Como as coxas da Sharon Stone ampliam a corrupção na África.

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Por Odair Deters

Contam que o cantor Bono Vox [U2] estava fazendo um show em Portugal, quando parou por um instante e começou a bater palmas, Após alguns segundos ele comentou com o público presente ao show, que a cada palma batida por ele, uma criança estava a morrer de fome na África. Eis que um esperto cidadão então gritou. “Então pare de bater palmas”.

Diariamente vemos no noticiário ridículo ou na capa de revistas, celebridades generosas e de bom coração fazendo doações ou campanhas para ajudar os necessitados. Lá aparecem, Lady Gaga, Justin Timberlake, Tom Cruise, Nicole Kidmann, Madonna, Angelina Jolie, Brad Pitt, Xuxa Menegel e tantos outros.

Esmola é uma dádiva caridosa feita, e assim um exemplo recente que recordo, foi o da Gisele Bündchen doando US$ 1,5 milhão ao Haiti, e para lá foram mais US$ 250 mil da Madonna, o casal Smith, Brad e Angelina enviaram mais US$ 1 milhão, outros mais também abriram seus corações e seus bolsos. Mas o quanto isto realmente ajuda? Ou, isto realmente ajuda?

Para elucidar isto vamos citar algo ocorrido no Fórum Mundial Econômico, realizado anualmente em Davos na Suiça, e que reúne uma elite empresarial e política mundial, estes convidam alguns intelectuais e jornalistas previamente selecionados, e discutem [só discutem], questões urgentes enfrentadas mundialmente. O evento deveria ser uma chatice cheia de velhos políticos com bonitas oratórias, mas aí eles convidam algumas celebridades como escritor Paulo Coelho, o cantor Bono Vox, os belos pares de pernas da Claudia Schiffer e da Sharon Stone, que tornam o evento muito mais interessante né?

Bom, em uma das edições o presidente da pobre Tanzânia, argumentou que em seu país milhares de crianças morrem pela malária, porque não possuem mosquiteiros. Então a bela Sharon Stone descruzou as suas pernas [Já vi isso num filme] e disse que prometia doar US$ 10 mil para aquisição de mosquiteiros, e aproveitando toda a admiração que ela causa, intimidou todos os presentes a fazerem o mesmo. Muitos constrangidos foram erguendo as mãos [Se ela me pedisse, até eu acho que ergueria]. Até somar o total de US$ 1 milhão. E muitos mosquitos possivelmente acabariam sem sangue humano nas noites quentes da Tanzânia. Porém na hora de recolher a grana só conseguiram ¼ do total previsto, aí o “benemérito” UNICEF abraçou a causa e completou o que faltava. Os dólares rumaram para a África no formato de mosquiteiros e até hoje ninguém sabe se definitivamente alguma criança foi salva com a atitude. O que se sabe é que seguido a isto, muitos vestidos de noivas, foram fabricados com redes de mosquiteiros quando chegaram aos portos da Tanzânia, e foi à alegria dos comerciantes e das noivas. E ninguém deu-se conta que o que mais mata as crianças na Tanzânia é a diarreia.

Um outro caso emblemático foi o dos generosos escandinavos. O governo da Noruega investiu 22 milhões de dólares no desenvolvimento de um projeto para incentivar a pesca para exportação no lago Turkana, no Quênia, o que previa até uma fábrica para o congelamento dos peixes. O problema é que a tribo turkana, que habita a região, é nômade e sem tradição alguma de pesca. E não saiu nenhum peixe enlatado daquele lugar.

Estudos mostram que a África nunca recebeu tanto dinheiro. Mas isso está longe de ser uma boa notícia, o auxílio internacional não tem trazido nenhum progresso e pior, tem desestimulado o empreendedorismo local. Pela África subsaariana, quase metade dos 400 milhões de africanos, vivem com menos de 1 dólar por dia, 40% não tem água potável e um em cada 25 adultos já tem o vírus HIV. A grande maioria é analfabeta e em muitos locais, negros continuam se matando a facão devido a alguns terem o nariz em formato diferente dos outros.

Mas e todos os benevolentes recursos doados? Pelo que se tem notado, fomentaram em muito a corrupção local. Pois os índices de pobreza só pioraram nestas regiões, além de criarem dependência e desestímulo ao empreendedorismo. Exemplo são as pequenas indústrias têxteis africanas que são fechadas, pois não conseguem competir com as roupas que são doadas, que chegam aos montes e que são comercializadas a um preço muito baixo.

O governo brasileiro não fez diferente e anunciou que perdoaria a dívida dos pobres países africanos. Ou seja, a benevolência brasileira pode ser o mesmo que o financiar o crime, o roubo e a corrupção, através dos impostos que pagamos aqui. Quantos africanos não foram mortos por culpa das lideranças locais que surrupiaram anteriormente os investimentos de empresas brasileiras feitas nestes países.

Usando o sentido acima, mas saindo um pouco da questão africana, costumo citar o exemplo de um mendigo brasileiro que lhe pede uma esmola. Caridosamente você abre a carteira e o ajuda. Qual o destino que ele vai dar a este recurso? Em alguns casos, vejo amigos ajudando, pois o mendigo foi sincero e disse que iria beber cachaça com o valor. Tamanha estupidez. Já analisou que se este usa seu dinheiro para se embriagar e chega em casa bêbado e espanca a esposa e os filhos. Quem financiou esta crueldade? Você e sua caridosa esmola. Não adianta lavar as mãos como Pilatos. Ajudou ele a espancar uma criança, uma mulher, foi culpado pelo roubo que ele fez ao estar motivado pelo consumo de drogas, dos crimes que cometeu ou dos acidentes que sofreu.

Ah, mas os doadores extraem benefícios, principalmente o psicológico, em alguns casos se sentem heróis, pois pagaram um pastel e uma Coca-Cola para um morador de rua, ou ocuparam a capa de alguma revista. Mas nunca se responsabilizam quando as iniciativas naufragam. Portanto seria muito melhor o Bono parar de bater palma durante suas canções e a Sharon ficar com suas pernas bem cruzadinhas. Deixando de venderem a imagem de salvadores das criancinhas esmilinguidas. Quando o que mais fazem é gerarem incentivos perversos ao desenvolvimento de longo prazo dos “ajudados”.

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