Nada como imitar os japoneses. Como somos inteligentes.

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O governo brasileiro criou o programa Minha Casa Minha Vida, para que as famílias brasileiras pudessem começar a realizar o sonho da casa própria. Em sua primeira fase o programa tinha como meta a contratação de 1 milhão de moradias, e na segunda, outros 2 milhões. E os empresários já pedem uma terceira etapa.

Este programa abriu oportunidade para uma solução muito inteligente para um país continental como o Brasil. A recente novidade que percebi foi à construção de apartamentos em Caxias do Sul, com 20 m². Próximo onde eu morava, estavam construindo um prédio no qual os apartamentos tinham esta característica e já notei outros pela cidade. Claro essa solução inteligente, foi inspirada em construções de um país desenvolvido, o Japão, em uma das cidades mais modernas do mundo, Tóquio. Assim como o Japão o Brasil é um país quase sem espaço, então seria lógico adotar estas práticas, né?

Para isto apresento a tabela abaixo, com uma ligeira comparação entre esses dois países e nossas atuais práticas. O tamanho em Km² é dado na segunda coluna e a população na terceira coluna referente a cada região. A densidade é a divisão da população pelo espaço geográfico, tal que é uma medida de aglomeração. Quanto mais alta a densidade, mais pessoas vivem dentro de 1 Km² [uma faixa de terra de 1.000m x 1.000m]. Como pode ser observado, o Brasil é em larga escala muito mais espaçoso do que o Japão. Na medida em que observamos áreas mais povoadas e/ou mais urbanizadas, a densidade aumenta. No município de Caxias do Sul com 1,6 mil Km² para uma população de quase 416 mil pessoas, comparável a Tóquio com quase 10 milhões de habitantes em quase 2,2 mil Km². Não quero contradizer aqui, que a vida urbana não ofereça muito mais oportunidades sociais do que a vida nem áreas rurais, mas assim como os benefícios, os males também são potencializados.

Tamanho (Km²)

População

Densidade (Km²)

Brasil

8.515.767,05

201.032.714

23,6

Sul

576.799,55

28.795.766

49,92

Rio Grande do Sul

281.748,54

11.164.050

39,62

Caxias do Sul

1.644

415.822

252,9

Japão

377.873,00

128.057.352

338,9

Tóquio

2.189,08

9.945.050

4.543,0

Solução em Caxias do Sul

0,000020

1

50.000,0

Para termos uma noção, o município de Esteio, o menor em área do RS, com apenas 27,54 km², e com uma grande população de 81 mi habitantes, tem uma densidade de 2.928,84 hab./km², ou seja, quase 20 vezes menor do que a proposta apresentada por estes apartamentos.

A concentração de pessoas no mesmo espaço é claramente um fenômeno que acompanha a urbanização. Processo semelhante estive envolvido, quando da aquisição recente do meu atual apartamento, que mais considero um “apertamento”, e olha que ele tem bem mais do que 20 m². Claro estes enormes apartamentos de “1 quarto”, como costumam ser chamados nos anúncios, pois o apelo comercial é maior, acabam sendo a aquisição de muitos que tentam seu primeiro lar, e pior de tudo em alguns casos de uma família.

E isto está virando uma tendência. Ao invés de serem desenvolvidas soluções de planejamento urbano, estamos optando por inchar os centros das cidades. Claro se não fosse contra o sistema capitalista, logo estaríamos vivendo em hostels, com cozinhas e banheiros compartilhados. Cada vez os espaços ficam menores e mais caros, é a nossa solução inteligente, e notou-se claramente que de nada adianta aumentar os limites do crédito para este setor, pois ele tem efeito expressivo no aumento dos preços. Quem sabe as pessoas inteligentes que desenvolveram este método japonês aqui, consigam elucidar melhor a qualidade de vida alcançada com esta nova tendência, logo, vejo que não sou eu inteligente, ainda mais por sonhar com uma casinha em uma área rural. Mas o lado bom, estamos caminhando para termos características de um país desenvolvido como o Japão [risada sarcástica].

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A revolta do alemão batata. Quando o Brasil quitará a sua dívida?

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Por Odair Deters

Durante a minha infância, na época em que bullying não existia, era comum um descendente de alemão ser chamado de “alemão batata” [que tem por origem o formato do nariz de alguns descendentes de alemães], que nem era bem o meu caso, pois meu nariz é um pouco mais aquilino. No entanto não escapei de ser assim chamado algumas vezes. Claro isto não acontecia quando eles queriam que eu repartisse a merenda gostosa que eu levava para a escola [pois a alimentação na minha casa, assim como grande parte dos imigrantes, quase sempre foi farta].

Esta passagem, simples evidencia em escala macro, todo o descaso que a nação brasileira teve em nunca reconhecer o estrondoso sucesso da imigração alemã.

Tudo começa muito cedo, quando os portugueses saiam para as suas grandes descobertas, precisavam de parceiros corajosos, e para isto contrataram uma guarnição de artilheiros alemães [desde 1489]. Também tiveram que trazer os pioneiros que documentavam a flora e a fauna brasileira. Os empreendedores que desenvolveram os engenhos para a cana-de-açúcar[1535]. O conquistador que fundou a cidade do Rio de Janeiro[1567]. E outros tantos que foram bandeirantes, padres, comerciantes, cientistas, médicos, músicos e militares. Inclusive responsáveis por fundarem o exército brasileiro, fato de quando os Brummers vieram para o Sul do Brasil [1676], para garantir as fronteiras dos espanhóis, onde ganharam a designação de “libertadores do Rio Grande do Sul”. Sendo esta a primeira vez em que foi introduzida uma maneira prussiana de exército aqui. Até mesmo a cor amarela da bandeira brasileira deriva do casamento de Dom Pedro de Bragança [cor verde] com a cor amarela que representa a casa Lothringen-Habsburg, da qual era procedente o pai de Leopoldina, o imperador alemão Franz II [Franz I da Áustria]. Em São Leopoldo [RS] começou uma nova forma de colonização com os alemães [1824], bem diferente da maneira de economia dos latifúndios. A grande vitória no maior conflito em que o Brasil se envolveu, a guerra do Paraguai, foi alcançada graças a bateria alemã de artilharia[1866]. Fora todo o desenvolvimento industrial trazido, que fazem hoje, por exemplo, de São Paulo, a maior cidade industrial alemã do mundo inteiro, segundo o número de empresas alemãs ali instaladas.

No entanto a nação brasileira ainda não tomou conhecimento disto. Parece que a única coisa grande que vieram dos imigrantes, foi o Nazimilitarismo [1969-1979] Institucionalização da tortura, genocídios, Operação Condor, por Médici [italiano] e Geisel [alemão]; querendo condenar assim o Rio Grande do Sul por inteiro como a região de mais forte influência nazi-fascista da América Latina. Quando sim, alguns sulistas apoiaram o regime alemão durante a segunda guerra. Mas lembramos de que o Governo Brasileiro na pessoa de Getúlio Vargas, também apoiou, e só mudou de lado, após vergonhosamente ter se vendido aos Estados Unidos [Aqui muito exaltamos os argentinos que derrubaram seu governo quando este quis cometer semelhante ato].

Quando o fracassado Getúlio Vargas se vendeu, iniciou a campanha nacionalista, implementada em seu governo entre 1938 e 1945. Através desta campanha houve repressão à publicação e ao ensino da língua alemã, proibição de falar outra língua senão a oficial em público, fechamento de instituições e associações comunitárias e culturais, perseguição aos membros das igrejas, confisco de bíblias e livros, assim como a destruição de propriedades. Oficiais do governo e a população, assustada com a política de Hitler, desprovidos de conhecimento, quebravam tudo o que tinha marca ou escrita alemã. Roubavam dos imigrantes as máquinas, navalhas, relógios, concertinas e armas. Até mesmo os epitáfios nos cemitérios sofriam ações. Os comerciantes alemães precisavam ficar armados vigiando as vendas e mercearias, alvos de saques pelos brasileiros, que também ameaçavam de morte os colonos. Meus avós contavam que lhes eram tomados até os panos de prato que minha avó com dedicação bordava em alemão os dias da semana e as datas especiais como Páscoa e Natal. Aconteceu uma verdadeira pilhagem pelos brasileiros, que cobiçavam o que os imigrantes conseguiam com muito esforço, fruto de seu conhecimento e trabalho.

Muitos eram presos por serem pegos falando alemão, o mesmo acontecia frequentemente com os italianos e japoneses neste período. Muitos foram parar em campos de concentração. Sim, no Brasil existiram campos de concentração também, e para lá iam presos: alemães, italianos e japoneses. Aliado aos resultados da 2ª guerra, tão explorados pelos filmes hollywoodianos, tornaram os alemães eternos pecadores. Embora muitos dos personagens que os condenam usufruam hoje de conquistas descobertas pelos nazistas durante a guerra, seja para sua saúde, entretenimento ou comodidade. E principalmente nesta terra tropical, não se dão conta que os conquistadores do Brasil e das Américas [portugueses e espanhóis] cometeram genocídio muito maior com os povos indígenas e que até mesmo por séculos perseguiram e mataram judeus. Sem contar uma grande diferenciação dos alemães em relação a outros imigrantes. O alemão que veio para cá veio para criar o seu Heimat o colonizador original português não teve o mesmo amor à nova terra. O Seu amor na boa parte das vezes era explorar, enriquecer e voltar à terrinha Lusa.

Os alemães além de virem com a ideia de aqui se manterem definitivamente, ao chegarem o primeiro que edificavam era uma igreja e uma escola. Em um país onde ainda hoje a educação é uma ilusão. Não é a toa que o IDH das pequenas cidades do Sul seja muito superior ao de outras regiões, e poderia ser muito melhor. Não fosse o maior crime cultural levado á cabo no Brasil, representando um atraso imensurável para todo o país – a campanha nacionalista e o cerceamento dos limites do povo alemão por conta dos resultados de II guerra – Porém os criminosos que iniciaram isto acabaram por impactar também no desenvolvimento do Brasil. Estes criminosos cometeram algo contra as suas próprias gerações. Conseguiram em seu tempo roubarem muito dos imigrantes [alemães, italianos e japoneses], inclusive um dos maiores roubos da história deste país, que foi o da autoestima de um povo. Por isso ainda hoje encontramos alemães muito fechados, envergonhados, tímidos [eu mesmo considero que sofri muito com isto até meus 20 anos aproximadamente, quando reconheci as causas e resolvi enfrentar a mim e a todos, principalmente estudando e esclarecendo a história]. A origem histórica disto encontra-se nas limitações impostas neste período.

A bem da população de origem alemã no Brasil, estimada em torno de seis milhões de brasileiros, diga-se que esta população não teve a mínima participação, direta e nem indireta, nos horrores da Guerra na longínqua Europa e, muito antes de algoz, foi vítima de uma execrável política de discriminação étnica. Das muitas etnias que formam o caldo de culturas do Brasil, nenhuma delas pode, honestamente, orgulhar-se de ter amado mais sua nova pátria e contribuído mais intensamente para o seu progresso do que a etnia alemã. Mesmo diante de um xenófobo povo brasileiro.

Hoje representando cerca de 3% da população brasileira os descendentes de alemães, são quase que basicamente uma minoria segregada. Porém nunca cobraram do governo serem igualados, nunca pediram que lhes perdoassem publicamente, que sejam chamados de germanodescentes. Nunca exigiram vagas nas universidades a não ser se seu mérito próprio e suas economias permitam. Caso isto não aconteça continuam lavrando a terra uma vida inteira e enchendo as mesas de comida, inclusive daqueles burocratas filhos das mesmas oligarquias que há décadas usurpam este solo. Nunca brigaram por serem chamados de “alemães”, mesmo tendo sido nascidos nesta terra. Quando bem poderiam dizer que isto constituiria uma forma de racismo e xenofobia. Nunca se incomodaram em processar expressões de cunho pejorativo associadas a eles como “coisa de alemão”, “alemão teimoso”, “só podia ser alemão”, “comedor de chucrute”. Não exigiram que o dia 25 de Julho virasse o “dia da consciência germânica”, ou que o 25 de novembro seja do “dia nacional do orgulho alemão”. Muito menos que tivessem um ministério que lutasse pelo dia da igualdade alemã e conta a germanofobia, proibindo que uma criança seja chamada de “alemão batata come queijo com barata”.

Aliás, os alemães Respeitaram o dia da consciência negra, sem nunca terem cometido qualquer atrocidade contra negros neste território, na verdade, sem preconceitos, se for contabilizar, foram mais vítimas destes. [aqui aos racistas enrustidos, lhes dói ler isto, pois não analisam os números, apenas as emoções]. Mas o povo alemão geralmente não ficou naquele ressentimento passivo, comum a milhões de brasileiros, que olham o escândalo na televisão e exclamam “que horror”. Descobrem o roubo de um político e falam “que vergonha”. Encontram a fila de aposentados e comentam “que absurdo”. Assistem os programas de domingo na televisão e falam “que baixaria”. Eles buscaram aos poucos ir trabalhando, acreditando ainda em uma transição neste país, indo do ressentimento passivo à participação ativa, podendo ser esta quem sabe uma simples atitude, através de uma das mais tradicionais tarefas que lhes coube, plantar uma roça que permite que muitas bocas sejam alimentadas.

Até o momento o único reconhecimento que receberam foi o de “nazista”. Mesmo que a grande maioria nunca o foi. Sendo que não faltaram motivos para isto. Pois o Brasil nunca reconheceu a contribuição teuta a sua formação.

Hitler na América

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Por Odair Deters

Certa ocasião, no inverno de 1997, meu pai me chamou para conhecer um senhor. Ainda hoje recordo com satisfação o convite que meu pai me fez. Na época eu tinha apenas 14 anos, mas já um grande interesse por história, principalmente quando envolvidas as Guerras Mundiais. Isto motivou ser chamado por meu pai, para participar de uma conversa de um dos seus clientes em seu estabelecimento comercial. Este cliente, um senhor, já com mais de 80 anos, e de aprazível olhar, de início, não me causou muito interesse, e recordo que veio o pensamento de: “que ganharia eu por escutar aquele velho de cabelos brancos”. No entanto este bom velhinho foi responsável por um dos fatos históricos mais importantes dos que considero que tive exclusividade em receber. Passado alguns anos me dói não ter feito maior registro dos dados e fatos que ele me relatou, tão simples e convincente, com nomes de pessoas e locais. Informações que poderiam propiciar a escrita de um livro, mas que ganham por hora apenas um breve texto.

O referido ancião me localizou no tempo, informando ter nascido em uma cidadezinha do noroeste gaúcho de colonização alemã, e que tornou-se um hábil construtor de igrejas, tendo citado algumas de suas construções no interior do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Uruguai e Argentina. E justamente no período que findou a 2ª Grande Guerra, ele estava envolvido em construções nos territórios hermanos. Momentos nos quais teve que hospedar-se em um hotel, e que no terceiro dia lhe foi solicitado a mudança de quarto, pois o hotel estava recebendo novos hóspedes. Tratava-se de uma comitiva, algo como 20 ou 30 pessoas. Logo notou que os novos hóspedes que chegavam à calada da noite falavam alemão, apesar de alguns se identificarem como brasileiros, tão equivocados foram eles, pois o referido senhor, apesar de já estar a cerca de 3 ou 4 anos em territórios uruguaios e argentinos erguendo suas obras, e com pleno domínio do espanhol, era brasileiro, e conseguiu sem intenção descobrir que de brasileiros não tinham nada estes novos hóspedes. Aliado ao seu conhecimento da língua alemã, própria das colônias do RS, conseguiu empreender diálogo com os novos personagens que se hospedavam com ele no hotel, e apesar de inicialmente serem de difícil aproximação, acabou por logo criar um sutil vinculo de amizade, permitindo assim um contato direto com estes. Este contato lhe assegurou saber que eram todos oficiais nazistas que escaparam da Europa, após uma passagem pela Espanha e que se refugiavam em terras argentinas, sobre proteção de empresários e políticos ainda no governo de Farrel [1944-1945], que havia assumido o cargo em um golpe militar pró-alemão, e obtiveram proteção ainda maior no governo de Juan Domingo Perón [presidente argentino de 1946-1955].

O referido senhor me mencionou todos os nomes que recordava, do hotel, como de e em alguns casos até de personagens paralelos, desde o da filha de um dos proprietários do hotel, como dos sujeitos com os quais firmou amizade. Citou a localização do hotel e a das fazendas as quais estes foram residir, sendo uma, não muito distante de Buenos Aires, alguns que foram para a região de Córdoba e outros para a região da Patagônia. Estas novas amizades, lhe renderam importante destaque, pois passou a usufruir de uma série de vantagens e benefícios em território castelhano diante de seus amigos, como: Ser hospedado algumas vezes em uma propriedade onde alguns deles passaram a viver, e que segundo informações que ele recebera, pertencia a família Perón. Entre os encontros que teve com os novos amigos, em 3 oportunidade teve contato com o mais destacado e mais reservado deles, o qual acompanhado de sua esposa, era um sujeito que possuía baixa estatura, rosto limpo [sem barba], com uma leve cicatriz na região superior do lábio, cabelo escuro e bem curto. Em sua segunda conversa com dito senhor, durante um café da manhã, veio, a saber, que se tratava de Adolf Hitler, líder alemão, que apesar te sido dado como morto pelos soldados soviéticos estava vivo, e diante dele. Confessou-me ele, que o fato não lhe casou grande assombro, pois sujeito simples que era vagamente se inteirava plenamente dos fatos que envolviam o grande conflito mundial. Porém a amizade e fidelidade em guardar este segredo, lhe propiciaram dentre as oportunidades, a de acompanhar alguns de seus novos amigos anos depois em uma viagem completamente patrocinada por estes para a Suécia e Alemanha. Em seu terceiro encontro na presença do líder nazista, tempos depois, em uma fazenda onde residia este sujeito, nas proximidades de Bariloche, onde já encontrou o mesmo, mais altivo e usando óculos, com uma aparência completamente distinta da existente nos primeiros encontros. Apesar de pouco contato direto, notou que Hitler desenvolvia uma vida que parecia regida pela plena normalidade que poderia usufruir qualquer cidadão da época e que dispunha de certo capital para ter alguns empregados.

Esta conversa me trouxe fatos com tamanha exclusividade. Era eu, então, um garoto com apenas 14 anos e distante ainda alguns anos do acesso quase ilimitado de informações acerca deste fato pela rede mundial de computadores. Na época do diálogo, usei de todos os conhecimentos, que então um jovem do ensino fundamental recebe da “história oficial” e fiz vários questionamentos. Através das minhas indagações, acabei sabendo informações demasiado interessantes, como: A de que o sujeito encontrado morto no bunker em Berlim não passava de um sósia do líder alemão. Que os alemães tinham projetos de aviões superpoderosos e que estavam sendo desenvolvidos, que só mais tarde vim, a saber, que não se tratavam diretamente de aviões e sim dos Haunebus. Também o fato de que alguns ex-nazistas após a chegada à Argentina, ultrapassaram a fronteira para o lado brasileiro, pois aqui consideravam um local “melhor pra se viver”, principalmente após a saída de Perón do Governo argentino. Também relatos de passagens de Adolf por Montevidéu, Buenos Aires, Córdoba, e Chile. Questionei também se Hitler havia vindo [a passeio que fosse] para o Brasil, o dito senhor não soube me responder, pois não manteve direto contato com ele após estes 3 encontros, firmou amizade maior com alguns senhores ligados ao líder nazista. Após o terceiro encontro, somente veio a ter notícias quando do falecimento de Hitler, que ocorreu no início da década de 70 [não soube me precisar o ano] e esta informação lhe veio através de seus amigos, conhecidos naquelas ocasiões, e com os quais continuou mantendo maior contato.

Para colaborar com esta história que rebate a engendrada mentira contada nos livros de história. Em 2009, análises do DNA realizadas nos laboratórios da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, mostraram que o suposto crânio de Hitler encontrado no bunker e guardado pelos russos era, na verdade, de uma mulher com menos de 40 anos. As análises de fotos do sujeito que aparece como sendo o “Hitler morto”, não batem em nada com as características faciais, a não ser pelo penteado e pelo bigode ralo. Outro fato que colabora é que além do citado cidadão com quem pude empreender diálogo, outras tantas testemunhas que tinham estado com Hitler na Argentina, começam a aparecer. Jornalistas e pesquisadores argentinos, espanhóis e ingleses lançaram nos últimos anos bombásticas obras e documentos que comprovam estes fatos. Também na conferência de Potsdam, em agosto de 1945, quando questionaram Stalin sobre a morte de Hitler, este disse que ele não estava morto e que havia escapado.  A Alemanha só reconheceu Hitler como morto em 1956, 11 anos depois, por presunção de falecimento e neste período o Estado alemão, não só não reconheceu a morte do seu político, como não houve nenhuma ordem de captura ou processo judicial.

Hoje correm informações de documentos consulares, bem como de autodenominados ex-agentes de serviços secretos de que agências como CIA e o MI6, possuíam documentos e fotos que confirmavam a presença de Hitler na América do Sul após 1945, mas muito possivelmente constataram que deixar o casal Hitler e Eva Braun vivendo em paz e no anonimato era muito melhor do que reacender a ira e o rancor da população mundial. Bem como após o transcorrer do tempo, tornou-se impossível deixar pública esta informação, pois para muitos, saber que um dos sujeitos conhecidos através da história como um dos maiores carrascos da humanidade, continuou vivendo em paz por muitos anos, causaria um enorme furor.

Quanto ao fato levantado por alguns de que aquele ancião possa ter aplicando uma mentira a um jovem. Posso pelo que senti na época do diálogo, ao notar aquela temeridade presente nas atitudes do velinho, as indicações por nomes de certos locais e pessoas, o fato de em nenhum momento ter defendido ou respaldado qualquer ação nacional-socialista, afirmar que me passaram grande confiança. E me pareceu muito mais a necessidade de um velho abrir-se e revelar um segredo que carregou por muito tempo, a um jovem que engatinhava nos conhecimentos da história, permitindo quem sabe compartilhar um fardo que por muitos anos carregou e que possivelmente poucas, ou nenhuma vez o tenha relatado. Apesar de ter visto este idoso por mais de uma vez, fazendo compras no comércio que meu pai possuía, o momento em que travamos esta conversa, foi à ocasião em que pela última vez vi este simpático senhor de cabelos brancos.

Aos que infelizmente tem a mente travada pela história que os vencedores lhes contaram, deixo aqui uma prova física. A bela residência de Inalco que ilustra esta postagem, localizada em Villa La Angostura, em uma propriedade de 460 hectares, deslumbrante, margeando o Lago Nahuel Huapi, a cerca de 7 quilômetros da cidade de Bariloche, na Província de Rio Negro, Argentina. Com acesso somente por barco e hidroavião, devido à densa floresta, serviu de residência ao líder nacional-socialista Adolf Hitler, enquanto viveu na Argentina.

A patricinha dançando funk. Luxo e lixo.

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Por Odair Detes

A rainha do rock brasileiro, Rita Lee [apesar de não me simpatizar muito com ela] canta não querer luxo, nem lixo. Quer saúde pra gozar no final, viver o prazer que a vida oferece. Isso associa rapidamente o consumo do luxo ao do lixo.

E o luxo, é neste mundo contemporâneo geralmente fragmentado ou democratizado. O luxo torna-se popular, público, acessível. Neste sentido a poderosíssima Mercedes Benz, lançou em abril de 2013 um vídeo, campanha exclusiva para a internet [https://www.youtube.com/watch?v=kYh83yxzpVc], associando o novo Mercedes Classe A ao periférico funk carioca em um comercial de 30 segundos.

Assim como uma ópera de Verdi toca em um refinado teatro, o batidão do funk toca no morro. Apesar de contemporaneamente as experiências de gostos, serem muito mais vividas pelo pertencimento ou reconhecimento do que pelas tradições de classe, não podemos negar que o comercial da Mercedes, é o luxo subindo o morro, entrando no ritmo do lixo.

Atualmente o consumo de luxo, serve muito mais para promoção da imagem pessoal do indivíduo do que como imagem de determinada classe econômica. Exprimimos traços de nossa personalidade por meio de nossas escolhas de consumo. Um veículo Mercedes Classe A, e qualquer outro veículo possuem as mesmas finalidades, locomover. No entanto as características funcionais sejam elas equivalentes ou até inferiores, perdem ás vezes o poder diante da significação simbólica de determinado produto.

Com este comercial, os brasileiros poderiam pensar que a MB deu moral ao funk carioca. E que isso deveria ser louvado, pois tem um ingrediente nacional e não um ritmo internacional, ou seja, estaria dando a vez ao ritmo que é considerado coisa de preto, favelado, sem cultura e afins, usando para isso o lixo customizado do funk.

No entanto, incorre aí um risco de desconstrução da sólida imagem ligada ao luxo construída durante anos, associada a um público restrito, seleto, milionário, e com altos padrões de qualidade ao se tocar A leke leke.

A ideia da MB deveria ser a de criar um vídeo viral, se sim, parece ter dado certo. Porém algumas dúvidas ficam como: Que isto acrescentaria a marca alemã? Quem vai comprar um Classe A, o compraria indiferente da música que está tocando? A imagem da montadora vai melhorar com esta ação?

O luxo junto ao lixo causam estranheza para muitos e significa ousadia para outros. No entanto este comercial pode plantar sonhos pela marca a muitos que se encontravam distante da mesma, pois a maioria dos brasileiros está longe de conseguir adquirir um veiculo com custo médio de R$ 100 mil.

Mas o alvo principal da estratégia da MB, em subir o morro, surgiu diante da desaceleração do mercado automobilístico brasileiro, após a campanha pró-consumo que surgiu em 2012, através de reduções de impostos [IPI]. Diante da retração, as empresas tiveram que repensar suas ações publicitárias, ousarem e arriscarem, em busca de maior diferenciação, ao ponto de fazerem a patricinha Mercedes Benz, dançar ao som do batidão do funk carioca.

Como as coxas da Sharon Stone ampliam a corrupção na África.

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Por Odair Deters

Contam que o cantor Bono Vox [U2] estava fazendo um show em Portugal, quando parou por um instante e começou a bater palmas, Após alguns segundos ele comentou com o público presente ao show, que a cada palma batida por ele, uma criança estava a morrer de fome na África. Eis que um esperto cidadão então gritou. “Então pare de bater palmas”.

Diariamente vemos no noticiário ridículo ou na capa de revistas, celebridades generosas e de bom coração fazendo doações ou campanhas para ajudar os necessitados. Lá aparecem, Lady Gaga, Justin Timberlake, Tom Cruise, Nicole Kidmann, Madonna, Angelina Jolie, Brad Pitt, Xuxa Menegel e tantos outros.

Esmola é uma dádiva caridosa feita, e assim um exemplo recente que recordo, foi o da Gisele Bündchen doando US$ 1,5 milhão ao Haiti, e para lá foram mais US$ 250 mil da Madonna, o casal Smith, Brad e Angelina enviaram mais US$ 1 milhão, outros mais também abriram seus corações e seus bolsos. Mas o quanto isto realmente ajuda? Ou, isto realmente ajuda?

Para elucidar isto vamos citar algo ocorrido no Fórum Mundial Econômico, realizado anualmente em Davos na Suiça, e que reúne uma elite empresarial e política mundial, estes convidam alguns intelectuais e jornalistas previamente selecionados, e discutem [só discutem], questões urgentes enfrentadas mundialmente. O evento deveria ser uma chatice cheia de velhos políticos com bonitas oratórias, mas aí eles convidam algumas celebridades como escritor Paulo Coelho, o cantor Bono Vox, os belos pares de pernas da Claudia Schiffer e da Sharon Stone, que tornam o evento muito mais interessante né?

Bom, em uma das edições o presidente da pobre Tanzânia, argumentou que em seu país milhares de crianças morrem pela malária, porque não possuem mosquiteiros. Então a bela Sharon Stone descruzou as suas pernas [Já vi isso num filme] e disse que prometia doar US$ 10 mil para aquisição de mosquiteiros, e aproveitando toda a admiração que ela causa, intimidou todos os presentes a fazerem o mesmo. Muitos constrangidos foram erguendo as mãos [Se ela me pedisse, até eu acho que ergueria]. Até somar o total de US$ 1 milhão. E muitos mosquitos possivelmente acabariam sem sangue humano nas noites quentes da Tanzânia. Porém na hora de recolher a grana só conseguiram ¼ do total previsto, aí o “benemérito” UNICEF abraçou a causa e completou o que faltava. Os dólares rumaram para a África no formato de mosquiteiros e até hoje ninguém sabe se definitivamente alguma criança foi salva com a atitude. O que se sabe é que seguido a isto, muitos vestidos de noivas, foram fabricados com redes de mosquiteiros quando chegaram aos portos da Tanzânia, e foi à alegria dos comerciantes e das noivas. E ninguém deu-se conta que o que mais mata as crianças na Tanzânia é a diarreia.

Um outro caso emblemático foi o dos generosos escandinavos. O governo da Noruega investiu 22 milhões de dólares no desenvolvimento de um projeto para incentivar a pesca para exportação no lago Turkana, no Quênia, o que previa até uma fábrica para o congelamento dos peixes. O problema é que a tribo turkana, que habita a região, é nômade e sem tradição alguma de pesca. E não saiu nenhum peixe enlatado daquele lugar.

Estudos mostram que a África nunca recebeu tanto dinheiro. Mas isso está longe de ser uma boa notícia, o auxílio internacional não tem trazido nenhum progresso e pior, tem desestimulado o empreendedorismo local. Pela África subsaariana, quase metade dos 400 milhões de africanos, vivem com menos de 1 dólar por dia, 40% não tem água potável e um em cada 25 adultos já tem o vírus HIV. A grande maioria é analfabeta e em muitos locais, negros continuam se matando a facão devido a alguns terem o nariz em formato diferente dos outros.

Mas e todos os benevolentes recursos doados? Pelo que se tem notado, fomentaram em muito a corrupção local. Pois os índices de pobreza só pioraram nestas regiões, além de criarem dependência e desestímulo ao empreendedorismo. Exemplo são as pequenas indústrias têxteis africanas que são fechadas, pois não conseguem competir com as roupas que são doadas, que chegam aos montes e que são comercializadas a um preço muito baixo.

O governo brasileiro não fez diferente e anunciou que perdoaria a dívida dos pobres países africanos. Ou seja, a benevolência brasileira pode ser o mesmo que o financiar o crime, o roubo e a corrupção, através dos impostos que pagamos aqui. Quantos africanos não foram mortos por culpa das lideranças locais que surrupiaram anteriormente os investimentos de empresas brasileiras feitas nestes países.

Usando o sentido acima, mas saindo um pouco da questão africana, costumo citar o exemplo de um mendigo brasileiro que lhe pede uma esmola. Caridosamente você abre a carteira e o ajuda. Qual o destino que ele vai dar a este recurso? Em alguns casos, vejo amigos ajudando, pois o mendigo foi sincero e disse que iria beber cachaça com o valor. Tamanha estupidez. Já analisou que se este usa seu dinheiro para se embriagar e chega em casa bêbado e espanca a esposa e os filhos. Quem financiou esta crueldade? Você e sua caridosa esmola. Não adianta lavar as mãos como Pilatos. Ajudou ele a espancar uma criança, uma mulher, foi culpado pelo roubo que ele fez ao estar motivado pelo consumo de drogas, dos crimes que cometeu ou dos acidentes que sofreu.

Ah, mas os doadores extraem benefícios, principalmente o psicológico, em alguns casos se sentem heróis, pois pagaram um pastel e uma Coca-Cola para um morador de rua, ou ocuparam a capa de alguma revista. Mas nunca se responsabilizam quando as iniciativas naufragam. Portanto seria muito melhor o Bono parar de bater palma durante suas canções e a Sharon ficar com suas pernas bem cruzadinhas. Deixando de venderem a imagem de salvadores das criancinhas esmilinguidas. Quando o que mais fazem é gerarem incentivos perversos ao desenvolvimento de longo prazo dos “ajudados”.

O boi e o Leopardo, quem sobreviverá?

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Por Odair Deters

Essa semana minha irmã me surpreendeu, informando que na casa dos meus pais localizada no interior, encontraram um filhote de gato-do-mato, ao me pedir o que fazer, eu disse: “cuida dele”. Muitos ambientalistas dão um pulo da cadeira nestes momentos. Achando que lugar de bicho selvagem é no mato, não estão errados. Mas ainda, casualmente, nesta semana, assisti no noticiário que o lindo Leopardo Nublado de Taiwan foi decretado extinto. Devido a grande demanda pela sua pele, esse gatão que mais parecia de pelúcia despareceu completamente do globo. O que não teria acontecido se ele tivesse sido domesticado por algumas pessoas. Mas não, preservadores acharam que ele sobreviveria num pedacinho de mato dentro daquela ilha super-urbanizada.

Atualmente existem milhares de organizações ambientalistas, partidos verdes fortes em alguns lugares, mídia focando pesado e livros escolares pregando a proteção ambiental. E os resultados alcançados, são mixurucas. Porque animais selvagens continuam sendo extintos? Apesar de ter se tornado algo moralmente ilícito, as dondocas continuam se encantando com um belo casado de pele feito por um punhado de bichinhos fofos que foram sacrificados. A proibição ao consumo não evita a matança, aliás, estimula um mercado negro que envolve muitas vezes muito mais, ou torna ainda mais cobiçado o belo casacão.

Hoje existem belas jaquetas feitas de couro de boi, não? Porque os bois não foram extintos?  Pois além do seu couro, sua carne também é muito apreciada. Comparamos aqui, os bois ao leopardo que sumiu recentemente. Apesar de com certeza ter se notado a diminuição destes felinos, e o que com certeza os caçadores devem ter se apercebido também, na impediu a sua extinção. No entanto caso determinado caçador deixasse de matar o leopardo, ele seria a caça de outro caçador que lucraria com sua pele. Portanto ele não ganharia nada em restringir sua caçada. O leopardo não era propriedade de ninguém, vivia no meio do mato. Por outro lado, a maioria dos bois é de propriedade de alguém. Quem matar hoje uma rês terá um boi a menos amanhã. Se o sujeito for criador de bois, terá uma bela motivação econômica para manter em equilíbrio seu rebanho, fazendo com que um boi morto seja substituído por um novo bezerro. Tanto os bois quanto os leopardo são valiosos. Porém o fato de o criador ter o direito de propriedade sobre seu rebanho garante que este não venha a ser ameaçado, diferente do que ocorreu com os leopardos nublados.

A princípio o caçador de leopardos é tão ganancioso quanto os criadores de bois, porcos, peixes, galinhas, chinchilas. Todos buscam o lucro. Inclusive os animais criados pelos humanos movimentam bilhões de reais a mais do que os que vivem no meio do mato, mesmo assim, nenhum boi está desaparecendo. Atualmente no Rio Grande do Sul, parecem existir inclusive mais bois do que pessoas. Por falar em Rio Grande do Sul, este é o único Estado no Brasil que tem a caça liberada [viva!]. Afinal só os fazendeiros sabem os problemas que os javalis costumam causar por estas bandas. Mas o tocante a caçada me permite explicar outra forma de preservação ambiental.

Nas savanas africanas muitos animais estavam correndo risco, pois assim como o leopardo que citamos. Um caçador que deseja o marfim de um elefante, disputa este recurso, com vários outros caçadores, sem controle algum. Se ele não matar o elefante hoje e se aproveitar do seu marfim, outro caçador poderá fazê-lo. Então diferente do criador de gados que precisa ir repondo seu estoque de animais, o caçador de elefantes não pode poupar. Só poupa, quem sabe que poderá resgatar e usufruir deste recurso no futuro. Essa garantia não existe ao caçadores que estão diante de um recurso público. Assim todos os caçadores tentam matar o maior número de animais no menor prazo possível.

Bom, os governos tentam proibir a matança dos animais em extinção, isto, torna estes bichinhos mais valiosos ainda. Sendo mais valiosos os caçadores ficam mais estimulados, e claro com um retorno maior, podem inclusive mais facilmente comprar os responsáveis do governo que deveriam zelar pela segurança dos bichinhos. Portanto, atacar a demanda nestes casos, resolve só em partes o problema, e em algumas vezes só piora a situação.

Portanto já pensou se alguns africanos passem a criar elefantes? Se estes gigantões passarem a ter um dono, que saberá que usufruirá deles no futuro, certamente irá conservá-los, irá querer a reprodução deles e protegerá seus filhotes. Certamente o número destes animais irá aumentar significativamente [Já existem algumas alternativas parecidas na África atualmente].

Com certeza o Leopardo que sumiu, causou muitos danos aos animais domésticos dos moradores da ilha taiwanesa, deve ter tido sua caçada incentivada pelo governo local décadas atrás. E assim que se notou mais recentemente que ele estava desaparecendo, o governo muda de figura e tenta proteger, impedindo sua caçada e sua comercialização. Logo os artigos associados a ele dispararam o preço e levaram os leopardos a sumirem.

Muito diferente do que os ambientalistas costumam pensar, a propriedade privada passa a mostrar-se como uma das melhores soluções para a preservação ecológica. Privatizar a Natureza é a forma mais viável para impedirmos o contínuo desaparecimento de espécies.

O mundo é uma goma de mascar e assume a forma dos seus dentes.

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Por Odair Deters

Na mitologia grega, encontramos Narciso, o auto-admirador. Nesta fábula podemos perceber, que Narciso não enamora-se de si mesmo, mas da sua imagem refletida na água, sem se dar conta que aquela era somente uma imagem. Acreditando ser um ser externo a si, outra criatura, apaixona-se, atira-se na água e desgraçadamente se afoga.  A fábula de Narciso é a metáfora do ser humano. Tal como Narciso, esquecemo-nos de sermos os artífices da nossa própria realidade pessoal, nos identificamos e vivemos em um mundo de ilusão [algo como o filme Matrix].

O mundo é um espelho do que somos. Isto torna o conceito de realidade muito subjetivo. O que eu enxergo como real pode ser completamente diferente do que o que você enxerga. E para melhor me explicar, antes cito o conceito de que basicamente, nossos estados interiores [euforia, tristeza, apatia, alegria, dedicação…] atraem os eventos [comemoração, solidão, miséria, festa, trabalho…] que lhes correspondem e os eventos fazem-nos recair nos mesmos estados. Ou seja, os estados são iguais aos eventos. Muito embora os eventos pareçam produzir-se de forma independente, eles são produzidos de acordo com os estados em que nos encontramos. Por isso sabiamente muito se diz que: “Pensamento é Destino”. Modificando nosso estados interiores, fazemos do mundo uma escola, e então podemos transformar os eventos que nos competem encontrarmos. Alterando o modo de pensar e de sentir, podemos começar a transformar a nossa existência. A partir do momento que vamos nos dando conta de que o mundo é a projeção de nós, vamos escapando do narcisismo que pode nos afogar.

Que podemos esperar dos comuns cantos de negatividade, que são como uma oração, atraindo assim os piores eventos possíveis. Isto demonstra que apenas aparentemente desejamos a prosperidade, a saúde ou bem a nós mesmos. Estamos de forma muito comum “orando” inconscientemente e atraindo: Preocupações, imagens doentias, expectativa de eventos terríveis, sejam eles prováveis ou improváveis.  Diante desta situação, desculpar-se, justificar-se, culpar um fato externo, ou outra pessoa, e não reconhecer nosso modo de pensar, sentir e reagir, fará unicamente com que o evento volte a se repetir muitas e muitas vezes. E assim muitos eventos em nossas vidas se repetem. Exemplo: Estar atrasado a um compromisso provoca um estado de ansiedade. Estas condições externas correspondem a uma condição interior que não foi criada naquele momento, e sim nas falhas que culminaram naquele estado. Em casos assim, existe uma parte interna nossa que se conecta àqueles eventos. Para eliminá-los, não existe outra solução que não seja modificar aquela condição interior que chamamos ansiedade, ou medo, ou preocupação, mas que, na verdade, não é outra coisa senão uma doença íntima.

O que chamamos de mundo é somente um efeito. Um reflexo espetacular dos nossos sonhos e pesadelos. E estes sonhos e pesadelos condicionam o nosso nível moral. Costumo exemplificar esta situação usando como exemplo, duas pessoas: Uma pessoa normal, comum e corrente e um viciado em ilícitas drogas. Se largarmos uma pessoa normal em Porto Alegre, São Paulo ou Nova York, e a mandarmos providenciar algumas gramas de cocaína, esta terá uma enorme dificuldade e possivelmente não conseguirá. Agora se pegarmos o viciado em qualquer uma destas cidades, ele facilmente encontrará uma dose para seu consumo. Pois automaticamente seu nível moral interno atrairá indivíduos com um nível moral interno e situações paralelas as suas. O mesmo se dá com um luxurioso e suas cenas de lascívia, ou um bêbado que terá por companheiros outros embriagados. Desta forma basicamente as pessoas que nos rodeiam constituem um nível interno muito semelhante ao nosso. Se alterarmos este nível, alteramos também nossas companhias. Por isso a sábia frase bíblica empregada por Jesus de Nazaré, que dizia mais ou menos o seguinte: “Diga-me com quem andas que te direi quem tu és”.

Portanto o fato de nos sentirmos deste ou daquele modo, ou os objetos que escolhemos. Bem como a segurança que buscamos em satisfações efêmeras, criando dependências externas, para apaziguar nossos medos e nossas esperanças. Fazem com que caminhemos hoje dos estados para os eventos. E todas as circunstâncias que acontecem no mundo ao nosso redor, é exclusivamente o reflexo do que interiormente levamos.

Independente da força que temos nos braços, a força necessária para mudar um pensamento, um ânimo ou uma emoção é muito maior. Basta pensarmos quão difícil é sair de um estado de mau humor. Na verdade todos os eventos nada mais são do que uma cura para estas estados equivocados que criamos, porém como em grande parte das vezes esta medicina não resolve, voltamos a nos deparar com os mesmos eventos desagradáveis corriqueiramente, enquanto determinados estados psicológicos continuarem existindo. Indiferente das circunstâncias se continuarmos jogando a culpa nos eventos e não em nós, vamos perdendo as oportunidades de definitivamente no libertarmos deste ciclo.

Atribua-se a culpa de tudo que lhe acontece. Use uma auto-observação que lhe permita assim uma autocorreção. Única forma de escapar de vivermos uma fábula de Narciso, em que nos identificamos com a imagem refletida na água, com a imagem do que consideramos o real e  verdadeiro, que não passa de uma ilusão à qual  gestamos. Quando conseguimos provocar esta mudança interior, o exterior também muda, as circunstâncias mudam, a vida muda. Portanto, o mundo é como uma goma de mascar e assume a forma dos seus dentes, o mundo é assim por que você é assim.