O “advogado” de Judas Iscariotes: Armando Cosani (O Voo da Serpente Emplumada)

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Por Odair Deters

Meu primeiro livro em espanhol, também foi um dos melhores e mais marcantes livros que já li, um dos poucos que me fez verter lágrimas.

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Publicado em 1953 pela extinta editora SOL: ” O Voo da Serpente emplumada” É um dos livros que deixam uma marca e aprofundam a busca da Verdade. Divididos em três partes, na primeira, conhecemos a vida de Armando Cosani Sologuren [relatada por ele], que entre 1938 e 39 conhece na Argentina um personagem [o próprio Judas Iscariot], que auxilia e ajuda o autor em seus momentos difíceis. Na segunda parte, relatada por Judas ao autor, toda em linguagem velada e muito poética, aborda a iniciação, a o despertar, as forças e as leis do Universo, os caminhos de Judas, Pedro e João e especialmente o homem adormecido, a serpente emplumada e a bela princesa Sac-Nicte que com seu beijo desperta o homem adormecido da linhagem maia.

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Na parte final, Judas relata a verdade e como a traição imputada a ele durante séculos é falsa e que tudo corresponde a um papel, um drama representado de que Jesus teve pleno conhecimento. Este último está de acordo com o bem conhecido Evangelho de Judas que veio à luz em todo o mundo há alguns anos atrás, porém bem depois da obra de Cosani.

Apesar de manter-se oculto diante de sua célebre publicação e com isto despertar o interesse de muitos leitores, abordarei um pouco da vida do jornalista e escritor Armando Cosani Sologuren, correspondente, tradutor e escritor peru-boliviano, pois sua família de era radicada na cidade de Tacna, no Peru. Lá viviam seus avós Manuela Esther Basadre Forero [que depois de casada passou a assinar Manuela Esther Sologuren Vargas] e o esposo Mariano Casimiro Sologuren Vargas. Dentre os filhos do casal estavam: Carmem Sologuren y Basadre; Santiago Sologuren y Basadre; Luisa Sologuren y Basadre; Esther Sologuren y Basadre [mãe de Armando Cosani Sologuren]; Ricardo Sologuren y Basadre; Enrique Sologúren Basadre nascido em 1885 e Sara Sologuren y Basadre, nascida em  1887, no Chile e foi em Tacna que nasceu Armando filho do casal, o italiano Giussepe Cosani de Francesqui e Esther Cossani de Francesqui . A esposa de Armando chamava-se Graciela e o casal teve uma filha cujo nome era o mesmo da mãe.

Armando era irmão de Esther Cosani Sologuren [1914-2001] renomada escritora chilena. Ilustradora e novelista e autora de “Lendas da velha casa” e “Lendas da flauta”, [1938]; “Para saber e contar” [1939]; “As desventuras de Andrajo” [1942]; “Contos a Pelusa” e “A casa dos ratos” [1943]; “Contos a Beatriz” [1957]; “Uma história de anjos” e “Rimas” [1994]; “Contos de Tocorí da Serra” [1995].

A família Sologuren, além do Peru, tinha também suas ramificações em Arica e Santiago, no Chile; Espanha; Colômbia; Venezuela e Bolívia.

Em uma definição de si próprio Cosani, dizia-se, antes de seu principal escrito, ser um agnóstico, mas não cético; de visão científica da vida, porém, não materialista ou ateu. Confusamente, Cosani, era católico e frequentava com certa regularidade uma igreja local, aonde ia com a intenção maior de solicitar ajuda ao Jesus, o Cristo para pôr um fim em sua complicada situação econômica e foi ali naquele templo religioso que, em uma de suas idas e vindas, ele deparou-se com um intrigante e misterioso senhor, cuja definição assim ele descreve: “todo ele era um sorriso” [parte I de seu livro].

Em 1939 ele era correspondente de imprensa do United Press, no Chile e foi o responsável por cobrir o Terremoto de Chillán, ocorrido em Chillán, e, 24 de janeiro, daquele mesmo, atingindo todas as cidades próximas com uma intensidade de 7,8 na escala de Richter, registrando mais de 30.000 vítimas. A situação era calamitosa e Armando, acampado em Concepción, transmitia, por ondas de rádio, para Santiago, as notícias. Assim se reportavam os jornais da época:

As “… autoridades na zona do terremoto apreenderam todos os suprimentos de comida e estabeleceu cozinhas comunitárias. Mortos insepultos… […] …o técnico de rádio, Rodrigues Johnson, voltou para Santiago a partir de Concepción, uma das grandes cidades duramente atingidas pelo terremoto, e relatou a situação alimentar tão aguda que Armando Cosani, a equipe do United Press e assistentes não tiveram nada para comer durante dois dias, e que somente mínimas quantidades de água potável estavam disponíveis. [Oshkosh Daily Northwestern – Oshkosh, Wisconsin – 27 de Janeiro de 1939]

Do Chile Cosani vai [provavelmente] para a Argentina, a considerar pelo fato de que em 1942, durante a Segunda Grande Guerra Mundial, ele havia sido recrutado pela Abwehr, o serviço de inteligência alemão, sediado no Chile, trabalhou para os nazistas como correspondente, para fornecer informações sobre os assuntos norte-americanos e três anos mais tarde, em 1945, ele foi preso pelas autoridades argentinas e deportado para a Bolívia.

Em La Paz, Cosani manteve contato direto com embaixadores de diversos países, porém o mais destacado dos contatos, foi com o presidente Gualberto Villarroel López [foi o 39º presidente da Bolívia, entre 1943 e 1946]. Todavia a sequência de acontecimentos no país, marcada pelo assassinato de opositores políticos, em fins de 1944, pelo autoritarismo e pela intolerância, levou o governo de Villarroel ao desastre e à consequente renúncia, em 21 de julho de 1946. A multidão, em sua maioria operários e estudantes, juntamente com o oposicionista PIR (Partido de Isquierda Revolucionária). Os insurrectos invadiram o “Palácio Queimado”, lincharam e penduraram-no pelo pescoço, ao já morto ex-presidente, na sacada do palácio no mesmo dia de sua renúncia. Temendo por sua vida, Cosani deixa a Bolívia e segue [provavelmente] para o México.

Sobre esta época assim se reporta Cosani em seu livro:

“…foram destruídos quatro agências oficiais de inteligência aqui e em todos os edifícios, outras repartições foram danificadas. Novas detenções. Revoltas Antifascistas pelo ditador…”

No México, pelos idos de 1948 [segundo relatos, juntamente com Rodney Collin, discípulo de Ouspenski, fundam um Grupo de Estudos do Quarto Caminho na América Latina. Deste grupo fazem parte alguns britânicos, entre eles o próprio Collin e John Grepe, alguns mexicanos e integrantes de outras nacionalidades, a exemplo de Cosani. No ano seguinte, Cosani começa a trabalhar na tradução de alguns livros de Ouspenski e Maurice Nicoll e, para editar e difundi-los, Collin, fundou a “Editorial Sol”, que publicou a primeira edição da obra de Cosani.

Em 1954, Cosani figura como colaborador em um complemento literário do jornal “Solidaridad Obrera”, cujo conteúdo era direcionado a trabalhadores da CNT [Confederação Nacional do Trabalho da Espanha] da Espanha, exilados na França.  No ano seguinte, em 1955, ele e Collin levam os ensinamentos do Quarto Caminho para Buenos Aires e Peru, onde fundam grupos da instituição. Alguns anos mais tarde, Cosani dedica-se à tradução de autores diversos de esoterismo, desta vez radicado no Argentina.

O Voo da Serpente Emplumada, editado em espanhol é uma das maiores entregas feitas por Cosani para nós, além do espanhol o livro foi publicado em italiano [sob o nome: “Judas – Traição ou Plano Divino?] e em inglês. No português em 2003 um brasileiro o traduziu e o disponibilizou na Internet. Tivemos duas edições impressas em português, sendo a segunda em 2015 [O voo da serpente emplumada – a verdadeira história de Judas Iscariotes] pela editora Esotera, mas rapidamente esgotado.

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Cosani ainda fez as seguintes traduções para o espanhol:

  • Um novo modelo do universo: Os princípios do método psicológico em sua aplicação aos problemas da ciência, a religião e a arte, de P. D. Ouspensky
  • Em busca do milagroso: fragmentos de um ensinamento desconhecido, de P. D. Ouspensky.
  • O Novo Homem”, de Maurice Nicoll
  • O Tempo Vivo e a integração da vida”, de Maurice Nicoll
  • O assassinato deve esperar, de Arthur W Upfield  – 1956
  • As minas do Rei Salomão, de Henry Rider Haggard
  • O super cérebro, do Dr. H J Campbell (Herbert James)
  • Introdução à psicologia de Jung, de Frieda Fordham -1955
  • “Europa – peninsula asiática”, Solidaridad obrera. Suplemento literario – (Outubro de 1954).

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Apesar de citar, não li as traduções feitas por Cosani, ler o “O Vôo da Serpente Emplumada”, por si, já me bastou, confesso que é uma das poucas obras que tocaram-me no fundo de minha alma.

Nesta obra é revelada a verdadeira história de um dos personagens mais importantes e mais injustiçado de toda a história do cristianismo. Um homem que amou tanto a seu Mestre, ou seja, a verdadeira história de Judas discípulo de Jesus mestre que teve que passar pela maior de todas as provações. Um homem que negou toda a felicidade do Nirvana para se sacrificar em prol da humanidade, fazendo aquilo que deveria ser feito.

Com trinta moedas de prata e um beijo cumpriu sua missão e entrou para a história como sinônimo de traição. Seu nome, Judas, o homem de Kariot, discípulo fiel de Jesus que cumpriu à risca aquilo que lhe fora encomendado pelo seu mestre. Judas inicialmente negou-se a viver este papel, no entanto seu mestre Jesus, deixou claro que o escolheu por ser o mais preparado entre seus discípulos.

O Voo da Serpente Emplumada, que além de um romance esotérico é um tratado para o despertar da consciência. A obra é dividida em 3 partes.

Na primeira parte do livro, o autor faz uma apresentação do que viria a se desenrolar na obra escrita, fala de seu encontro com aquela que o inspiraria a escrever o livro e mudar a sua vida, um homem misterioso, com uma imensa sabedoria e que ao longo de vários anos o ajudou e o orientou, também fala sobre sua baixa da Marinha, por um ferimento de guerra, especialmente em sua perna, e sua profissão de jornalista e um tanto do que a América Latina vivia por aqueles anos da década de 1940. O texto é apresentado com uma narrativa de suas desventuras e através de diálogos enriquecidos e de grandes lições, apresenta-nos aquele, que seria uma espécie de preceptor para ele. E, por fim fala nesta primeira parte sobre a necessidade de escrever o livro

A segunda parte do livro, dona de uma beleza mística e poética, fica devotada quase que exclusivamente, a discorrer sobre a antiga cultura maia [a “Sagrada Terra Maya”] e os seus ensinamentos misteriosos ou secretos. Fala também sobre a “Sagrada Princesa Sac-Nicté” ou a “Branca Flor do Mayab” [nesta época de minha leitura idos de 2001, nomeei a uma gatinha angorá que possuíamos, de: Mayab].  Em outras palavras, a segunda parte do livro é um verdadeiro tratado de autoconhecimento que narra a trajetória de um iniciado desde o princípio de sua jornada até alcançar o Despertar da Consciência e a Iluminação ao receber o beijo da Sagrada Princesa Sac-Nicté.

Na terceira parte o autor fala sobre o estranho personagem que se apresentara a ele na primeira pare do livro, e que é identificado como Judas de Kariot. Os acontecimentos entre Jesus de Nazaré e Judas de Kariot, desde o seu encontro até o drama da crucificação, em uma riqueza de detalhes, são narrados segundo uma nova ótica, onde Judas é apresentado, não como traidor e sim como o mais exaltado dos discípulos de Jesus: O único capaz de suportar as dores daquele papel de “traidor”. Permitindo uma viagem com o Grande Kabir e seus discípulos descobrindo o que realmente aconteceu naqueles últimos dias que mudaram a história de toda humanidade.

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O fato é que Judas, discípulo de Jesus, talvez seja uma das figuras mais injustiçadas de toda a história, prova disso encontra-se no evangelho de Judas, evangelho apócrifo encontrado nos anos 70 e que narra os últimos dias de Jesus pelo ponto de vista de seu algoz, do “Traidor”, daquele que vendeu o mestre por 30 moedas de prata.

No entanto Cosani narra com maestria a história de Judas, o homem de Cariot, discípulo querido de Jesus que recebeu a maior e mais dura de todas as missões, entregar seu mestre para que este pudesse se sacrificar pela humanidade.

No tocante a serepente emplumada, outros atroes igualmente dispuseram-se a discorrer sobre o tema da “Serpente emplumada” ou o “Pássaro serpente”, como Jack Farrel, D. H. Lawrence, Alberto Beuttenmuller, Xu Xiaobin, Nivaldo Cruz [Ordem da Serpente emplumada], Armando Torres, discípulo de Carlos Castañeda [O segredo da Serpente emplumada], Luís A. Weber Salvi [A Serpente Emplumada] falando sobre a A Tradição Tolteca. A mitologia maia faz referência a Quetzalcoatl, ou o pássaro serpente [Serpente Emplumada], a principal divindade do panteão “azteca/maia”.

Segundo a lenda o deus Kukulkam [ou Kukumatz], uma serpente voadora, chegou à Terra na figura de Quetzalcoatl:

“Ele veio de uma terra estranha do sol nascente,
em trajes alvos e usava barba.
Ensinou ao povo todas as ciências, artes, costumes
e decretou leis de muito bom senso.
Sob sua orientação, as espigas de milho alcançavam o porte de um homem
e o algodão já era colhido colorido.
Quando Quetzalcoatl deu por concluída sua missão,
saiu a pregar sua doutrina, caminhando em direção ao mar.
Na costa embarcou num ‘navio’ que o levou até a estrela d’alva.
Quetzalcoatl prometeu voltar quando as grandes obras arquitetônicas,
previstas no calendário maia, estivessem prontas.”
[Fonte: The Riddle and Rediscovery of a lost Civilization – 1985]

Entretanto o livro “O Voo da Serpente Emplumada” de Armando Cosani, escrito em meados da década de 1950 e editado pela primeira vez em 1953, é um relato enriquecido e de conteúdo esotérico. Cabe dizer que o relatado nesta postagem, que no livro percebe-se uma ligação direta entre o autor, Armando Cosani e o seu, por assim dizer, preceptor, cujo nome permanecerá uma incógnita. Em diversas passagens do texto, entretanto, observa-se, que o estranho personagem é, na verdade, Judas de Kariot, o discípulo de Jesus. O encontro inicial entre ambos é suposto como sendo entre 1938-1939, na Argentina.

No enredo rico e poético, além de estabelecer a unidade do ensinamento esotérico notadamente os escritos, tradições e costumes maias, com trechos do Chilam Balam de Chuyamel, o Popol Vuh, entre outros, nota-se uma profunda relação de confiança e amizade entre ambos, os quais passam a figurar como mestre e discípulo.

Quanto a Judas, as descobertas mais recentes sobre seu Evangelho atestam todo o belíssimo relato que Cosani apresentou décadas antes, encontramos na Revista Super interessante de maio de 2006, um artigo, relativamente ao Evangelho de Judas, que diz o seguinte: “…O evangelho segundo Judas Por dois milênios, Judas foi apontado como o maior traidor de Jesus. Agora, documentos sugerem que ele pode ser sido o mais fiel de seus seguidores… […] o documento narra os episódios ocorridos durante a semana que antecede a Páscoa judaica no ano de 33 d.C. [os dias imediatamente anteriores à prisão de Jesus] e mostra uma versão completamente diferente da que tínhamos acesso até hoje. No relato, Judas é descrito como o discípulo mais próximo de Jesus, o único capaz de compreender a essência de seus ensinamentos.

Por fim, Jesus revela que Judas será superior a todos os homens porque” sacrificará o homem que me veste”. E revela a missão do discípulo: matar a parte física para livrar o mestre de seu corpo, ou seja, do reino inferior que aprisionava o espírito divino de Jesus. Judas cumpre à risca as ordens: imediatamente procura os sacerdotes para denunciar o líder. Pelo serviço, embolsou algum dinheiro – o valor não é especificado. Nesse momento, o evangelho acaba, abruptamente.

Cabe ainda o fato de que Judas, Pilatos e Caifás, personagens do drama bíblico representam também três facetas do que existe em nosso interior, sendo Judas, o papel do demônio da mente, Caifás o papel do demônio da má vontade e Pilatos o demônio da mente. [Este comentário não faz parte da obra de Cosani]

Ainda, Kenneth Hanson em seu livro “Segredos da bíblia perdida”, pg, 239, diz: “…No evangelho [apócrifo] de Judas consta o seguinte: Jesus diz:” Mas tu, Judas superarás a todos, pois deverás sacrificar o homem exterior que reveste o meu ser interior… […] em uma passagem do Evangelho de João, quando Jesus se dirige a Judas e diz: “O que tens de fazer, faze-o depressa” [João 13,27]. A narrativa diz que os outros discípulos se perguntavam por que Jesus havia feito essa comunicação pessoal a um deles. Havia alguma coisa subentendida, implícita? Alguma coisa combinada antecipadamente? O Evangelho de Judas oferece os detalhes dessa relação especial.”

Outro autor, Enrico Galavotti, à pg 250 de seu livro “Umano e Político. Biografia demistificata del Cristo”, diz que a [suposta] “traição” foi uma “…solução mística, seguramente eficaz… […] e que “…precisamente por causa da traição, Jesus foi capaz de mostrar até que ponto foi o seu grande amor para os seres humanos. Justificando a traição de Judas…”

Também, o insigne Rabolu [V.M.] em seu livro “Ciência Gnóstica”, traz que: “Através das seitas religiosas ou crenças, sempre se teve Judas como um elemento perverso, daninho, mau. Mas, em realidade, ante as hierarquias cósmicas [e eu sou muito testemunho disso], o que tocou aos Apóstolos foi um drama cósmico para nos dar o ensinamento vivo, do que tínhamos que realizar cada um de nós. Em realidade, de todos os Apóstolos do Mestre Jesus, o mais adiantado, ou não digamos adiantado, senão o de categoria superior, foi Judas, a quem tocou representar o papel mais terrível. Recordo quando o Mestre Jesus obrigou, destinou Judas para representar esse papel e Judas não se sentia com capacidade de fazê-lo. Então se ajoelhou ante o Mestre Jesus, e chorando lhe disse que não lhe permitisse representar esse papel, porque ele não se sentia capacitado. Porém Jesus lhe respondeu: “Tu terás que fazê-lo. Tu és o único preparado para isso!” Ainda, Rabolú comenta sobre o livro de Cosani, quando diz: “Agora, bem, há um livro que veio do exterior, não sei de que País. Enviaram-no a um amigo meu. Nesse livro relata um periodista tudo o referente a Judas, ditado pelo próprio Judas. Este apareceu ao periodista, porém, sem dizer que ele era Judas. Não lhe quis dizer seu nome. O relato contém um grande ensinamento.”

Desvendadas as correspondências acimas de autores comtemplamos que atestam a narração de Cossani, deixo um breve trecho retirado do livro, em tradução minha:

“A Serpente emplumada tem que voar; Quando você sabe o que é o voo da Serpente emplumada, você saberá o que você tem que fazer, até então … você perceberá que através dos séculos vibra a mensagem dos imortais: Desperta! Conheça a si mesmo! O impulso misterioso que fixa sua atenção nestes manuscritos…, o eco do grito que despertou a essência imortal de seu próprio sangue. E ao evocar as gloriosas gotas da vida, ele também evocou os sinistros da morte…Mesmo que às vezes pense que você perdeu o Caminho que leva ao Despertar, você nunca estará sozinho…Nunca pergunte a outro homem: ‘O que é que devo fazer?’; porque é a mais nefasta de todas as perguntas. Se a fazes a um néscio, a um adormecido, está-lo-ás convidando a arrastar-te ao sonho. Com o qual haverás caído em dupla ignorância e te será duplamente difícil voltar a despertar. E se fazes tua pergunta a um sábio, a um desperto, perceberás quão inútil é perguntar, porque um desperto sempre responderá: “Faze o que melhor te pareça; se nisto colocares todo teu coração, agindo sempre alerta, ganharás em riquíssima experiência.” Ao final, farás da Solidão e do Silêncio teus mais estimados companheiros; sumindo-te com eles no mais profundo de si mesmo, irás vislumbrando gradualmente todo o horror do Sonho que é a humana escravidão. E, pelo mesmo, aumentarás teu poderio para reclamares tua liberdade. Se tens invocado a teus amigos, também tens posto em guarda a teus piores inimigos. Uns e outros aparecerão em ti e ante a ti em mil formas distintas, e muitas vezes os confundirás durante teus primeiros passos. Teus amigos não serão sempre os mais gratos e amáveis, pois te irão privando de tudo quanto agora estimas duradouro. Então será quando teus inimigos, zelosos e sorridentes, demonstrarão, ante tua visão interior, mil possibilidades para elevar-te sobre tua condição atual. E se chegas a ceder e a morder o venenoso fruto que te oferecerão, cairás preso e ficarás sujeito à tríplice cadeia de ilusão e de sonho, que sempre se apodera do ingênuo que ignora o valor da experiência e da oposição. Mas conhecerás rapidamente a teus amigos nos silêncios infinitos a que tu mesmo te lançarás ansioso e sedento de palavras de Verdade. Então sentirás fluir um “algo” áspero ou suave, segundo a circunstância, e o mero fato de senti-lo indicar-te-á que estás No Caminho para um completo despertar. Porque esse Verbo, esse “algo”, és tu mesmo, o Amo, o Criador.”

Em suma, o livro o Voo da Serpente Emplumada narra a história de Judas, o homem de Cariot, discípulo querido de Jesus que recebeu a maior e mais dura de todas as missões, entregar seu mestre para que este pudesse se sacrificar pela humanidade e salvar os homens dos pecados.

Eu pessoalmente gosto muito do livro, de 2001 a 2004 ajudei a disseminar ele através de fotocópias, quando o acesso à Internet ainda era limitado, li várias vezes e ocasionalmente sigo o tomando em minhas mãos, onde sempre me alimento de um certo pulsar encontrado em suas páginas É um livro esplendoroso, tocante e vibrante e altamente recomendado para leitura.

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Família Deters

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Por Odair Deters – Texto originalmente publicado pela Embaixada da Alemanha em Brasília, na série „Nós Contamos a Sua História“.

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O nome de família alemã Deters é de origem patronímica, o que significa que foi inspirado no pai do portador inicial. Neste caso, significa “Filho do Deter”, sendo este último um diminutivo para o antigo nome germânico “Diethard” que derivou de palavras do alto alemão antigo, como: “Diot”, que significa “povo” e “Harbi”, que significa duro ou resistente.

Algumas das primeiras referências ao sobrenome Deters incluem um registro de Johann Deters, filho de Jochim Deters que foi batizado em 22 de novembro de 1686 em Ruhn, Mecklenburg. Também o casamento de Cordt Deters e Crinck Evers que foi comemorado em 06 de agosto de 1684 na Igreja de Santa Margarida em Padderhorn, Westphalia. Outro registro é o de Eilert Deters, filho de Johann Deters e Anna Wedemayer, nasceu em 16 fevereiro de 1766 em Leuchtenberg, Baixa Saxônia. Um dos registros mais importantes e ainda presente, está na igreja St. Martini de Braunschwei, hoje Brunsvique, localizada também no Estado da Baixa-Saxônia, onde pode ser encontrado o primeiro registro do Brasão da Família Deters (com duas facas cruzadas sobre o coração). Um dos portadores notáveis do nome Deters, foi o teólogo Brandanus Deters que morreu em 1710.

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Entre os séculos XIX e XX, muitos Deters migraram para o Novo Mundo, praticamente todos para os Estados Unidos da América. Mas Franz Deters, nascido em Steinfeld, na Baixa Saxônia, não seguiu o destino dos demais.

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Em 1926, embarcou com sua família, no navio Werra da companhia Norddeutscher Lloyd, que fazia então o serviço Bremen-La Plata. Para partida, escolheu o alegre verão europeu, a grande embarcação partiu com 184 passageiros, praticamente metade da sua capacidade. Sendo que dos 184 passageiros, 12 representavam a família de Franz Deters. A família de Franz Clemens Deters, era composta por sua segunda esposa Maria Elisabeth Pölking e seus 6 filhos (Anton, Elisabeth, Clemens, August, Georg e Karl), mais os 4 dos 5 filhos do primeiro casamento (Bernard, Heinrich, Ana e Frantz). Um dos filhos, Josep, o mais velho de todos, seguindo o coração, não quis se desligar de sua paixão e ficou com a amada na Alemanha.

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Foram 21 dias no mar, compartilhando o espaço com passageiros de 14 diferentes nacionalidades, com uma passagem por Nova Iorque, antes da descida ao hemisfério Sul. Desembarcaram no porto de Rio Grande, RS, no período em que ocorria o ponto mais alto da imigração alemã no Brasil, a década de 20 a de 30, período em que cerca de 75.000 outros alemães também vieram.

Após a chegada foram diretamente para o campo, assim como os primeiros alemães que aqui chegaram, um século antes. Os Deters, inicialmente foram para Santo Ângelo, RS (Distrito da Buriti – República de Frode), posteriormente pelas condições políticas impostas na Era Vargas, participaram da Sociedade União Popular ou “Volksverrein” e promoveram a colonização do extremo Oeste Catarinense, por germânicos católicos, hoje, município de Itapiranga, SC, onde encontrariam propriedades que permitiram o desenvolvimento das famílias, e mais segurança pela predominância de outros conterrâneos.

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Os primórdios exigiram muito trabalho, um deles foi a extração de madeira, comercializada através do rio Uruguai, permitindo em 1945 a aquisição de um caminhão e o que exigiu que eles mesmos passassem a abrir estradas. Alguns filhos retornaram posteriormente para Santo Ângelo, na “Colônia Velha”, assim chamado o Estado do Rio Grande do Sul, pelos alemães. Este retorno objetivou reaver as propriedades compradas pela família em 1926. A partir daí desenvolveram-se as famílias Deters, tanto na região das Missões, RS, como no Oeste Catarinense.

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A geração dos netos de Franz Deters passou a migrar para a área urbana, hoje, somam-se mais de 300 descendentes, que já realizaram dois encontros da família, que ocorrem em Itapiranga a cada dois anos, identificando assim que os Deters estão residindo atualmente em diversas regiões do Brasil, e dispersos nas mais diversas profissões, entre elas: professores universitários, bancários, cientistas da computação, engenheiros, pedagogos, servidores públicos, comerciantes, entre outras, além-claro, de muitos que seguem desenvolvendo atividades no meio rural, todos, assim como, Franz Deters, o patriarca, em busca de seus sonhos pessoais, colaborando assim para o desenvolvimento do lugar onde vivem.

Atualmente o Brasil é o terceiro país com mais pessoas com o sobrenome Deters, todos, descendentes de Franz. Os Estados Unidos possuem a maior população com este sobrenome, sendo atualmente 3.239 pessoas, seguido da Alemanha com 1.614 e o Brasil com 223, depois ainda com números consideráveis temos Holanda, com 173 habitantes, Canadá, 99 e Austrália com 32.

Fotos:

  1. O navio Werra retornando para a Europa
  2. Franz Deters e família
  3. Igreja St. Martini de Braunschwei, hoje Brunsvique
  4. Brasão de Steinfeld
  5. Condecoração a Franz Deters por ter lutado na 1ª Guerra Mundial nas tropas de Von Hindenburg (futuro presidente da República de Weimar)
  6. Jogo de futebol em Itapiranga, década de 1930. No local atualmente é a Prefeitura de Itapiranga.
  7. Caminhão da família Deters para o transporte de madeira