A iniciação alquímica no desenho a Bela e a Fera

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Por Odair Deters

A Disney sempre se empenhou em trazer grandes obras para as telinhas, muitas delas donas de grande simbologia alquímica, esotérica ou mística, sem contar um que outro filme em que ocultamente aparecem ricas simbologias maçônicas. Alguns bons exemplos são: A Bela Adormecida, Cinderela, Pinóquio, Peter Pan, Aladdin, Hércules, O Corcunda de Notre Dame, Atlantis: O Reino Perdido e A Espada Era a Lei [meu preferido]. Todos sem sombra de dúvidas, magníficos.

Porém fui motivado por uma amiga [Luíza Tavares @smileland_ ] a terminar um breve texto sobre as questões iniciáticas que envolvem o desenho A Bela e a Fera, animação de 1991.

Baseado no conto de fadas de mesmo nome de Jeanne-Marie Le Prince de Beaumont. O longa é centrado em um príncipe que é transformado em uma fera e uma jovem mulher chamada Bela que ele “aprisiona” em seu castelo. Para se tornar príncipe novamente, a Bela deve amar a Fera e ele deve ganhar seu coração, ou será Fera para sempre.

O filme se passa na França do século XVIII. O conto relata a história de um príncipe jovem e rico que vivia em seu magnífico castelo. Em uma noite fria de inverno, uma velha mendiga bate na porta e oferece a ele uma rosa, em troca de abrigo. O príncipe recusa, por achá-la muito feia, e a mendiga se transforma em uma feiticeira de grande beleza. O príncipe implora perdão, mas a feiticeira – para castigá-lo pela falta de amor em seu coração – o transforma em uma fera horrenda. A rosa que a mendiga oferecera era encantada e floresceria até o seu vigésimo primeiro aniversário. O feitiço só poderia ser quebrado se o Príncipe aprendesse até o findar deste período a amar alguém e a ser amado em retorno, mas quando a última pétala da rosa caísse, o feitiço já não poderia mais ser quebrado.

Paralelamente se desenrola a história da filha mais nova de um rico mercador, que tinha três filhas. Enquanto as filhas mais velhas gostavam de ostentar luxo, de festas e lindos vestidos, a mais nova, que todos chamavam Bela, era humilde, gentil, generosa, tratava bem as pessoas e era amante de livros. Certo dia, o mercador perdeu toda a sua fortuna, com exceção de uma pequena casa distante da cidade. Bela e seus irmãos aceitaram a situação com dignidade, mas as duas filhas mais velhas não se conformavam em perder a fortuna e os admiradores, e descontavam suas frustrações sobre Bela, que humildemente não reclamava e ajudava seu pai como podia.

Um dia, o mercador recebeu notícias de bons negócios na cidade, e resolveu partir. As duas filhas mais velhas, esperançosas em enriquecer novamente, encomendaram-lhe vestidos e futilidades, mas Bela, preocupada com o pai, pediu apenas que ele lhe trouxesse uma rosa. Quando o mercador voltava para casa, foi surpreendido por uma tempestade, e se abrigou em um castelo que parecia abandonado. Ao partir, pela manhã, avistou um jardim de rosas e, lembrando do pedido de Bela, colheu uma delas para levar consigo. Foi surpreendido, porém, pelo dono da roseira, uma Fera pavorosa, que lhe impôs uma condição para viver: deveria trazer uma de suas filhas para ficar em seu lugar. Ao chegar em casa, Bela, mediante a situação resolveu se oferecer para a Fera, imaginando que esta a devoraria. Porém, ao invés de a devorar, a Fera mostrou-se aos poucos como um ser sensível e amável, fazendo todas as suas vontades e tratando-a como uma princesa. Assim, apesar de achá-lo monstruoso, Bela se apegou a Fera. Certa vez, Bela pediu que a Fera a deixasse visitar sua família, pedido que foi concedido, a muito contragosto, com a promessa de ela retornar em seguida.

Bela visitou alegremente sua família, mas as irmãs, ao vê-la feliz, rica e bem vestida, sentiram inveja, e a envolveram para que sua visita fosse se prolongando, na intenção de Fera ficar aborrecida com sua irmã e devorá-la. Bela foi protelando sua volta até ter um sonho em que via a Fera morrendo. Arrependida, voltou imediatamente, mas encontrou a Fera morrendo no jardim, pois essa não se alimentara mais temendo que Bela não retornasse, e acaba ainda atacado pelas costas por uma facada de Gaston, um aldeão apaixonado por Bela.

Neste momento, com a Fera a morrer em seus braços, Bela, compreendeu que amava a Fera, que não podia mais viver sem ela, e confessou ao monstro sua resolução de aceitar o pedido de casamento, no mesmo momento em que a última pétala da rosa encantada cai. Mal pronunciou essas palavras, a Fera se transformou num lindo príncipe, pois seu amor colocara fim ao encanto que o condenara a viver sob a forma de uma fera até que uma donzela aceitasse se casar com ele. Uma chuva mágica e colorida cai dos céus e a Fera retorna à vida, na sua forma humana. Bela o reconhece por causa dos olhos azuis que a Fera tinha.

Como fiquei sabendo pela minha amiga, que me sugestionou finalizar este texto, o filme “A Bela e a Fera”, foi o primeiro longa animado a ser indicado ao Oscar como melhor filme, e está entre os 25 maiores musicais do cinema. Mas fora as características técnicas, vamos aquelas que estão ocultas aos olhares e as mentes despercebidas.

A simbologia alquímica, mostra-se presente no conto a partir da ruína do pai de Bela, uma vez que este perde toda sua fortuna num negócio mal sucedido. Daí a partir desse fracasso, Bela, diferentemente de suas irmãs, se compadece do pai, abdicando de sua vida para ajudá-lo, mostrando sua ligação ao Pai, sua relação com o criador e a abdicação de oferecimentos mundanos [cortejos por rapazes], ao mesmo tempo esta simbiose com o pai, pode representar metaforicamente, um estado de caos, de inconsciência.

O processo de diferenciação, de busca por algo espiritual, se dá a partir do momento em que o pai de Bela parte em viagem, em busca de reaver sua riqueza. O interessante é que antes de partir, oferece um presente para cada uma das filhas e enquanto as irmãs pedem bens materiais (joias e vestidos), Bela pede apenas uma rosa. O simbolismo da rosa é extremamente rico, visto que a rosa esta associada aos mistérios de Isis, como também ao culto da deusa Afrodite (ou Vênus). Além, disso a rosa, como as demais flores, por terem formato circular, representam a totalidade, a busca pela perfeição através do processo de individuação.

No conto, a rosa é o elemento instigador de todo o drama que se seguirá, pois é a partir de seu roubo[tomar um conhecimento velado a poucos] se dará toda a transformação da personagem principal. Ao pegar a rosa de um castelo desconhecido, o pai de Bela se depara com a Fera que o condena a morte por seu ato. Porém, diante das súplicas de misericórdia do pobre homem, a Fera poupa-lhe a vida com a condição que uma de suas filhas fosse morar em seu castelo. Mostrando a necessidade de a consciência habitar a mente.

A partir do contato com a rosa, tem início a difícil missão da “heroína” que é viver num novo mundo e conviver com a Fera. Essa difícil missão é o anúncio da opus alquímico, o prenúncio da transformação. O trabalho solitário do alquimista a separação do que lhe é familiar, de forma que a luz cinda nas trevas. Ao mesmo tempo, Bela, foge das tentações do jovem aldeão Gaston, que aqui representa o prazer temporal, a juventude e a cobiça das jovens.

A Fera é a representação de num animus animalesco, o ego interno, é um príncipe transformado em fera devido a seu ego, em uma maldição do qual ele é o culpado. O encontro de Bela e a Fera seria assim uma alegoria do contato entre a consciência e o ego animal. Ao entrar em contato com Fera, uma criatura repugnante, Bela sente medo, mas com o passar do tempo é construído um vínculo entre os dois personagens. Como prova de confiança, a Fera deixa Bela visitar sua família. O retorno ao lar de Bela representa a regressão do ego diferenciado, transformado em essência, ao inconsciente original, o que se assemelha a operação alquímica solutio.

Ao retornar, as irmãs materialistas de Bela, ardilosamente, fazem tudo para agradá-la e para que esqueça de retornar ao castelo da Fera, querem deixa-la ao mundano, pois a transformação da irmã as inveja. Porém, Bela pressente [intuição, sonhos lúcidos] o chamado da Fera, e ao voltar depara-se com a Fera agonizando de tristeza [operação mortificatio, na alquimia]. A partir desse momento, Bela percebe o sentimento de amor.

A partir da vivência dos opostos, o animalesco, sombrio, morre, torna-se humano. Assim, o feitiço que condenou o príncipe a viver como Fera é quebrado. A morte do monstro simboliza o domínio ou repressão de impulsos instintivos primitivos, ou egóicos.

Assim como em grande parte dos contos de fada, o final feliz termina simbolizado pelo casamento. O casamento representa um novo status, o desdobramento de uma nova psique. Na alquimia a união entre opostos é comumente representada pelo casamento entre figuras masculinas e femininas, o que é denominado de coniunctio. A coniunctio alquímica simboliza uma união transformadora de substancias dessemelhantes [o tão buscado coniunctio oppositorum alquímico], unidos pelo casamento, a transformação, a iniciação alquímica ocorre, como tão bem ilustrada no conto de fadas A Bela e a Fera.

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All Star e outros vírus

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Por Odair Deters

Querendo dar uma disfarçada nas 3 décadas que tenho, fui atrás de um tênis, modelo All Star branco. Aquele tênis branquinho, estilo vintage, e que havia perdido o seu status entre as décadas de 80 e 90.

A história deste tênis é antiga, quase 100 anos, começou a servir aos estadunidenses que jogavam basquete, e o primeiro salto ocorreu quando um jogador famoso [Chuck Taylor] os calçou naquele modelo cano longos. Após um esfriamento nas décadas de 60 e 70, as bandas de punk rock o colocaram novamente nas vitrines. Um novo descenso apresentou-se, até que, principalmente os fãs da banda Nirvana [e de Kurt Cobain] o puxaram novamente para a evidência, até ele vir a parar agora nos pés dos trintões, quarentões, cinquentões [recordo aqui do meu amigo e ex-chefe que o usa].

Mas como um produto pode reaparecer e virar moda, novamente? Para explicar melhor este fato, vou usar um exemplo que ocorreu com outro calçado, os Hush Puppies, um clássico sapato americano de couro nobuck, com solado de borracha levíssimo.

De clássico, estes sapatos, sumiram, por volta de 1994 e 1995, eram vendidos cerca de 30 mil pares por ano, a maioria para o comércio de ponta de estoque do interior do país e lojinhas administradas por famílias de cidades pequenas.

A Wolverine, que fabrica os Hush Puppies, estava pensando em interromper a produção com a qual ficara famosa. Mas algo estranho aconteceu. Durante uma sessão de fotos de moda, dois executivos da empresa encontraram-se por acaso com um estilista de Nova York que lhes disse que os clássicos Hush Puppies eram a última moda nos clubes noturnos e bares do centro de Manhattan. Ademais, eles ficaram sabendo que os brechós e lojinhas pequenas que possuíam o mesmo, ao serem encontrados, tinham seus estoques liquidados. Para os próprios executivos da empresa, não fazia sentido, que sapatos tão fora de moda tivessem essa procura.

Em 1995, as coisas começaram a acontecer mais rápido. Designers de moda começaram a telefonar, queriam os Hush Puppies em suas coleções e desfiles. Em Los Angeles, foi criado por um designer, uma butique de artigos com a marca Hush Puppies. E enquanto ainda estavam pintando e montando as prateleiras um ator hollwodiano [Pee-wee Herman] entrou e pediu dois pares. Tudo fruto de propaganda boca a boca.

Só em 1995, a empresa vendeu 430 mil pares do modelo clássico e, no ano seguinte, quatro vezes mais, até os sapatos voltarem a ser uma peça básica no guarda-roupa dos jovens americanos. Em 1996, a empresa estava recebendo o prêmio de melhor acessório – uma conquista com a qual, a empresa quase nada tinha a ver, pois planejava até extinguir a produção. Os Hush Puppies haviam emplacado de repente, e tudo começara com alguns garotos no East Village e no Soho.

Estes guris não tinham intenção de promover os Hush Puppies. Usavam os sapatos exatamente porque ninguém usava. Acontece que a novidade agradou a dois designers de moda que os calçaram para promover outra coisa – a alta-costura. Os sapatos foram um toque acidental. Ninguém estava tentando fazer estilo com eles. Mas, de alguma forma, foi o que ocorreu. Eles alcançaram determinado ponto de popularidade e emplacaram. Assim um par de sapatos de US$30 saiu dos pés de um grupo de jovens irreverentes e de designers de moda do centro de Manhattan para todos os shoppings dos Estados Unidos em dois anos.

O fato dos Hush Puppies, ou do All Star, encontram uma semelhança, e que pode ser encontra em diversos outros seguimentos, seja de tendências da moda, fluxo e refluxo de ondas de crimes, a transformação de livros desconhecidos em best-sellers, o aumento do consumo de cigarros por adolescentes, o surgimento de gírias [memes – como: “menos a Luiza, que está no Canadá]. Todos se disseminam como epidemias, são como um vírus de gripe ou outra enfermidade, que surge e se alastra, envolvendo ideias, produtos, mensagens e comportamentos, envolvidos pela força da propaganda boca a boca. Por quantas epidemias deste tipo você não se encontra contaminado agora? Eu estou neste momento usando um All star e ainda acabei de me contaminar com um bocejo emitido por um amigo. E por falar em calçados, que acham da Conga e do Kichute?

Paracelso e a Doutrina das Assinaturas

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Por Odair Deters

E se a natureza, com sua sabedoria superior, deixassem assinaturas para que os homens pudessem ler e tirar proveito dos itens “assinados”?

Você já notou que alguns alimentos possuem um formato parecido com certos órgãos do corpo humano, como a noz e o cérebro, por exemplo? Existe uma sabedoria por trás dessa lógica, que pode nos ajudar a simplificar o jeito de comer mais saudável. Encontram-se registros dessa “coincidência” na medicina tradicional chinesa e em alguns outros povos antigos, mas quem mais deu destaque a ela foi o insigne Paracelso.

Paracelso, ou Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim [1493-1541], foi um médico e alquimista, para muitos ele ostenta o título de “pai da medicina moderna”, apesar de muito controverso. Ele disseminou a sua “Teoria dos Sinais”, “Doutrina das Assinaturas” ou ainda “As Assinaturas do Criador”.

Ele iniciou seu aprendizado, ajudando o pai, um alquimista. Quando completou 14 anos saiu em busca de conhecimento nas universidades europeias. Mesmo não sendo incomum, a inusitada juventude com que o fez, demonstra seu intelecto prodigioso, além de seu temperamento difícil, se julgado sobre os enfrentamentos que teve naquela época. Assim, estudou em Alquimia em Württenberg, Medicina em Paris, e aos 20 anos, já estava atuando na Itália, pregando suas ideias pouco ortodoxas e rejeitando o conhecimento acadêmico.

Com suas teorias, ele acaba sendo identificado como o “criador” da “Iatroquímica”. Ele pregava que a alquimia não poderia ficar fadada a tentativas frustradas de produzir ouro, ao contrário, deveria ter suas técnicas postas a serviço da medicina, produzindo remédios específicos, para doenças específicas. Assim a prática médica seria uma ciência e não mais uma “arte vagamente duvidosa que parecia até então”. Com isso as práticas médicas passariam a ser descritas de forma sistematizadas e padronizadas, para que pudessem ser lidas por qualquer um que assim quisesse, e de agora em diante os remédios seriam preparados segundo uma lógica científica, não através de superstições. Propôs também que os minerais deveriam ser investigados de maneira abrangente, para que fossem descobertas suas propriedades, e esses estudos desenvolvidos por ele, nos deram compostos utilizados até hoje pela farmácia moderna.

Paracelso acreditava que o corpo nada mais era que um grande laboratório de química e que a vida era uma cadeia de processos químicos. Dessa forma, ele via que as doenças eram desequilíbrios nesses processos e que o tratamento consistia na administração de doses de substâncias que reequilibrassem esses processos. Com isso ele formulou outra teoria, ou a Doutrina dos Sinais.

Em sua teoria, ele, que dizia que Deus formulava a cura de uma doença indicando um sinal comparativo. Para ele, era dever do médico procurar compreender a linguagem da natureza, que indicava de forma simples como produzir remédios particulares.

Assim, ele dava exemplos, de que a flor de verônica, que tinha o formato de um olho, funcionava no combate de tratamento de doenças oculares; uma orquídea se assemelhava a um testículo, o que significava que era um remédio para doenças venéreas; as folhas do lilás tinham forma de coração, portanto eram boas para doenças cardíacas; a quelidônia “de sangue amarelo” era o remédio para a icterícia, e assim por diante.

No entanto, como é sempre melhor remediar do que curar o desenvolvimento deste texto, teve como objetivo, trazer a doutrina de Paracelso para a alimentação pessoal, utilizando para isso exemplos de frutas. Portanto, poderíamos ter:

A cenoura que cortada se assemelha a pupila do olho [sabedoria de mãe, quando pequeno minha mãe já dizia que cenoura era boa para os olhos], assim como o mirtilo que tem o formato da íris, e que corrige problemas de visão noturna, ou ainda os frutos da beladona que dilatam as pupilas.

O tomate, com suas quatro câmaras, que tem assim como a maça perfeita semelhança com o coração, sendo importante para o coração e para a corrente sanguínea; as uvas que crescem em formato de coração [cacho] e cada grão, assemelhassem a uma célula sanguínea, tornando-se revitalizante para o coração e o sangue.

Os feijões, com seu exato formato dos rins humanos e já comprovada ação de manter a função renal, também a plantinha quebra-pedra, comum nascer entre pedras, e que tem suas folhas no formato dos rins, e que elimina pedras localizadas nos rins e bexiga.

Berinjelas, abacates e peras, que parecem o ventre ou cervix feminino, comprovam estudos recentes de que se uma mulher comer um abacate por semana equilibra seus hormônios e não acumula excesso de gordura durante a gravidez.

O aipo, ruibarbo e acelga, com características semelhantes aos ossos, além, de serem compostos por 23% de sódio, exatamente o mesmo percentual encontrado nos ossos.

Os figos, sua composição interna, cheia de sementes, semelhantes aos espermatozoides.

Plantas como a pulmonária ou a pulmão-dos-carvalhos, assemelham-se com os pulmões, e suas infusões acalmam a tosse e a asma.

A Batata-doce, muito semelhante ao nosso pâncreas, e comprovada na regulação do índice glicêmico no caso de diabéticos.

As clássicas azeitonas, em formato muito semelhante ao dos ovários.

As laranjas, toranjas, limões-sicilianos e outros citrinos, assemelham-se as glândulas mamárias nas mulheres.

A cebola, muito semelhante às células do corpo, e alvo de estudos que dizem elas serem responsáveis pela limpeza das células, exemplo maior a produção de lágrimas que lavam as camadas epitéticas dos olhos.

O gengibre, que em muitos casos, parece-se com o nosso estômago, e é consumido pelos chineses a mais de 2000 anos para acalmar o estômago e curar náuseas.

A banana, muito semelhante a um bonito sorriso, ela contém triptofano que convertido na digestão, torna-se um neurotransmissor chamado serotonina, responsável por regular o humor.

Os cogumelos que fatiados assemelham-se aos ouvidos.

O brócolis, que ao ser observado, suas pequenas pontas verdes parecem-se com as pequenas células sadias preparadas para combater células cancerosas.

O kiwi e seu formato de saco escrotal, indicado para problemas testiculares e de impotência sexual.

E as nozes, que motivaram todos os meus estudos neste sentido, não por apenas serem o fruto que considero mais saboroso, mas por terem o formato perfeito do cérebro humano, com seus hemisférios esquerdo e direito e até suas rugas são semelhantes ao neocórtex.

A partir desse momento de formulação de suas principais teorias, Theophrastus assume o nome Paracelso, que faz alusão a Celso, médico romano do Séc. I, significando “maior que Celso”. Na sua ruptura com a medicina clássica. Embora Paracelso tenha feito um grande trabalho para a Química, muitos que desconhecem as realizações e objetivos dos alquimistas, o condenam pelo fato de ao longo de sua vida, ter procurado a pedra filosofal, e o elixir da vida. Contudo, ele foi pioneiro em manter uma atitude científica, deixando tesouros e trunfos de conhecimento. Que tal observarmos a sua teoria das assinaturas?

Ratatouille – Qualquer um pode cozinhar

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Por Odair Deters

Ao retirar o bolo da forma, ele desprendeu inteirinho, parecia ser um caso de sucesso para o primeiro bolo produzido. Porém logo percebi que o bolo, apesar de assado estava de certa forma maleável, era possível enrolar ele quase como se enrola pão de ló para fazer um rocambole. O bolo não se quebrava, havia eu feito um bolo-borracha. Isto resultou da minha dificuldade em encontrar no supermercado coco-ralado, ingrediente necessário para este bolo. Com muita dificuldade consegui encontrar uma embalagem de 400 gramas, da quais 200 gramas eu usaria em minha receita. Ao misturar os ingredientes, vi que ao invés de lasquinhas, era coco em pó, tudo bem, depositei as 200 gramas, um pouco mais, afinal, que faria eu com a sobra de coco em pó, e sendo que coco é tão gostoso, vamos por o pacotinho inteiro, o dobro do que a receita pedia. O bolo foi ao forno, e um aroma intenso de coco se espalhou pelo ambiente. Ao começar a recolher a bagunça, enquanto o bolo assava, vejo que a embalagem de coco, que era pra ser ralado, na verdade era: “Mistura para preparo de SORVETE sabor coco”. E agora? Ao invés da geladeira meti aquilo no forno.

Ok, produzi um bolo-borracha, nem um pouco gostoso. Mas já era uma aventura em tanto, para o jovem que aos 23 anos saiu da casa da mamãe [que era chefe-de-cozinha] sem saber se quer fritar um ovo [sério, fritar um ovo era algo complexo e chato, e que eu desconhecia completamente a quantidade de óleo necessário]. Porém a ida para uma república abriu muitas portas. Eram muitos aventureiros na cozinha. Para se ter uma ideia, tinha a moradora que olhava na geladeira um pedaço de queijo gorgonzola e ao perceber o aspecto e o aroma, prontamente o botava no lixo pensando ser algo estragado, para desespero do dono do queijo, que descobria isso mais tarde. Bom, a vida em comunidade exigia que se apresentassem ocasionalmente alguns dotes, ou você ia parar na pia com a louça suja todas às vezes. Neste ínterim, comecei a prestar atenção nos programas de Jamie Oliver e da bela Nigella, e fui preparando as primeiras receitas, começando com coisas estranhas [melhor dizer, chiques], e arriscando fazê-las, sempre naqueles dias em que os demais moradores estavam ausentes, e não é que um novo prazer foi surgindo.

A partir do momento que se descobre e se sente os jogos de aromas e sabores, aí não mais tem volta. E comida sem tempero, ou com pouco tempero, perde a graça, tira o apetite. Comecei ocasionalmente a cozinhar algumas coisinhas de forma tímida, quando via estava produzindo novos pratos, logo, meus colegas de trabalho estavam experimentando algumas das receitas. Meus sanduiches de sabores e misturas diferentes caíram no gosto de alguns, que me forçaram a revendê-los e se tornaram clientes fiéis. No entanto trabalhar o dia inteiro, estudar a noite e ainda produzir sanduiches diferenciados entre a meia-noite e a uma da manhã, não era uma jornada das mais bacanas, optei por cancelar a empresa.

A venda de sanduiches morreu, mas o gosto pela cozinha havia acabo de nascer. E assim, surgiram risotos, assados, massas, molhos, lanches, entre outros, inclusive aprendi técnicas das mais variadas, como 4 maneiras de descascar e cortar uma cebola sem chorar [tudo bem contarei as 4 alternativas, antes que alguns comecem a me questionar].

Alternativa A, ou opção dos escravos (pela origem da prática): Cortá-la com um palito de fósforo entre os dentes; Alternativa B ou de uma ex-namorada: Colocar com antecedência a cebola no congelador; Alternativa C ou silenciosa: Não engolir a saliva enquanto corta a cebola, e claro ao mesmo tempo não falar com ninguém que esteja ao redor, por ter que ficar com a boca cerrada; Alternativa D ou a melhor: Que é não cortar as raízes da cebola, a parte de baixo da mesma enquanto a descasca ou a pique.

Comecei a encarar as primeiras receitas, e alguns dos amigos que gostavam, volta e meia me questionavam sobre determinada receita que haviam provado, e surgiu a ideia de deixar elas salvas e de fácil acesso para atender a estas necessidades. Ponto de partida para a criação de um Blog, não havendo muito criatividade no nome, virou o “Receitas do Oda” mesmo [http://receitasdooda.wordpress.com/ ], recentemente replicado no facebook [https://www.facebook.com/receitasdooda?fref=ts ].

A partir do momento que alguém acreditou que eu cozinhava bem, fui descobrindo que temperos são fundamentais e que uma boa sobremesa não precisa ser um pote de açúcar, e como que por encanto as receitas foram surgindo. E muitos amigos passaram a compartilhar comigo inúmeras receitas e dicas, que me capacitaram ainda para novas aventuras gastronômicas [assim, como o bolo-boracha, nem todas bem sucedidas]. Hoje, vejo aquele desenho da Disney – Ratatouille [2007] – E se fosse outra época eu poderia dizer que sim, possivelmente um rato cozinharia melhor do que eu, mas atualmente, torno-me um pequeno exemplo, do sentido maior desta animação, o de que “Qualquer um pode cozinhar”. E que outros se motivem!

A Sociedade Oneida

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Por Odair Deters

A Sociedade Oneida, apareceu-me inicialmente em pequenos registros e frases contidas em antigos livros gnósticos, e despertou-me a curiosidade que sempre nutri por pequenas comunidades, o que me levou a explorar em busca de mais informações, até então raras em português.

Oneida é uma pequena cidade que tem hoje pouco mais de 10 mil habitantes, localizada no Estado de Nova Iorque, EUA. Nesta pequena cidade floresceu uma excêntrica comunidade no século XIX. Nesta comunidade seus membros enriqueceram mesmo desenvolvendo um sistema de coletivismo, as crianças nascidas podiam e eram incentivadas a irem para a faculdade e as mulheres conquistaram os maiores direitos de igualdade possíveis naquela época, no entanto o fato de maior relevância existente nesta comunidade foram os métodos de relacionamento sexual apresentados pelo fundador da mesma o americano John Humphrey Noyes.

John Humphrey Noyes, nasceu em 1811 em Brattleboro, Vermont, diplomado em Dartmouth, primeiro dedicou-se ao estudo da lei, depois da teologia em Andover e posteriormente em Yale. Sob influência do movimento reavivalista [fenômeno sociocultural que ocorreu muitas vezes ao longo da história universal e que procura resgatar princípios e tradições de tempos passados, para enfrentar desafios aparentemente insolúveis de sua própria época], onde passou por uma experiência de conversão espiritual, passando a crer que era possível aos homens não apenas serem salvos, mas se tornarem perfeitos — ou aperfeiçoados — nesta vida, o que levaram eles a ganharem a denominação de perfeccionistas.

Em 1834 Noyes retornou a Putney, Vermont, onde seu pai era um banqueiro, casado com a neta de um congressista, e lentamente juntou um grupo de pessoas, no princípio principalmente seus familiares mais íntimos que não apenas o seguiram em convicção como compartilharam as mesmas experiências e convicções, passando seu tempo em estudos bíblicos e oração. No curso de dez anos o pequeno grupo de perfeccionistas desenvolveu seu próprio corpo de doutrinas, ganhou alguns convertidos e correspondentes ao longo da Nova Inglaterra e Nova Iorque. Em 1846 eles passaram a viver juntando todas as coisas em comum. Neste momento eles despertaram a ira dos cidadãos de Putney sendo expulsos da cidade.

Em 1848 os perfeccionistas compraram quarenta acres e uma casa velha em Oneida ao norte de Nova Iorque. Oneida era um lugar pobre, os edifícios estavam caindo aos pedaços. No princípio havia menos que cem pessoas que podiam trazer relativamente pouco dinheiro na fundação da comunidade. Porém, eles logo passaram a produzir na terra, adquiriram acres, tornando-se capazes de se alimentar autonomamente, após isso adotaram um programa cuidadosamente planejado de desenvolvimento industrial diversificado em pequena escala. Eles passaram a vender o excedente da colheita para fora, gado, frutas, legumes, geleias, marmelada, mobília produzida na fazenda, tecidos em lã e seda, armadilhas para caça, bolsas e caixas de fósforos, montaram uma fábrica e uma loja de ferramentas. Mais tarde eles começaram a produzir, no princípio à mão, utilidades que eles mesmos inventavam e que se tornaram os mais lucrativos de seus empreendimentos industriais naquele tempo. Noyes identificou, “que se todo mundo trabalhasse em conjunto três horas por dia, não haveria necessidade de ninguém trabalhar mais do que isso”.

Originalmente a comunidade começou com 87 membros, fundaram-se em seguida os ramos de Wallingford e do Brooklyn, e cresceu para 172 em fevereiro de 1850, 208 por 1852, e 306 por 1878. Os ramos foram fechados em 1854, exceto para o ramo de Wallingford, aberto até 1878. O ramo do Broolyn se seprarou em 1874, ficando a comunidade com 219 adultos, sendo aproximadamente 20% a mais mulheres do que homens e sessenta e quatro crianças. Na comunidade também existia por este período cerca de 260 trabalhadores contratados para atividades na fazenda, cerca de 1 empregado por menbro da comunidade, eles atuavam como coletores de frutas, trabalhavam nas lojas e as mulheres contratadas, com o processamento da seda. Em cerca de 20 anos os colonos de Oneida tornaram-se modestamente ricos, vivendo suas vidas com elevado grau de satisfação tanto materialmente, culturalmente, como espiritualmente, mais do que qualquer outra colônia religiosa. Oneida apresentava-se como um lugar completamente agradável para se viver. Esse sucesso notável provavelmente ocorreu devido à alta qualidade dos colonos e especialmente ao seu líder, um homem dotado de uma inteligência e força de vontade verdadeiramente excepcionais, em alguns casos, atribuído como produto da melhor educação de seu tempo, tinha o hábito de não pedir para ninguém fazer qualquer coisa que ele mesmo pudesse fazer e assim trabalhou como fazendeiro, ferreiro, administrador, vaqueiro, e eventualmente todos os outros empreendimentos da comunidade.

Noyes também foi um místico do alimento, a maioria das pessoas na comunidade eram vegetarianos. Eram servidas duas refeições por dia. Ele tomavam café e chá, mas nada que continha álcool, nem usavam qualquer tabaco. No entanto o registro mais destacado a esta pequena sociedade, é o chamado “experimento”, relacionado principalmente pela forma de relacionamento sexual praticada pelos membros da comunidade, chamado de “Carezza” [do italiano, carinho ou carícia], basicamente esta prática sexual definia que orgasmo e ejaculação são coisas distintas. O método carezza, pressupõe um amor profundo no casal e o desejo de ir além da sexualidade alcançando um plano diferente. Posteriormente J. William Lloyd, um estudioso do carezza, compara a união sexual com ejaculação a um fogo de artifício interrompido pela inabilidade do fogueteiro, que faria explodir de uma só vez todo o estoque de foguetes. Para ele, ainda, ejacular mata certeiramente o amor verdadeiro e impede sua sublimação. Afirmou também que “esse contato magnético é eficaz para fortalecer os fracos e curar os doentes” e quando é praticado com sucesso “os órgãos genitais ficam aplacados, desmagnetizados como que por uma ejaculação. Enquanto emanam dos corpos dos amantes forças maravilhosas e uma alegria consciente, eles repousam com doce satisfação, como após um jogo bem sucedido”, sendo invadidos por saúde, pureza, vitalidade e “em contrapartida, após a ejaculação, a constatação geral é que, passados os primeiros instantes de relaxamento, segue-se um sentimento de ter sofrido uma perda, de ter enfraquecido.

Assim como os gnósticos, a Sociedade Oneida, via o sexo não somente como força mantenedora da espécie humana, mas como algo muito mais transcendental, porém divergiam no método carezza [ou método Diana]. Pois os gnósticos defendem o sexo entre casais devidamente constituídos, enquanto que a Sociedade Oneida, tinha como método mais famoso o “casamento complexo” [Complex Marriage], ou matrimônio grupal, ou seja, todo mundo estava disponível para todo mundo, mas o emparelhamento real dos pares estava sob a orientação da comunidade [ou de Noyes]. No entanto a fazia-se a exigência da “continência masculina”, retirando-se sem ejaculação, podendo vir a ter orgasmo sem ejaculação. Tais funções são possíveis, pois são controladas por dois conjuntos diferentes de nervos [Porém não é objetivo deste texto, explicar ou estudar a técnica em si].

A colônia com seu amadurecimento introduziu a ideia de procriação eugênica controlada, chamada por eles de estirpecultura [do latim “stirps”, que significa: “estoque, caule ou raiz”]. Apenas àqueles que fossem julgados melhor dotados de qualidades físicas e mentais, para desenvolver geneticamente a produção de uma raça superior através das gerações, foram permitidos à geração de crianças. Noyes e um comitê especial, após uma longa observação na comunidade, escolheram alguns, instruindo-os para que se acasalassem independente das uniões prévias que pudessem ter praticado [hoje esta ideia de eugenia é extremamente repudiada por ter sido um dos pilares do nazismo].

Os resultados do experimento com a estipercultura na Comunidade Oneida durou de 1869 à 1879, participaram 53 mulheres e 38 homens neste programa, sendo produzidas 58 crianças, sendo que 13 destes foram registrados como concepções acidentais. E estas crianças foram muito diligentemente atendidas, como nutrição, educação e cuidados. As Onedidas mantiveram detalhados registros do crescimento e desenvolvimento das crianças, as mesmas mostraram-se muito inteligentes e foram encaminhas para estudar em faculdades da época e insentivadas a alcançarem o sucesso mundano, e em geral viveram até idade muito avançada.

A educação destas crianças foi outro método excêntrico desenvolvido. Normalmente elas viviam até 12 ou 15 meses com a mãe, quanto à amamentação era retirada e elas eram criadas comunitariamente, ou seja, não especificamente por seus pais biológicos. Eram criadas sobre a supervisão dos membros da comunidade responsáveis por tal tarefa. As crianças eram levadas para em uma “Casa da Criança”, que era uma sucessão de quartos. Algumas vezes elas podiam continuar indo dormir com suas mães, mas passado certo período eram desencorajadas disto.

Dentro da sociedade, as mulheres com mais de 40 anos de idade agiam como “mentoras” sexuais dos adolescentes do sexo masculino, uma vez que estes relacionamentos tinham chance mínima de conceber. Além disso, essas mulheres se tornaram modelos religiosas para os homens jovens. Da mesma forma, também, os homens mais velhos muitas vezes introduziam mulheres jovens ao sexo.

O papel da mulher na Sociedade Oneida foi muito relevante, principalmente para a época. Esta sociedade trabalhou para mudar e melhorar a visão que a sociedade em geral tinha das mulheres. Dentro da sociedade elas possuiam liberdades não encontradas fora dela. Entre os privilégios, aparecia o de não ter que cuidar dos próprios filhos, liberdade ao não terem gravidezes indesejadas com a prática da continência masculina de Oneida. Além disso, elas podiam usar roupas funcionais, como calças, saia nos joelhos, quantidade menor de roupas íntimas do que era comum naqueles dias [como coletes, espartilhos, anáguas, pantalonas e bustiês], também podiam manter os cabelos curtos e participavam em praticamente todos os tipos de trabalho comunitário, inclusive exploravam posições em negócios e vendas, ou como artesãs, bem como atuação na definição da política comunitária, participando das reuniões religiosas e de negócios.

O governo da comunidade era exercido por uma vasta engrenagem de comitês e interlocutores, o que permitia uma gama considerável de iniciativas, sempre sujeitas a reuniões com a participação de toda comunidade; se uma divisão acontecesse, a decisão, era adiada até que a unanimidade pudesse ser alcançada. Mesmo que a comunidade em sua maior população chegou ao máximo em cerca de 300 pessoas, eles tinham uma burocracia complexa, composta de 27 comissões permanentes e 48 seções administrativas.

A ideia principal da sociedade Oneida girava em torno de que era perfeitamente possível ser uma pessoa boa, atuando com bondade, consideração e respeito ao indivíduo. E que a doença era um tipo de pecado, passível de correção através do auto aperfeiçoamento e inclusive, viam a possibilidade alcançar todas as qualidades dos patriarcas do cristianismo, através da técnica disseminada por Noyes.

Indubitavelmente os ensinamos de Noyes, em partes, no tocante a continência masculina, encontrou outrora e atualmente grande respaldo. Como encontrados em inúmeras passagens e textos, principalmente em linguagem simbólica, tal como na Bíblia em Provérbios [5:15]: “Bebe a água da tua própria fonte e os filetes de água do meio do teu próprio poço… Sejam tuas águas apenas para ti e não para os estranhos. Mostre-se abençoado o teu manancial, e alegra-te com a esposa da tua mocidade”. Mais recentemente o fisiologista Brown-Séquard, com sua teoria das secreções internas, e o neurologista Sigmund Freud, com sua teoria da sublimação da libido, foram os primeiros a introduzir as verdades alquimistas nos domínios da Ciência ocidental, passando a partir daí a surgirem conclusões científicas que comprovam a revitalização orgânica mediante “águas” ou energias sexuais estimuladas mas não expelidas. Hoje, todo endocrinologista sério sabe que as glândulas sexuais são cápsulas que excretam e incretam hormônios [que do grego, significa: “ânsia de agir, força de ser”]: excretam para reproduzir, e incretam para revitalizar. Portanto os hormônios sexuais não exteriorizados inundam o sistema sanguíneo e chegam às diferentes glândulas de secreção interna. Com isso, ocorre uma superestimulação responsável pela produção maior de lisossomos, que animam todo o sistema nervoso, ampliando nossos sentidos, percepções, e substituindo a doença por saúde. Seguindo absolutamente o que os estudos da época dos Oneidanos, que comprovaram a revitalização cerebral, a ampliação da potência sexual e o desaparecimento de várias enfermidades.

No entanto, é curioso que não só a Bíblia, mas outros livros, revelam sutilmente esta prática. E cabe nos aqui mencionar o segredo contido em As Mil é Uma Noites, clássico árabe, que tem a história do rei Xariar, que, desiludido das mulheres [pois foi traído pela esposa], ordenou ao assessor que lhe trouxesse uma donzela por noite. Depois de possuí-la em leito de luxúria, mandava matá-la na manhã seguinte. Por fim, chegou a vez de Xerazade, a formosa filha do assessor. Esta, porém, utilizou uma estratégia. Noite após noite contava ao rei uma história fascinante; mas, interrompendo-a habilmente ao clarear o dia e retomando-a ao cair da noite, conseguia manter sempre vivo o interesse do monarca, que sempre adiava a morte de Xerazade. Neste conto, “adiar” pode ser entendido como “deixar, eternamente, a morte para amanhã”. Não é por acaso comum entre os franceses chamarem o orgasmo de “petit mort” [pequena morte]. Noyes buscava o mesmo, ao fornecer mais vitalidade ao organismo, adiando dia após dia as enfermidades.

Porém as mudanças no temperamento público dos Estados Unidos são bem ilustradas pela reação da sociedade dominante contra os Oneidanos. As objeções mais fortes não eram contra o comunalismo ou contra as políticas radicais, mas aos estranhos costumes da colônia, como: casamentos complexos [grupais], estirpecultura, igualdade das mulheres, e, não menos, a maneira de vestir [mais simples]. Mas os oneidanos também estavam entre os radicais políticos mais avançados de seu tempo, com ativa participação.

Justamente o fato de ter abolido a casamento na comunidade, onde possessão e relacionamentos exclusivos eram malvistos, desencadeou aparentemente o fracasso da mesma. O ponto crucial para todas estas pressões foi à campanha de perseguição incitada pelo Professor John Mears do Hamilton College. Ele convocou uma reunião de protesto contra a Comunidade Oneida, que teve a participação de quarenta e sete clérigos. John Humphrey Noyes foi informado pelo conselheiro de confiança Myron Kinsley que um mandado de prisão sob a acusação de estupro ou adultério era eminente. Noyes fugiu da comunidade e do país [indo para o Canadá] no em 1879, para nunca mais voltar para os Estados Unidos. Pouco tempo depois, ele escreveu para seus seguidores de Niagara Falls, Ontário, que recomenda que a prática do “casamento complexo” [Grupal] fosse abandonada.

Noyes tentou passar a liderança da comunidade para seu filho, Theodore Noyes. Este intento não foi bem sucedido, porque Theodore era considerado um agnóstico e faltava-lhe o talento de seu pai para a liderança. Iniciaram-se dentro do município, debates sobre quando as crianças deveriam ser iniciadas no sexo, e por quem. Houve também muitas discussões sobre suas práticas como um todo. Os membros fundadores foram  envelhecendo ou morrendo, e muitos dos comunitaristas mais jovens optaram por casamentos tradicionais. Em 1879, depois de pressões externas da comunidade local, parceiros conjugais normalizaram seus status como casais, com quem eles estavam coabitando no momento da reorganização, em uma celebração de casamento tradicional de mais de 70 menbros da comunidade. Alguns dos menbros se reencontravam de forma anônima e secreta.

Dali em diante, pouco a pouco, a colônia rapidamente se desintegrou, e o complexo de propriedades foi distribuído. Em 1881 Oneida tornou-se uma companhia acionária, a empresa de fabricação de armadilhas para caça foi vendida em 1912, a de produção de seda em 1916, e a de conservas interrompida por falta de rentabilidade em 1915. A partir daí, engajou-se principalmente na fabricação de objetos de prata [iniciada em 1877], tornando-se, nos EUA uma marca famosa de talheres e afins, e assim continuou até 2005, quando anunciou que acabaria com todas as operações de fabricação nos EUA, pondo fim a uma tradição 124 anos. Se os ex-colonos tivessem mantido suas ações, enriqueceriam, mas o negócio tornou-se um empreendimento capitalista, bem distante de uma democracia de trabalhadores, como eles mantinham.

O último membro original da comunidade, Ella Florence Underwood [1850-1950], morreu em 25 de junho de 1950 em Kenwood, Nova Iorque perto de Oneida, Nova Iorque. Em 1993, os arquivos da comunidade foram disponibilizados para os estudiosos pela primeira vez. O prédio principal da sociedade, a Mansion House [8.600 m²], ainda está em Oneida, Nova Iorque, contando com 35 apartamentos, 9 dormitórios, museu, sala de reuniões e refeitórios, a “Oneida Community Mansion House” foi declarada Patrimônio Histórico Nacional dos EUA em 1965, atualmente o museu e partes da casa estão abertas para os visitantes.