Marinheiros inexperientes salvaram as baleias. O espermacete e os erros da indústria.

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Por Odair Deters

Se hoje temos baleias nadando pelos Oceanos, isso não se deve diretamente aos movimentos ambientalistas, e sim, em muito a um curioso fato econômico.

Em meados do século XIX, a caça de baleias era uma indústria competitiva que consistia em muitas empresas relativamente pequenas. Não havia vantagens de custo para grandes empresas, porque as baleias tinham que ser caçadas uma de cada vez, e os navios de caça tinham que ir até a área de caça de baleias. Claro a tecnologia para a caça havia melhorado, inovações nas lanças, as tornaram mais eficazes. Porém por mais que a tecnologia se desenvolvesse, o processo fundamental continuava o mesmo, e isso não melhorou em nada a produtividade, tal como uma fábrica no mesmo período poderia mudar sua produção e distribuição. Por exemplo, os navios desta época não eram capazes de utilizar a tecnologia a vapor, que revolucionava o transporte, pois o motor ocupava muito espaço na embarcação, espaço necessário às baleias.

Entre os principais produtos derivados da caça de baleias da época, estavam o óleo de baleia, a cetina e o óleo de espermacete, que embora muito parecido com o esperma não seja a mesma coisa. Uma baleia produz em média 2000 quilos de espermacete, e este óleo foi o responsável pelo nossos sistemas de iluminação durante 3 séculos, além de serem usados como lubrificantes. A partir de 1850, os óleos de baleia começaram a enfrentar a concorrência do carvão, petróleo, gás de carvão e querosene. Muito embora, com o crescimento da indústria, principalmente a de tecelagem, subiu a demanda pelo óleo de espermacete, tanto que entre 1820 e 1850 o preço do óleo dobrou [calculando a inflação], mas neste mesmo período o valor real da produção subiu 10 vezes.

Os caçadores, tendo demanda, encontraram novas áreas nos Oceanos Pacífico, Índico e Ártico. Isto requeria viagens mais longas[podendo durarem até quatro anos]. Para isto precisavam de navios maiores, que eram mais difíceis de abastecer. Estas viagens mais longas tornaram a atividade mais arriscada e aumentou-se a chance de se perder o navio inteiro, um em cada dez era perdido. Logo a caça as baleias foi ficando menos atraente para marinheiros qualificados, um problema sério para uma indústria que conta necessariamente com a mão-de-obra. Após 1850, quando a industrialização aumentou as oportunidades no setor de transportes comercial, por mar e por terra, os bons marinheiros se escassearam. E então tinha-se que aumentar a recompensa aos marinheiros experientes pela caça ás baleias, ou atrair trabalhadores menos experientes, pagos com menores salários, logo, com menos consciência dos riscos das longas viagens. E a escolha parece ter sido justamente a da segunda opção, e começaram a serem contratados trabalhadores com menor experiência, o que logo reduziu a produtividade das viagens e aumentou os riscos, fazendo com que em 20 anos aproximadamente de 1850 a 1910 a indústria de caça as baleias praticamente desaparecesse. Apenas mais recentemente que organizações ambientais passaram a lutar pelos gigantes mamíferos. Atualmente baleação é praticada somente pela Noruega e Japão. A contratação de mão-de-obra menos qualificada, foi um dos agravantes que preconizaram a quebra da indústria baleeira, porém mantiveram estes cetáceos por mais um século em nossos Oceanos.

Vamos jogar diferente?

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Por Odair Deters

Agradar uma namorada é sempre difícil, você precisa constantemente estar surpreendendo-a. Para surpreender, você precisa mudar, inovar, se reinventar e isso em grande velocidade. Assim como as exigentes namoradas, o mesmo acontece nas empresas, diante de seus clientes e gerentes. Ambos querem evolução. Para essa evolução, precisamos mudar. E a pergunta necessária para a mudança é simples: mudar o quê? No entanto, pode ser que nem precisemos mudar o quê, mas sim o como.

Algumas empresas o fazem, e passam a navegar por um período em oceanos azuis, ao invés de oceanos vermelhos. Quem sabe uma boa forma de ilustrar isso recaia nos esportes, nos quais os novos treinos, materiais e substâncias estão criando superatletas, contra os quais os antigos competidores se tornariam meros amadores. Ao passo em que os atletas se aperfeiçoam rapidamente, as regras dos jogos mantêm-se um tanto estáveis. Ou seja, o jogo é o mesmo, mas a forma de jogar agora é outra. Aqui, entra o exemplo de Timothy Ferris, que ganhou a medalha de ouro no campeonato chinês de Kickboxing, com apenas quatro semanas de preparação. Para isso, ele leu as regras e procurou brechas, descobrindo, por exemplo, que a pesagem acontecia um dia antes do combate. Então usou de técnicas de desidratação para perder peso e lutar em categorias inferiores a sua. O conhecimento do regulamento também o ajudou, pois nele dizia que se um combatente cair da plataforma três vezes em um único round, o oponente vence. Ele passou a usar uma técnica de derrubar os oponentes do ringue. Venceu todas as lutas por nocaute técnico e foi campeão. O que ele fez? Jogou de maneira diferente.  Isso, no mundo empresarial, nos remete a uma mudança. Ao conhecermos melhor nosso negócio ou aprimorarmos o nosso estilo, podemos tirar uma importante vantagem.

 

Publicado orignalmente no Jornal do Comércio em 07/07/2014: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=166364