Um estudo econômico sobre os botões da professora Lorac

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(Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência)

Odair Deters

14/01/2013

As aulas da professora Lorac sempre foram boas, tiveram descontração e aprendizado, porém na cadeira de economia ambiental, a bela colega Nathalie, que quase sempre sentava ao meu lado, sempre olhava para a professora e me comentava: “Hoje ela está com roupa de menina”, ou, “hoje ela está com roupa de menino”, isso dava-se pela característica peculiar das camisas usadas por nossa professora, quando o tom pendia para o azul ou outra cor escura, ela classificava como camisa de menino, quando os traços eram mais delicados ou em cores claras, recebiam a identificação de roupa de menina.

Porém como ainda éramos aspirantes a economistas, não conseguíamos deduzir algumas questões econômicas de forma tão assertiva, e era tão simples identificar se a roupa era de menino ou de menina, pois as roupas femininas são abotoadas a partir da esquerda, enquanto as roupas masculinas o são pelo lado direito.

E a que se deve isso? Aí começa nossa análise econômica: O padrão de roupas femininas é exatamente o oposto do masculino. Isto não seria um problema se este padrão fosse completamente arbitrário, no entanto o padrão masculino parece mais adequado também para as mulheres – Isso se deve ao fato de que 90% da população mundial seja destra, indiferente de ser homem ou mulher – e é um bocado mais fácil para se abotoar uma camisa pelo lado direito.

Como é bom mergulhar nas páginas da história e desvendar este mistério, e chegamos ao século XVII aproximadamente, que foi quando apareceram os botões, considerados um artigo de luxo na época. Naquele período os homens costumavam se vestir sozinhos e as mulheres eram vestidas por criadas. Abotoar as roupas femininas no lado esquerdo facilitava o trabalho das criadas que assim como a maioria da população, eram destras. Já para os homens abotoar as camisas do lado direito fazia todo o sentido, pois a maioria se vestia sozinho e também eliminava substancialmente o risco de no momento em que precisasse sacar uma espada (naquela época se portava com maior frequência espadas) que era carregada no quadril esquerdo e empunhada com a mão direita de ficar presa na camisa. [imagine a cena]

Acontece que atualmente são poucas, muito poucas as mulheres vestidas por uma criada, então por que cargas as roupas femininas continuam com a abotoadura do lado esquerdo? As normas quando estabelecidas, muitas vezes tornam-se resistentes às mudanças, sendo que as mulheres estão acostumadas a terem a abotoadura pelo lado esquerdo, um fabricante que resolvesse mudar o modelo, correria sério risco, as moças de hoje estão acostumadas ao padrão, e novos hábitos e habilidades teriam que ser desenvolvidas para essa mudança. Sobrepondo quem sabe essa dificuldade prática, algumas mulheres também poderiam considerar socialmente incômodas aparecer em público com uma blusinha abotoada à direita, pois poderia dar a entender que estavam usando uma camisa masculina.

Ou seja, a economia explica fatos tão intrigantes como estes, e diz ao fabricante do vestuário, não arrisque.

Contei a história das camisas de menino e de menina da profe Lorac, a uma amiga que passou a ter recentes aulas com essa adorável professora, e eis que ela não se contém e volta e meia no final da tarde, horário em que está por começar a aula dela, eu recebo uma mensagem dizendo ora que a “Lorac está vestida de menino”, ora que ela “está vestida de menina”.

Porém quem de vocês já cuidou os botões da camisa da professora?

OS TIBETANOS DE BERLIM

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Odair Deters

14/01/2013

Ao fim da segunda guerra, em 25 de abril de 1945, tropas russas que inspecionavam cuidadosamente as ruinas de Berlim, ao entrarem no grande salão de um edifício semidestruído por uma explosão depararam-se com uma cena bizarra. Caídos, dispostos em circulo, estavam os corpos de sete homens, seis deles formando um circulo e tendo ao centro o sétimo cadáver. Estavam todos vestidos com uniformes militares da SS e o morto do centro usava um brilhante par de luvas verdes.

Entre os nazistas o esoterismo sempre ocupou um lugar especial, e o ocultismo e uma das razões de ser do nacional-socialismo alemão. Os místicos nazistas criaram diversas sociedades secretas, como a Sociedade Thule, a Sociedade Vril, a Ordem do Sol Negro, entre outras. Um dos fatos mais curiosos e justamente o que envolve a colônia tibetana em Berlim.

Os nazistas empreenderam incursões no Tibet, na Ásia central, na Antártida, Ártico e em vários cantos do mundo onde buscavam aberturas para a Terra-oca, passagens para um mundo existente no interior do

Planeta Terra. Também confiscaram todos os objetos que possuíssem ou pudessem ser fonte de poderes metafísicos.

 

Ahnenerbe

Ahnenerbe [criada em 01/06/1935], era uma secretaria de pesquisa cientifica do Terceiro Reich diretamente ligada as SS [tropas de proteção do Fuher] entre uma das vertentes de pesquisa estava a de descobrir evidencias arqueológicas e antropológicas da origem da raça Ariana.

Em busca destes Mestres e de seus ensinamentos, os nacionalistas-místicos alemães começaram cedo a organizar expedições cientificas.

Jamais uma nação investiu tanto em pesquisa esotérica ate então [mesmo em plena guerra] muitas vezes disfarçada de interesse arqueológico, histórico, geológico, botânica ou linguística. Fala-se muito de  expedições nazistas ao Tibete, porem, na verdade, no período de guerra e depois da instituição da Ahnenerbe apenas uma expedição ao Tibete e registrada, entre 1938 e 1939, liderada por Ernst Schafer

[1910-1992]. O mesmo Schafer já havia realizado duas outras expedições anteriormente: 1931-32 e 1934- 36. Essa terceira expedição era composta de 5 acadêmicos e vinte membros da SS, como missão: estabelecer relações com os misteriosos habitantes de Agartha [Cidade existente no interior do Planeta].

Em sua missão, a equipe deveria explorar vários aspectos da cultura e da etnia tibetana:

historia, religião, perfil psicológico, anatomia, tudo para esclarecer se havia ou não parentesco genético entre os tibetanos e os antigos povos arianos. Também pretendiam obter provas contra a teoria de que o homem descende dos macacos.

Antes mesmo da Ahnenerbe ser criada, Karl Haushofer, que era membro da Thule-Vril, atuou, entre os  nacionalistas, como uma especie de consultor para assuntos do ocultismo do extremo oriente, instruindo os membros das expedições alemãs [civis] que partiram em busca da fonte do poder sobrenatural, a partir de 1926 [curiosamente, ano de fundação da Colônia Tibetana em Berlim].

Por sua experiência com a mística naqueles países asiáticos, Haushofer estaria envolvido com a implantação da colônia tibetana e com os imigrantes tibetanos que se instalaram na Alemanha nos anos seguintes [a 1926]. Embora muito se insista em tibetanos, o fato e que a colônia de Berlim, em todas as fontes históricas, e associada a uma Sociedade Secreta japonesa, e não tibetana; a Sociedade Ordem dos Dragões Verdes. Todavia, também e verdade que os Dragões Verdes tinham seus tentáculos na China e no Tibete, e registra-se também a união nipônico-alemã durante a Segunda Guerra.

Ao que indica essa Ordem dos Dragões Verdes, venho ate a Alemanha após a expedição que partiu em 1938 e voltou à Alemanha as vésperas da guerra, em 1939 trazendo consigo alguns adeptos nativos da Ásia. Estes, fundaram a Loja Tibetana em Berlim que foi denominada Society of Green Men. Na Society of Green Men o Mestre absoluto, acredita-se, era um daqueles orientais importados. Ele ficou conhecido como o Homem das Luvas Verdes.

Os Homens Verdes afirmavam que tinham contato direto com a central japonesa através do astral [espécie de pratica do sono consciente]. A certa altura dos acontecimentos, A Green Dragon Society teria enviado para Alemanha sete membros, legítimos asiáticos.

O Monge das Luvas Verdes

A colônia tibetana em Berlim foi instituída bem antes do começo da Segunda Guerra, em 1926 e continuou crescendo durante o conflito. Depois da ascensão dos nacionalistas ao poder, os tibetanos eram importados pela Ahnenerbe, [segundo alguns, a Ahnenerbe selecionava os imigrantes precisamente entre os chamados Irmãos da Ioga negra do Tantra negro]. Apesar de todo esse negror, nessa colônia, destacava-se a figura de um monge tibetano que ficou conhecido como o Homem das Luvas. Hitler consultava-o com frequência.

O mistério em torno desse ocultista das luvas verdes e tão labiríntico que há quem afirme que ele nem era tibetano; uns dizem que que era alemão, erudito orientalista; outros, que era um judeu alemão ─ chamado Erik Jan Hanussen [1889-1933] ou, talvez, um um ex-judeu, Ignatius Timothy Trebitsch-Lincoln [1879-1943]

vulgo Chao Kung.

Nos casos de Ignatius Timothy Trebitsch-Lincoln e Erik Jan Hanussen, apesar das biografias pitorescas, as datas oficiais de suas mortes parecem eliminar a possibilidade de um deles ter sido o “monge das Luvas Verdes”. E finalmente, o defunto do centro circulo tibetano também tinha feições orientais. No caso de judeus citados, por incrível que pareça surgem muitos nomes de judeus ligados as altas patentes dentro

do poder nazista e mesmo através do financiamento da expansão do nazismo.

Trebitsch-Lincoln [1879-1943] Erik Jan Hanussen [1889-1933] vulgo Chao Kung.

A terceira hipótese, da colônia tibetana ser, na verdade uma Loja esotérica, filial dos Dragões Verdes nipônicos-tibetanos e bastante plausível. A migração para a Alemanha teria sido intermediada por Karl Haushofer, desde o começo dos anos de 1920, a partir dos contatos que fez, quando esteve em missão militar no Japão e, muito interessado na cultura local, foi um, dos apenas três ocidentais, admitidos entre os

Dragões ao longo da longuíssima existência daquela organização.

O monge de Luvas Verdes e o mais misterioso personagem da historia esoterica da Segunda Guerra Mundial. Envolto em especulações, sua identidade jamais foi descoberta. Em meio às suspeitas e poucos indícios, o que se sabe e que este homem era um oriental e, muito possivelmente tibetano. Embora a colônia tibetana em Berlim tenha criação datada em 1926, parece improvável ou precoce que o Green Gloves tenha chegado a Alemanha nesta época.

O Clã dos Dag-Dugpa

[Druk-pa, Dugpa, Brugpa, Dag dugpa ou Dad dugpa]

Tudo indica, portanto, que o Homem das Luvas Verdes, de fato, existiu na mística do nazismo. Descartando hipótese de ser um ocidental orientalista ou orientalizado, resta investigar a identidade de um verdadeiro tibetano radicado em Berlim. Embora as referenciem sobre esta possibilidade sejam constantes porem exíguas, todas as fontes concordam que o exótico conselheiro das SS, se tibetano, era um mago negro daquele pais pertencente ao clã dos Dag-Dugpa. Sobre os Dag Dugpa, escreve o Mestre ocultista Samael Aun Weor [1917-1977]:

O Cla de Dag Dugpa pratica o Tantrismo Negro. Os Iniciados Negros Bonzos e Dugpas [de gorro vermelho] ejaculam o sêmen, misticamente e ademais tem um procedimento fatal para recolherem o sêmen carregado de átomos femininos de dentro da própria vagina da mulher, logo, o injetam [aspiram-no] uretralmente [pela uretra] e reabsorvem-no, com a forca da mente, para leva-lo ate o cérebro.

E sobre Hitler e o Homem das Luvas Verdes: O homem das luvas verdes pertenceu ao clã dos Dag Dugpas. Hitler deixou-se dirigir por este homem que lhe ensinou a cristalizar tudo negativamente.

 

Os Orientais de Berlim

Ao encontrarem o circulo de sujeitos mortos, os russos perceberam que os defuntos eram todos orientais e um dos soldados, que nascera na Mongólia, reconheceu-os como tibetanos. Era evidente que não tinham morrido em batalha; cometeram suicídio. Nas semanas que se seguiram outras centenas de tibetanos foram

descobertos em Berlim, Munique e Nuremberg; alguns, mortos em ação; outros, que cometeram o suicídio ritual. Nenhum documento de identificação foi encontrado.  Todos vestiam uniformes das SS. Trata-se de um dos mais resistentes entre os enigmas da historia da segunda Guerra Mundial. Apesar de terem sido identificados como tibetanos, os sete corpos encontrados pelos russos em 1945 tinham característica bem japonesa impressa em suas mortes: todos os suicídios foram cometidos rasgando o ventre com uma faca, método japonês. O mesmo método que Karl Haushofer usou as vésperas de ser preso pelos Aliados, no fim da Guerra.

Não acordem o passado

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Por Odair Deters

07/01/2013

Hoje a economia é uma locomotiva, e seus vagões são separados por elásticos, então quando a locomotiva freia, todos os vagões se chocam, e um dos vagões é verde-amarelo.

Tudo começou em 1944 no acordo chamado de Bretton Woods, com a criação do FMI e do Banco Mundial, e momento em qual o dólar passou a ser a moeda forte do sistema financeiro mundial e permitiu-se a sua desvinculação do ouro. No entanto foi a partir dos anos 80 que esta mudança desenvolveu uma gigantesca especulação, completamente descolada da produção. E as fichas começaram a ser jogadas no cassino global. Bilhões e bilhões de dólares começaram a cruzar as fronteiras dos países em um movimento frenético em busca de maior rentabilidade, somando proporções de 10 para 1 em comparação com o PIB do planeta. Um papel sem lastro nenhum, mas muito defendido, e para os governos, salvar moedas, mercados e grandes corporações e preferível a salvar vidas humanas.

A democracia política se pulverizou nos países, no entanto a democracia econômica não a acompanhou. Mas a maça envenenada para o terceiro mundo caiu no prato do primeiro mundo com a crise que irrompeu em 2008, no entanto, uma crise onde os assassinos econômicos não sofrem punição, com exceção da pequena Islândia que teve o caráter de agir e punir, os demais, os peixes grandes foram todos anistiados embaixo da saia do FMI.

E na santa inquisição da economia entra em cena o Tomás de Torquemada, agora FMI, punindo os hereges das finanças com redução do investimento público, desemprego, aumento de impostos, cortes sociais limitando o auspicioso objetivo do Estado de bem-estar social dos países periféricos. Exemplo latente foi quando Papandréu, primeiro-ministro grego, propôs um plebiscito para ouvir o povo, o FMI vetou a proposta, depôs e nomeou outro em seu lugar, Papademos. Incluindo mais intervencionismo e menos democracia.

O nível de bem-estar futuro está condenado, e queixosos do presente, temerosos do futuro, o risco de refúgio no passado é grande e lá estão adormecidos sujeitos como Hitler, esperando passar o sono para vestirem uma nova roupagem.

Publicado originalmente em: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=112941

O que vêm depois da civilização?

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Por Odair Deters

03/01/2013

Como um pêndulo de um antigo relógio, a história do mundo se desenvolde[1].  Povos, culturas e civilizações crescem em um lado do planeta e depois desmoronam-se, somem, e floresce no outro lado, como que influídos pelo movimento pendular de Galileu[2], este aplicando-se a evolução das civilizações. A nossa atual civilização encontra-se em um processo não antes visto de desenvolvimento científico assombroso, e a migração para uma sociedade do conhecimento e da cibernética[3] permite atingir um estado de maior riqueza e de viver-se melhor, acesso de mais e mais pessoas aos bens de consumo e aos bens culturais, e por aí adiante, chegando os avanços da tecnologia aos mais comuns cidadãos. Difícil imaginar um fim a esta espiral “evolucionista” comtemporânea, mas eis que cruza um cisne negro voando[4].

Um pensamento que parece abismal, mas que quando confrontado com outros pontos da nossa conhecida história, como em Roma, que dominou a Europa Ocidental e o Mediterrâneo, onde um modesto camponês comia em um prato de cerâmica com uma qualidade que nem as mais faustosas cortes da Idade Média conheceriam séculos mais tarde. Ou que um humilde vendedor de perfumes de Pompeia sabia ler e escrever, podendo com o uso de sua faculdade se gabar, deixando uma inscrição nas pareces da cidade destruída pelo Vesúvio[5], informando da sua última cópula com uma prostituta, e ler e escrever era uma faculdade que séculos depois apenas teriam acesso uma pequeníssima minoria de monges que habitavam eruditos conventos. Ou ainda se podia beber na Palestina vinho produzido na Ibéria, ou que as conservas de peixe do estuário do Sado chegassem às mesas de famílias de classe média espalhadas pela imensidão do Império. As habitações mais humildes utilizam durante o período dos imperadores romanos, tijolos e telhas de melhor qualidade que os palácios dos senhores feudais eregidos séculos depois[6].

O exemplo romano é o mais latente de uma civilização que propiciou o desenvolvimento para seus habitantes, mas assim o foi quando surgiu o Egito com todo seu poderio e senhorio às margens do sagrado Nilo, e depois o país dos faraós despencou para do lado oposto erguer-se Jerusalém, a cidade querida dos profetas e assim por diante, não faltam outros exemplos exponenciais na história, as civilizações persa, dos templos de Angkor Wat, das ilhas do Mar Egeu, gregos, incas, maias e toltecas, entre outras, todas desapareceram, deixando apenas alguns resquícios de feitos que até hoje em muitos casos são inigualáveis.

Antevendo o declíve da atual civilização, pergunta-se um economista brasileiro: Por que foi escolhida a cidade de Nova York para monumental cenário da tragédia[7], a mais cosmopolita dos tempos modernos, centro mundial do business comtemporâneo, assim como o foram, no passado, Cartago, Alexandria, Constantinopla, Veneza, Amsterdam, Recife ou Londres?[8] Estamos diante de um trágico recuo civilizatório?

Na antiga Roma, onde as mercadorias circulavam, onde se cunhava moeda, onde se tinham desenvolvido métodos sofisticados para melhorar a produção agrícola ou onde se lia e escrevia sem ter de pertencer a uma pequena elite, sinais que contrastam com o outro mundo que lhe sucedeu, onde nada disso era possível. Forçando a identificação de que isto não foi uma mera transformação, mas uma verdadeira catástrofe.

Algumas importantes e intrigantes civilizações do passado e algumas sociedades atuais foram conduzidas à sua extinção ou estão em uma situação que se não superarem as adversidades terão o mesmo fim. Os fatores decisivos para modelar o futuro de uma sociedade são os mesmos, problemas de administração dos recursos, meio ambiente, crescimento populacional tão preconizado por Thomas Malthus[9], todos os elementos que também temos que nos preocupar nos dias de hoje. Nos criando indagações como: Como pode uma sociedade outrora tão punjante acabar entrando em colapso? Qual foi o destino de seus indivíduos? Foram embora e (…) por quê? Ou será que morreram ali mesmo, de modo miserável? Será que nossa próspera sociedade acabará tendo o mesmo destino?[10]

Observamos que a queda romana, nosso melhor exemplo, ocorreu muito mais depressa e de forma mais inesperada e abrupta do que a previsível, se se tivesse assistido apenas a um lento declínio, sendo precipitada por erros políticos, pela degenerescência ética do Estado e dos seus líderes e, sobretudo, pelo colapso da estrutura económica que permitia a Roma manter os seus gigantescos exércitos. Na verdade, quando estes deixaram de proteger as populações contra as incursões dos bárbaros, estas deixaram de sentir que valia a pena pagar impostos; sem impostos não se podia pagar aos legionários e com menos legionários ainda havia menos protecção. Entrou-se assim numa espiral viciosa que provocaria o rápido desaparecimento do Império do Ocidente, algo que surpreendeu os próprios cidadãos de Roma. O que nos remete ao alerta: Os romanos, antes da queda, estavam tão certos como nós estamos hoje de que o seu mundo continuaria para sempre substancialmente inalterado. Estavam errados. Seria errado repetirmos a sua complacência.

Diante disso, quando em 2008 um crise imobiliária na mais pujante nação do planeta provoca uma ruptura, permeando a falência coletiva do abonadíssimo setor bancário – o coração do sistema – a quebra de países e a queda de governos, possível escassez de recursos, alimentos que matam, ameaçadas nucleares e novas e contagiantes doenças e epidemias. Deixam implícito, que confiar em tecnologias capazes de salvar o mundo é uma abordagem temerária. Dentre as civilizações que entraram em colapso no passado e as que correm risco de entrar no presente, muitas dispõem de sofisticados aparatos tecnológicos para os padrões de seu tempo.

O fim do Ocidente romano foi testemunha de horrores e perturbações de um tipo que sinceramente esperamos nunca ter de viver, e destruiu uma civilização complexa, atirando os habitantes do Ocidente de volta a um padrão de vida típico da época pré-histórica. Onde que estaria o comprometimento, a responsabilidade final, para mudar essa atitude, senão em nós. Que escolhas econômicas, sociais e políticas ainda podemos fazer para não termos o mesmo fim?

REFERÊCIAS:

ABREU, Armindo.  Delenda New York, a nova Cartago!!!. Disponível em: <http://www.armindoabreu.ecn.br/artigos/delenda.PDF> Acessado em: 27 de agosto de 2012.

DIAMOND, Jared. Colapso – como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso. Editora Record, 2005

MALTHUS, Thomas Robert. Ensaio sobre a população. Traduções de Regis de Castro Andrade, Dinah de Abreu Azevedo e Antonio Alves Cury. Editora Nova Cultural Ltda. São Paulo – SP, 1996.

TALEB, Nassim Nicholas. A lógica do cisne negro –  O impacto improvável. Gerenciando o desconhecido. Tradução de Marcelo Schild. Rio de Janeiro: BestSeller, 2008.

WARD-PERKINS, Bryan. A Queda de Roma e o Fim da Civilização. Tradução de Inês Castro. lêtheia Editores, 2006.


[1] Nos antigos tempos, o dogma da evolução não existia; então, os sábios entendiam que os processos históricos se desenvolvem sempre de acordo com a Lei do Pêndulo.

[2] A descoberta da periodicidade do movimento pendular foi feita por Galileu Galilei.

[3] Ciência que estuda os mecanismos de comunicação e de controle nas máquinas e nos seres vivos.

[4] Até meados de 1697, ano em que a Austrália foi descoberta, não havia registro da existência de cisnes de outra cor que não o branco. Foi no novo país que cisnes negros foram vistos, pela primeira vez, derrubando uma crença. Nassim Taleb, em seu livro A lógica do cisne negro, vale-se desse fato para caracterizar eventos cuja ocorrência não é prevista ou tida como impossível, portanto ninguém se prepara.

[5] Estravulcão localizado no Golfo de Nápoles, Itália, famoso pela erupção em 79 d. C., que resultou na destruição das cidades romanas de Pompeia e Herculano

[6] Ward-Perkins, Bryan. A Queda de Roma e o Fim da Civilização. Tradução de Inês Castro. Alêtheia Editores, 2006.

[7] Atentados ocorridos em 11/08/2001 no Word Trade Center – WTC

[8] ABREU, Armindo.  Delenda New York, a nova Cartago!!!. Disponível em: <http://www.armindoabreu.ecn.br/artigos/delenda.PDF> Acessado em: 27 de agosto de 2012.

[9] Thomas Robert Malthus – economista – Tornando-se famoso por suas perspectivas pessimistas, mas muito influentes, preconizando os limites do crescimento populacional e suas consequências.

[10] DIAMOND, Jared Colapso – como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso. Editora Record, 2005

50 tons de economia

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Por Odair Deters

03/01/2013

O mercado editoria tem criado grandes sucessos, os jovens se “morderam” com os vampiros da saga Crepúsculo e agora se envolvem em muitos tons de cinza. Enquanto isso os estudantes da então ciência lúgubre chamada economia, divertem-se com os livros que a tornam muito mais divertida.

Os livros econômico-divertidos começaram com o sucesso Freakonomics, que trouxe um lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta, tendo continuação no Super Freakonomics, com o lado oculto do dia a dia. Apareceu também A Calda Longa, mostrando a migração do mercado de massa para o mercado de nicho; A Estratégia do Oceano Azul, que ensina como investir em mercados inexplorados e criar um mercado sem rivais tornando a concorrência irrelevante; O Economista Clandestino, que relata como os princípios econômicos estão por trás das mais corriqueiras atividades, explicando desde situações como um congestionamento ou o preço cobrado pelo cafezinho que tomamos. Os economistas brasileiros não ficaram para trás, com publicações como Sob a Lupa do Economista, que nos traz uma análise sobre bruxaria, futebol, terrorismo e até sobre o preço da pipoca no cinema ou o Economia Sem Truques, que ensina economia a partir de seus princípios mais básicos com questões práticas e importantes do dia a dia.

Bem como o casal Edward e Bela criaram muitos fãs ou o Marquês de Sade contemporâneo e light que os substitui, os leitores de economia cansados de estudos que envolvem pensadores de outrora ou análises econométricas, assim como a garota insegura que conhece um cara incrível no romance de E. L. James, estes estudantes de economia, estão começando a conhecer uma parte incrível, por vezes simples e apaixonante nos seus estudos, e tal como a personagem que começa uma paixão onde ela consegue se entender, conhecer e aceitar-se melhor, assim estes estudantes filhotes do velho Adam Smith, tornam-se mais seguros na sua paixão.

Alguns destes livros já são leituras obrigatórias em algumas cadeiras do curso de Ciências Econômicas nas faculdades, sendo requisitos para a obtenção do canudo, pelo poder de envolvimento e facilidade de demonstração de teorias muitas vezes tidas como chatas no decorrer do aprendizado. Enquanto a personagem Anastasia vai perdendo a virgindade nos 50 tons de cinza, o público no geral vai perdendo a virgindade diante do também enigmático, misterioso e não menos sedutor mundo das ciências econômicas, com uns 50 tons de economia dispersos em diversas publicações recentes.