BNDES, para esquecer a PETROBRÁS.

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Por Odair Deters

O escândalo da Petrobrás, que teria movimento ilegalmente algo como R$ 10 bilhões, segundo o “The New York Times”, seria o maior desfalque, ou o maior roubo público, em países democráticos de que já se tomou conhecimento. Diante disto, impossível não causar revolta e deflagrar um agravamento da crise moral pelo qual nossas instituições convivem.

No caso Petrobrás, teve-se as denúncias e o Tribunal de Contas da União, realizando suas investigações. Mas e que dizer do BNDES, onde não se tem nada, não se sabe nada. Mas torna-se comum no meio empresarial e nas entrelinhas dos financiamentos de campanhas a identificação e citação de empresários que usaram recursos do BNDES para ampliação de seus bens pessoais, ou pior ainda, o desenvolvimento do sistema que torna o partido político um negócio e o apoio político uma mercadoria, onde o beneficiado repassa um percentual do empréstimo conseguido com o tráfico de influências, em apoio ao partido. Financiamentos executados em projetos em Cuba, Angola, Equador e Venezuela, classificados de operações confidenciais ou de fundo perdido, além dos conferidos a empresas como JBS Friboi, coincidentemente, o maior doador da campanha de reeleição da atual presidente. Normalmente comtemplados com juros baixos, garantias em ações das próprias companhias ou bens que ainda seriam adquiridos. Não resta dúvida de que o governo está usando o banco estatal para beneficiar alguns grupos especialmente escolhidos por “consultores” de alto valor de mercado para o próprio governo.

O BNDES está alavancando com o Tesouro Nacional, realizando empréstimos a juros subsidiados. Mas não se sabe exatamente para quem, quanto foi para cada um e nem quais são as garantias. Por quê? Porque é alegado sigilo bancário e, assim, não se tem acesso. Ou seja, a Controladoria Geral da União não fiscaliza, o Tribunal de Contas da União não consegue fiscalizar e o Ministério Público Federal não tem acesso. Ninguém tem acesso. Diante de tanto hermetismo, é óbvio que algo está sendo escondido. Portanto, pode-se estar diante de um escândalo de corrupção muito maior do que o do “Petrolão” ou “Petropina”, pode-se estar diante do “BNDESvio”, e é preciso exigirmos com urgência transparência, ou seja, todo mundo tem de ver o que está acontecendo, só assim impedimos que corruptores ajam no escuro ou acobertados enquanto movimentam recursos públicos.

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A mão invisível de luvas. Antibióticos, saltos altos e chifres.

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Odair Deters

O pai da economia, o escocês Adam Smith, criou uma, se não a mais famosa das ideias econômicas, a da Mão invisível [A Riqueza das Nações], como forma de descrever como em economia, o “cada um por si” [economia de mercado] gera uma determinada ordem, boa para todos. Bom, então a melhor forma de regular um sistema socioeconômico, seria a auto regulação? De acordo com a teoria, parece que sim, pois a competição sem restrições produz sempre o melhor possível para todos.

No entanto, faz-se necessário deixar bem claro que a perseguição do auto interesse nem sempre é suficiente para um promover um interesse coletivo simultâneo. Vamos analisar a questão dos chifres dos alces [by National Geographic], a prescrição de antibióticos [by minhas últimas consultas] e o uso de saltos altos entre as mulheres [by algumas de minhas leitoras].

Os chifrudos alces, assim como os elefantes, leões marinhos, bois-almiscarados [e alguns homens], costumam lutar entre si pelo acesso ás fêmeas. E no caso dos alces, ao contrário dos homens, quanto maior o chifre, neste caso principal arma de batalha, maior é a vantagem na luta e melhor o resultado na obtenção de parceiras, estendendo assim seus genes a próxima geração. Porém os mesmos chifres que promovem um número maior de encontro com belas fêmeas alces, também tornam mais difícil para eles escaparem dos lobos e outros predadores nos seus habitats. Assim a seleção natural, que tende a empurrar cada vez os genes de maiores chifres as próximas gerações, promovendo o aumento destes pela seleção genética, é o que mais tornam eles suscetíveis e vulneráveis aos predadores, ao não conseguirem escapar em áreas arborizadas, gerando um ponto de equilíbrio. [fico pensando aqui se soltássemos alces no Pampa, teríamos pela seleção natural alces que não iriam conseguir nem andar, devido o tamanho dos chifres].

Fracassada a ideia de criar alces na região do Alegrete, para estes bichos, o ideal seria que o tamanho dos chifres fosse reduzido pela metade. Isso propiciaria um aumento substancial nas possibilidades da população de alces escaparem dos predadores, e ao batalhar pelas fêmeas, o resultado continuaria a ser decidido da mesma forma, já que o fator chave é o tamanho relativo dos chifres. Na impossibilidade, segue aquele fenômeno denominado: “inteligência para um, estupidez para todos”. O que ganha à fêmea hoje, ferra aquele que amanhã terá que escapar do lobo.

Mas não é só o bicho alce afetado. Já fui duas vezes consultar um médico com fortes dores da garganta, as duas vezes saí com uma receita prescrevendo o uso de antibióticos [em nenhuma delas usei, preferi os métodos caseiros]. Claro, se a infecção for causada por bactérias, o tratamento com os antibióticos agiliza a recuperação. No entanto cria bactérias mais resistentes. Por motivos como estes muitos países criam campanhas para se reduzir o uso de antibióticos. No entanto, os médicos parecem normalmente não respeitarem isto, mesmo estando eles conscientes do impacto do uso de antibióticos e no aumento de estirpes de bactérias mais resistentes. Assim como os alces, os profissionais da saúde perseguem seus interesses individuais sem restrições e contribuem para a deterioração do interesse coletivo.

No frio inverno gaúcho, um médico prescreve um antibiótico para a minha forte dor de garganta, isso só, não originaria uma bactéria superpotente, mas o conjunto de todos os médicos receitando, ou seu efeito agregado, sim. Embora com certeza existam por aí alguns médicos mais coerentes [não tive a sorte de encontra-los], a grande maioria, corre o risco de ao se recusarem tratar infecções menores desta forma [com aplicação de medicamentos/antibióticos], correm o risco de ver seus clientes rumarem para outro médico, ou até ser desacreditado profissionalmente, devido a maior lentidão na recuperação do paciente [e como os brasileiros gostam de um remedinho né?!]. Bom, ao agir de acordo com a teoria do velho Smith, nos cuidados com a saúde, a perseguição do auto interesse vai piorando as condições de todos, com estirpes mais resistentes de vírus e também financeiramente com a necessidade de novos medicamentos. Calcula-se que no Brasil que 70% das prescrições sejam totalmente desnecessárias, a isso se junta 15% dos enfermos que se automedicam. No próximo inverno a bacteriazinha vem com a capa do Super-homem.

Outro exemplo atinge as minhas leitoras [que são maioria], e devem sentir como ninguém o desconforto e a dificuldade de andar com o salto alto. Além de que o uso prolongado pode lesionar os pés, joelhos e a coluna. Então, porque elas continuam com seus toc-toc-toc? Meu amigo C. Beaux, após umas heinekens bem geladas parece ter a resposta: “Rasteirinha é tão brochante”. E justamente, o uso de saltos altos aumenta a probabilidade de chamar a atenção sobre si, de uma forma positiva. E também faz elas parecerem mais altas, e aumentam o seu sex appeal, ao arquearem as costas e puxarem o peito pra cima, acentuando a silhueta.

Assim como o alce que ganha com seus chifres, mas perde no coletivo, o interesse individual de cada mulher entra em conflito com o interesse coletivo. Se todas as mulheres usarem saltos altos, a vantagem de utilizar saltos tende a desaparecer. Se colocarmos uns centímetros de salto em todas, a média relativa seguirá a mesma, porém com consequências de desconforto e problemas de saúde.

Os chifres dos alces, a prescrição de antibióticos, e o uso de saltos altos, indubitavelmente são exemplos contrários a Adam Smith com a Teoria da Mão Invisível. Aonde a ganância e o egoísmo conduzem a problemas coletivos. Com certeza o leitor poderá também buscar outros exemplos, apesar disto, o autor, não deixa de ver no livre mercado ainda a melhor alternativa, porém sem a ingenuidade do melhor dos mundos, ciente de que o ego presente no ser humano tende sempre a criar inúmeros casos de danos ao coletivo.

Um rico empobrecido não cria um pobre enriquecido

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Quer ajudar os pobres? Quer mais justiça social? Acho que o primeiro passo não seria reeleger a Dilma, mas isto já está feito. Com isto não afirmo que seu oponente seria muito melhor, no máximo, acho que seria “menos pior”.

Agora ficar dando esmola, cota e bolsa “qualquernecessidade”, não melhora em nada. Recordo que quando adolescente um amigo me contou a história da “vaca foi pro brejo” onde um monge mandou seu discípulo empurrar brejo abaixo uma vaquinha que era a única forma de sustento de uma família muito pobre. Meio contrariado, porém muito obediente, o discípulo foi lá e empurrou, no entanto isto lhe gerou um profundo arrependimento interno. Tanto que anos mais tarde, ele procurou a pobre família, mas no local havia uma rica residência, ao pedir pelos antigos moradores, identificou que continuavam ali, e estes lhe relataram que depois que a vaquinha que lhes sustentavam havia caído no brejo, tiveram que passar a trabalhar e desenvolver outras formas de renda e vida, o que lhes propiciou um grande crescimento.

Se alguém quer genuinamente ajudar os pobres a melhorarem suas condições de vida, e de maneira permanente e independente, precisa, não se tornar um pobre e nem agir para que outros se tornem pobres. Afinal de contas será muito difícil ajudar as pessoas pobres, se eu começar a empobrecer mais e mais, ou se meus amigos tornarem-se mais pobres. E assim como o fato de me tornar mais pobre, torna-se maior impeditivo para que eu ajude os demais, também não devemos defender políticas que levem ao empobrecimento de quem tem mais [ricos], como se isso bastasse para enriquecer os pobres.

Aquela máxima não dê o peixe, ensine-o a pescar. Claro, em sendo você rico, pode escolher se deseja dividir a sua riqueza, dando os peixes para eles comerem ou arrumando um emprego, ensinando eles a pescarem, e serem seres humanos produtivos.

Porém isto não é tudo, e quem sabe o mais impactante seja também o menor dos gestos: dê o exemplo. Como criando seus filhos não mimados e tornando-os produtivos, ensinando-lhes o valor do trabalho e a serem mais realistas. Você e seus filhos poderão ser os exemplos [comportamentais] para aquelas pessoas que você está preocupado em ajudar.

Em economia, estudamos que o cerne desta ciência, é alocar recursos escassos de maneira eficiente. E temos duas formas para isto: A) Pela imposição forçada, decretos e coerções do governo; B) Por meio de um sistema de preços fornecido pelo mercado.

A maneira “B” tende a ser mais duradoura e voluntária, por isso, muito embora a economia de mercado apresente inúmeras deficiências, o conhecimento do seu funcionamento é mais e mais necessário. Se você é um defensor do socialismo econômico, da meia-entrada, da passagem gratuita e assim por diante, lembro-te que não tenho nenhum exemplo de que um sistema deste tipo, que não tenha culminado na escassez, no racionamento de recursos, e isto é exatamente o contrário do que é preciso para ajudar os mais pobres.

Outra forma de ajudar é trabalhando sobre nós mesmos, não mentindo, não roubando, não mamando na teta do governo, ou seja, dando bons exemplos.

Os Estados assistencialistas e inchados, vão cada vez mais correr atrás dos indivíduos que tenham alguma riqueza, pois dado que o governo nada cria, só toma, ficam obcecados em manter a sua sobrevivência, claro usando para isto o nome do “bem público”. Atualmente até parece-me que temos um cidadão [Thomas Piketty] com vias de indicação ao Nobel de economia, por propor um imposto mundial sobre a riqueza e a renda.

Ser caridoso com a riqueza dos outros é uma delícia, faz até o governo morrer de amor aos pobres. Arregaçar as mangas e produzir o pão que se quer ver repartido é um pouco mais árduo.

Acima de tudo, antes de batalhar pela distribuição da riqueza dos outros, o melhor seria você tornar-se mais rico e então distribuir a sua riqueza com quem tanto deseja ajudar. Mas lembro de que o que é dado, nem sempre é valorizado. Lembro-me uma reportagem de um catador de lixo, que encontrou um bilhete da loteria premiado, e teve em sua conta alguns milhões depositados, virando capa do jornal local. Passados alguns anos, voltou a virar capa do mesmo jornal, pois estava novamente no lixão catando seu meio de sobrevivência.

Não adianta querer tirar as pessoas da miséria, se não tirar a miséria das pessoas.

 

Tamanho é documento. O pênis na economia.

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Por Odair Deters

O assunto é no mínimo delicado, mas não posso deixar de abordá-lo com um viés econômico. Já ouvi muito, da mulherada por aí, que homem que se cerca de “coisas grandes”, é pra compensar o tamanho do pênis que é pequeno, assim desfilam com grandes caminhonetes, lanchas… Ou seja, outros meios de satisfazer a mulherada, muito embora pode ocorrer uma decepção por parte delas quando na hora “h”, descobrem que fora a opulência dos bens, lá dentro, não tem uma “latinha de Red Bull”.

Porém quero discorrer aqui sobre um estudo, a princípio sério, desenvolvido na Finlândia. Que comprova que tamanho é documento, ou seja, que tamanho importa sim. Não necessariamente de forma positiva.

A economia ás vezes passeia por locais cabulosos, e um destes passeios é o fato de criar uma relação entre o tamanho médio do pênis de uma nação com a sua renda. Isso mesmo, qual o padrão de renda, em escala nacional, de quem é mais avantajado lá em baixo?

E o resultado é no mínimo intrigante, pois observou-se que o quanto maior o pênis de uma população, menor é o seu crescimento econômico.

Vamos mexer os pauzinhos para tentar explicar: Dentre os dados analisados, foram encontradas algumas evidências de que em um mesmo período em que se percebe que um país possua uma média peniana menor, ele obtem um crescimento econômico maior do que os países em que os cidadãos são mais bem dotados. Basicamente o estudo identificou que se a média peniana de um país cresce 1 cm o crescimento econômico baixa por volta de 5%.

Na imagem deste post, pode se acompanhar um gráfico do momento em que começaram os estudos [1985]. O gráfico representa a relação crescimento econômico x tamanho do documento, mostrando que o tamanho “ideal” seria por volta de 14 cm, mensuração na qual colocaria o país no topo da curva nessa relação. [Essa curva, para os mais entendidos, seria similar a relação poupança e consumo de Solow – U-Shaped invertida].

E podemos tirar com este estudo a seguinte suposição: Confiança. Portanto os sujeitos que tem um “instrumento” menor, por consequência, tem uma autoestima menor, e por tal motivo, precisam compensar essa “depressãozinha” com alguma outra coisa, no caso do estudo aí, crescendo economicamente.

Agora, olhem bem alguns dos países citados no estudo. Possivelmente você também identificou onde se concentram os países africanos. Será que por isso eles são menos desenvolvidos que os países dos demais continentes?

O louco mundo em mudança

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Por Odair Deters

Eis que o sujeito desperta restabelecido de um coma que consumiu 10 anos de sua vida.

A filha já está debutando e quase nem reconhece mais o pai. Será que o esquecimento se deu pela ausência do pai, que estava em coma, ou é um esquecimento característico dos jovens? De quebra o pai fica sabendo que sua linda menina já está namorando, e vem a conhecer, “ela”, a namorada dela. Surpreso, fica sabendo que situação parecida foi tema de recentes novelas, que incentivaram a filha a abandonar o medo e assumir o namoro. Mas superior às transformações culturais, as econômicas são as que despertam fortemente os sentimentos do pai de família. Após os afagos com a esposa, e ao vê-la comentar que não foi fácil manter a família com o salário mínimo vindo do governo. O que permite com que ele questione se o salário mínimo já alcançou os 100 dólares como era promessa de um candidato na época anterior ao seu coma. A esposa comenta que o salário há muito tempo já ultrapassou os 100 dólares – a mais de 8 anos – e que hoje vale bem mais que 300 dólares. O marido não entende como então ela poderia estar falando em dificuldade, após tão grande conquista.

Minutos depois o marido lembra-se da questão tecnológica, e da distração que tinha, assim como os demais amigos, de jogar o jogo da cobrinha no seu celular de telinha amarelada. Pergunta se a filha teria um e se poderia emprestá-lo, ela prontamente alcança um Iphone, e diz que de jogo tem Candy Crush e Angry Birds. O pai ainda sem entender os nomes, começa a tentar acionar um celular sem teclas. Desiste.

A filha já entediada decide ir de ônibus para a casa da namorada, ao que a mãe lhe alcança 10 reais para as passagens. Ele abismado com tanto dinheiro, com certeza a mãe está sendo precavida e querendo já antecipar uma semana de transporte público para a garota. Afinal, a inflação estava sobre controle.

Desacordado tanto tempo, logo quer saber como está o mundo. A guerra do Iraque já terminou? A esposa, responde que sim, de certa forma, e que agora o conflito está na Ucrânia, o marido assombrado, pergunta: Os árabes resolveram invadir a Europa? Só pode. A esposa calmamente responde que não, e que muito longe disto, os únicos que estão tentando invadir o velho continente, parecem ser os americanos.

E meu irmão, que muito queria ir viver nos altos padrões de vida da Irlanda. Certamente está lá? Não, voltou já faz alguns anos, a Irlanda quebrou. A Irlanda e mais alguns quantos países Europeus: Itália, Espanha, Grécia…E voltou com vários amigos europeus que se arranjaram em empresas brasileiras, atualmente 1/25 avos dos novos empregos são preenchidos por estrangeiros.

Ainda pensativo, olha para a sala hospitalar onde repousa, e vê um lindo quadro de vidro escurecido, o qual comenta com a mulher que não entende como a arte parece cada vez mais degenerada. Ao que ela com um comando de voz: “Smart TV ligar” faz a tela de LED se acender. Para surpresa do marido com uma década a menos, aquilo era um televisor. Mas ele se recobra do susto, ao ver que nem tudo muda, lá está a Rede Globo, ainda captando olhares e mentes. Na tela, as imagens de um belo e gigantesco estádio de futebol construído em Manaus, ao que o marido, sobressaltado pergunta se o Nacional ou o São Raimundo foram comprados por algum magnata do petróleo, ou se estão na série A do brasileirão? Tamanho estádio. Ao mesmo tempo que questiona os investimentos que fez de seu FGTS nas ações da Petrobrás, de certo ele tem uma fortuna em alguma conta na Caixa Econômica Federal. Ao que a mulher diz não saber dos times amazonenses, pois não acompanha o futebol, aliás, passado este tempo todo ainda nem veio a entender a regra do impedimento. Mas pelo que comentam não tem time por lá não. O estádio é porque o Brasil vai sediar a Copa do Mundo. Para brilho nos olhos do maridão, ainda mais por saber que lá a frente está o Felipão, bah o homem deve ter ganho as últimas duas copas, só pode. Somos hexa! E quanto a Petrobrás, a mulher alerta, até pode ter um boa reserva, mas fazem 3 anos que ela só dá prejuízo, e é uma empresa com uma das maiores dívidas do mundo.

Ao conseguir a alta do hospital, sai aos passos lentos. E questiona para a mulher com uma cara adversa, se ela continua com aquele problemático carro da década de 90. Ao que ela responde, não agora tenho um carro completo, vidros e travas elétricas, air-bag e todos os demais opcionais. Por um instante ele não entende como teria conseguido dinheiro para comprar um carro destes, tampouco sabe que apesar de barato ele está disponível em 60 parcelas. Quando ela comenta tratar-se de um “Jack”. Ele pergunta é importado? Americano? Ela sim, importado, mas chinês.

Ao entrar no carro, ele diz para a esposa que ainda recorda do telefone dos amigos, e se poderia através do celular dela ligar para eles [claro, desde que ela o ajudasse]. No entanto metade deles dá como inexiste e a outra metade não atendem. Ao que ela comenta: Ninguém mais tem telefone fixo, melhor procurar eles no whatsapp.

No caminho visualizam o café que o marido frequentava, quem sabe poderia ali encontrar alguns amigos dos tempos idos. Na cafeteria, querendo mostrar estar recuperado, solicita dois cafés, um para a esposa e outro para ele. E a moça do caixa pergunta se será débito ou crédito? Meio sem jeito ele caminha com os cafés até a mesa, no qual ao ver a mulher e apesar de amar, não deixa de notar que ela aumentou de peso, e seu cérebro automaticamente faz uma alusão com um recente comentário dela, de que havia comprado um apartamento menor. Quando ele rapidamente pensa, nós crescemos e a casa diminuiu.

Alcança o café para a esposa, procura visualmente alguns amigos, e nada encontra. A cafeteria está cheia, muitas pessoas compartilhado mesas, casais de namorados em algumas, mas ninguém diretamente conversando, todas estão mergulhadas na tela de seus celulares. Que estranho!

Olha para a esposa, em um momento de doce silêncio, afinal sem 10 anos de assunto, não se pode dialogar muito. Para ela o silêncio diante de olhares já é algo incomodativo – tempos atuais – Se ao menos, para puxar assunto, ele soubesse o que está sendo compartilhado no Facebook.

 

O cachorro é o nosso filho, o frango o nosso almoço e o boi o nosso sapato.

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Por Odair Deters

Certa vez minha irmã, quando pequena, decidiu comprar um pintinho, pagou centavos pelo bichinho amarelinho em um agropecuária. Passados alguns dias ele começou a criar penas e a devorar a horta da minha mãe, ocasiões, que lhe garantiram o nome de Radicci [alimento que ele adorava]… E o pintinho virou um baita frangão branco, tão ou mais esperto que um cachorro, atendia chamados, obedecia [ás vezes], nos seguida e virou um xodó. Até o cruel momento em que seu tamanho e o incomodo que causava, fazia com que o imaginássemos misturado com arroz em uma panela. Mas foi cruel ter que acabar com o Frango Radicci, ele já era da família.

Isto me remete a indaga-los: Como comemos uma codorna e não um papagaio? Como fazemos carinho num gato e não num gambá? Mais do que isso, como um laboratório é invadido e destruído para salvar um punhado de cães beagles e um frigorífico ou aviário segue aí com métodos cruéis, enchendo nossas barrigas gordas.

Em nenhum momento quero fazer aqui uma defesa vegana, pois não abro mão do meu churrasco. Mas o ponto é outro. O de que a grande maioria das pessoas morre de amores por um cachorro, mesmo que vira-lata, por um gatinho, por um casal de periquitos. Os classificamos como animais de estimação. Enriquecemos pet shops e veterinários, pois como não tratar bem um membro da nossa família. Mas e porque não os transformamos em nossa próxima janta?

Acredito que em todos os 27 Estados brasileiros, até mesmo em um desabitado Acre, devam existir leis que proíbam qualquer crueldade com animais. Exemplo maior: Os circos, local onde conheci e acariciei um urso polar quando pequeno, ou vi um elefante expirar em algumas pessoas [foi fantástico], também não podem mais usar animais em seus espetáculos.

Agora isto não tem valor, se nos garante carne, leite, ovos ou couro. Aí, podemos sem restrição alguma submeter estes animais a tratamentos que se fossem aplicados a um gato ou cachorro nos levaria a prisão e a humilhação pública.

Temos um bem instituído sistema de fazendas-fábricas que para baratear o custo da alimentação, não tem nenhuma restrição legal em aplicar maus tratos aos animais. E claro, como a indústria sabe que gostamos de animais, o que eles precisam é esconder ao máximo do público como estes animais são tratados. Onde uma galinha de tão confinada, passa a vida inteira sem poder se quer levantar uma asa, ou que perus criam um baita peitoral devido ao confinamento em gaiolas com estatura inferior a eles, e que ambos tem os bicos derretidos em chapas quentes, para não se auto mutilarem em revolta a miserável vida que levam. Nem correrem o risco de se alimentarem umas das outras, pelo incentivo da alimentação animal que lhes é fornecida. Muito comum moerem ossos de bois, para misturar na ração de outros bois em engorda. Tudo pelo objetivo de nos garantir uma refeição mais barata.

Imagens de uma vaca malhada em um pasto verde, ou uma galinha ciscando a terra, simplesmente não podem ser associadas, se nossos produtos foram adquiridos em um supermercado.

Agora, vamos à questão mais intrigante. Imaginem por um momento, que lhes convido para um delicioso jantar. Está entusiasmado? O cardápio, um delicioso arroz com pedaços suculentos de salsicha de labrador e umas patinhas de pug a passarinha. Porque fizeste esta cara de repugnância? Tudo envolve a percepção. No caso deste cardápio, ofereci um estímulo (as carnes de labrador e pug), logo, seu cérebro fez a ligação através das suas percepções e crenças de que isto não era um animal comestível, em seguida lhe veio um pensamento de um cachorro vivo e bonito, o que por consequência, lhe causou esta feição de repugnância através de seus sentimentos, que traria por fim, a sua ação de recusa e relutância em comer. Diferentemente aconteceria na China ou na Coréia, certamente. Onde um cachorrinho vira um prato especial, ou em regiões do Peru, onde um gato pode tornar-se uma iguaria. E bobos são os indianos que não transformam suas vacas em gordas picanhas sobre as brasas de um domingo.

E todas as nossas escolhas estão intrinsicamente ligadas à economia, e por meio das informações que recebemos e que formam a nossa percepção. Posso fazer um joguinho que funcionará com a maioria dos leitores. Se eu lhes pedir para pensar na palavra “enfermagem”, com toda certeza vem em sua mente uma mulher vestida de branco trabalhando em um hospital, mesmo, quando muitos dos profissionais de enfermagem sejam homens e ainda que trabalhem fora de um hospital. Tudo são esquemas. Posso também pedir que pensem em um martelo de alguma cor em específica. Pensaram? Certamente a grande maioria imaginou um martelo da cor vermelha. Isso decorre de generalizações, que nos induzem a certos esquemas. Os esquemas são sistemas de classificações mentais. Assim aprendemos a classificar um animal como presa, predador, praga, bicho de estimação ou comida. E assim caçamos, fugimos, exterminamos, amamos ou comemos [Com uma ou outra sobreposição, em alguns casos].

E nossas percepções são formadas diante de manipulações que sofremos e que direcionam e condicionam nossas reações, criando certa eficiência de mercado. Assim cachorros dão mais dinheiro como animais de estimação do que se resolvêssemos cria-los para o abate e produções de bifes assim como os bois servem mais para churrascos e porcos para bacon.

Afinal comer um punhado de ovas de peixe, é algo pavoroso, até termos conhecimento de que isto é chique e glamoroso e se chama caviar.

 

 

 

 

Como não entender à inflação, com Ana Maria Braga.

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Odair Deters

Sempre tingi críticas a programas de auditório e outros programas de sucesso na TV pública. Querendo ou não são meros programas de descontração, mas ai tem vezes que eles querem fazer o bem público [ou não querem fazê-lo], e invadem áreas e discussões que exigem um pouco mais de conhecimento. E como adoram opinar, principalmente, sobre a economia, parece que todos dominam o assunto, muito possivelmente pela segurança social que o dinheiro representa, como já comentado em meu artigo Instinto Moderno [https://horadomate.wordpress.com/2013/11/05/instinto-moderno/].

Tempos atrás, a Ana Maria Braga [programa que não assisto, mas que de vez em quando pego relances], apareceu usando um colar feito de tomates, devido à inflação que assolava este produto. Porém inflação de um determinado item agrícola, como este fruto, é facilmente corrigível nas safras seguintes. Ela teria usado muito mais proveitosamente eles em uma de suas receitas.

Mas a ideia de ir contra a suas vocações de entretenimento e adentrar o que para muitos parece ser o descomplicado mundo da economia, de imediato, me gera um mau pressentimento. Muito embora eu defenda que economia, política e religião devam sim ser discutidas. O fato de proibir que alguns assuntos sejam discutidos remete a uma concepção que nos foi criada durante a inquisição. Então todos os assuntos merecem ser objeto de nossos estudos. Até mesmo a lúgubre ciência econômica.

Porém não temos o direito de dizer que conhecemos um determinado assunto, unicamente pelo fato dele ser vulgarizado pela mídia. E neste sentido, acho que não tenho sorte nas vezes em que pego relances do programa da Ana Maria. Olho e lá está ela envolvida com a questão econômica. Não sei se a economia é um assunto tão presente no programa matutino, ou se por estar familiarizado com o tema, acabo identificando ele em diversas ocasiões. Mas eis que nossa apresentadora, defendendo as donas de casa, resolveu trazer a tona o abusivo aumento das mensalidades escolares. Que não sei onde, acho que em São Paulo, teria subido absurdos 12%. Os diretores das escolas foram taxados de gananciosos e indiferentes, pois estavam aumentando as mensalidades em 12% em um período no qual a inflação divulgada pelos órgãos oficiais era de apenas 6,5%. Estes queriam lucrar ao reajustar as mensalidades escolares para quase o dobro da inflação do período.

Mas imagino que ninguém tenha explicado a Dona Ana Maria, que a inflação oficial é constituída de um índice de preços, por exemplo, o IPCA. Este índice é uma média ponderada de diversos preços. Neste caso tendo como base o orçamento de famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos. Na composição deste índice, entram vários preços tomados, como: o açúcar cristal, o tomate, o cigarro, as passagens aéreas, o cafezinho, o estacionamento, a lavadora de roupas, o feijão, o transporte e as mensalidades escolares, dentre muitos outros itens.

Aqui entra a questão principal, de que a escola, tem que responder á variação nos seus custos e em sua demanda, e não à variação do IPCA, que é um índice de preços ao consumidor. A própria mensalidade escolar é um dos componentes do índice. Portanto a inflação no período de 6,5% foi em parte pelo reajuste de 12% das mensalidades escolares, como pelos 40% do alho, pelos 38% da cebola, pelos 200% do tomate. As escolas nunca enfrentaram gastos semelhantes à cesta de bens e serviços às quais as famílias se submetem.

Fora o fato de que cada pessoa tem sua própria cesta de produtos e serviços, ou seja, o impacto da inflação é diferente para cada consumidor. Houve momento em que o cigarro foi o vilão, e, portanto não fui impacto, assim como o preço das mensalidades não me afetou, no entanto com o aumento dos tomates, cebolas e alhos, fui vitima direta.

Agora imagine qual vai ser o assunto da desavisada da sua vizinha na próxima roda de mate, após assistir Ana Maria Braga. Para a apresentadora, alguns produtores e prestadores de serviços são muito gananciosos e quiseram ganhar mais do que a inflação, enquanto que outros reajustaram seus produtos, abaixo da média, preocupados com o bem dos consumidores. Diante deste terrorismo, jamais o cidadão normal deste país vai entender o que é a tão comentada inflação.