A igualdade do bocó

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Por Odair Deters

Parece estar faltando um pouco de entendimento de economia a boa parte dos brasileiros. Simples, se entendessem um pouco mais do funcionamento do mercado livre, saberiam que certas discriminações aos consumidores melhoram o uso dos recursos escassos.

Causou alvoroço recentemente uma denúncia em rede nacional de jornalismo, de que um curso pré-vestibular estava cobrando preços diferenciados para os alunos ocuparem determinadas classes, conforme a disposição delas nas salas de aulas. Quanto mais próximo do professor, mais caro custava o acento.

Quem quisesse ficar nas primeiras filas na sala de aula, teria que comprar o que a escola chamava de “assento personalizado”. A sala tinha um total de 300 cadeiras, separadas em 3 conjuntos de 100 cadeiras cada. Sendo que fica difícil o aluno prestar atenção em uma sala de aula com 300 alunos. Entre optar por diminuir a turma, a escola resolveu cobrar por um acento privilegiado, tal como ocorre em um voo, onde se pode por alguns reais a mais, optar por um acento com um pouco mais de espaço. Neste caso os alunos que optavam por sentar mais próximo do professor, pagariam mais. Assim um aluno que optasse por chegar mais tarde à aula, teria um lugar a seu contento, para isto necessitava desembolsar uma quantia a mais de dinheiro. Isso não foi algo arbitrário e abusivo, o curso dispôs alternativas de assento, a contento do aluno, e teve interessados em ambos.

Claro, em se julgar por Brasil, advinha onde isso foi parar? Nos órgãos de defesa do consumidor, gerando reações do PROCON e do Ministério Público, e claro no nosso medíocre jornalismo. E a escola em questão teve que parar com a prática.

No entanto os reclamantes em questão será que nunca foram em um show musical, onde existem fileiras VIPs – um tanto mais caras – ou em estádios de futebol, sambódromos, ou nunca realizaram viagens de avião? Por que raios só algumas atividades podem ser consideradas ilegais?

Ora, ocorre que no Brasil, prevalece sempre uma medíocre mentalidade igualitarista, fruto de um coletivismo socialista, cujo alvo é nivelar as pessoas em todos os aspectos da vida. Aqui me lembro de um treinador de rugby [estrangeiro] que tive, que em certo treino disse que deveríamos nos nivelar pelos melhores condicionados fisicamente, e que os que estavam abaixo e possuíam um tempo maior de realização das provas, logo, teriam menor tempo de descanso entre um e outro exercício, logo isto exigia mais dos menos preparados. Mas infelizmente no Brasil a melhor alternativa é sempre nivelar por baixo.

Casos como o deste curso se assemelham a medidas que frequentemente são impostas pelo Governo, como querer emplacar a lei do Marco Civil da Internet, uma expressão bonita o suficiente para acobertar uma censura, e fazer com que todos tenham a mesma velocidade de tráfego de dados. Ou o Estatuto do desarmamento, que remove a capacidade de um cidadão se auto defender, quando mais do que comprovado se mostra que o problema não é o fato de possuir armas, e sim quem as possui. Também recentemente a campanha de vacinação contra o HPV, ou seja, eles automaticamente estão condicionando que todas as menininhas entre 11 e 13 anos são ativas sexualmente e que estão a contrair diversas doenças.

Assim como estas medidas, muitos louvam o fato de proibirem o sistema de cobrança de assentos privilegiados do cursinho citado. E não se dão conta, em sua ignorância, que casos de discriminação como estes do mercado, trazem benefícios.

As discriminações existem, por uma questão fundamental da teoria econômica. A de que os recursos são escassos. Dentro desta teoria mãe da economia, existem os preços diferenciados para regular a demanda. Existem então restrições para os consumidores, situações que permitem aos que mais necessitam determinados bens [ou serviços], pagarem mais. E este simples fato faz com que o preço torne-se mais barato para os demais.

Logo, por mais pobre que eu seja, posso ir ao mercado e pedir aquele belo pedaço de picanha, sou livre para escolher entre a picanha e a carne do pescoço do boi. Mas para isso terei que arcar com um diferencial no preço. Agora se todos os pedaços do boi passarem a ter o mesmo preço, sem sombra de dúvida, pobre algum teria acesso aos cortes tidos como nobres. Processos similares podemos dizer que existem com os acentos grátis em viagens para idosos, ou a meia-entrada nos cinemas em que os custos são jogados para os outros passageiros ou espectadores.
Portanto as descriminações praticadas pelo mercado apresentam consequências benéficas para os consumidores, muito diferente das discriminações impostas pelo Governo, que sempre costumam serem voltadas para o atendimento de determinados grupos de interesse. Afinal, qualquer aluno poderia aceitar no caso deste curso, pagar ou não pelas cadeiras mais valorizadas, ou ainda, procurar outro curso que atendesse melhor suas expectativas. Afinal, as discriminações que o mercado impinge necessitam do aceite dos consumidores, bem diferente das discriminações praticadas pelo governo. Nada melhor então, antes de questionarmos as discriminações do mercado, nos atentarmos a analisar melhor as situações e não sermos bocós querendo igualdade.

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One thought on “A igualdade do bocó

  1. Maurício

    “A primeira lição da economia é a escassez: nunca há algo em quantidade suficiente para satisfazer os que o querem. A primeira lição da política é desconsiderar a primeira lição da economia.”

    Thomas Sowell

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