Uma fantasia chamada Senado

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Por Odair Deters

Muito possivelmente já estudaste ou ouviste falar que o Senado Federal é a câmara alta do Congresso Nacional do Brasil e, ao lado da Câmara dos Deputados, faz parte do poder legislativo da União. Sua criação remonta a Constituição Imperial brasileira de 1824. Tendo sido inspirado na Câmara dos Lordes do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, mas com a Proclamação da República do Brasil foi adotado um modelo semelhante ao do Senado dos Estados Unidos. O mesmo constitui-se como uma das câmaras dos parlamentos. Seus membros – os senadores – representam os estados-membros de uma federação e são eleitos diretamente, no Brasil.

Atualmente o Senado conta com 3.516 funcionários terceirizados, pertencentes a 34 empresas cujos contratos custam anualmente R$ 155 milhões de reais e aproximadamente 2.500 servidores de carreira, a um custo anual de 1,4 bilhão de reais. Além dos 81 senadores com mandato de 8 anos (3 por Estado da nação) e todos os cargos de assessoria e confiança que estes demandam.

E se eu te disser que isto não passa de uma grande e louca fantasia?

Para entender a origem do nosso senado, precisamos entender a luta pela independência dos Estados Unidos. Sim, dos EUA, onde as 13 colônias americanas lutaram contra o Império Britânico. Conseguida a Independência, estas 13 colônias se tornaram países, livres e soberanos na ordem internacional. Para representá-los no plano internacional foi criada uma Confederação. A confederação representa os países a ela agregados, mas não lhes retira nenhum atributo da soberania. Sendo que, inclusive, podem deixar esta confederação quando bem lhes aprouver. Portanto, tínhamos a Confederação dos Estados Unidos da América do Norte.

“Estados”, porque desde Maquiavel na sua obra “O Príncipe”, ele passa a denominar por Estado, um país livre e soberano, integrante da Comunidade Internacional. Portanto, as colônias americanas libertas do colonialismo inglês, tornaram-se Estados.

Logo após a declaração de independência dos Estados Unidos em 1776, os principais oficiais das treze antigas colônias britânicas, — agora, Estados dos Estados Unidos — passaram a planejar a instalação de um sistema de governo central, que seria válido para todo o novo país. Até então, cada um dos novos Estados possuía sua própria Constituição, mas não existia uma Constituição que valesse para todos os treze Estados. Em 1781, ainda durante a Revolução Americana, um sistema de governo federal rudimentar foi instalado nos treze Estados, sob as leis e medidas dos Artigos da Confederação.

Os problemas logo iriam surgir em função deste sistema. A Revolução Americana de 1776 havia criado um sério problema para os Estados Unidos: a criação de uma gigantesca dívida por parte do governo americano, construída com empréstimos tomados para a Guerra, através de financiamentos realizados pela casa Rotschild. Porém, o pagamento desta dívida era impossível, uma vez que o governo americano não tinha o poder de coletar impostos no país. O governo americano sofria muito com a falta de fundos, até mesmo para manter um sistema de defesa nacional. E assim, durante os primeiros anos como um país independente, os Estados Unidos enfrentavam uma séria recessão econômica.

Em 1786, a Virgínia persuadiu cinco Estados a enviarem representantes a uma convenção constitucional em Annapolis [Maryland], para discutir temas como o comércio interestadual. Os representantes dos cinco Estados mais a Virgínia decidiram em conjunto que as políticas dos Artigos da Confederação precisavam ser mudadas. Assim sendo, estes seis Estados pressionaram os sete restantes a enviarem representantes a uma nova convenção constitucional, que seria realizada na Filadélfia. Esta convenção constitucional ocorreu durante o verão de 1787. Todos os Estados enviaram representantes com exceção de Rhode Island, que era contra qualquer tipo de intervenção extra estadual dentro de seus limites territoriais. A Convenção Constitucional de 1787 foi presidida por George Washington, por decisão dos oficiais e representantes presentes na Convenção.

O modesto objetivo inicial desta convenção constitucional era a sugestão e mudanças aos Artigos da Confederação. Porém, rapidamente [e secretamente], todos os oficiais presentes nesta convenção começaram a trabalhar em uma nova Constituição, logo após o primeiro encontro. A Constituição proposta pela convenção pedia por um sistema federal de governo. Este governo trabalharia de forma independente e seria superior em relação aos Estados. Este governo teria a capacidade de cobrar impostos, e seria equipado com os três ramos de poder: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.

Portanto, sabemos que o nome ”Estado”, inscrito nos Estados Unidos, tem a significação de um país. E esta é a razão porque o Estado americano tem mais poder que a sua cópia no Brasil [basicamente províncias].

Não havia nenhuma razão plausível para que se fizesse a proclamação da república no Brasil. Não havia crise, corrupção [conhecida] e coisas do gênero. Havia o interesse de alguns de copiar o modelo americano para ter a oportunidade de sentar na cadeira do chefe. A proclamação da república no Brasil foi feita apenas para copiar os Estados Unidos. É a clássica falta de originalidade que marca a figura do subdesenvolvido.

Como fizeram essa mágica?

Num regime monárquico a soberania está no rei ou imperador, daí vem o nome “soberano”. A república [res publica] cujo nome remonta  também  a Maquiavel era a classificação que os romanos davam ao modelo de governo em Roma. Roma tinha o status rei publica, ou seja: Roma tinha a condição de coisa pública. Maquiavel pega a palavra status [condição, forma], e designa um Estado Soberano. E res publica [coisa pública], vira uma forma de governo em contraposição à monarquia. Ora, sendo a república uma forma de governo em contraposição à monarquia e a etimologia do nome nos envia ao povo [res publica], a soberania nesta forma de governo está no povo. Por esta razão, o artigo mais importante da constituição é aquele que designa o detentor do poder, em nosso caso, a  Constituição de 1988 estabelece em seu Art. 1º, Parágrafo Único: “Todo o poder emana do povo, que exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta constituição”.

Esta é a razão do nome “Estado” na composição do nome dos Estados Unidos. No caso brasileiro, o império não tinha e nunca teve nenhum Estado, como nenhuma monarquia os tem, quem sabe unicamente a República Rio-Grandense e a República Juliana [Santa Catariana] que lograram separar-se já do Império e posteriormente uniram-se ao Brasil por acordos. Seria um contrassenso a sua existência numa monarquia, porque o Estado do modelo americano fraciona o poder, por isso  surge a figura do chamado “Pacto Fundamental” que também copiamos sem nunca ter tido pacto algum.  A primeira constituição republicana brasileira, a de 1891, plasmou no seu artigo 1º – “A Nação brasileira adota como forma de Governo, sob o regime representativo, a República Federativa, proclamada a 15 de novembro de 1889, e constitui-se, por união perpétua e indissolúvel das suas antigas Províncias, em Estados Unidos do Brasil.”

“Art. 2º – Cada uma das antigas Províncias formará um Estado…”

Com isso, as antigas províncias foram promovidas a Estados [países] e no mesmo instante tiveram as suas soberanias cassadas para converter em Estado componente de uma federação.

O Senado Brasileiro, remontemos um pouco mais para melhor compreender. Na Inglaterra, todo gasto que a coroa tinha que fazer era bancado pelos nobres, através dos impostos. O nascimento de um príncipe, o casamento da princesa, a coroação do rei , entre outros. Os nobres estavam fartos de tanto imposto e, aproveitando um momento em que o rei estava fragilizado, julgaram oportuno alterar este sistema.  O rei era o João-Sem-Terra e a transformação se deu quando os barões impuseram ao rei a assinatura da Carta Magna, onde surgiu a figura do orçamento público. No começo do ano, o rei faria a previsão das suas despesas e estas classificadas num projeto de todos conhecido. Assim surgia o orçamento público. Mas, para garantir que o rei iria cumprir o que fora tratado, deixaram em Londres alguns representantes que, caso houvesse alguma ruptura por parte do rei, dariam conhecimento aos demais barões integrantes da nobreza.  Estes representantes eram substituídos periodicamente. Dessa forma, surge na Inglaterra a Câmara dos Lordes. Por se tratar da nobreza é também conhecida como a Câmara Alta – título que alguns como ACM e José Sarney gostam de intitular o Senado Brasileiro, inclusive em sua cor azul predominante [cor da realeza] que, como se está vendo, não tem parentesco nenhum com o original.

Dentro de alguns anos, a plebe iria reivindicar também uma representação no Parlamento, fazendo surgir a Câmara dos Comuns, cujo embrião é o Tribuno da Plebe da Roma Antiga.

Na Inglaterra [uma monarquia], ou seja, um governo unitário e, por isso mesmo,  não tem a figura dos Estados, em seu lugar tem os nobres que sustentam o governo, representado pela Coroa. Os Estados Unidos, ao compor seu governo, retirou o modelo da Câmara dos Lordes transformando-o no Senado, cujo nome vem da Roma antiga. Assim como na Inglaterra a Câmara dos Lordes representam a nobreza, na Federação Americana os Estados são representados pelos senadores e o povo é representado na Câmara dos Deputados.

No Brasil nunca houve estes Estados soberanos do modelo americano nem a Câmara dos Lordes da Inglaterra. Portanto, nunca existiu realmente o tal Pacto Fundamental. Ora, não havendo o Pacto Fundamental, porque nunca houve os Estados como os americanos e nomeados pela Ciência Política, o nosso Senado é uma ficção tão grande quanto à própria federação.

Na Inglaterra a Câmara dos Lordes representa a nobreza; na América do Norte os senadores representam os interesses dos Estados. Se pegarmos outro exemplo, na Alemanha, por exemplo, o senado é ocupado por indicação de cada Estado. No Brasil, os Senadores representam os interesses deles e, não raro, vemos senadores de partidos contrários ao do governador do seu Estado e até inimigos deles. Estes senadores representam o quê?

Portanto, por uma questão de lógica, é preciso extinguir esta fantasia e aliviar os cofres públicos dessa sangria de 81 senadores com mandatos de 8 anos, cujos suplentes na maioria dos casos são seus parentes que não obtiveram votos de ninguém.

É certo que nunca extinguiremos o senado porque isso depende da classe política. Mas é um bom momento para discutirmos a implantação do Parlamentarismo com voto distrital, a redução da câmara dos deputados ou outras medidas. Não sei ainda se o parlamentarismo demonstra-se a melhor opção, mas ao menos nele, não há lugar para duas casas legislativas, e quem sabe amenizaríamos ou extinguiríamos essa fantasia chamada senado brasileiro.

Texto produzido em cima das compilações realizadas por um amigo maçom, com o título “Delenda Senatus”.

A maçonaria que é alemã de berço

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Por Odair Deters

Acredito que todos que tenham lido ou estudado algo relacionado à maçonaria, sempre se tenham perguntado sobre sua real origem. Na maioria das vezes ela está relacionada a um conhecimento herdado de um passado remoto, seja da Mesopotâmia, Egito ou Caldéia [o que acredito, eu, tenha uma estreita ligação]. No entanto a origem mais aceita é que a maçonaria moderna descende dos antigos construtores de igrejas e catedrais da Idade Média [chamada maçonaria operativa].

É evidente que a falta de documentos e registros dignos de crédito, envolve a maçonaria por vezes numa penumbra histórica, fazendo com que a data tida como a de sua origem seja em 24 de junho de 1717, na Inglaterra. Formando a primeira Grande Loja, composta por quatro Lojas que já existiam, possivelmente então se encontra aí, a existência de uma maçonaria organizada antes da fundação da conhecida primeira Grande Loja [chamada a partir daqui de maçonaria especulativa].

Com a expansão do Império Britânico, as lojas maçônicas tinham dupla função: ofereciam um oásis inglês com jeito de “club” aos aventureiros ingleses que perambulavam pelo Império e os mantinham na linha, obrigados pelas rigorosas regras da maçonaria, e ao mesmo tempo permitia cooptar as elites locais e facilitar o contato dos agentes comerciais ingleses com as classes dominantes das colônias em bases sólidas de confiança fundada o vínculo de fraternidade maçônica.

Neste sentido, o porto hanseático de Hamburgo na Alemanha, estava por sua localização, com estreitas relações com Londres, o que o colocava em relação direta com a maçonaria inglesa. Portanto, relata-se que em sua forma moderna, a maçonaria apareceu nos países germânicos em 1737, data em que a primeira loja é criada em Hamburgo. Conhecida inicialmente como a loja de Hamburgo, ela assume em 1741 o nome de Absalom.

Aqui eu abro um pequeno espaço após esta breve explicação ao leitor sobre o passado maçônico, para discorrer sobre os motivos que levaram o autor a pesquisar este assunto. A pesquisa nasceu indevidamente, em meio aos estudos genealógicos da família a qual herdo o sobrenome [Deters]. Quando encontrei o mais antigo registro deste sobrenome, ainda presente, na igreja St. Martini de Braunschweig [Brunsvique, localizada no Estado da Baixa-Saxônia, Alemanha], onde também pode ser encontrado o primeiro registro do Brasão da Família Deters [com duas facas cruzadas sobre o coração]. Contextualizando um pouco mais: Sobre a cidade e a igreja de Brunsvique, a primeira menção escrita do nome na época, “Brunesguik” foi no ano 1031. Mas em escavações arqueológicas, encontraram nesta região restos de igrejas, as quais se estimam, foram construídas entre os anos 850 e 900. No entanto a igreja de St. Martini começou a ser construída em aproximadamente 1190 e têm registros de sua conclusão em aproximadamente 1225, tendo sido erigida por vontade do Duque Henrique, o Leão, primo do Imperador do Sacro Império Romano, Frederico Barbarossa. E justamente as pesquisas em cima desta igreja, onde econtramos o Brasão dos Deters, e a mais antiga citação desta família, que me conduziram a pesquisar sobre os construtores desta igreja e sobre algumas palavras, que surgiram na pesquisa, como: Steinmetzen, Steinmaurer, Steinhauer, Metzen, Metzel e Bauhütten. Curioso em tentar entender o significado destas palavras, aprofundei a pesquisa e acabei chegando as informações da criação, do que poderíamos chamar de a Primeira e Verdadeira Grande Loja Maçônica.

Para isto, precisamos entender antes, que a difusão do cristianismo [catolicismo] por toda a Alemanha exigia a construção de inúmeras catedrais pelas regiões germânicas, aí é que prosperaram os colégios maçônicos na Alemanha. Onde estas instituições, eram geralmente conhecidos como Steinmetzen, ou Canteiros, algo semelhante às Guildas na Inglaterra ou as Compagnonnage na França. Estas fraternidades maçônicas levantaram igrejas e catedrais por toda a Europa continental. E dentro desta Sociedade de Canteiros, existia uma grande variedade de classes e ocupações. Estas incluíam Steinmaurer ou assentadores de pedras, Steinhauer ou cortadores de pedra, bem como Steinmetzen, uma palavra derivada de Stein ou pedra e Metzen, um derivado da palavra Metzel ou entalhador, uma arte mais detalhada e refinada que os cortadores de pedras. A construção do Bauhütten ou lojas situadas junto às igrejas em construção serviu como estúdio de projeto, local de trabalho e quarto de dormir.

Um dos mais antigos registros de lojas maçônicas se encontra na cidade alemã de Hirschau [atual Hirsau no estado de Baden-Württenberg, Alemanha]. As lojas Maçônicas instituídas na cidade de Hirschau no final do século 11 trabalhavam sob a ordem beneditina da Alemanha, e foram as primeiras a estabelecer o estilo gótico de arquitetura. E a partir de 1149, as primeiras Zünftes alemãs ou sindicatos de pedreiros se desenvolveram em cidades como Würzburg, Speyer e Straßburg [Estrasburgo, hoje França, na época Alemanha] e Magdeburg. Aliás, está última, é a cidade que possui a catedral gótica mais antiga da Alemanha.

Com isto em 1250, surge a primeira Grande Loja dos Maçons, que se formou na cidade de Colônia [Köln]. A Grande Loja foi formada como parte do imenso empreendimento para erguer a catedral de Colônia [a qual eu usaria como imagem para estampar este texto, não fosse à significância do brasão postado, que será explicado em seguida]. A Grande Loja de Colônia, ou Oberhütten, designação também empregada às outras grandes lojas que começaram a surgir em Viena, Berna e Straßburg, onde nesta última ocorreu o primeiro congresso maçônico, no ano de 1275. Outros tantos congressos foram realizados nesta cidade, incluindo os anos de 1498 e 1563. Época na qual os primeiros brasões de Armas de Maçons foram registrados na Alemanha, curiosamente, representando quatro compassos posicionados em torno de um símbolo do sol pagão, e dispostos em forma de suástica ou roda solar ariana, conforme imagem que ilustra esta postagem [e agora, Arnaldo?!]. As Armas Maçônicas da Alemanha, traziam outrora uma suástica e também exibiam o nome de São João Evangelista, santo padroeiro dos maçons alemães.

A Oberhütte [Grande Loja] de Colônia, e seu grão-mestre, era considerada a cabeça das lojas maçônicas de toda a Alemanha do norte. O grão-mestre da Straßburg, era chefe de Lojas Maçônicas de todo sul da Alemanha, Francônia, Baviera, Hesse e as principais áreas da França.

As Grandes Lojas de Maçons na Alemanha recebiam o apoio da Igreja e da Monarquia. O Imperador Maximiliano revisou o congresso maçônico de 1275 em Straßburg e proclamou a sua proteção ao ofício. Entre 1276 e 1281, Rodolfo I [Rudolf] de Habsburgo, um rei alemão [isso, da famosa família Habsburgo], tornou-se membro da Bauhütte ou Loja de St. Stephan. O Rei Rodolfo foi um dos primeiros não-operativos, também chamados membros livres ou especulativos de uma loja maçônica.

Os estatutos dos maçons na Europa foram revisados em 1459 pela Assembleia de Ratisbonne [Regensburg], cuja revisão preliminar tinha ocorrido em Straßburg sete anos antes. As revisões descreviam a exigência de testar irmãos estrangeiros antes de sua aceitação nas lojas através de um método de saudação estabelecido [aparentemente internacional ou europeu].

A primeira assembleia geral de maçons na Europa ocorreu no ano de 1535, na cidade de Colônia, na Alemanha. Ali, o bispo de Colônia, Hermann V, reuniu 19 lojas maçônicas para estabelecer a Carta de Colônia, escrita em latim. As primeiras grandes lojas dos maçons estiveram presentes, o que era costume na época, e incluíam a Grande Loja de Colônia, Straßburg, Viena, Zurique e Magdeburg. A Grande Loja Mãe de Colônia, com o seu grande mestre era considerada a principal Grande Loja da Europa.

Após a invenção da imprensa, os maçons [Steinmetzen] da Alemanha, reuniram-se em Ratisbona em 1464 e imprimiram as primeiras Regras e Estatutos da Fraternidade de Cortadores de Pedra de Straßburg [Ordnung der Steinmetzen]. Estes regulamentos foram aprovados e sancionados pelos Imperadores sucessivos, tais como Carlos V e Ferdinando.

Com o monge alemão Martinho Lutero e seu protesto contra a Igreja Católica em 1517, dando origem ao protestantismo, onde muitas catedrais católicas tornaram-se protestantes, permitindo com que algumas das lojas maçônicas da época fossem liberalizadas.

Em 1563, tiveram-se a renovação dos Decretos e Artigos da Fraternidade de Canteiros na Loja Mãe em Straßburg. Estes regulamentos demonstram elos importantes com a Maçonaria moderna. a) Os aprendizes eram chamados de “livres” na conclusão do serviço a seu Mestre, o que sem dúvida é a origem da palavra Freemason  ou “franco-maçom”; b) A natureza fraternal da loja era retratada em uma série de regulamentações, tais como o atendimento aos doentes, ou a prática de ensinar um irmão sem cobrar [“Nenhum Mestre ensinará um companheiro por dinheiro”]; c) Os maçons utilizavam um aperto de mão secreto como meio de identificação; d) A entrada na Fraternidade era por livre vontade e indicava claramente os três graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre na fraternidade maçônica alemã; e) Exigiram que se fizesse um juramento e que os pedreiros se reunissem em grupos chamados ‘Kappitel’ [Capítulo]. As regras instruíam os maçons não ensinar Maçonaria a não-maçons.

Isto evidência, que as lojas ou grandes lojas maçônicas alemãs existiam antes da formação da Grande Loja de Inglaterra em 1717. Assim como o uso de apertos de mão secretos, o uso do termo “livre” e sua aceitação de não-operativos [pessoas que não eram pedreiros]. O uso de alegoria e simbolismo em camadas, que torna exclusivo o sistema maçônico fraternal, também era evidente nas lojas alemãs da época, conforme mostrado com a simbologia presente nas esculturas de pedra e estilos arquitetônicos das igrejas e mosteiros que eles construíram.

Algumas teorias colaboram com as informações acima, e contestam que a Maçonaria moderna, tenha sido originária dos Cavaleiros Templários ou da maçonaria inglesa, mas a ligam a instituições maçônicas que existiam na Alemanha, que por sua, tinham recebido estes conhecimentos de organizações muito mais antigas [99º of Freemasonry, evidencia isto].

Alguns fatos que suportam esta teoria, são: O manuscrito régio, mais antigo reconhecido pela maçonaria, faz referência a quatro mártires coroados, que estão possívelmente relacionados com a lenda dos maçons sob o Sacro Império Romano de Nação Germânica. O uso mais antigo registrado do esquadro e compasso, no escudo de Armas dos Corpos Maçônicos da Alemanha. A existência de lojas[Steinmetzen] no século XIII, que inclusive incluíam ensinamentos alegóricos. Eleição de Grão-Mestres dos maçons, no século XIII e criação de graus de aprendizes, companheiros e mestres no século XII, ou ainda anteriormente. Estabelecimento de estatutos e regulamentos impressos da Ordem antes da criação dos estatutos britânicos. Convite e aceitação de membros não-operativos [especulativos], tal como o Rei Rodolfo I, no século XIII. Primeira exigência em grande escala de lojas utilizando métodos de aperto de mão secretos. Alegoria de símbolos da instituição em obras de arte da cultura alemã do período.

Muito embora, foi-se condicionado como berço das origens da maçonaria mundial, a Inglaterra e a Escócia, devido as grandes organizações modernas e atuais estarem profundamente interligadas a Ilha Britânica, sendo hoje, seu líder o primo da Rainha da Inglaterra, HRH Príncipe Edward, Duke de Kent. Acredito que possa se olhar muito além, analisando a formação da primeira Grande Loja de Colônia, e quem sabe transportando a semente que fez germinar a maçonaria no coração do Velho Continente, para terras germânicas.

O sistema monetário de Mefistófeles

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Por Odair Deters

12/03/2013

Fausto uma obra única no seu gênero, escrito por Goethe (1749 – 1832), onde o personagem que dá nome a trama é assediado por um demônio, Mefistófeles, em um dos enredos, o persuasivo Mefistófeles aparece com a proposta de transformar papel em dinheiro.

Neste poema trágico, o imperador endividado “cheio do eterno como e quando” e com falta de dinheiro, assina notas que fazem o consumo disparar e, assim: “metade das gentes só querem comer bem / a outra metade só quer ostentar novos trajes”. E somente depois de Mefistófeles e o seu parceiro Fausto desaparecerem, é que alguém repara que o valor das notas não corresponde a qualquer equivalente real, ou seja, não existe um lastro em ouro num cofre, e, sim, à promessa de ouro que ainda é preciso extrair da mina.

Fausto, é leitura obrigatória no ensino fundamental em todas as escolas alemãs, não é então, a toa que Angela Merkel e os alemães se preocupam com a atual crise. Para os comtemporâneos que leem Goethe, os paralelos não passam despercebidos, a história de Fausto traz a tona o capital necessário para impulsionar a revolução industrial, e hoje, passados quase dois séculos, as suas advertências voltam a ser relevantes para as inúmeras figuras públicas teutônicas que se aproveitam de Fausto na formulação de suas preocupações relativas à crise na União Européia.

Assim como o tesoureiro do imperador no poema de Goethe, o alerta parece já ter sido dado. Se um banco central tiver o poder de cunhar dinheiro sem limites, a partir do nada, como poderá esse banco garantir que o dinheiro é suficientemente reduzido para manter o seu valor? Inevitalvelmete a tentação existe, e sem dúvida e boa parte da história monetária cedeu a ela.

O papel-moeda sem dúvida trouxe nos impulsos positivos enormes, pois a escolha entre o benéfico e o maléfico está indubitavelmente a cargo da humanidade, e aos alemães, leitores de Fausto, nos parece que não querem carregar a palavra Schuld, que na terra de Goethe, significa tanto dívida monetária como culpa moral.

Publicado originalmente em: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=118657

OS TIBETANOS DE BERLIM

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Odair Deters

14/01/2013

Ao fim da segunda guerra, em 25 de abril de 1945, tropas russas que inspecionavam cuidadosamente as ruinas de Berlim, ao entrarem no grande salão de um edifício semidestruído por uma explosão depararam-se com uma cena bizarra. Caídos, dispostos em circulo, estavam os corpos de sete homens, seis deles formando um circulo e tendo ao centro o sétimo cadáver. Estavam todos vestidos com uniformes militares da SS e o morto do centro usava um brilhante par de luvas verdes.

Entre os nazistas o esoterismo sempre ocupou um lugar especial, e o ocultismo e uma das razões de ser do nacional-socialismo alemão. Os místicos nazistas criaram diversas sociedades secretas, como a Sociedade Thule, a Sociedade Vril, a Ordem do Sol Negro, entre outras. Um dos fatos mais curiosos e justamente o que envolve a colônia tibetana em Berlim.

Os nazistas empreenderam incursões no Tibet, na Ásia central, na Antártida, Ártico e em vários cantos do mundo onde buscavam aberturas para a Terra-oca, passagens para um mundo existente no interior do

Planeta Terra. Também confiscaram todos os objetos que possuíssem ou pudessem ser fonte de poderes metafísicos.

 

Ahnenerbe

Ahnenerbe [criada em 01/06/1935], era uma secretaria de pesquisa cientifica do Terceiro Reich diretamente ligada as SS [tropas de proteção do Fuher] entre uma das vertentes de pesquisa estava a de descobrir evidencias arqueológicas e antropológicas da origem da raça Ariana.

Em busca destes Mestres e de seus ensinamentos, os nacionalistas-místicos alemães começaram cedo a organizar expedições cientificas.

Jamais uma nação investiu tanto em pesquisa esotérica ate então [mesmo em plena guerra] muitas vezes disfarçada de interesse arqueológico, histórico, geológico, botânica ou linguística. Fala-se muito de  expedições nazistas ao Tibete, porem, na verdade, no período de guerra e depois da instituição da Ahnenerbe apenas uma expedição ao Tibete e registrada, entre 1938 e 1939, liderada por Ernst Schafer

[1910-1992]. O mesmo Schafer já havia realizado duas outras expedições anteriormente: 1931-32 e 1934- 36. Essa terceira expedição era composta de 5 acadêmicos e vinte membros da SS, como missão: estabelecer relações com os misteriosos habitantes de Agartha [Cidade existente no interior do Planeta].

Em sua missão, a equipe deveria explorar vários aspectos da cultura e da etnia tibetana:

historia, religião, perfil psicológico, anatomia, tudo para esclarecer se havia ou não parentesco genético entre os tibetanos e os antigos povos arianos. Também pretendiam obter provas contra a teoria de que o homem descende dos macacos.

Antes mesmo da Ahnenerbe ser criada, Karl Haushofer, que era membro da Thule-Vril, atuou, entre os  nacionalistas, como uma especie de consultor para assuntos do ocultismo do extremo oriente, instruindo os membros das expedições alemãs [civis] que partiram em busca da fonte do poder sobrenatural, a partir de 1926 [curiosamente, ano de fundação da Colônia Tibetana em Berlim].

Por sua experiência com a mística naqueles países asiáticos, Haushofer estaria envolvido com a implantação da colônia tibetana e com os imigrantes tibetanos que se instalaram na Alemanha nos anos seguintes [a 1926]. Embora muito se insista em tibetanos, o fato e que a colônia de Berlim, em todas as fontes históricas, e associada a uma Sociedade Secreta japonesa, e não tibetana; a Sociedade Ordem dos Dragões Verdes. Todavia, também e verdade que os Dragões Verdes tinham seus tentáculos na China e no Tibete, e registra-se também a união nipônico-alemã durante a Segunda Guerra.

Ao que indica essa Ordem dos Dragões Verdes, venho ate a Alemanha após a expedição que partiu em 1938 e voltou à Alemanha as vésperas da guerra, em 1939 trazendo consigo alguns adeptos nativos da Ásia. Estes, fundaram a Loja Tibetana em Berlim que foi denominada Society of Green Men. Na Society of Green Men o Mestre absoluto, acredita-se, era um daqueles orientais importados. Ele ficou conhecido como o Homem das Luvas Verdes.

Os Homens Verdes afirmavam que tinham contato direto com a central japonesa através do astral [espécie de pratica do sono consciente]. A certa altura dos acontecimentos, A Green Dragon Society teria enviado para Alemanha sete membros, legítimos asiáticos.

O Monge das Luvas Verdes

A colônia tibetana em Berlim foi instituída bem antes do começo da Segunda Guerra, em 1926 e continuou crescendo durante o conflito. Depois da ascensão dos nacionalistas ao poder, os tibetanos eram importados pela Ahnenerbe, [segundo alguns, a Ahnenerbe selecionava os imigrantes precisamente entre os chamados Irmãos da Ioga negra do Tantra negro]. Apesar de todo esse negror, nessa colônia, destacava-se a figura de um monge tibetano que ficou conhecido como o Homem das Luvas. Hitler consultava-o com frequência.

O mistério em torno desse ocultista das luvas verdes e tão labiríntico que há quem afirme que ele nem era tibetano; uns dizem que que era alemão, erudito orientalista; outros, que era um judeu alemão ─ chamado Erik Jan Hanussen [1889-1933] ou, talvez, um um ex-judeu, Ignatius Timothy Trebitsch-Lincoln [1879-1943]

vulgo Chao Kung.

Nos casos de Ignatius Timothy Trebitsch-Lincoln e Erik Jan Hanussen, apesar das biografias pitorescas, as datas oficiais de suas mortes parecem eliminar a possibilidade de um deles ter sido o “monge das Luvas Verdes”. E finalmente, o defunto do centro circulo tibetano também tinha feições orientais. No caso de judeus citados, por incrível que pareça surgem muitos nomes de judeus ligados as altas patentes dentro

do poder nazista e mesmo através do financiamento da expansão do nazismo.

Trebitsch-Lincoln [1879-1943] Erik Jan Hanussen [1889-1933] vulgo Chao Kung.

A terceira hipótese, da colônia tibetana ser, na verdade uma Loja esotérica, filial dos Dragões Verdes nipônicos-tibetanos e bastante plausível. A migração para a Alemanha teria sido intermediada por Karl Haushofer, desde o começo dos anos de 1920, a partir dos contatos que fez, quando esteve em missão militar no Japão e, muito interessado na cultura local, foi um, dos apenas três ocidentais, admitidos entre os

Dragões ao longo da longuíssima existência daquela organização.

O monge de Luvas Verdes e o mais misterioso personagem da historia esoterica da Segunda Guerra Mundial. Envolto em especulações, sua identidade jamais foi descoberta. Em meio às suspeitas e poucos indícios, o que se sabe e que este homem era um oriental e, muito possivelmente tibetano. Embora a colônia tibetana em Berlim tenha criação datada em 1926, parece improvável ou precoce que o Green Gloves tenha chegado a Alemanha nesta época.

O Clã dos Dag-Dugpa

[Druk-pa, Dugpa, Brugpa, Dag dugpa ou Dad dugpa]

Tudo indica, portanto, que o Homem das Luvas Verdes, de fato, existiu na mística do nazismo. Descartando hipótese de ser um ocidental orientalista ou orientalizado, resta investigar a identidade de um verdadeiro tibetano radicado em Berlim. Embora as referenciem sobre esta possibilidade sejam constantes porem exíguas, todas as fontes concordam que o exótico conselheiro das SS, se tibetano, era um mago negro daquele pais pertencente ao clã dos Dag-Dugpa. Sobre os Dag Dugpa, escreve o Mestre ocultista Samael Aun Weor [1917-1977]:

O Cla de Dag Dugpa pratica o Tantrismo Negro. Os Iniciados Negros Bonzos e Dugpas [de gorro vermelho] ejaculam o sêmen, misticamente e ademais tem um procedimento fatal para recolherem o sêmen carregado de átomos femininos de dentro da própria vagina da mulher, logo, o injetam [aspiram-no] uretralmente [pela uretra] e reabsorvem-no, com a forca da mente, para leva-lo ate o cérebro.

E sobre Hitler e o Homem das Luvas Verdes: O homem das luvas verdes pertenceu ao clã dos Dag Dugpas. Hitler deixou-se dirigir por este homem que lhe ensinou a cristalizar tudo negativamente.

 

Os Orientais de Berlim

Ao encontrarem o circulo de sujeitos mortos, os russos perceberam que os defuntos eram todos orientais e um dos soldados, que nascera na Mongólia, reconheceu-os como tibetanos. Era evidente que não tinham morrido em batalha; cometeram suicídio. Nas semanas que se seguiram outras centenas de tibetanos foram

descobertos em Berlim, Munique e Nuremberg; alguns, mortos em ação; outros, que cometeram o suicídio ritual. Nenhum documento de identificação foi encontrado.  Todos vestiam uniformes das SS. Trata-se de um dos mais resistentes entre os enigmas da historia da segunda Guerra Mundial. Apesar de terem sido identificados como tibetanos, os sete corpos encontrados pelos russos em 1945 tinham característica bem japonesa impressa em suas mortes: todos os suicídios foram cometidos rasgando o ventre com uma faca, método japonês. O mesmo método que Karl Haushofer usou as vésperas de ser preso pelos Aliados, no fim da Guerra.