Nada como imitar os japoneses. Como somos inteligentes.

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O governo brasileiro criou o programa Minha Casa Minha Vida, para que as famílias brasileiras pudessem começar a realizar o sonho da casa própria. Em sua primeira fase o programa tinha como meta a contratação de 1 milhão de moradias, e na segunda, outros 2 milhões. E os empresários já pedem uma terceira etapa.

Este programa abriu oportunidade para uma solução muito inteligente para um país continental como o Brasil. A recente novidade que percebi foi à construção de apartamentos em Caxias do Sul, com 20 m². Próximo onde eu morava, estavam construindo um prédio no qual os apartamentos tinham esta característica e já notei outros pela cidade. Claro essa solução inteligente, foi inspirada em construções de um país desenvolvido, o Japão, em uma das cidades mais modernas do mundo, Tóquio. Assim como o Japão o Brasil é um país quase sem espaço, então seria lógico adotar estas práticas, né?

Para isto apresento a tabela abaixo, com uma ligeira comparação entre esses dois países e nossas atuais práticas. O tamanho em Km² é dado na segunda coluna e a população na terceira coluna referente a cada região. A densidade é a divisão da população pelo espaço geográfico, tal que é uma medida de aglomeração. Quanto mais alta a densidade, mais pessoas vivem dentro de 1 Km² [uma faixa de terra de 1.000m x 1.000m]. Como pode ser observado, o Brasil é em larga escala muito mais espaçoso do que o Japão. Na medida em que observamos áreas mais povoadas e/ou mais urbanizadas, a densidade aumenta. No município de Caxias do Sul com 1,6 mil Km² para uma população de quase 416 mil pessoas, comparável a Tóquio com quase 10 milhões de habitantes em quase 2,2 mil Km². Não quero contradizer aqui, que a vida urbana não ofereça muito mais oportunidades sociais do que a vida nem áreas rurais, mas assim como os benefícios, os males também são potencializados.

Tamanho (Km²)

População

Densidade (Km²)

Brasil

8.515.767,05

201.032.714

23,6

Sul

576.799,55

28.795.766

49,92

Rio Grande do Sul

281.748,54

11.164.050

39,62

Caxias do Sul

1.644

415.822

252,9

Japão

377.873,00

128.057.352

338,9

Tóquio

2.189,08

9.945.050

4.543,0

Solução em Caxias do Sul

0,000020

1

50.000,0

Para termos uma noção, o município de Esteio, o menor em área do RS, com apenas 27,54 km², e com uma grande população de 81 mi habitantes, tem uma densidade de 2.928,84 hab./km², ou seja, quase 20 vezes menor do que a proposta apresentada por estes apartamentos.

A concentração de pessoas no mesmo espaço é claramente um fenômeno que acompanha a urbanização. Processo semelhante estive envolvido, quando da aquisição recente do meu atual apartamento, que mais considero um “apertamento”, e olha que ele tem bem mais do que 20 m². Claro estes enormes apartamentos de “1 quarto”, como costumam ser chamados nos anúncios, pois o apelo comercial é maior, acabam sendo a aquisição de muitos que tentam seu primeiro lar, e pior de tudo em alguns casos de uma família.

E isto está virando uma tendência. Ao invés de serem desenvolvidas soluções de planejamento urbano, estamos optando por inchar os centros das cidades. Claro se não fosse contra o sistema capitalista, logo estaríamos vivendo em hostels, com cozinhas e banheiros compartilhados. Cada vez os espaços ficam menores e mais caros, é a nossa solução inteligente, e notou-se claramente que de nada adianta aumentar os limites do crédito para este setor, pois ele tem efeito expressivo no aumento dos preços. Quem sabe as pessoas inteligentes que desenvolveram este método japonês aqui, consigam elucidar melhor a qualidade de vida alcançada com esta nova tendência, logo, vejo que não sou eu inteligente, ainda mais por sonhar com uma casinha em uma área rural. Mas o lado bom, estamos caminhando para termos características de um país desenvolvido como o Japão [risada sarcástica].

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One thought on “Nada como imitar os japoneses. Como somos inteligentes.

  1. Maurício

    Infelizmente é uma tendência me parece que mundial. Vide NY onde um kitnet em Manhattan custa horrores.

    Mas a causa e as consequências diferem muito desses centros urbanos de países desenvolvidos dos nossos centros urbanos mal concebidos.

    Como em qualquer lugar onde há iniciativa privada, ela se adapta a situação de forma a lucrar o máximo possível o mais rápido possível e mediante os bilhões em crédito a pessoas de baixa renda oferecido pelo governo, a melhor forma dos empreiteiros, construtoras e incorporadoras lucrarem é fazendo esses mine apartamentos. Apartamentos maiores geram muito mais lucro, mas são mais difíceis de vender e ao primeiro sinal de crise podem ficar encalhados nas imobiliárias com demanda quase nula.

    O triste são as consequências. Num país onde as melhores cidades estão longe de serem meramente regulares a nível de primeiro mundo essa concentração de gente prejudica totalmente a mobilidade, saneamento, educação, fornecimento de água, luz e outros tantos serviços. Sem falar da dificuldade de vivência em sociedade do nosso povo.

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