O DILEMA DA ECONOMIA SOCIAL

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Por Odair Deters

30/12/2010

A economia é o eixo do mundo, discutida por todos e  compreendida por poucos, ainda mais em tempos de crise como o atual.

No entanto o atual momento permite que entrem em discussão pressupostos que vislumbram uma sociedade política e econômica que seja capaz de assegurar o bem estar social e as motivações e liberdades individuais pela melhora do nível de vida. É neste sentido difícil fugir dos alinhamentos das correntes político-ideológicas que minam os intelectuais e citam metas alcançáveis de organização social com uma perspectiva humanista. Temas como meio-ambiente, inflação, déficit, burocracia, educação, governo, distribuição de renda e desenvolvimento, entre outros, são alguns que pretendo abordar resumidamente com alguns pitacos, pois estes se enroscam, e conseguir um equilíbrio nesta gangorra não parece tarefa fácil.

O barbudo e materialista Marx fazia uma distinção, em que dividia a sociedade em proprietários dos meios de produção e trabalhadores. Hoje esta distinção tomou outros moldes e passa a ser a distinção entre os afortunados e os excluídos. Sendo que a diferença dos afortunados aos proprietários de Marx, reside que estes hoje não necessariamente dominam os meios de produção, ou seja, não precisam serem os donos dos meios de produção, podendo serem bem sucedidos nas mais diversas áreas existentes atualmente, ou até mesmo como profissionais liberais. Este grupo de abastados rejeita a palavra inflação, assim como gato rejeita o banho, pois a inflação representa para este grupo um inimigo que pode afetar seus lucros, mesmo sabendo que esta atitude acaba por gerar um maior desemprego, e até recessão, bem como o desemprego reduz o poder de negociação dos trabalhadores por seus direitos. Portanto todos os enaltecidos discursos anti-inflacionistas e repetitivos que impregnam a mídia e as mentes, faz parte de um pensamento sistêmico dominante no mercado, sendo a forma que um grupo encontra para se defender, é um lado da moeda, a dos fartos financeiramente, contra os que estão no lado contrário, lutando por miseras conquistas, aspirando fazer parte do grupo que os repele. Claro que falar de inflação num país como o Brasil, ressoa complicado. Pois conhecemos bem os nefastos malefícios dela, econômicos e sociais, enfrentados á alguns anos atrás.

A construção de uma sociedade mais justa e igualitária é possível, lembramos aqui os países escandinavos e como fator a determinar que mudanças globais são possíveis, temos a questão ambiental que hoje é defendida fortemente, inclusive por industrias que outrora possuíam a veste do anjo da morte para o meio ambiente. Toda uma mudança iniciou nas mentes. Claro sempre temos os aproveitadores, como ONGs que atravancam o desenvolvimento ou o mercado absurdo dos créditos de carbono (pretendo abordar isto em outro texto futuramente). Mas uma mudança considerável aconteceu e hoje temos um conflito entre as necessidades econômicas atuais para suprir os bens de consumo e serviços requeridos e a preservação do bem estar geral do meio ambiente. Ambos os lados precisam serem levados em conta, mas o que mais necessitamos ainda neste campo é a maior conscientização e esclarecimento dos cidadãos.

Entre os temas que cito, o problema de manutenção de uma economia crescente complica, pelo fato de ser a inflação para os dominantes, um perigo maior que o desemprego, pois ela afeta suas rendas e o número de desempregados não os afeta com a mesma intensidade. Então podemos ter a estagnação e o desemprego em contra-mão ao crescimento, pelo medo da inflação. Para uma economia social, os preços estáveis não podem ser tolerados. E conciliar empregos e preços estabilizados, é uma batalha complicada e quem sabe impossível. Então o aumento dos preços tem que ser aceito, pois socialmente é aceitável à estabilidade com base no desemprego generalizado. E aqui precisamos ver uma participação do Estado, o que pode começar a ferir aqueles que se acham neoliberais.

Outro fator que analiso como mal interpretado é o destino dos orçamentos públicos, sendo que noto que eles não necessariamente necessitam estarem equilibradíssimos, desde que os gastos objetivem uma melhora social, garantindo um bem estar para a sociedade no futuro e um crescimento e desenvolvimento econômico. Então a duplicação daquela rodovia, a construção daquele hospital, a importação de equipamentos médicos de alta tecnologia, combate as drogas, construção de escolas, qualificação de professores e desburocratização, são investimentos que demonstram assertividade, seria uma forma de onerar positivamente o governo e a sociedade.

Um dos fatores que citei, pode parecer desnecessário, mas ele é um mal enlouquecedor na atual sociedade, é como um vírus que se infiltra na papelada – a presente burocratização. Hoje vivemos num novo mundo de conhecimento, interligação e conectividade, os países precisam estar no embalo dos poderes mundiais a que estão sujeitos. Aproveito para falar dos organismos internacionais como FMI, Banco Mundial entre outros, que deveriam funcionar ao oposto do que hoje são observando os países pobres e ajudando estes, não preconizando ainda o velho olhar colonialista.

Atualmente é inegável o fundamento da educação para o desenvolvimento econômico, sendo essencial e comprovado. A educação precisa ser abordada como mola mestra para a economia, como método de diminuir a manipulação de uma classe por outra, tornar o que conhecemos por democracia como algo mais democrático, através da participação política das pessoas. O que não se pode é esperar desenvolvimento econômico através da restrição da educação aqueles que possuem recursos financeiros para tal empreendimento e sim um direito de todos, não pecando também na quantidade, achando estar educando os cidadãos, com abundância de possibilidades, quando a qualidade é precária.

No atual cenário econômico o capital humano já visualiza ser tratado quase como um capital ativo das empresas, e é a natureza humana a motivadora do atual sistema. Nesta moderna economia necessitamos então de uma igualdade na distribuição da renda, predomínio da honestidade no mundo financeiro e tributação progressiva. Vivemos num período em que muita renda é gerada sem nenhum ganho social, sem gerar se quer um serviço econômico. A distribuição do poder pode ser fruto do poder, e o poder pode ser fruto desta distribuição, para tanto necessita uma segurança pública para aqueles que não possuem o poder, alguns exemplos quem sabe sejam: os sindicatos que trabalham corretamente em benefício dos trabalhadores, seguros-desemprego, seguros-saúde, e salários socialmente dignos.

Mesmo sendo visto como um ônus pelos ricos, o governo precisa estar presente, ele é fundamental para os pobres, como diz o economista John Keneth Galbraith em um de seus muitos livros, existem 4 fatores que forçam a necessidade de intervenção por parte do governo através da regulação, sejam: necessidade de proteção do planeta; proteção dos vulneráveis; propensão da economia de produzir e vender produtos deficientes ou prejudiciais e a incorporação pelo sistema de tendências autodestrutivas. De certa forma todas foram mais ou menos abordadas no esboço acima, poderíamos inserir aqui outros tópicos como impostos, mudanças climáticas, imigração, exércitos, o poder das sociedades anônimas, a internet e a sociedade do conhecimento, bem como muitos outros.

A dicotomia: capital e trabalho. Transforma-se em uma nova abordagem de ricos e pobres e precisamos para a nova política e economia social de soluções transformadoras desejáveis e possíveis. Falar de déficit e de inflação pode parecer complicado, mas quem sabe estejam enredados nas soluções para o equilíbrio, afinal mordida de cobra se cura com o soro antiofídico, elaborado com o veneno do próprio animal.

Apesar de ser um texto de economia, espero não os ter feito navegar por parágrafos inexpugnáveis, mas deixar claro que a para uma economia social vivaz, ninguém pode ser excluído, de forma a viver sem renda, não ter um lar, cuidados com a saúde ou morrer por inanição.

Para finalizar quero deixar as palavras do grego Aristóteles que já frisava naquela época que ” … A razão pela qual os indivíduos se reúnem em comunidade, não e apenas o de viver em comum, mas o de viver bem …” e complementava através de que” … Para que o objetivo da boa vida seja realizado e necessário que os cidadãos visem o interesse comum e em conjunto,… ou por intermédio dos seus governantes…” . O maior dilema a ser enfrentado pela economia social é aplicar uma justiça a todos, construir uma sociedade com pilares de justeza, mesmo sabendo que os que preferem dificultar isto sejam muitos.

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Prá lamentar os parlamentares?

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Por Odair Deters

24/12/2010

Acho que o maior lamento que devemos ter por estes dias é o da atitude de omissão de nosso povo frente à política e sua costumeira postura de vítimas daqueles os quais empregamos no Senado e nas Câmaras como nossos representantes. Quem deu poder a estes empregados de votarem seus próprios salários fomos nós, quero desculpar-me aqui por usar a expressão “nós”, pois sei que uma pequena parcela da população vota conscientemente, diante de outra parcela que vende seus votos, e outra que é simplesmente ingênua e acaba sendo arrastada pela mídia e troca seu voto por nada ou por algumas miçangas, espelhos, ou qualquer coisa que pareça brilhar; olha quem coloca estas pessoas sem preparo ético para o cargo o qual exercem, fomos nós; quem não exige um diploma de formação superior, mestrado ou doutorado, quem não cobra mais, ou o mínimo, como o que seria exigido por qualquer empresa mediana para um cargo desta responsabilidade somos nós eleitores; quem elege palhaços, poposudas acéfalas e analfabetos para votarem temas e leis complexas; que afetam o nosso país, e o mundo; tornam-se vitimas e depois se calam, resmungando pelos cantos, fazendo pequenos protestos, como este que você está lendo, e no final das contas acaba resignado, aceitando os fatos, sem maiores esforços. Somos nós. Nunca tivemos neste país coragem para levar até as últimas conseqüências, o comodismo está em nosso sangue. Assisti recentemente um médico inglês dizendo que se o governo britânico tentasse fazer qualquer mudança nas políticas públicas de saúde o povo provocaria uma revolução, e assim vemos na Inglaterra e na Itália os estudantes recentemente provocando grandes e fortes manifestações, os trabalhadores franceses contra as reformas na sua previdência, ou os gregos diante das medidas de austeridade; eles não se calam, lutam e tornam-se dignos de méritos maiores. Olha o mais cruel que tenho que admitir ainda é que nossos parlamentares ganham muito pouco, tamanha é a omissão que eles precisam ter diante do descaso com sua população.

O que nos salva é saber que a maior parte do eleitorado está feliz, não está nem aí, vivendo perfeitamente, pelo desenrolar dos fatos somente uns poucos realmente parecem estarem descontentes, pois a corja eleita, de palhaços, mulheres frutas, cantores sertanejos, bichas-loucas, políticos dinossauros caquéticos e filhos de políticos, representa os anseios populares e refletem a vontade do povo.

Citei alguns eventos europeus de insatisfação a pouco, claro o extremismo, ou os golpes de violência não revolucionam tanto e ademais prejudicam a muitos, o que precisamos é de uma revolução interna, de uma chamada, a si mesmo e de cada um de nós, de responsabilidade e compromisso como o próximo e com o legado para as futuras gerações. A medida em que cada um se posicione, que vão se organizando pacificamente e dentro da legalidade, pode ser que inicie um movimento de mudança, quem sabe não especificamente a mudança, mas de preconização do respeito. A principal luta não é contra “eles”, o verdadeiro inimigo está dentro de cada um de nós, seja: a ignorância, a omissão e a descrença, entre outros e isto se observa claramente: as pessoas no poder mudam, mas o comportamento é o mesmo. O problema não são as pessoas em si, mas o tipo psicológico que insistimos em manter no poder, perpetuando esta situação de país do futuro, que é acaba sendo a terra do nunca. Para começar exija uma nova postura de nossos representantes, construamos o país do AGORA.

 Isto é possível, e um exemplo de iniciativa individual, recente foi o de um bispo cearense, Dom Manuel Edmílson, amplamente noticiado; ele abriu mão de toda a vaidade, e dos enredos do ego, não se vendeu por miçangas ou espelhos, mostrou-se ético e integro, e resistiu a adulação e bajulação, quem sabe não receba apoio nem dentro da instituição a qual faz parte. Porém não compactuou com os atos inconscientes dos “pralamentares” como ele os chama. O Bispo recusou nesta terça-feira (21/12/10) de receber uma comenda do Senado Federal. Ele afirmou que sua atitude era para protestar contra o aumento salarial de 61,8% aprovado pelos parlamentares em causa própria. A homenagem que ele recusou era a Comenda dos Direitos Humanos Dom Helder Câmara. Ele recusou o agrado em um discurso no próprio plenário do Senado, criticando no momento os parlamentares por aprovarem o aumento salarial. “Quem assim procedeu não é parlamentar, é para lamentar”, disse o religioso.

O EU ECONÔMICO HISTÓRICO – COMPÊNDIO

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Odair Deters

23/12/2010

Refletindo uma recente conversa com um amigo militar, que esta prestes a deslocar-se para o Haiti, na missão organizada pela ONU, o mesmo me fez alguns comentários da situação haitiana observada em uma recente visita aquele país. Sabemos que não bastando a inoperância governamental e o caos reinante, a alguns meses atrás este território caribenho foi também sacudido por um terremoto, a intensidade pode não ter sido das maiores, mas devastou  o já esculhanbado país, diante disto a ajuda internacional providenciou alguns abrigos para atender o contingente afetado pelo tremor. Porém passado já alguns meses o comodismo e a falta de iniciativa que cerceiam este povo o impediram de ir juntar os escombros e reconstruir suas casas, continuam lá atirados nos abrigos que mais parece um campo de refugiados, e assim vão blasfemando contra tudo e contra todos. Na mesma conversa fizemos um comparativo com situações parecidas que ocorreram no Rio Grande do Sul, embora de menor intensidade, mas que uniu a população na reconstrução.  E através disto discorremos em fatores como de colonizadores e colonizados.

Bom, um dos problemas encontrado ao extremo no Haiti, desenvolve-se por toda a América Latina, porção continental onde criou-se uma espécie de reação aos vencedores, evidenciando doutrinas da dependência, a sua mais bem sucedida exportação. Estas doutrinas são venenosas para a consciência e a moral. Elas instigam uma mórbida propensão para atribuir as culpas a todos menos aqueles que as denunciam, essas doutrinas promovem a ineficiência econômica. Enxergam os defeitos nos demais, porém não são capazes de se observarem, fato comum nos países latino-americanos que foram sendo criados.

Crítico a América Latina. Mas e o resto do mundo? Bem, o isolacionismo tornou-se sinônimo de China. Redondo, completo, aparentemente sereno, inefavelmente harmonioso, o Império Celeste no oriente prosseguiu ronronando durante quatrocentos anos mais, impenetráveis e imperturbáveis. Mas o mundo continuou a avançar, deixando-o de lado. Para os índios americanos e para os aborígenes tasmanianos, foi o apocalipse, um terrível destino “imposto de fora”. Já nos Estados Unidos, destacaram-se as vantagens naturais do país, mas o epicentro do desenvolvimento encontra-se na sociedade de pequenos proprietários rurais e trabalhadores relativamente bem pagos, não foi uma cultura de colonialismo para exploração como no restante da América, os Estados Unidos eram um viveiro de democracia e iniciativa. Como existia uma igualdade, gerava um alimento para o amor-próprio, a ambição, a disposição e coragem para ingressar e competir no mercado, um espírito de individualismo e de disputa, marcados pela ética protestante e o espírito do capitalismo que Max Weber desenvolveu que, entre outras façanhas, desdobrou-se no sistema de produção em massa. Já em 1870 os EUA tinham a maior economia do mundo e os melhores anos estavam ainda para vir.

Outro exemplo a ser citado é, o do Japão, um país que mal encontrou os europeus e aproveitou-se disto, tratou de aprender e aprimorar os seus métodos. Mas aí, mais uma vez, foi o substrato cultural dos seus naturais que fez a diferença. O Japão, a exemplo dos EUA, não teve o calvinismo, mas os seus homens de negócios adotaram uma ética de trabalho semelhante. O segredo está mais no compromisso com o trabalho do que com a riqueza. Por isso, mesmo sem uma revolução industrial européia, os japoneses desencadearem a sua.

O pêndulo do relógio que rege os destinos do mundo em sua alternância, fez com que a Inglaterra começasse a dar sinais de cansaço e acomodação após ser a bam-bam-bam da revolução industrial, e então temos uma transição da primeira para a segunda revolução industrial, onde a França e a Alemanha aparecem finalmente como jogadores de primeiro plano. O conformismo é fatal e foi por isso que os ingleses, que demonstravam serem teoricamente mais bem preparados para enfrentar os desafios da indústria química ou automobilística, ficaram para trás e acabaram ultrapassados. Os franceses, até aí retratados quase caricaturalmente pelo seu chauvinismo, mostram por fim os seus trunfos adentrando no embalo da nova semi-revolução. Os Alemães tornam-se um das maiores economias do mundo e mesmo sendo destruídos e roubados na primeira Guerra e novamente destruídos e eternamente condenados na segunda, reconstruíram uma das três potências da econômica mundial (até o desbanque recente pela China), um exemplo em estabilidade, dinamismo e engenhosidade. E como corolário lógico da receita segundo a qual o mercado, a disciplina, a ética do trabalho compensam, surgiram depois dos anos 60 os tigres asiáticos, e assim a maior prova de que o subdesenvolvimento não é uma condenação “ad eternum”, tanto moldada nas mentes latino americanas. Embora em 1997 a crise do sudeste asiático abalou a economia mundial, os tigres seguem vorazes.

Os nossos vizinhos argentinos são um exemplo bom a serem citados. Existem claro muitos fatores relevantes para o desenvolvimento de uma nação. A Argentina e os Estados Unidos estavam no século XIX entre as dez maiores economias do mundo, mas diferentes decisões fizeram com que trilhassem caminhos opostos. Nossos vizinhos continuam ostentando parte do espírito de outrora, porém tanto quanto nós continuamos criticando demasiado os externos e não corrigindo os próprios defeitos.

Não quero esboçar conclusões moralmente repugnantes, nem me interessa defender os métodos estadunidenses hoje impostos, até mesmo porque sou veementemente contrário a eles. Nossos países latino-americanos seguem sempre buscando culpados, sejamos Haiti, Venezuela, Argentina, Honduras, Brasil ou qualquer outro, precisamos sempre culpar ao outro por nossa incompetência.

O Trabalho árduo é o melhor método de auto-ajuda. O mundo tem reproduzido uma falácia de pensamento, até mesmo uma falsa economia, ao considerar que o estágio de desenvolvimento de um país depende de variáveis como religião, geologia, hidrografia, clima, entre outros. Não que estes fatores não exerçam influencia, com certeza exercem, porém o fator determinante são as pessoas. Quem sabe precisamos de um pouco de ousadia na forma de vermos a história econômica do mundo e desenharmos os próximos séculos, fugindo do danoso ato de condenar os demais por nossos problemas e sim desenvolvermos nossas pessoas.

AS DIMENSÕES

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Odair Deters

19/12/2010

Espero que não necessite de uma camisa de força ou algo assim, nem que vá parar em um manicômio. Hoje próximo ao meio dia sai com um sol a pino e acho que meu cérebro esquentou demais e então durante a tarde resolvi estudar um pouco a questão das dimensões, para começar digamos que eu tenha 18 metros de tela e resolva fazer um canil para meu adorado cachorro[que eu não tenho], bom tendo os 18 metros de tela, eu poderia fazer um quadrado de 4,5m x 4,5 metros(18/4), o que daria uma área de  4,5×4,5 = 20,25 metros quadrados, que seria o melhor aproveitamento que eu poderia ter, dando assim mais espaço ao adorável cusco, porem se eu resolvesse usar os mesmos 18 metros e ao invés de fazer um quadrado, optasse por alterar  e fazer um retângulo eu já passaria a limitar a área que o cachorrinho iria ocupar, ou seja, se eu alterasse uma lateral para 4,6m, teria a outra com 4,4m, o que daria 4,6m x 4,4m = 20,24 m², nota-se ai, já, uma leve redução do tamanho, e assim por diante qualquer movimentação, só diminuiria o espaço que o meu cachorro imaginário ocuparia, 4 x 5 = 20 m ², 3 x 6 = 18 m ²…

Porem o cálculo acima e dos mais simples, e alguns ate podem estar balançando a cabeça em negação e dizendo? “nada mais obvio”, ou “quem não sabe isto, deveria se enforcar em um pé de couve”.

Porem quero ir além, e mergulhar no mundo da ficção [será?] e por que não dos desenhos animados. Bom, estava eu vendo um desenho recente, obra para os pequenos, mas que muito adulto poderia tirar proveito, seja da batalha entre o espiritualismo que liberta e o materialismo do ver pra quer, bem como da própria questão dimensional, refiro-me a película: “Horton e o Mundo dos Quem”. Onde uma flor é arrancada de seu local seguro e vai parar no meio da selva, e dentro desta flor, em um minúsculo grão de pólen existe toda uma sociedade vivendo [o mundo dos Quem], e este mundinho passa a viajar pelo ar, sendo salvo por um elefante. O desenho representa bem a questão dimensional.

E os modernos físicos, já calculam muitas dimensões [11 no total], afirmando não ser ficção. E nos abrem a possibilidade de outros mundos ocultos, vagando por ai, que podem ter universos inteiros iguais ao nosso.

Aquela clássica historia de terror, onde o mostrengo pula de outra dimensão para sequestrar a pobre menininha pode parecer fantástica demais, porem não inevitável segundo muitos físicos.

Bom, para respaldar isto tudo, e não ficar esta pessoa [Odair] praticamente desprovida de conhecimentos sobre física, matemática e afins. Começamos nossa historia com nada mais, nada menos que Albert Einstein, que tentando bolar uma teoria pra explicar a forca eletromagnética e a gravidade de uma só vez, deu o grande passo da física quântica, no entanto as respostas não vieram tão facilmente. Ate que outro alemão, Theodor Kaluza lhe enviou umas folhas cheias de contas, demonstrando que eletromagnetismo e gravidade eram faces diferentes da mesma moeda, mas com uma condição então áspera, para que isto ocorresse, necessitaria de uma quarta dimensão no universo. Opa, 4 dimensões? (outra além do comprimento, largura e altura).

Para elucidar melhor o exemplo: Digamos que você resolva marcar um encontro com um velho amigo. Para isto precisara previamente de 3 informações para achar o espaço tridimensional de Euclides [o grego que tornou notório as 3 dimensões]. Ao marcar o encontro, você terá que dizer que estará na rua tal (dimensão direita/esquerda), número tal (dimensão para a frente/para trás), andar tal (para cima/para baixo). E ainda precisa dar uma quarta dica para não ocorrer um desencontro: o horário do encontro. Pronto: com 3 dimensões de espaço e uma de tempo qualquer um acha você. Mas num espaço de 4 dimensões não. Ele vem com uma direção a mais, e que não é nenhuma das que a gente conhece. Difícil de imaginar. Mas não impossível. Se desse para a gente andar numa dimensão extra, poderíamos chegar a qualquer ponto do nosso mundo de 3 dimensões por atalhos inusitados. É como se a 4ª dimensão tivesse o poder de torcer e retorcer o nosso espaço: ela criaria ligações impossíveis entre pontos distantes. Quer ir a Paris, Berlim, Nova York, Plutão, Marte ou a galáxia vizinha, bom tudo isto pode estar a um passo daqui.

Alguns exemplos que podemos citar remete as minhocas, lesmas, caracóis ou qualquer tipo de verme rastejante, estes seres conhecem tão só, uma única dimensão, a do “comprimento”, sentem lá suas sensações de dor e prazer, frio e calor, bom e ruim, e assim seguem rastejando. Imagine se pudesse falar a um destes vermes e lhes dizer que existe uma segunda dimensão chamada “largura”, com certeza eles negariam tal como alguns devem ter negado acima a descrição de uma quarta dimensão agora pouco, pois esta foge de seus sentidos tradicionais. Mas para um Boi, um cavalo ou um cachorro, a existência desta segunda dimensão é uma realidade, e eles passam a ter além das sensações, as percepções. No entanto desconhecem a existência da dimensão “altura” que nos homens muito bem identificamos, tendo assim os 5 sentidos desenvolvidos (tato, olfato, paladar, audição e visão), ou seja, além de sensações e percepções, temos ganhamos com isso a capacidade de emitir teorias.

Contudo uma quarta e nova dimensão pra nós figura quase como absurdo, por nos fugir a compreensão, tal como uma segunda dimensão não seria compreendida por uma lesma ou uma terceira por uma vaca. Uma quarta dimensão nos abre a possibilidade de universos paralelos, ou de mundos que se penetram e compenetram sem se confundirem, dando a quase inimaginável possibilidade de uma caixa de fósforos com 4 dimensões, abrigar uma quantidade infinita de objetos tridimensionais, ou mesmo uma galáxia inteira, pois esta quarta dimensão abriria um espaço entre o céu e a terra muito maior do que nossa vã filosofia pode suportar.  Seria como um livro com infinitas paginas porem que continuasse fininho como aqueles pockets.

Mas a ideia de uma dimensão que está aqui, bem na nossa cara, e mesmo assim continua invisível não agradava. Então vários físicos tem tentado resolver isto. A conclusão mais comum é que essa outra dimensão não nos e perceptível por um motivo simples: ela estaria escondida no mundo ultramicroscópico, enrolada em si mesma, isto parece só complicar. Mas os russos no áureo tempo da extinta União Soviética acabaram por desenvolver uma maquina fotográfica que conseguia fotografar uma dimensão extra, ao redor do corpo humano, a dita câmera foi chamada de câmera Kirlian, e hoje abunda pelas lojinha esotéricas, a qual consegue registrar algo mais, chamado por alguns de aura, ou corpo etérico, mas que os soviéticos denominaram de corpo biplasmático. É a quarta dimensão em nós mesmos.

O uso da geometria euclidiana como sendo a geometria própria para o mundo historicamente gerou um entrave ao desenvolvimento da geometria moderna. Porem justamente numa época marcada por profundo ceticismo,  físicos começam a comprovar a existência de universos paralelos, a própria teoria da relatividade de décadas, nos da mais duas dimensões – Tempo e Espaço – e abre possibilidades para outras escondidas e não empiricamente prováveis. E se disse certa vez que em física primeiro se  inventa e depois se  descobre. As dimensões escondidas já foram inventadas. Falta só serem descobertas.

Quem sabe não temos a nosso redor inúmeras dimensões se penetrando e se compenetrando, possibilitando assim a existência dos mundos frequentados durante os nossos sonhos, o mudo dos mortos, reinos perdidos, portais como o do triangulo das bermudas, compreensão para fenômenos estranhos como chuva de peixes ou de rãs, viagens no tempo, ou mesmo provar do êxtase do Nirvana, indescritível segundo os monges que dizem ter tido este privilegio, registros da nossa historia perdidos no decorrer do tempo, ter contatos com os anjos, e comprovar a cruel existência dos infernos e a bondosa realidade dos céus. Bom, através de novas dimensões abrem-se as portas para possibilidades incognoscíveis para nós hoje.

As possibilidades são muitas, porem querer conhecer as dimensões, que hoje a física moderna já consegue estimar que sejam 11 ao todo com cálculos inebriantes, pode parecer muita presunção, bem sabemos que não conhecemos nem se quer nosso sistema solar, ate o momento não temos certeza do numero de planetas que giram ao redor do sol, para piorar não conhecemos nem direito os recôncavos do nosso planta Terra, e pra estrebuchar de vez, desconhecemos até a nós mesmos.