chao Kung.

A terceira hipótese, da colônia tibetana ser, na verdade uma Loja esotérica, filial dos Dragões Verdes nipônicos-tibetanos e bastante plausível. A migração para a Alemanha teria sido intermediada por Karl Haushofer, desde o começo dos anos de 1920, a partir dos contatos que fez, quando esteve em missão militar no Japão e, muito interessado na cultura local, foi um, dos apenas três ocidentais, admitidos entre os

Dragões ao longo da longuíssima existência daquela organização.

O monge de Luvas Verdes e o mais misterioso personagem da historia esoterica da Segunda Guerra Mundial. Envolto em especulações, sua identidade jamais foi descoberta. Em meio às suspeitas e poucos indícios, o que se sabe e que este homem era um oriental e, muito possivelmente tibetano. Embora a colônia tibetana em Berlim tenha criação datada em 1926, parece improvável ou precoce que o Green Gloves tenha chegado a Alemanha nesta época.

O Clã dos Dag-Dugpa

[Druk-pa, Dugpa, Brugpa, Dag dugpa ou Dad dugpa]

Tudo indica, portanto, que o Homem das Luvas Verdes, de fato, existiu na mística do nazismo. Descartando hipótese de ser um ocidental orientalista ou orientalizado, resta investigar a identidade de um verdadeiro tibetano radicado em Berlim. Embora as referenciem sobre esta possibilidade sejam constantes porem exíguas, todas as fontes concordam que o exótico conselheiro das SS, se tibetano, era um mago negro daquele pais pertencente ao clã dos Dag-Dugpa. Sobre os Dag Dugpa, escreve o Mestre ocultista Samael Aun Weor [1917-1977]:

O Cla de Dag Dugpa pratica o Tantrismo Negro. Os Iniciados Negros Bonzos e Dugpas [de gorro vermelho] ejaculam o sêmen, misticamente e ademais tem um procedimento fatal para recolherem o sêmen carregado de átomos femininos de dentro da própria vagina da mulher, logo, o injetam [aspiram-no] uretralmente [pela uretra] e reabsorvem-no, com a forca da mente, para leva-lo ate o cérebro.

E sobre Hitler e o Homem das Luvas Verdes: O homem das luvas verdes pertenceu ao clã dos Dag Dugpas. Hitler deixou-se dirigir por este homem que lhe ensinou a cristalizar tudo negativamente.

 

Os Orientais de Berlim

Ao encontrarem o circulo de sujeitos mortos, os russos perceberam que os defuntos eram todos orientais e um dos soldados, que nascera na Mongólia, reconheceu-os como tibetanos. Era evidente que não tinham morrido em batalha; cometeram suicídio. Nas semanas que se seguiram outras centenas de tibetanos foram

descobertos em Berlim, Munique e Nuremberg; alguns, mortos em ação; outros, que cometeram o suicídio ritual. Nenhum documento de identificação foi encontrado.  Todos vestiam uniformes das SS. Trata-se de um dos mais resistentes entre os enigmas da historia da segunda Guerra Mundial. Apesar de terem sido identificados como tibetanos, os sete corpos encontrados pelos russos em 1945 tinham característica bem japonesa impressa em suas mortes: todos os suicídios foram cometidos rasgando o ventre com uma faca, método japonês. O mesmo método que Karl Haushofer usou as vésperas de ser preso pelos Aliados, no fim da Guerra.