Família Deters

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Por Odair Deters – Texto originalmente publicado pela Embaixada da Alemanha em Brasília, na série „Nós Contamos a Sua História“.

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O nome de família alemã Deters é de origem patronímica, o que significa que foi inspirado no pai do portador inicial. Neste caso, significa “Filho do Deter”, sendo este último um diminutivo para o antigo nome germânico “Diethard” que derivou de palavras do alto alemão antigo, como: “Diot”, que significa “povo” e “Harbi”, que significa duro ou resistente.

Algumas das primeiras referências ao sobrenome Deters incluem um registro de Johann Deters, filho de Jochim Deters que foi batizado em 22 de novembro de 1686 em Ruhn, Mecklenburg. Também o casamento de Cordt Deters e Crinck Evers que foi comemorado em 06 de agosto de 1684 na Igreja de Santa Margarida em Padderhorn, Westphalia. Outro registro é o de Eilert Deters, filho de Johann Deters e Anna Wedemayer, nasceu em 16 fevereiro de 1766 em Leuchtenberg, Baixa Saxônia. Um dos registros mais importantes e ainda presente, está na igreja St. Martini de Braunschwei, hoje Brunsvique, localizada também no Estado da Baixa-Saxônia, onde pode ser encontrado o primeiro registro do Brasão da Família Deters (com duas facas cruzadas sobre o coração). Um dos portadores notáveis do nome Deters, foi o teólogo Brandanus Deters que morreu em 1710.

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Entre os séculos XIX e XX, muitos Deters migraram para o Novo Mundo, praticamente todos para os Estados Unidos da América. Mas Franz Deters, nascido em Steinfeld, na Baixa Saxônia, não seguiu o destino dos demais.

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Em 1926, embarcou com sua família, no navio Werra da companhia Norddeutscher Lloyd, que fazia então o serviço Bremen-La Plata. Para partida, escolheu o alegre verão europeu, a grande embarcação partiu com 184 passageiros, praticamente metade da sua capacidade. Sendo que dos 184 passageiros, 12 representavam a família de Franz Deters. A família de Franz Clemens Deters, era composta por sua segunda esposa Maria Elisabeth Pölking e seus 6 filhos (Anton, Elisabeth, Clemens, August, Georg e Karl), mais os 4 dos 5 filhos do primeiro casamento (Bernard, Heinrich, Ana e Frantz). Um dos filhos, Josep, o mais velho de todos, seguindo o coração, não quis se desligar de sua paixão e ficou com a amada na Alemanha.

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Foram 21 dias no mar, compartilhando o espaço com passageiros de 14 diferentes nacionalidades, com uma passagem por Nova Iorque, antes da descida ao hemisfério Sul. Desembarcaram no porto de Rio Grande, RS, no período em que ocorria o ponto mais alto da imigração alemã no Brasil, a década de 20 a de 30, período em que cerca de 75.000 outros alemães também vieram.

Após a chegada foram diretamente para o campo, assim como os primeiros alemães que aqui chegaram, um século antes. Os Deters, inicialmente foram para Santo Ângelo, RS (Distrito da Buriti – República de Frode), posteriormente pelas condições políticas impostas na Era Vargas, participaram da Sociedade União Popular ou “Volksverrein” e promoveram a colonização do extremo Oeste Catarinense, por germânicos católicos, hoje, município de Itapiranga, SC, onde encontrariam propriedades que permitiram o desenvolvimento das famílias, e mais segurança pela predominância de outros conterrâneos.

Jogo de futebol antigo campo - década de 1930

Os primórdios exigiram muito trabalho, um deles foi a extração de madeira, comercializada através do rio Uruguai, permitindo em 1945 a aquisição de um caminhão e o que exigiu que eles mesmos passassem a abrir estradas. Alguns filhos retornaram posteriormente para Santo Ângelo, na “Colônia Velha”, assim chamado o Estado do Rio Grande do Sul, pelos alemães. Este retorno objetivou reaver as propriedades compradas pela família em 1926. A partir daí desenvolveram-se as famílias Deters, tanto na região das Missões, RS, como no Oeste Catarinense.

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A geração dos netos de Franz Deters passou a migrar para a área urbana, hoje, somam-se mais de 300 descendentes, que já realizaram dois encontros da família, que ocorrem em Itapiranga a cada dois anos, identificando assim que os Deters estão residindo atualmente em diversas regiões do Brasil, e dispersos nas mais diversas profissões, entre elas: professores universitários, bancários, cientistas da computação, engenheiros, pedagogos, servidores públicos, comerciantes, entre outras, além-claro, de muitos que seguem desenvolvendo atividades no meio rural, todos, assim como, Franz Deters, o patriarca, em busca de seus sonhos pessoais, colaborando assim para o desenvolvimento do lugar onde vivem.

Atualmente o Brasil é o terceiro país com mais pessoas com o sobrenome Deters, todos, descendentes de Franz. Os Estados Unidos possuem a maior população com este sobrenome, sendo atualmente 3.239 pessoas, seguido da Alemanha com 1.614 e o Brasil com 223, depois ainda com números consideráveis temos Holanda, com 173 habitantes, Canadá, 99 e Austrália com 32.

Fotos:

  1. O navio Werra retornando para a Europa
  2. Franz Deters e família
  3. Igreja St. Martini de Braunschwei, hoje Brunsvique
  4. Brasão de Steinfeld
  5. Condecoração a Franz Deters por ter lutado na 1ª Guerra Mundial nas tropas de Von Hindenburg (futuro presidente da República de Weimar)
  6. Jogo de futebol em Itapiranga, década de 1930. No local atualmente é a Prefeitura de Itapiranga.
  7. Caminhão da família Deters para o transporte de madeira

 

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