Um rico empobrecido não cria um pobre enriquecido

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Quer ajudar os pobres? Quer mais justiça social? Acho que o primeiro passo não seria reeleger a Dilma, mas isto já está feito. Com isto não afirmo que seu oponente seria muito melhor, no máximo, acho que seria “menos pior”.

Agora ficar dando esmola, cota e bolsa “qualquernecessidade”, não melhora em nada. Recordo que quando adolescente um amigo me contou a história da “vaca foi pro brejo” onde um monge mandou seu discípulo empurrar brejo abaixo uma vaquinha que era a única forma de sustento de uma família muito pobre. Meio contrariado, porém muito obediente, o discípulo foi lá e empurrou, no entanto isto lhe gerou um profundo arrependimento interno. Tanto que anos mais tarde, ele procurou a pobre família, mas no local havia uma rica residência, ao pedir pelos antigos moradores, identificou que continuavam ali, e estes lhe relataram que depois que a vaquinha que lhes sustentavam havia caído no brejo, tiveram que passar a trabalhar e desenvolver outras formas de renda e vida, o que lhes propiciou um grande crescimento.

Se alguém quer genuinamente ajudar os pobres a melhorarem suas condições de vida, e de maneira permanente e independente, precisa, não se tornar um pobre e nem agir para que outros se tornem pobres. Afinal de contas será muito difícil ajudar as pessoas pobres, se eu começar a empobrecer mais e mais, ou se meus amigos tornarem-se mais pobres. E assim como o fato de me tornar mais pobre, torna-se maior impeditivo para que eu ajude os demais, também não devemos defender políticas que levem ao empobrecimento de quem tem mais [ricos], como se isso bastasse para enriquecer os pobres.

Aquela máxima não dê o peixe, ensine-o a pescar. Claro, em sendo você rico, pode escolher se deseja dividir a sua riqueza, dando os peixes para eles comerem ou arrumando um emprego, ensinando eles a pescarem, e serem seres humanos produtivos.

Porém isto não é tudo, e quem sabe o mais impactante seja também o menor dos gestos: dê o exemplo. Como criando seus filhos não mimados e tornando-os produtivos, ensinando-lhes o valor do trabalho e a serem mais realistas. Você e seus filhos poderão ser os exemplos [comportamentais] para aquelas pessoas que você está preocupado em ajudar.

Em economia, estudamos que o cerne desta ciência, é alocar recursos escassos de maneira eficiente. E temos duas formas para isto: A) Pela imposição forçada, decretos e coerções do governo; B) Por meio de um sistema de preços fornecido pelo mercado.

A maneira “B” tende a ser mais duradoura e voluntária, por isso, muito embora a economia de mercado apresente inúmeras deficiências, o conhecimento do seu funcionamento é mais e mais necessário. Se você é um defensor do socialismo econômico, da meia-entrada, da passagem gratuita e assim por diante, lembro-te que não tenho nenhum exemplo de que um sistema deste tipo, que não tenha culminado na escassez, no racionamento de recursos, e isto é exatamente o contrário do que é preciso para ajudar os mais pobres.

Outra forma de ajudar é trabalhando sobre nós mesmos, não mentindo, não roubando, não mamando na teta do governo, ou seja, dando bons exemplos.

Os Estados assistencialistas e inchados, vão cada vez mais correr atrás dos indivíduos que tenham alguma riqueza, pois dado que o governo nada cria, só toma, ficam obcecados em manter a sua sobrevivência, claro usando para isto o nome do “bem público”. Atualmente até parece-me que temos um cidadão [Thomas Piketty] com vias de indicação ao Nobel de economia, por propor um imposto mundial sobre a riqueza e a renda.

Ser caridoso com a riqueza dos outros é uma delícia, faz até o governo morrer de amor aos pobres. Arregaçar as mangas e produzir o pão que se quer ver repartido é um pouco mais árduo.

Acima de tudo, antes de batalhar pela distribuição da riqueza dos outros, o melhor seria você tornar-se mais rico e então distribuir a sua riqueza com quem tanto deseja ajudar. Mas lembro de que o que é dado, nem sempre é valorizado. Lembro-me uma reportagem de um catador de lixo, que encontrou um bilhete da loteria premiado, e teve em sua conta alguns milhões depositados, virando capa do jornal local. Passados alguns anos, voltou a virar capa do mesmo jornal, pois estava novamente no lixão catando seu meio de sobrevivência.

Não adianta querer tirar as pessoas da miséria, se não tirar a miséria das pessoas.